sexta-feira, 10 de setembro de 2010

AS AVENTURAS DO CARECA: FÁBULA DE UM PAÍS IMAGINÁRIO

-- Rapaz, eu te falei que esse negócio dos nossos jornais não darem uma linha sobre a história era burrada. A imprensa inteira fazendo o maior auê e a gente dando manchete sobre o aumento da poluição em BH? Foi bandeira demais. Os caras só seguiram a pista.

-- Eu disse ao Alvim. Era só repetir a ladainha “o aparelhamento da Receita, o Estado policial, patati patatá”. Mas não. Ficaram no silêncio, deu no que deu. Ficou óbvio demais.

-- Uso do cachimbo deixa a boca torta.

-- Pois é.

-- O negócio já estava agourado lá atrás, quando o Ecim bateu na namorada. Pô, tá achando que Copacabana é Barão de Cocais? Lá vaza mesmo. A moça lá da Folha que é dona da boate contou, mas não deu nome nenhum.

-- Quem deu?

-- Aquele jornalista lá, do futebol.

-- Por que o cara fez isso?

-- Ele vive afogado em processos, o Ric o odeia.

-- O Rick o está processando também?

-- Não, sua besta, esse é outro Ric, o do futebol!

-- Ah, sei. Mas o que tem a ver?

-- É que o Ric é chapa do Ecim.

-- Isso aí foi antes ou depois daquele recado do careca, o pó pará?

-- Depois. O Ecim já sabia que o chumbo era grosso. Mas aí o Ecim já estava com a galera nossa aqui, já tinha chamado o Yruama. Quando o careca descobriu que o Rick estava processando o Yruama, endoidou. Ele é feio e desengoçado, burro ele não é. Mas aí Inês já era morta, tinha que continuar com a ladainha de que era o partido dos barbudos. Como réu, o Yruama tinha acesso aos autos. Imagina, o Yruama, repórter, macaco velho, com aquela papelada toda. O sujeito até salivou. Um franguinho assado no colo.

-- O que tem na papelada?

-- Toda a história de Lilliput nos anos 90. Como venderam tudo, as negociatas, tudim, tudim. O careca entrou em pânico.

-- O lance é que o careca tentando fingir de indignado não convence nem minha vovozinha. É mais fácil ele aprender a dançar forró que se fingir ultrajado. Aí fodeu mesmo.

-- Mas o plano não era incriminar o partido dos barbudos com o material do Yruama, aproveitando que era sigiloso?

-- Tentaram. Foram lá em Brasília com aquele delegado. O sargentão estava lá também. Não conseguiram nem um aloprado pra arrastar.

-- Mas a Óia não deu a matéria assim mesmo, dizendo que era o partido dos barbudos?

-- Os caras foram lá, mas a história era tão fantasiosa que nem o Quaresma achou que dava pra vender.

-- Mas a matéria saiu.

-- Saiu, porque ali sacumé. Até o cruzamento da mandioca com o rinoceronte eles já inventaram.

-- E aí, o que rolou?

-- A matéria saiu na internet num sábado. Veio o domingo e nada de repercussão. Veio a segunda, nada. Não sei o que rolou na segunda, mas na terça A Esfera entrou solando, publicou matéria repercutindo. O rapaz da Folha até contou que eles nem iam pegar essa história, era vexame demais, mas como A Esfera já tinha publicado, eles tinham que seguir.

-- Nem com a matéria eles conseguiram algum bobo do partido dos barbudos pra pegar um dado sigiloso e depois ser incriminado?

-- Nem um. Filhos da puta. Os barbudos estão ficando espertos.

-- Como é que eles descobrem a relação disso tudo aí com a cidade do Visconde?

-- Internet, meu filho. Lilliput em 2010 não é Lilliput em 1989. Não sei quem foi, mas às 15h o trem já estava pegando fogo na internet.

-- Qual foi a besta quadrada que saiu da reunião dizendo “a internet já descobriu que foi o Ecim”?

-- Não sei quem foi, mas vazou isso também.

-- Como é que está Ecim?

-- Ecim está tranquilo. Agora, o careca está em pânico.

-- E o nosso esquemão aqui?

-- Complicado. Descobriram as matérias clandestinas feitas à noite aqui, pra não sair no jornal e vazar pra outros.

-- Como descobriram? Porra, estamos no oitavo andar!

-- A meia dúzia de quarteirões do Ecim. Eu já te falei, Lilliput em 2010 não é Lilliput em 1989.

-- Como se chama este bairro aqui?

-- Bairro da Serra.

-- Avenida Getúlio Vargas no bairro da Serra?

-- Eu sei, pode rir.

-- E o careca agora?

-- Ficou doidão. Não pode revelar o esquema, começou a brigar com os blogs.

-- Blogs?

-- É uma turma suja que escreve na Internet.

-- O cara quer governar Lilliput e está brigando com os blogs?

-- Desespero, mô fio. O Ecim é que é esperto. O careca odeia o Ecim até mais que ele odeia o barbudão. Do barbudão ele tem é inveja.

-- E o barbudão?

-- Estava lá em Porto Alegre quando vazou tudo. Sendo beijado pelo povo, aquela nojeira.

-- Tem perigo disso sair na imprensa?

-- Tem não. Morrem de medo, rabo preso, sacumé. O lance é que dá na mesma, está todo mundo migrando pra internet.

-- O Yruama está se cuidando?

-- Aquele ali é doido de pedra. Você sabe, ele voltou pra Minas depois que levou aquele tiro em Brasília.

-- Nosso esquemão aqui sobrevive?

-- Claro. Minas é tranquilo.

-- Então a mulher vai ganhar mesmo?

-- De lavada.

-- E o careca?

-- Se fodeu.

-- Acho que é até melhor pra nós.

-- Com certeza.

-- O careca ficou sozinho então?

-- Ficou sozinho


Texto extraído do blog cloacanews Por Idelber Avelar, d'O Biscoito Fino e a Massa

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Guerra do dossiês em 2002 entre PSDB e PFL


Acredite, se quiser. Está aqui = http://veja.abril.com.br/200302/p_038.html tudo aqui, nos arquivos digitais daquilo que, um dia, foi uma revista.

Uma grande inversão


O que surpreende nesta campanha eleitoral é a capacidade de transferência de votos de Lula para Dilma. Esta era uma personagem desconhecida em termos eleitorais. Sua vocação era outra: a de servidora pública, empenhada na gestão de empresas estatais ou planos de desenvolvimento.

Assim, quando Lula sacou o seu nome e o apresentou ao distinto público, não faltaram análises de que o homem não queria eleger o sucessor, no caso, sucessora.

Escolhera um nome destinado a uma derrota eleitoral honrosa, evitando sombras em sua popularidade. Mas não foi isto que aconteceu. Lula investiu na herdeira, pessoalmente e com a máquina pública. Os resultados não se fizeram esperar e até agora espantam os analistas. O que dizer destas evidências? Os mais simplórios, como sempre, denunciam sombrias manipulações.

É uma velha cantilena, de direita e de esquerda. Quando o eleitorado não acompanha suas propostas é porque está sendo manipulado. Para a velha UDN, era Vargas o grande manipulador. Para as esquerdas, depois da ditadura, era a TV Globo que orquestrava as mentes. A conclusão é sempre a mesma: as pessoas não sabem votar. Multidões passivas, despolitizadas, idiotas! Idiota, no caso, é a interpretação, incapaz de compreender a complexidade do processo histórico.

Uma outra linha interpretativa foi importada de análise feita nos EUA a propósito da eleição de Bill Clinton. Um gênio teria formulado a frase: é a economia, seu estúpido! Queria dizer com isto que o eleitorado estadunidense estaria votando de acordo com seus interesses econômicos. Como Clinton falou, e muito, do assunto, ganhou as eleições com folga.

Transportada para o Brasil, a tese poderia ser assim traduzida: as classes populares, na grande maioria, estariam votando com o bolso, ou seja, como os governos de Lula as beneficiaram economicamente, elas tenderiam a manter uma fidelidade canina ao benefactor. A análise não é destituída de fundamento. Com efeito, os interesses econômicos são um ingrediente importante nas escolhas de qualquer eleitorado. Mas, se o ser humano não vive sem pão, sabe-se também que "nem só de pão vivem os humanos".

A hipótese que sustento é que a aprovação do governo Lula e a sua inusitada capacidade de transferência de votos residem num processo mais profundo: o acesso progressivo das classes populares à cidadania. Lula é a expressão maior disso. Ele é visto como o político que promoveu como ninguém este acesso. Isto tem a ver com bens materiais, sem dúvida. Mas há outros bens, simbólicos, mais importantes que o pão nosso de cada dia. E é isto que as direitas raivosas e as esquerdas radicais não percebem. As pessoas comuns, desde os anos 1980, e cada vez mais, começaram a achar graça nas instituições e nas lutas institucionais. Política, assunto de brancos ricos, começou a ser também de pardos, negros, índios e brancos pobres.

Esta é uma novidade óbvia, senhores e senhoras das elites brancas (a expressão é de Cláudio Lembo, líder conservador). Se Vossas Excelências puserem o ouvido no chão, talvez sejam capazes de ouvir o tropel que se aproxima. Se olharem para o mar, vão ver o tsunami que vem por aí. Na história desta república, só antes de 1964 houve coisa parecida com o que está ocorrendo agora. Entretanto, na época, os movimentos populares queriam muito e muito rápido. Não deu. Veio o golpe, paralisou e reverteu o processo. Agora, não. A multidão come pelas bordas, com paciência e moderação, devagar e sempre, mas a fome destas gentes é insaciável.

Quando as pessoas comuns compreendem os benefícios da democracia, querem para elas também. É raso imaginar que tudo se esgota no pão. O pão quentinho é gostoso, quem não gosta? É mais do que isto, porém: os comuns querem a cidadania. Plena. Querem jogar o jogo político como gente grande, como antes só os brancos ricos faziam. Uma grande inversão.

Vai dar? Não vai dar? Veremos. Mas uma coisa é certa: não vai ser tão fácil deter esta onda.


Fonte:www.aleporto.com.br/ texto de Daniel Aarão Reis

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Notícia urgente........

Renda per capita avança


Apesar do avanço da renda per capita ( PIB per capita ), o Brasil tem um grande desafio para o futuro próximo,é melhorar a distribuição de renda nacional, diminuindo a concentração de renda e terras no país.

A distribuição da renda poderá ocorrer na medida que diminua a taxa de desemprego, aumente a oferta de moradia para a população de baixa renda, vagas nas creches públicas estatais para todas as crianças, especialmente para filhos e filhas das trabalhadoras, escolas públicas estatais de educação infantil e ensino fundamental de período integral para todas as crianças/jovens. Essas escolas e creches devem oferecer alimentação completa, material didático-pedagógico e orientação psico-social-profissional.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Caso do sigilo foi “fogo amigo”?


O Blog do Rovai, do jornalista Renato Rovai, editor da revista Forum, publicou hoje um post interessante que levanta a hipótese de que a quebra de sigilo de pessoas próximas a Serra tenha se dado por fogo amigo tucano.

Quando o sigilo da filha de Serra foi quebrado, em setembro de 2009, a disputa entre Serra e Aécio pela indicação do PSDB à Presidência estava no auge. E alguns fatos suspeitos teriam acontecido no período.

O jornal Estado de Minas estaria preparando material jornalístico contra Serra e o tucano paulista teria tomado conhecimento disso. No início de novembro, a coluna de Joyce Pascowich, na Folha de S.Paulo, publica que um político teria agredido a namorada e o jornalista Juca Kfouri escreve que foi Aécio.

Em 18 de dezembro, Aécio desiste da disputa.

“Esta poderia ser uma linha de apuração para a quebra de sigilo da filha de Serra em setembro de 2009, auge da disputa entre Serra e Aécio”, sugere Rovai, que ainda levanta uma pergunta procendente:

“Se é caso de aparelhamento de Estado, por que o PT contratou um contador maluco com uma procuração falsa para ter os dados de Verônica Serra? Não seria mais fácil pedir para alguém de confiança da Receita fazer o serviço?



Fonte: Tijolaço