Breve história da vida de um acrónimo que se transformou em um clube político. Começou com quatro membros todos diferentes mas todos iguais na trajetória de deitarem fora a etiqueta de Terceiro Mundo ou de superpotência falhada.
É provavelmente o acrónimo com mais sucesso da última década", diz-nos Joaquim Ramos Silva, professor do Instituto Superior de Economia e Gestão, autor de "Portugal/Brasil: Uma Década de Expansão das Relações Económicas, 1992-2002".
Jim O'Neill cunhou o acrónimo BRIC em novembro de 2001 num artigo para a série de Economia Global da consultora Goldman Sachs, referindo-se a quatro economias: Brasil, Rússia, Índia e China. "Pensei que a economia global nas décadas seguintes seria impelida pelo crescimento destes quatro países populosos e economicamente ambiciosos", afirma o "pai" do conceito, no seu mais recente livro "The Growth Map - Economic Opportunity in the BRICs and Beyond", publicado pela Portfolio/Penguin no final de 2011, uma década depois do célebre artigo.
Mudança de perceção a nível subliminar
O acrónimo BRIC acabou por suscitar paixões e críticas frontais. Algumas das críticas vêm do próprio seio de economistas e consultores desses países que fazem parte do acrónimo.
O vice-diretor geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), o economista indiano Harsha Vardhana Singh, é um entusiasta: "O conceito foi introduzido na mesma altura que as negociações da Ronda de Desenvolvimento de Doha foram lançadas pela OMC e que a China ingressou na organização. Foi um conceito muito útil de diversas maneiras, inclusive na mudança de perceção a um nível subliminar.
Alertou as pessoas para a importância crescente e para a presença de países que não pertenciam à OCDE, e, em geral, assinalou o potencial imenso dos países em desenvolvimento. A perceção dos investidores em relação a estas economias melhorou". Mesmo do ponto de vista da OMC, este economista doutorado em Oxford salienta que "a construção de uma coligação deste tão diversificado grupo permitiu alcançar os objetivos, inclusive nas negociações na OMC e no trabalho diário".
A principal conclusão que qualquer cidadão do mundo tira é, certamente, idêntica à do economista e consultor brasileiro Ricardo Amorim: "O acrónimo foi muito útil para chamar a atenção para um processo de transformação brutal que está a acontecer na economia mundial, onde países emergentes e, em particular, os BRIC, estão ganhando cada vez mais importância". Por seu lado, Constantino Xavier, um investigador português na Universidade Johns Hopkins, em Washington DC, que viveu na Índia, adianta que "o conceito foi de facto útil para o Ocidente debater o 'ascenso do resto' depois do fim da Guerra Fria".
As duas mais impressionantes histórias; China e Brasil
Desde 2001, vários trabalhos de equipas da Goldman Sachs foram atualizando as previsões em que cada uma das quatro economias ultrapassaria economias ricas do G7.
A realidade acabaria por surpreender com a subida da China ao segundo lugar antes de 2015 e a ultrapassagem da Itália e do Reino Unido pelo Brasil muito antes de 2025. A China é, desde 2010, o número dois, e o Brasil é, desde 2011, o número seis. O'Neill considera os dois casos as duas mais impressionantes histórias da última década.
A Índia e a Rússia estão, ainda, em 9º e 10º lugar, a uma distância de 300 mil milhões a 350 mil milhões de dólares da Itália e do Reino Unido, mas provavelmente não precisarão de chegar a 2015 ou 2020 para ultrapassarem esses dois países europeus. O analista Shubrah Gupta, no The Indian Express, referiu recentemente que "o futuro está a chegar mais cedo do que antecipado".
Entretanto, as quatro economias são responsáveis, desde 2003, por 65% do crescimento anual da economia mundial. O empurrão que deram no comércio mundial pode ser apreciado por estes números impressionantes para o período de 1990 a 2009: as exportações de bens e serviços cresceram 86% na Rússia, 176% no Brasil, 738% na Índia e 1993% na China. Essa dinâmica exportadora vai manter-se, ainda que arrefecida, no período de 2010 a 2016, segundo as previsões: 34,7% na Rússia, 79,6% no Brasil, 171% na Índia e 178% na China.
O calcanhar de Aquiles político
No entanto, para o economista russo Constantin Gurdgiev, o conceito "é uma amalgama de realidades completamente distintas no plano político, cultural, institucional e económico". Em termos de PIB per capita, ou de riqueza média, é um grupo com extremos, com a Índia na base e a Rússia no topo desta pirâmide.
Por um lado, temos economias dependentes da exportação de mercadorias e ancoradas regionalmente, como a Rússia e o Brasil, misturadas com uma potência comercial mundial, a fábrica do mundo, a China, e com um líder num nicho de serviços internacionais, a Índia. Há um fosso financeiro enorme entre a China, que é o segundo maior credor líquido do mundo (depois do Japão), e o Brasil, que é o quarto maior devedor líquido do mundo, depois dos EUA, Espanha e Austrália.
Michael Pettis, um americano que é professor de mercados financeiros na Universidade de Beijing, é mais cáustico ainda: "Como ferramenta de marketing para fundos à procura de mobilizarem capital foi muito útil. Mas não penso que signifique muito mais do que isso. Sou muito cético sobre o crescimento 'inexorável' dos BRIC".
Para Ricardo Amorim, que é também apresentador do Manhattan Connection da Globo News, "os BRIC têm interesses comuns mas também grandes divergências de interesses, resultantes das suas diferenças económicas e políticas. No campo comercial, por exemplo, é difícil vê-los atuando em conjunto, enquanto a Índia e a China forem grandes importadores de matérias-primas e o Brasil e a Rússia forem grandes exportadores". O economista brasileiro considera inclusive que, no caso do seu país, "não tem tamanho suficiente para definir tendências globais, mas, apenas, para influenciá-las marginalmente".
O investigador português Constantino Xavier vai mais longe na crítica ao conceito: "É impossível divorciar a sustentabilidade do crescimento económico dos temas políticos e de governação democrática. Isto pode parecer menos aparente hoje em dia quando o Ocidente está mergulhado na recessão e precisamos que os BRIC cresçam o mais rápido possível". E vaticina: "Mas mais tarde ou mais cedo, haverá desafios importantes contra os modelos autoritários da Rússia e da China e movimentos populares e reclamações democráticas - contra a corrupção e a desigualdade dos rendimentos - na Índia ou no Brasil".
A grande transformação
Apesar das críticas, a visão de O'Neill e da sua equipa na Goldman Sachs provocou três consequências devastadoras na perceção que havia do mundo há uma década atrás.
Recorde-se que o conceito de BRIC surgiu no mesmo momento em que muitos analistas pretenderam passar a ideia de que os ataques terroristas de 11 de setembro nos Estados Unidos haviam sido um ponto de viragem. "O mundo mudou", dizia-se, então. A que se associou um renascimento inexorável da superpotência "solteira".
Mas, na realidade, o mundo já mudara radicalmente há anos atrás. O episódio terrorista era, apenas, mais um sinal da grande transformação ocorrida em que os principais protagonistas nada têm a ver com redes terroristas ou com estados-falhados.
Essa grande transformação geoeconómica e geopolítica pode ser observada por três ângulos.
Primeiro: tudo indica que com a revolução capitalista na China desencadeada por Deng Xiaoping no final dos anos 1970 e depois com a queda do Muro de Berlim no final dos anos 1980 se abriu uma nova vaga de globalização. Esses momentos fraturantes colocaram um ponto final à primeira vaga iniciada pelos portugueses no século XV e que veria uma sucessão de impérios europeus ou de matriz europeia dominar o mundo (os cinco ciclos de potência, com Portugal, Holanda, Reino Unido que bisou, e Estados Unidos) ou tentando dominá-lo, mas falhando (Espanha Filipina, França Napoleónica, Alemanha Guilhermina e depois Hitleriana, e URSS a partir do projeto de grande potência baseada no "socialismo num só país" de Estaline).
Com a água suja do banho, desapareceu o Terceiro Mundo que Alfred Sauvy nos anos 1950 via como "terceiro estado" alternativo a um mundo baseado no equilíbrio do terror e na luta ideológica e de posições entre dois sistemas, o capitalista e o do "socialismo real".
Segundo: o "modelo de sucesso" dos anos 1990, o dos "tigres" (do Pacífico ou da Europa) de alta densidade demográfica e pequenas áreas, deu lugar à pujança das "economias-baleia", em que a noção de "grandes espaços" como fonte de poder regressa à geoeconomia e à geopolítica, sublinha André Martin, professor de Geografia Política na Universidade de São Paulo. Para Joaquim Ramos Silva, professor do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), em Lisboa, a emergência destas "baleias" influencia muito mais o meio ambiente do que os "pequenos peixes".
O entusiasmo sobre os "tigres" viria a dar lugar a outras histórias económicas ainda mais surpreendentes, as dos BRIC, e particularmente de dois casos: China e Brasil. Para Jim O'Neill são as duas grandes histórias da nossa geração.
Terceiro: os BRIC, e inclusive outras economias emergentes de menor dimensão, surgiram como investidores nas economias avançadas. "Desde meados dos anos 1990 que assistimos a uma internacionalização sem precedentes dos fluxos de investimento globais e dos portefólios, bem como ao desenvolvimento de um comércio robusto entre os países do 'Sul' e a uma dinâmica de fluxos de investimento entre as economias emergentes e de rendimento médio. Este processo consolidou-se a ponto de que os anteriores recetores líquidos do capital financeiro das economias avançadas se tornaram paradoxalmente em novos investidores essenciais nas economias avançadas", sublinha Constantin Gurdgiev.
Algo surpreendente surgiu. Um estudo do McKinsey Global Institute sobre os mercados financeiros em 2011 constatava: "Ao contrário da perceção popular de que os fluxos de capital para os mercados emergentes são altamente voláteis, o que verificamos é que os fluxos entre países desenvolvidos são muito mais voláteis. Quando ajustados à dimensão média, os fluxos de capital para os países desenvolvidos são 20% mais voláteis do que os fluxos para os mercados emergentes". Se em 2000, os investimentos no estrangeiro por parte das economias emergentes eram apenas 6% do total, uma década depois já somavam 20%. Um dos elementos centrais desta dinâmica - que representa 61% - é a aquisição de títulos de dívida estrangeiros por parte de bancos centrais dos países emergentes.
Crise gera grande oportunidade ou mera moda?
Entretanto estoirou a crise financeira de 2008 e depois aprofundou-se a recessão internacional e muitos decretaram a sentença de morte dos BRIC. "Houve momentos em que eu também me preocupei [com a sobrevivência do acrónimo]", confessa O'Neill. Mas os quatro países revelaram dois ingredientes: resiliência à Grande Recessão e espírito de "coopetição", o que em gestão significa cooperar e competir.
Para Peter Drysdale, professor na Universidade da Austrália em Camberra, "tem ficado claro que coletivamente estes países podem resistir às imposições ocidentais no âmbito multilateral". "As divergências entre eles são muito mais pequenas do que com o Ocidente. É essa co-dependência que fornece a argamassa dos BRIC", conclui.
A crise traria, no entanto, uma inesperada oportunidade para os BRIC. "A sua afirmação política pode ser datada da reunião que fizeram em Ekaterimburgo, na Rússia, em junho de 2009", acrescenta Drysdale. O acrónimo de Jim O'Neill sofreu uma mutação radical: passou a um clube político.
A foto de mãos dadas dos presidentes do Brasil, Rússia e China com o primeiro-ministro indiano correu mundo. "Quer no sentido de alcançarem os seus objetivos internos como os mais amplos a nível internacional, os BRIC evoluirão para um clube político ainda mais forte no futuro. Contudo, o conjunto dos associados será certamente flexível, com diferentes permutações que se julguem necessárias", afirma-nos Harsha Singh.
Face à emergência deste clube, as opiniões de alguns economistas ouvidos são de um enorme ceticismo. Michael Pettis arrisca que o clube dos BRIC poderá revelar-se uma moda passageira. "Noutras alturas de fraqueza económica, ouvimos falar com grande excitação de novos agrupamentos políticos internacionais. Nos anos 1970, por exemplo, ouvimos falar do poderio crescente do bloco árabe, depois do Movimento dos Não Alinhados, depois da ressuscitação da América Latina, e por aí adiante. Mas politicamente todos eles tinham poucos interesses em comum, para além do desejo de uma maior presença na cena mundial. E todos murcharam", conclui.Ashutosh Sheshabalaya, autor de "Made in India" ("Rising Elephant", na edição inglesa), é da mesma opinião.
Por seu lado, Joaquim Ramos Silva, do ISEG, acha que "há diferenças dentro do grupo que realmente contam", e prossegue: "Cada um deles tem a sua especialização e prosseguiu o seu próprio caminho de integração na economia mundial, por isso chegar a um consenso entre eles não é tarefa fácil. Também parecem relutantes, cada um por si ou em grupo, em assumir responsabilidades do potencial de hegemonia que têm e em desafiar abertamente os incumbentes. Por isso, no futuro próximo, avançarão passo a passo, e provavelmente nem sempre como um grupo".
Também Constantino Xavier torce o nariz à eficácia do grupo: "É pouco provável que se transforme em cooperação efetiva. A China e a Índia são rivais e nenhum dos membros do clube está interessado em se juntar contra o hegemonista incumbente, os EUA".
O grupo acabaria por cooptar mais um membro, a África do Sul, no final de dezembro de 2010. Foi a vez de o acrónimo mudar para BRICS, adicionando o "S" de South Africa, uma economia que nem sequer está incluída no que Jim O'Neill batizou como os "Próximos 11" que misturam economias de crescimento com economias emergentes. "É para mim difícil pensar a África do Sul como um genuíno BRIC ou mesmo como uma economia de crescimento. É metade da dimensão económica de uma Indonésia ou de uma Turquia", escreve no livro "The Growth Map". Decididamente, o acrónimo libertou-se definitivamente do "pai".
A cooptação da África do Sul gera, de facto, muitas reflexões. No plano geopolítico, o consultor indiano Ashutosh Sheshabalaya desenha uma tese: "Face às métricas usadas, o clube secundariza a Índia, tornando-a um parceiro júnior face à China. A Índia bateu-se por um outro agrupamento, o IBSA, como contrapeso, agregando a Índia, o Brasil e a África do Sul. Aliás, foi por isso que a China correu a puxar a África do Sul para o clube e se apressou a rebatizar o grupo de BRICS no final de dezembro de 2010". Por seu lado, o professor brasileiro André Martin defende: "Como brasileiro, prefiro afirmar que o Brasil, Índia, África do Sul e Austrália possuem uma condição comum de líderes regionais que se perfilam como as potências emergentes do hemisfério Sul.
Entendo por 'Sul' não um espaço estritamente geográfico, mas geopolítico referindo-me aos países colonizados e que não são ainda reconhecidos como potências mundiais pela ONU". A uma tríade desenhada por O'Neill - os "ricos" em declínio (inclusive com uma progressiva periferização do Japão e da Europa); as novas "economias-baleia" de crescimento (os BRIC); e o resto -, o professor de geopolítica prefere um "modelo binário" verdadeiramente fraturado entre "Norte" e "Sul".
Por Jorge Nascimento Rodrigues http://www.administradores.com.br
domingo, 22 de janeiro de 2012
sábado, 21 de janeiro de 2012
BBB12: a Globo, um apresentador idiota e o suposto estupro, enquanto a Luíza estava no Canadá
A 12ª edição do Big Brother Brasil (BBB12) foi o tiro no pé da Globo, que por conta de uma história mal contada, acelera a ruína de um império do finado Roberto Marinho, construído sobre o castelo de cartas das concessões públicas de TV, entulho do regime de exceção que ainda aflige o país, há mais de meio século.
Um novo meio de comunicação, mais ágil, independente, sério quando precisa e brincalhão o suficiente para eleger Luíza, que estava no Canadá, a nova musa do verão da Paraíba, começa a desbancar a velharia que insiste em sobreviver agarrada aos faustões da vida, lucianos hucks, BBBs tarados e apresentadores de jornais metidos à besta.
Um deles, do SBT – rebotalho da antiga TV Tupi, desmontada pelo generalato ditatorial para agradar ao camelô de coturnos do Baú da Felicidade, até se achou no direito de passar uma descompostura na nação e dizer que o brasileiro é, antes de tudo, um idiota. Mal sabe o coitado que “o maior prazer de um homem inteligente é bancar o idiota diante do idiota que quer bancar o inteligente”, já dizia o velho Confúcio.
O que o moço também não percebe, porque fala o que lhe mandam falar diante das câmeras e, se fosse diferente, ficaria na mesma, é a qualidade da informação que circula pela internet brasileira, uma das mais abrangentes do mundo, com um tempo de uso por pessoa de deixar qualquer gringo de queixo caído.
No laptop, no desktop, no celular, no tablet que vai a qualquer canto, os brasileiros souberam avaliar a idiotice imensa que é o BBB12 e, de quebra, os demais 90% do conteúdo produzido pela TV nacional.
O país acompanhou as notícias sobre o crime que – horas após supostamente cometido – foi desvendado e traduzido aos brasileiros como uma armação errada da Vênus encardida do Jardim Botânico. Muito errada, diga-se de passagem. Tanto, a ponto de lhe valer um contravapor, caso a seriedade que falta à emissora exista no setor governamental responsável por julgar tais infrações.
Se os mais de 40 milhões de internautas brasileiros resolveram criar o maior fenômeno de marketing dos últimos tempos, numa brincadeira com o pai da Luíza (aquela que estava no Canadá), coisa bem típica de quem tem bom humor, também souberam apontar para o canal de TV líder de audiência no país e dizer-lhe, com todas as letras, que desta vez passou dos limites.
Não é lícito mostrar para crianças, em horário próprio para 12 anos, as cenas reais – em tempo real – de um sujeito embaixo do edredom, fazendo os diabos com a moça que mais parecia uma boneca de pano. “Estupro!”, gritaram de imediato os afoitos. Bateu até polícia na porta da Rede Globo. Pegaram calcinhas e lençóis. Abriram um Boletim de Ocorrência. Tomaram depoimentos. O que para os pombinhos atochados debaixo do cobertor não passava de uma fantasia erótica, apresentou aos brasileiros a realidade de um sistema de comunicação social construído sobre o lixão da ditadura.
Este episódio do BBB12, no final das contas, chegou em boa hora. Bem a tempo de se promover, no Congresso, uma reforma objetiva na legislação que regula os meios de comunicação no país. Sem essa de que a democracia ou a estabilidade política do Brasil estarão ameaçadas e, por isso, o escritório da CIA, na Avenida Paulista, telefonará ao Pentágono e pedirá a presença da IV Frota nas costas brasileiras, em cima da camada pré-sal.
Os veículos que integram o Partido da Imprensa Golpista (PIG), certamente, aproveitarão o mote. Em outros tempos, teriam músculos suficientes para dizer que a Vila (Militar, de Deodoro, na Zona Norte do Rio) iria descer (para o Palácio do Catete, onde se consumou o golpe militar de 1964). Outros tempos. A Vila hoje, aquela que faz samba, desce mesmo é a avenida, na folia de Momo. Os militares brasileiros aprenderam que o respeito à Constituição é a melhor arma contra quaisquer aventureiros.
Agora a internet brasileira está crescida, parruda, com o conjunto de jornais independentes, e o Correio do Brasil em suas fileiras, na companhia dos blogueiros sujos, os limpinhos e os irreverentes, mostrou para a Globo, o SBT, afiliadas, cúmplices e adereços que a realidade mudou. O velho esquema, montado durante os Anos de Chumbo, foi também derrotado nas últimas eleições presidenciais, quando tentava disseminar uma miríade de infâmias contra a presidenta Dilma Rousseff.
A alta patente da direita tupiniquim, descrita no best seller Privataria Tucana, de Amaury Ribeiro Jr., encontra-se diante de uma possível Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) capaz de lavar a alma dos brasileiros. Ganha força incontestável a proposta para se corrigir o desvio causado durante o apagão de democracia, e redimensionar os olhos e ouvidos da Opinião Pública, com uma nova plataforma no setor de Telecomunicações.
Em bem a tempo da Luíza, que estava no Canadá, brincar o carnaval com a família, lá em João Pessoa.
Por Gilberto de Souza é jornalista, editor-chefe do Correio do Brasil.
Fonte: Correio do Brasil
Um novo meio de comunicação, mais ágil, independente, sério quando precisa e brincalhão o suficiente para eleger Luíza, que estava no Canadá, a nova musa do verão da Paraíba, começa a desbancar a velharia que insiste em sobreviver agarrada aos faustões da vida, lucianos hucks, BBBs tarados e apresentadores de jornais metidos à besta.
Um deles, do SBT – rebotalho da antiga TV Tupi, desmontada pelo generalato ditatorial para agradar ao camelô de coturnos do Baú da Felicidade, até se achou no direito de passar uma descompostura na nação e dizer que o brasileiro é, antes de tudo, um idiota. Mal sabe o coitado que “o maior prazer de um homem inteligente é bancar o idiota diante do idiota que quer bancar o inteligente”, já dizia o velho Confúcio.
O que o moço também não percebe, porque fala o que lhe mandam falar diante das câmeras e, se fosse diferente, ficaria na mesma, é a qualidade da informação que circula pela internet brasileira, uma das mais abrangentes do mundo, com um tempo de uso por pessoa de deixar qualquer gringo de queixo caído.
No laptop, no desktop, no celular, no tablet que vai a qualquer canto, os brasileiros souberam avaliar a idiotice imensa que é o BBB12 e, de quebra, os demais 90% do conteúdo produzido pela TV nacional.
O país acompanhou as notícias sobre o crime que – horas após supostamente cometido – foi desvendado e traduzido aos brasileiros como uma armação errada da Vênus encardida do Jardim Botânico. Muito errada, diga-se de passagem. Tanto, a ponto de lhe valer um contravapor, caso a seriedade que falta à emissora exista no setor governamental responsável por julgar tais infrações.
Se os mais de 40 milhões de internautas brasileiros resolveram criar o maior fenômeno de marketing dos últimos tempos, numa brincadeira com o pai da Luíza (aquela que estava no Canadá), coisa bem típica de quem tem bom humor, também souberam apontar para o canal de TV líder de audiência no país e dizer-lhe, com todas as letras, que desta vez passou dos limites.
Não é lícito mostrar para crianças, em horário próprio para 12 anos, as cenas reais – em tempo real – de um sujeito embaixo do edredom, fazendo os diabos com a moça que mais parecia uma boneca de pano. “Estupro!”, gritaram de imediato os afoitos. Bateu até polícia na porta da Rede Globo. Pegaram calcinhas e lençóis. Abriram um Boletim de Ocorrência. Tomaram depoimentos. O que para os pombinhos atochados debaixo do cobertor não passava de uma fantasia erótica, apresentou aos brasileiros a realidade de um sistema de comunicação social construído sobre o lixão da ditadura.
Este episódio do BBB12, no final das contas, chegou em boa hora. Bem a tempo de se promover, no Congresso, uma reforma objetiva na legislação que regula os meios de comunicação no país. Sem essa de que a democracia ou a estabilidade política do Brasil estarão ameaçadas e, por isso, o escritório da CIA, na Avenida Paulista, telefonará ao Pentágono e pedirá a presença da IV Frota nas costas brasileiras, em cima da camada pré-sal.
Os veículos que integram o Partido da Imprensa Golpista (PIG), certamente, aproveitarão o mote. Em outros tempos, teriam músculos suficientes para dizer que a Vila (Militar, de Deodoro, na Zona Norte do Rio) iria descer (para o Palácio do Catete, onde se consumou o golpe militar de 1964). Outros tempos. A Vila hoje, aquela que faz samba, desce mesmo é a avenida, na folia de Momo. Os militares brasileiros aprenderam que o respeito à Constituição é a melhor arma contra quaisquer aventureiros.
Agora a internet brasileira está crescida, parruda, com o conjunto de jornais independentes, e o Correio do Brasil em suas fileiras, na companhia dos blogueiros sujos, os limpinhos e os irreverentes, mostrou para a Globo, o SBT, afiliadas, cúmplices e adereços que a realidade mudou. O velho esquema, montado durante os Anos de Chumbo, foi também derrotado nas últimas eleições presidenciais, quando tentava disseminar uma miríade de infâmias contra a presidenta Dilma Rousseff.
A alta patente da direita tupiniquim, descrita no best seller Privataria Tucana, de Amaury Ribeiro Jr., encontra-se diante de uma possível Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) capaz de lavar a alma dos brasileiros. Ganha força incontestável a proposta para se corrigir o desvio causado durante o apagão de democracia, e redimensionar os olhos e ouvidos da Opinião Pública, com uma nova plataforma no setor de Telecomunicações.
Em bem a tempo da Luíza, que estava no Canadá, brincar o carnaval com a família, lá em João Pessoa.
Por Gilberto de Souza é jornalista, editor-chefe do Correio do Brasil.
Fonte: Correio do Brasil
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
China torna-se um país urbano
Em meio ao anúncio de que a economia chinesa cresceu no quarto trimestre de 2011 a um ritmo anualizado de 8,9% - ligeiramente superior à previsão de 8,7% de analistas, mas no menor patamar em dez trimestres -, outra informação bem mais importante foi divulgada ontem pelo Escritório Nacional de Estatísticas, sem chamar atenção: em 2011, pela primeira vez em sua história, a população urbana da China superou a rural. O país, de 1,347 bilhão de habitantes, entra em 2012 com 690,7 milhões de chineses morando em áreas urbanas (51,2%) e 656,5 milhões em áreas rurais.
Não é um fenômeno espontâneo, mas induzido pelo governo de Pequim, que já percebeu que o futuro da sua economia só estará garantido se o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) for de fato sustentável.
Para isso, a China precisa reduzir sua enorme dependência das exportações (que hoje têm um peso de 38% no PIB) e dos investimentos públicos e privados (outros 35% do PIB) e apostar mais na criação de um sólido mercado consumidor doméstico. Desde o início da implementação das reformas econômicas na China, na década de 80, o governo de Pequim estimulou a migração controlada de sua população rural para os centros de forma a criar uma massa trabalhadora barata (e passiva), um fenômeno que justificou a transferência de milhares de fábricas de vários países para o território chinês nos últimos anos. De lá, as exportações chinesas - a maioria de empresas estrangeiras ali instaladas - ganharam o mundo.
Crescimento garante estabilidade política
Para os camponeses chineses, acostumados a trabalhar de sol a sol numa lavoura que mal lhes dá a chance de sobreviver com dignidade, um salário mensal de US$50 por uma jornada de 12 horas numa fábrica de cacarecos na grande cidade virou um belo projeto de vida, sobretudo entre os mais jovens e menos instruídos. O benefício da migração controlada foi a criação de uma classe média urbana e consumidora estimada em cerca de 250 milhões de pessoas (18,5% da população).
Mas há percalços para este projeto de consolidação do mercado doméstico chinês. A começar pela natureza do governo, que de comunista hoje tem muito pouco. Como não há um sistema universal gratuito de saúde e as aposentadorias estão restritas ao funcionalismo público federal, às grandes estatais e às maiores empresas do setor privado, os chineses - empresas e famílias - poupam ferozmente para se garantir num futuro duvidoso. A taxa de poupança das famílias chega a 30% do PIB, enquanto as empresas poupam o equivalente a 26% do PIB.
Desde a década de 90, o Politburo do Partido Comunista Chinês (PCC) vem discutindo uma saída para este impasse, sempre preocupado com a garantia do crescimento econômico. Afinal, o presidente Hu Jintao, o primeiro-ministro Wen Jiabao e suas bases de apoio sabem que, numa ditadura política que prende até blogueiros que criticam o governo, o desenvolvimento econômico é uma maneira de legitimizar a permanência do PCC no comando do país. Se o crescimento do PIB cai muito abaixo dos 8% ao ano, para os comunistas chineses, a estabilidade política corre riscos.
Mas analistas preveem que o choque global oriundo da turbulência na zona do euro - e seus efeitos nas exportações chinesas - deve empurrar o PIB chinês para um patamar abaixo de 8% nos próximos meses. Segundo o "Financial Times", alguns chegam a apostar numa expansão de 7,5%. Esse quadro pressiona o governo a afrouxar as medidas de aperto adotadas no início de 2011 para conter a inflação anualizada, que caiu de 6,5% em julho para 4,1%, em dezembro. A meta do governo é 4% ao ano. A inflação acelerou depois que o governo ampliou os investimentos para estimular a economia, na crise financeira de 2008. Em todo o ano de 2011, a economia do país cresceu 9,2%, ante 10,4%, em 2010.
E há as consequências da urbanização. Com a alta progressiva dos salários e presença maior das multinacionais, os chineses passaram a exigir remunerações ainda maiores e mais benefícios. Tanto que muitas empresas já decidiram expandir suas fábricas da China para países periféricos, como Vietnã ou Camboja.
Por Erick M Do O Globo
Fonte: blog do nassif
Não é um fenômeno espontâneo, mas induzido pelo governo de Pequim, que já percebeu que o futuro da sua economia só estará garantido se o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) for de fato sustentável.
Para isso, a China precisa reduzir sua enorme dependência das exportações (que hoje têm um peso de 38% no PIB) e dos investimentos públicos e privados (outros 35% do PIB) e apostar mais na criação de um sólido mercado consumidor doméstico. Desde o início da implementação das reformas econômicas na China, na década de 80, o governo de Pequim estimulou a migração controlada de sua população rural para os centros de forma a criar uma massa trabalhadora barata (e passiva), um fenômeno que justificou a transferência de milhares de fábricas de vários países para o território chinês nos últimos anos. De lá, as exportações chinesas - a maioria de empresas estrangeiras ali instaladas - ganharam o mundo.
Crescimento garante estabilidade política
Para os camponeses chineses, acostumados a trabalhar de sol a sol numa lavoura que mal lhes dá a chance de sobreviver com dignidade, um salário mensal de US$50 por uma jornada de 12 horas numa fábrica de cacarecos na grande cidade virou um belo projeto de vida, sobretudo entre os mais jovens e menos instruídos. O benefício da migração controlada foi a criação de uma classe média urbana e consumidora estimada em cerca de 250 milhões de pessoas (18,5% da população).
Mas há percalços para este projeto de consolidação do mercado doméstico chinês. A começar pela natureza do governo, que de comunista hoje tem muito pouco. Como não há um sistema universal gratuito de saúde e as aposentadorias estão restritas ao funcionalismo público federal, às grandes estatais e às maiores empresas do setor privado, os chineses - empresas e famílias - poupam ferozmente para se garantir num futuro duvidoso. A taxa de poupança das famílias chega a 30% do PIB, enquanto as empresas poupam o equivalente a 26% do PIB.
Desde a década de 90, o Politburo do Partido Comunista Chinês (PCC) vem discutindo uma saída para este impasse, sempre preocupado com a garantia do crescimento econômico. Afinal, o presidente Hu Jintao, o primeiro-ministro Wen Jiabao e suas bases de apoio sabem que, numa ditadura política que prende até blogueiros que criticam o governo, o desenvolvimento econômico é uma maneira de legitimizar a permanência do PCC no comando do país. Se o crescimento do PIB cai muito abaixo dos 8% ao ano, para os comunistas chineses, a estabilidade política corre riscos.
Mas analistas preveem que o choque global oriundo da turbulência na zona do euro - e seus efeitos nas exportações chinesas - deve empurrar o PIB chinês para um patamar abaixo de 8% nos próximos meses. Segundo o "Financial Times", alguns chegam a apostar numa expansão de 7,5%. Esse quadro pressiona o governo a afrouxar as medidas de aperto adotadas no início de 2011 para conter a inflação anualizada, que caiu de 6,5% em julho para 4,1%, em dezembro. A meta do governo é 4% ao ano. A inflação acelerou depois que o governo ampliou os investimentos para estimular a economia, na crise financeira de 2008. Em todo o ano de 2011, a economia do país cresceu 9,2%, ante 10,4%, em 2010.
E há as consequências da urbanização. Com a alta progressiva dos salários e presença maior das multinacionais, os chineses passaram a exigir remunerações ainda maiores e mais benefícios. Tanto que muitas empresas já decidiram expandir suas fábricas da China para países periféricos, como Vietnã ou Camboja.
Por Erick M Do O Globo
Fonte: blog do nassif
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
A falta de visão de futuro do Brasil
Alguns analistas julgam que se superestima o papel do câmbio na economia de um país. Algum tempo atrás, um deles escreveu um livro sobre o milagre britânico do Século 18, que acabou transformando o país em uma potência imperial. Destacou aspectos ligados à legislação, à inventividade do inglês, aos investimentos em ensino, que permitiram ao país comandar a primeira revolução industrial.
Todos esses aspectos são importantes para o desenvolvimento do país.
Mas a chama que incendiou o imaginário do país abriu espaço para o florescimento de manufaturas sem fim e, depois, criou o clima adequado para as demais reformas, foi o câmbio desvalorizado, barateando os produtos ingleses em relação aos concorrentes.
Depois, uma estratégia comercial que consistia em comprar matéria-prima dos países emergentes e vender produtos acabados.
Em seu histórico A era das revoluções, o historiador inglês Eric Hobsbawn anota que "qualquer que tenha sido a razão do avanço britânico, ele não se deveu à superioridade científica e tecnológica".
A França era superior na matemática e na física, enquanto na Inglaterra eram vistas como ciências suspeitas. Os franceses desenvolveram inventos mais originais, como o tear de Jacquard, em 1804, e tinham melhores navios. As escolas inglesas eram uma piada e as duas únicas universidades inglesas intelectualmente nulas, compensadas apenas pelas escolas do interior e pelas universidades da Escócia calvinista. Por temor social, não era encorajada a educação dos mais pobres e a alfabetização em massa só ocorreria em princípio do Século 19, com a revolução industrial já em curso -- pressionando por mão de obra mais especializada.
As invenções técnicas, que comandaram a revolução industrial, eram bastante modestas: a lançadeira, o tear e a fiadeira automática, ao alcance dos carpinteiros, moleiros e serralheiros.
A grande invenção inglesa do Século 18, a máquina a vapor rotativa de James Watt (de 1784), só ganhou estabilidade e utilização ampla a partir de 1820. Com exceção da indústria química, as demais inovações industriais -- na expressão de Hobsbawn -- "se fizeram por si" -- isto é, foram desenvolvidas no dia a dia, sem grandes investimentos tecnológicos.
Um dos grandes avanços britânicos foi no campo, eliminando o antigo sistema de propriedades herdadas por empresários com espírito comercial, que passaram a articular cadeias produtivas -- arrendando terras para camponeses sem terra ou pequenos agricultores e direcionando as atividades agrícolas para o mercado. E as manufaturas tinham se espalhado pelo interior não dominado pelo feudalismo.
Com isso, a agricultura cumpriu suas três funções em uma era de industrialização acelerada: aumentar a produção e a produtividade para alimentar uma população cada vez menos agrícola; fornecer mão de obra para as novas atividades industriais, por intermédio do êxodo rural; e garantir capital que foi aplicado em setores mais modernos da economia.
Paralelamente, o país investia na construção de uma frotra mercante e de estradas e infraestrutura adequada.
Até então a atividade empresarial mais lucrativa era a de comerciante, comprando mais barato e vendendo mais caro. A revolução industrial muda este paradigma e passa a deixar a melhor parte do bolo para o industrial.
Mercado mundial
Política cambial, acordos comerciais, domínio dos mares, abriram um mercado sem precedentes para seus industriais. Por meio de inovações simples e baratas, os industriais conseguiam taxas de retorno extraordinárias. No início, lã para abastecer o mundo. Quando o algodão substituiu a lã, compra de algodão dos países emergentes -- basicamente Estados Unidos e América do Sul -- e venda de tecidos para eles.
América Latina como comprador
Entre 1750 e 1760, as exportações inglesas de tecidos de algodão aumentaram dez vezes, sempre com apoio agressivo do governo nacional. E aí, toca enfiar produtos na América Latina -- como a China está fazendo hoje em dia. Por volta de 1840, o continente consumia quase metade do consumo europeu de tecidos de algodão ingleses. Indústrias eram criadas e, da noite para o dia, tornavam-se gigantes.
Puxando o resto
Com o mercado internacional à disposição, a indústria do algodão lubrificou todos os demais setores relevantes da Inglaterra, máquinas, inovações químicas, setor elétrico, frota mercante, etc. Ou seja, primeiro criou-se o mercado, depois o mercado abriu um mundo inédito de possibilidades para os empreendedores que, com pouco capital e pouca inovação, tinham condições de saltos expressivos. Não é muito diferente do que ocorre na China.
Salto chinês
Tempos atrás viajei com um importador brasileiro de lâmpadas led. Ele importava de um pequeno fabricante chinês, que adquiria os insumos da Alemanha, processava e vendia mais barato. Depois, o industrial resolveu comprar máquinas para fabricar ele próprio os insumos. Em dois anos, tinha 35 mil metros quadrados de instalações. Guardadas as proporções de época, apenas repetia o fenômeno da Inglaterra do Século 18.
Brasil na contramão
No caso do Brasil, o desabrochar do mercado interno criou as primeiras condições para o salto da indústria. Mas o câmbio está matando o deslanche. Cada vez mais, o crescimento do mercado interno está sendo apropriado pela manufatura chinesa; e cada vez mais o Brasil se firma como mero fornecedor de matéria-prima. Chega uma hora que nem o mercado interno garantirá mais o crescimento da economia.
Falta de visão
Essa falta de visão sobre o salto futuro é disseminada no país. No governo federal, lançam-se planos ditos de desenvolvimento sem concatenação com a política macroeconômica.
AUTORIA: Luis Nassif - Jornalista econômico, Editor do site www.advivo.com.br/luisnassif
E-mail: lnassif2011@bol.com.br
Fonte: Agrosolf Jornal
Todos esses aspectos são importantes para o desenvolvimento do país.
Mas a chama que incendiou o imaginário do país abriu espaço para o florescimento de manufaturas sem fim e, depois, criou o clima adequado para as demais reformas, foi o câmbio desvalorizado, barateando os produtos ingleses em relação aos concorrentes.
Depois, uma estratégia comercial que consistia em comprar matéria-prima dos países emergentes e vender produtos acabados.
Em seu histórico A era das revoluções, o historiador inglês Eric Hobsbawn anota que "qualquer que tenha sido a razão do avanço britânico, ele não se deveu à superioridade científica e tecnológica".
A França era superior na matemática e na física, enquanto na Inglaterra eram vistas como ciências suspeitas. Os franceses desenvolveram inventos mais originais, como o tear de Jacquard, em 1804, e tinham melhores navios. As escolas inglesas eram uma piada e as duas únicas universidades inglesas intelectualmente nulas, compensadas apenas pelas escolas do interior e pelas universidades da Escócia calvinista. Por temor social, não era encorajada a educação dos mais pobres e a alfabetização em massa só ocorreria em princípio do Século 19, com a revolução industrial já em curso -- pressionando por mão de obra mais especializada.
As invenções técnicas, que comandaram a revolução industrial, eram bastante modestas: a lançadeira, o tear e a fiadeira automática, ao alcance dos carpinteiros, moleiros e serralheiros.
A grande invenção inglesa do Século 18, a máquina a vapor rotativa de James Watt (de 1784), só ganhou estabilidade e utilização ampla a partir de 1820. Com exceção da indústria química, as demais inovações industriais -- na expressão de Hobsbawn -- "se fizeram por si" -- isto é, foram desenvolvidas no dia a dia, sem grandes investimentos tecnológicos.
Um dos grandes avanços britânicos foi no campo, eliminando o antigo sistema de propriedades herdadas por empresários com espírito comercial, que passaram a articular cadeias produtivas -- arrendando terras para camponeses sem terra ou pequenos agricultores e direcionando as atividades agrícolas para o mercado. E as manufaturas tinham se espalhado pelo interior não dominado pelo feudalismo.
Com isso, a agricultura cumpriu suas três funções em uma era de industrialização acelerada: aumentar a produção e a produtividade para alimentar uma população cada vez menos agrícola; fornecer mão de obra para as novas atividades industriais, por intermédio do êxodo rural; e garantir capital que foi aplicado em setores mais modernos da economia.
Paralelamente, o país investia na construção de uma frotra mercante e de estradas e infraestrutura adequada.
Até então a atividade empresarial mais lucrativa era a de comerciante, comprando mais barato e vendendo mais caro. A revolução industrial muda este paradigma e passa a deixar a melhor parte do bolo para o industrial.
Mercado mundial
Política cambial, acordos comerciais, domínio dos mares, abriram um mercado sem precedentes para seus industriais. Por meio de inovações simples e baratas, os industriais conseguiam taxas de retorno extraordinárias. No início, lã para abastecer o mundo. Quando o algodão substituiu a lã, compra de algodão dos países emergentes -- basicamente Estados Unidos e América do Sul -- e venda de tecidos para eles.
América Latina como comprador
Entre 1750 e 1760, as exportações inglesas de tecidos de algodão aumentaram dez vezes, sempre com apoio agressivo do governo nacional. E aí, toca enfiar produtos na América Latina -- como a China está fazendo hoje em dia. Por volta de 1840, o continente consumia quase metade do consumo europeu de tecidos de algodão ingleses. Indústrias eram criadas e, da noite para o dia, tornavam-se gigantes.
Puxando o resto
Com o mercado internacional à disposição, a indústria do algodão lubrificou todos os demais setores relevantes da Inglaterra, máquinas, inovações químicas, setor elétrico, frota mercante, etc. Ou seja, primeiro criou-se o mercado, depois o mercado abriu um mundo inédito de possibilidades para os empreendedores que, com pouco capital e pouca inovação, tinham condições de saltos expressivos. Não é muito diferente do que ocorre na China.
Salto chinês
Tempos atrás viajei com um importador brasileiro de lâmpadas led. Ele importava de um pequeno fabricante chinês, que adquiria os insumos da Alemanha, processava e vendia mais barato. Depois, o industrial resolveu comprar máquinas para fabricar ele próprio os insumos. Em dois anos, tinha 35 mil metros quadrados de instalações. Guardadas as proporções de época, apenas repetia o fenômeno da Inglaterra do Século 18.
Brasil na contramão
No caso do Brasil, o desabrochar do mercado interno criou as primeiras condições para o salto da indústria. Mas o câmbio está matando o deslanche. Cada vez mais, o crescimento do mercado interno está sendo apropriado pela manufatura chinesa; e cada vez mais o Brasil se firma como mero fornecedor de matéria-prima. Chega uma hora que nem o mercado interno garantirá mais o crescimento da economia.
Falta de visão
Essa falta de visão sobre o salto futuro é disseminada no país. No governo federal, lançam-se planos ditos de desenvolvimento sem concatenação com a política macroeconômica.
AUTORIA: Luis Nassif - Jornalista econômico, Editor do site www.advivo.com.br/luisnassif
E-mail: lnassif2011@bol.com.br
Fonte: Agrosolf Jornal
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Gaddafi estaria vivo e pronto a organizar resistência na Líbia, dizem agências
Informes de agências de notícias que circularam nesta segunda-feira na Líbia, na Sérvia e na Rússia relatam a primeira aparição do coronel Muammar Gaddafi após a notícia de sua morte, durante os conflitos ocorridos naquele país, ano passado.
De acordo com a agência internacional de notícias RicTV, Gaddafi teria falado aos líbios na transmissão da uma rádio argelina.
O líder líbio, que teve sua morte atestada por meios oficiais do novo governo daquele país, estaria vivo, na verdade, e refugiado no país vizinho, de onde articularia uma reação à tomada do poder por tribos rebeldes que contaram com o apoio das forças da Organização do Tratado Atlântico Norte (Otan).
Estas mesmas fontes garantem que o homem confundido pelos rebeldes era um primo distante de Gaddafi, chamado Ali Madzid Al Andalus. O sósia era famoso em Sirte, onde vivia e morreu, por sua aparência similar à do então governante. Ouvida pela agência RicTV, a família dele confirma sua morte em 20 de outubro do ano passado, mesma data atribuída ao assassinato de Gaddafi. Fontes independentes também confirmaram aos jornalistas que o dirigente líbio estava distante de Sirte em 20 de outubro.
– A proclamação da resistência e um grande apoio moral está circulando nestes dias. Coube aos colonos a violência contra a Líbia. Tudo se fez em nome de uma falsa revolução. A todos os filhos da honesta Líbia, os filhos dos Mujahideens (guerreiros) e os filhos dos comandantes Mujahideens, o sol brilhará depois de uma longa noite e o que se necessita saber por agora é que a vitoria está próxima. A libertação está próxima – assinala a transmissão atribuída a Gaddafi.
Segundo a agência de notícias, com base na Espanha, a mensagem foi dirigida às “unidades de segurança internacionais, unidades de segurança de tribos, aos soldados dos batalhões, ao Batalhão 32 e aos líbios Mujahideens e livres”. Ainda segundo as transmissões, confirmadas pela agência argelina de notícia Algeria ISP, a resistência deverá ser lançada em operações em todas as regiões, “de leste a oeste”. Gaddafi também teria pedido aos líbios para se unirem aos combatentes da resistência e para lançar ataques, “até pedras”, contra os insurgentes. Ele também teria pedido aos combatentes de regiões distantes para intensificar as operações “contra os traidores que venderam a Líbia”.
segundo o informe
– ainda não confirmado por fontes independentes – teria nomeado o filho, Saif al-Islam, como “um membro da resistencia que nos motivará para a libertação de Líbia”. Gaddafi teria encerrado seu pronunciamento com a garantia de que nunca dividirá a Líbia.
– A Líbia nunca se converterá em um emirado de Qatar ou nos Emirados Árabes Unidos, nem em uma colônia da França ou de outros países ocidentais – ressalta o comunicado atribuído a Gaddafi.
Além dos integrantes do exército leal ao então regime de Gaddafi, o líder líbio também convocou “as tribos de todas as regiões, os argelinos, tunisianos, iraquianos e os sírios a permanecerem contra os ratos e seus mercenários”.
Em relato similar, publicado no sítio da Algeria ISP logo após a divulgação da morte de Gaddafi, uma outra versão de que ele estaria vivo e bem e saúde.
Fonte: Correio do Brasil
De acordo com a agência internacional de notícias RicTV, Gaddafi teria falado aos líbios na transmissão da uma rádio argelina.
O líder líbio, que teve sua morte atestada por meios oficiais do novo governo daquele país, estaria vivo, na verdade, e refugiado no país vizinho, de onde articularia uma reação à tomada do poder por tribos rebeldes que contaram com o apoio das forças da Organização do Tratado Atlântico Norte (Otan).
Estas mesmas fontes garantem que o homem confundido pelos rebeldes era um primo distante de Gaddafi, chamado Ali Madzid Al Andalus. O sósia era famoso em Sirte, onde vivia e morreu, por sua aparência similar à do então governante. Ouvida pela agência RicTV, a família dele confirma sua morte em 20 de outubro do ano passado, mesma data atribuída ao assassinato de Gaddafi. Fontes independentes também confirmaram aos jornalistas que o dirigente líbio estava distante de Sirte em 20 de outubro.
– A proclamação da resistência e um grande apoio moral está circulando nestes dias. Coube aos colonos a violência contra a Líbia. Tudo se fez em nome de uma falsa revolução. A todos os filhos da honesta Líbia, os filhos dos Mujahideens (guerreiros) e os filhos dos comandantes Mujahideens, o sol brilhará depois de uma longa noite e o que se necessita saber por agora é que a vitoria está próxima. A libertação está próxima – assinala a transmissão atribuída a Gaddafi.
Segundo a agência de notícias, com base na Espanha, a mensagem foi dirigida às “unidades de segurança internacionais, unidades de segurança de tribos, aos soldados dos batalhões, ao Batalhão 32 e aos líbios Mujahideens e livres”. Ainda segundo as transmissões, confirmadas pela agência argelina de notícia Algeria ISP, a resistência deverá ser lançada em operações em todas as regiões, “de leste a oeste”. Gaddafi também teria pedido aos líbios para se unirem aos combatentes da resistência e para lançar ataques, “até pedras”, contra os insurgentes. Ele também teria pedido aos combatentes de regiões distantes para intensificar as operações “contra os traidores que venderam a Líbia”.
segundo o informe
– ainda não confirmado por fontes independentes – teria nomeado o filho, Saif al-Islam, como “um membro da resistencia que nos motivará para a libertação de Líbia”. Gaddafi teria encerrado seu pronunciamento com a garantia de que nunca dividirá a Líbia.
– A Líbia nunca se converterá em um emirado de Qatar ou nos Emirados Árabes Unidos, nem em uma colônia da França ou de outros países ocidentais – ressalta o comunicado atribuído a Gaddafi.
Além dos integrantes do exército leal ao então regime de Gaddafi, o líder líbio também convocou “as tribos de todas as regiões, os argelinos, tunisianos, iraquianos e os sírios a permanecerem contra os ratos e seus mercenários”.
Em relato similar, publicado no sítio da Algeria ISP logo após a divulgação da morte de Gaddafi, uma outra versão de que ele estaria vivo e bem e saúde.
Fonte: Correio do Brasil
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
A análise russa sobre a capacidade militar do Irã
O Irã desempenha um papel crítico no Golfo Pérsico e, com a sua geografia estratégica, domina totalmente o Norte do golfo e o Estreito de Ormuz. Mas será que tem recursos suficientes para bloquear e reter aquela rota estratégica no caso de conflito militar?
Política de guerra assimétrica
O Irã é uma potência militar relativamente bem inferior em comparação com os EUA e outros países NATO, mas tem a capacidade de proporcionar grandes golpes que para forças convencionais maiores são difíceis de conter.
O editor chefe da revista Defesa Nacional, Igor Korotchenko, acredita que a força militar do Irã não é capaz de alcançar uma vitória contra os EUA numa confrontação directa.
"No caso de um conflito militar global direto com o Irã, os EUA certamente assegurarão uma vitória", disse ele. "Mas a questão é: a que custo?".
Devido a medidas assimétrica que o Irã pode por em ação num conflito, o preço da vitória poderia ser inaceitável para os EUA, disse Korotchenko.
"O Irã pode atacar bases e instalações militares estado-unidenses na região", disse Korotchenko. "Eles podem utilizar elementos do Hamas e do Hezbollah, bem como outros movimentos radicais que estão prontos a apoiar o Irã. Podem desestabilizar a situação no Iraque. Estas seriam medidas assimétricas".
Tendo ativos limitados em mãos, o Irã tem de desenvolver uma estratégia de guerra assimétrica. Portanto a guerra do Irã está orientada para a utilização do seu armamento em modos não convencionais e para a capitalização da geografia favorável do país.
A liderança do Irã adapta uma "doutrina do não primeiro ataque" e portanto o Irã não tem lançado guerras na historia moderna. A constituição iraniana proíbe o estabelecimento de quaisquer bases militares estrangeiras no país, mesmo para finalidades pacíficas.
A seguir à Revolução Islâmica de 1979, o Irã dividiu as suas forças armadas nos componentes regular e revolucionário. Isto significa que o Irã tem dois exércitos ativos: o Exército da República Islâmica do Irão (exército regular) e o Exército dos Guardas da Revolução Islâmica (Guardas Revolucionários, IRGC).
O IRGC é uma força de armas combinadas com as suas próprias forças de terra, Marinha (IRGCN), Força Aeroespacial (IRGC-AF), Inteligência e Forças Especiais. Considerando que os militares regulares defendem as fronteiras do Irão e mantêm a ordem interna, os Guardas Revolucionários são destinados a proteger o sistema islâmico do país. Ambas as forças operam em paralelo e partilham instalações militares, mas o IRGC tem um estatuto mais elevado e uma preferência na recepção de material moderno.
A estratégia assimétrica demonstrou-se eficiente durante a Guerra Irão-Iraque (1980-1988). O Irã efetuou operações bate-e-foge com êxito utilizando grupos de pequenos botes contra navios que passavam através do Estreito de Ormuz. Combinada com a vasta colocação de minas no estreito, as táticas de guerrilha permitiram ao Irã afundar mais de 500 navios durante a guerra.
Contudo, numa confrontação direta com uma frota estado-unidense depois de uma mina iraniana ter danificado uma fragata dos EUA, a Marinha iraniana foi esmagada.
Hoje a IRGCN opera mais de 1500 pequenos botes, os quais podem ser facilmente escondidos na zona costeira e não precisam de um grande porto para serem abastecidos. A maior parte destes botes pode estar o já está equipada com mísseis de alcance curto e com minas. Um ataque inesperado de um grupo destes botes pode deitar abaixo quase qualquer navio que ouse entrar em águas iranianas.
As forças do Irã são cobertas por uma rede vasta de mísseis anti-navios baseados na costa e por sistemas de defesa aérea. Sendo bastante vulnerável a uma campanha aérea séria, o Irã descentralizou sua estrutura de comando, melhorando portanto a resiliência das suas forças após um ataque inicial.
Eficiência inferior em batalha?
O Irã tende a manter o seu equipamento militar em boas condições, pronto para ser utilizado onde e quando necessário. Isto foi confirmado durante exercícios navais regulares do Irã. Em muitos casos o Irã utilizou ensaios para testar seus novos armamentos, tais como o novo míssil balístico de médio alcance Chadr.
O êxito deste último em testes de lançamento dia 3 de Janeiro fez o chefe da Marinha iraniana, almirante Habibollah Sayyari, declarar que a partir dali o Estreito de Ormuz estaria completamente sob o controle do Irão.
O Ghadr-110 é um míssil balístico de médio alcance concebido, desenvolvido e fabricado totalmente no Irã. É uma versão melhorada do míssil Shahab-3 com a manobrabilidade mais alta e um tempo de preparação mais curto, de apenas 30 minutos. O míssil tem um alcance de cerca de 2.100 quilómetros. Ele foi lançado em teste com êxito durante os últimos exercícios militares Velayat-90 entre 24/Dezembro/2011 e 03/Janeiro/2012.
O objetivo dos exercícios navais do Irã é não apenas flexionar seus músculos frente ao mundo mas também melhorar seu treino e proficiência militar e afinar a estratégia de conduzir operações dentro das suas águas territoriais.
Os militares do Irã tem uma quantidade significativa de hardware militar produzindo pelo ocidente, alguns com mais de 30 anos de idade, o qual é difícil fazer manutenção sob o embargo.
A frota do Irã consiste de navios de concepção estado-unidense, francesa e britânica. Os três maiores submarianos do Irã, os quais foram fornecidos pela Rússia, têm mais de 15 anos e não há relatos de qualquer grande revisão de manutenção a ser feita. A base da sua força aérea é constituída por jactos MiG-29 e SU-24 russos, e F-6 e J-7 chineses.
O Irã substitui ativamente o hardware estrangeiro descomissionado por armamento produzido internamente e aumenta constantemente sua eficiência militar.
Indústria militar
Após a revolução, o Irã encontrou-se gravemente isolado devido a sanções económicas e a um embargo de armamento que lhe foi imposto pelos Estados Unidos, e teve de confiar principalmente na sua indústria interna de armas. O IRGC foi encarregado de criar a moderna indústria militar iraniana.
Hoje o Irã é capaz de produzir um vasto conjunto de armamento desde aviões com asas fixas, helicópteros, botes e submarinos bem como sistemas de radar e sistemas de defesa aérea refinados. Contudo, os sistemas que os EUA fornecem a aliados seus no golfo são muito mais avançados do que a tecnologia militar iraniana.
O Irã tem-se centrado no desenvolvimento de munições inteligentes, embarcações leves de ataque, minas e mísseis balísticos para neutralizar outras potência militares.
O Irã dedicou um bocado de esforço ao desenvolvimento dos seus próprios mísseis balísticos. Em anos recentes desenvolveu armas tais como os mísseis balísticos de médio alcance Fajr-3 e Kowsar, os quais tornaram-se a coluna dorsal do seu stock de mísseis estratégicos.
Para a sua força submarina, o Irã desenvolveu o torpedo de super-cavitação Hoot, alegadamente uma engenharia reversa do russo VA-111 Shkval.
O Irã fabrica localmente os sistemas de mísseis de defesa aérea Shahin e Mersad, os quais são versões melhoradas do sistema estado-unidense MIM-23-Hawk da década de 1960. O Irã também sabe produzir e operar drones não manejados, os quais são utilizados para vigilância.
Força Aérea do Irã
A Força Aérea do Irã opera cerca de 200 aviões de combate, uns 120 de transporte e mais de 500 helicópteros. A lista de bases e aeroportos operados pelos militares do Irão inclui 14 bases táticas da força aérea, 18 campos de pouso militares e 22 aeroportos civis que podem ser utilizados para finalidades militares.
A força aérea do Irã é constituída principalmente por aviões soviéticos e chineses, bem como aviões ex-iraquianos postos em serviço. Alguns dos aviões mais antigos são americanos, os quais a Força Aérea tem conseguido manter em serviço.
O Irã é capaz de produzir caças a jacto de um só lugar Azarakhsh e Saeqeh de segunda geração, derivados do Northrop F-5 americano. Oficiais iranianos afirmam que o Saegeh é semelhante ao McDonnell Douglas F/A-18 Hornet de construção americana. Segundo relatos recentes o Irã tem cerca de 30 destes aparelhos em operação.
Todos os aviões iranianos são equipados com mísseis de fabricação local e não dependem de fornecimentos estrangeiros.
Força naval iraniana
Segundo fontes abertas as forças navais do Irã têm um total de cerca de 26 submarinos, 4 fragatas, 3 corvetas, 24 embarcações de patrulha com mísseis, 7 navios lança-minas e mais de 270 embarcações de patrulha costeira.
Três dos submarinos do Irã são russos da classe Kilo, diesel-eléctrico, destinados principalmente a operações anti-navio e anti-submarinas nas águas relativamente rasas do golfo.
O Irão também tem cerca de 17 pequenos submarinos produzidos internamente da classe Ghadir, capazes de disparar o torpedos Hoot de super-cavitação, os quais são uma ameaça significativa para navios e submarinos hostis.
O Ghadir é uma classe de mini submarinos construídos pelo Irã especificamente para navegar dentro das águas rasas do Golfo Pérsico. O submarino está equipado com o equipamento militar e tecnológico mais recente e acredita-se que as suas capacidades seja iguais às de tipos estrangeiros. Os submarinos da classe Ghadir são capazes de disparar rocket-torpedos Hoot de super-cavitação. Os submarinos Chadir também podem ser utilizados para instalar diversas operações especiais, tais como lançamento de minas.
Considerando que o Estreito de Ormuz é bastante raso e tem apenas dois estreitos canais navegáveis, não seria de modo algum um desafio bloquear a passagem estratégica, especialmente com a experiência do Irão em operações de lançamento de minas, afirma Korotchenko.
"Operações de lançamento de mina podem ser executadas de modo bastante encoberto e depois disso o Irã pode anunciar que o Estreito de Ormuz está bloqueado", disse ele. "Além disso, o Irã é capaz de atingir petroleiros e outros navios dentro do estreito com mísseis anti-navio e disparados de botes velozes ou diretamente da costa".
Programas balísticos e nucleares
A principal preocupação do ocidente são os programas de mísseis balísticos e nuclear iranianos. O Irã criou forças de mísseis balísticos armados que são capazes de atingir quaisquer aliados dos EUA e bases estado-unidenses na região.
Afirma-se que o Irã acumulou vários milhares de mísseis balísticos móveis de alcance curto e médio. Os mísseis balísticos do Irã também poderiam ser configurados para transportar ogivas nucleares se o Irã puder desenvolvê-las.
O Irã ainda afirma que o seu programa nuclear é pacífico, mas muitos na comunidade mundial acreditam que é destinado a produzir armas nucleares. Segundo um de tais gurus, Anthony H. Cordesman do Center for Strategic and International Studies, é bastante possível que o Irã possa adquirir armas nucleares operacionais (deliverable) dentro dos próximos cinco anos.
Igor Korotchenko acredita que o Irã utilizaria seu poder balístico sem hesitação se exigido. A única questão que permanece é quão efctivamente isto funcionaria do lado da engenharia.
"Os mísseis balísticos Shahab-3 e os mísseis mais recentes baseados naquela tecnologia são de fato mísseis semi-estratégicos", disse ele. "É possível atacar instalações militares na região com aqueles mísseis, numa certa extensão. A questão é quão efetivamente o Irã utilizará suas unidades de mísseis".
"As unidades de mísseis são controladas pelos Guardas Revolucionários e estão incluídas na sua estrutura operacional", acrescentou Korotchenko. "Portanto podemos esperar que pelo menos no contexto da prontidão moral, os homens dos mísseis iranianos cumprirão o seu dever profissional".
Fonte: blog do Nassif - do Russia Today
Política de guerra assimétrica
O Irã é uma potência militar relativamente bem inferior em comparação com os EUA e outros países NATO, mas tem a capacidade de proporcionar grandes golpes que para forças convencionais maiores são difíceis de conter.
O editor chefe da revista Defesa Nacional, Igor Korotchenko, acredita que a força militar do Irã não é capaz de alcançar uma vitória contra os EUA numa confrontação directa.
"No caso de um conflito militar global direto com o Irã, os EUA certamente assegurarão uma vitória", disse ele. "Mas a questão é: a que custo?".
Devido a medidas assimétrica que o Irã pode por em ação num conflito, o preço da vitória poderia ser inaceitável para os EUA, disse Korotchenko.
"O Irã pode atacar bases e instalações militares estado-unidenses na região", disse Korotchenko. "Eles podem utilizar elementos do Hamas e do Hezbollah, bem como outros movimentos radicais que estão prontos a apoiar o Irã. Podem desestabilizar a situação no Iraque. Estas seriam medidas assimétricas".
Tendo ativos limitados em mãos, o Irã tem de desenvolver uma estratégia de guerra assimétrica. Portanto a guerra do Irã está orientada para a utilização do seu armamento em modos não convencionais e para a capitalização da geografia favorável do país.
A liderança do Irã adapta uma "doutrina do não primeiro ataque" e portanto o Irã não tem lançado guerras na historia moderna. A constituição iraniana proíbe o estabelecimento de quaisquer bases militares estrangeiras no país, mesmo para finalidades pacíficas.
A seguir à Revolução Islâmica de 1979, o Irã dividiu as suas forças armadas nos componentes regular e revolucionário. Isto significa que o Irã tem dois exércitos ativos: o Exército da República Islâmica do Irão (exército regular) e o Exército dos Guardas da Revolução Islâmica (Guardas Revolucionários, IRGC).
O IRGC é uma força de armas combinadas com as suas próprias forças de terra, Marinha (IRGCN), Força Aeroespacial (IRGC-AF), Inteligência e Forças Especiais. Considerando que os militares regulares defendem as fronteiras do Irão e mantêm a ordem interna, os Guardas Revolucionários são destinados a proteger o sistema islâmico do país. Ambas as forças operam em paralelo e partilham instalações militares, mas o IRGC tem um estatuto mais elevado e uma preferência na recepção de material moderno.
A estratégia assimétrica demonstrou-se eficiente durante a Guerra Irão-Iraque (1980-1988). O Irã efetuou operações bate-e-foge com êxito utilizando grupos de pequenos botes contra navios que passavam através do Estreito de Ormuz. Combinada com a vasta colocação de minas no estreito, as táticas de guerrilha permitiram ao Irã afundar mais de 500 navios durante a guerra.
Contudo, numa confrontação direta com uma frota estado-unidense depois de uma mina iraniana ter danificado uma fragata dos EUA, a Marinha iraniana foi esmagada.
Hoje a IRGCN opera mais de 1500 pequenos botes, os quais podem ser facilmente escondidos na zona costeira e não precisam de um grande porto para serem abastecidos. A maior parte destes botes pode estar o já está equipada com mísseis de alcance curto e com minas. Um ataque inesperado de um grupo destes botes pode deitar abaixo quase qualquer navio que ouse entrar em águas iranianas.
As forças do Irã são cobertas por uma rede vasta de mísseis anti-navios baseados na costa e por sistemas de defesa aérea. Sendo bastante vulnerável a uma campanha aérea séria, o Irã descentralizou sua estrutura de comando, melhorando portanto a resiliência das suas forças após um ataque inicial.
Eficiência inferior em batalha?
O Irã tende a manter o seu equipamento militar em boas condições, pronto para ser utilizado onde e quando necessário. Isto foi confirmado durante exercícios navais regulares do Irã. Em muitos casos o Irã utilizou ensaios para testar seus novos armamentos, tais como o novo míssil balístico de médio alcance Chadr.
O êxito deste último em testes de lançamento dia 3 de Janeiro fez o chefe da Marinha iraniana, almirante Habibollah Sayyari, declarar que a partir dali o Estreito de Ormuz estaria completamente sob o controle do Irão.
O Ghadr-110 é um míssil balístico de médio alcance concebido, desenvolvido e fabricado totalmente no Irã. É uma versão melhorada do míssil Shahab-3 com a manobrabilidade mais alta e um tempo de preparação mais curto, de apenas 30 minutos. O míssil tem um alcance de cerca de 2.100 quilómetros. Ele foi lançado em teste com êxito durante os últimos exercícios militares Velayat-90 entre 24/Dezembro/2011 e 03/Janeiro/2012.
O objetivo dos exercícios navais do Irã é não apenas flexionar seus músculos frente ao mundo mas também melhorar seu treino e proficiência militar e afinar a estratégia de conduzir operações dentro das suas águas territoriais.
Os militares do Irã tem uma quantidade significativa de hardware militar produzindo pelo ocidente, alguns com mais de 30 anos de idade, o qual é difícil fazer manutenção sob o embargo.
A frota do Irã consiste de navios de concepção estado-unidense, francesa e britânica. Os três maiores submarianos do Irã, os quais foram fornecidos pela Rússia, têm mais de 15 anos e não há relatos de qualquer grande revisão de manutenção a ser feita. A base da sua força aérea é constituída por jactos MiG-29 e SU-24 russos, e F-6 e J-7 chineses.
O Irã substitui ativamente o hardware estrangeiro descomissionado por armamento produzido internamente e aumenta constantemente sua eficiência militar.
Indústria militar
Após a revolução, o Irã encontrou-se gravemente isolado devido a sanções económicas e a um embargo de armamento que lhe foi imposto pelos Estados Unidos, e teve de confiar principalmente na sua indústria interna de armas. O IRGC foi encarregado de criar a moderna indústria militar iraniana.
Hoje o Irã é capaz de produzir um vasto conjunto de armamento desde aviões com asas fixas, helicópteros, botes e submarinos bem como sistemas de radar e sistemas de defesa aérea refinados. Contudo, os sistemas que os EUA fornecem a aliados seus no golfo são muito mais avançados do que a tecnologia militar iraniana.
O Irã tem-se centrado no desenvolvimento de munições inteligentes, embarcações leves de ataque, minas e mísseis balísticos para neutralizar outras potência militares.
O Irã dedicou um bocado de esforço ao desenvolvimento dos seus próprios mísseis balísticos. Em anos recentes desenvolveu armas tais como os mísseis balísticos de médio alcance Fajr-3 e Kowsar, os quais tornaram-se a coluna dorsal do seu stock de mísseis estratégicos.
Para a sua força submarina, o Irã desenvolveu o torpedo de super-cavitação Hoot, alegadamente uma engenharia reversa do russo VA-111 Shkval.
O Irã fabrica localmente os sistemas de mísseis de defesa aérea Shahin e Mersad, os quais são versões melhoradas do sistema estado-unidense MIM-23-Hawk da década de 1960. O Irã também sabe produzir e operar drones não manejados, os quais são utilizados para vigilância.
Força Aérea do Irã
A Força Aérea do Irã opera cerca de 200 aviões de combate, uns 120 de transporte e mais de 500 helicópteros. A lista de bases e aeroportos operados pelos militares do Irão inclui 14 bases táticas da força aérea, 18 campos de pouso militares e 22 aeroportos civis que podem ser utilizados para finalidades militares.
A força aérea do Irã é constituída principalmente por aviões soviéticos e chineses, bem como aviões ex-iraquianos postos em serviço. Alguns dos aviões mais antigos são americanos, os quais a Força Aérea tem conseguido manter em serviço.
O Irã é capaz de produzir caças a jacto de um só lugar Azarakhsh e Saeqeh de segunda geração, derivados do Northrop F-5 americano. Oficiais iranianos afirmam que o Saegeh é semelhante ao McDonnell Douglas F/A-18 Hornet de construção americana. Segundo relatos recentes o Irã tem cerca de 30 destes aparelhos em operação.
Todos os aviões iranianos são equipados com mísseis de fabricação local e não dependem de fornecimentos estrangeiros.
Força naval iraniana
Segundo fontes abertas as forças navais do Irã têm um total de cerca de 26 submarinos, 4 fragatas, 3 corvetas, 24 embarcações de patrulha com mísseis, 7 navios lança-minas e mais de 270 embarcações de patrulha costeira.
Três dos submarinos do Irã são russos da classe Kilo, diesel-eléctrico, destinados principalmente a operações anti-navio e anti-submarinas nas águas relativamente rasas do golfo.
O Irão também tem cerca de 17 pequenos submarinos produzidos internamente da classe Ghadir, capazes de disparar o torpedos Hoot de super-cavitação, os quais são uma ameaça significativa para navios e submarinos hostis.
O Ghadir é uma classe de mini submarinos construídos pelo Irã especificamente para navegar dentro das águas rasas do Golfo Pérsico. O submarino está equipado com o equipamento militar e tecnológico mais recente e acredita-se que as suas capacidades seja iguais às de tipos estrangeiros. Os submarinos da classe Ghadir são capazes de disparar rocket-torpedos Hoot de super-cavitação. Os submarinos Chadir também podem ser utilizados para instalar diversas operações especiais, tais como lançamento de minas.
Considerando que o Estreito de Ormuz é bastante raso e tem apenas dois estreitos canais navegáveis, não seria de modo algum um desafio bloquear a passagem estratégica, especialmente com a experiência do Irão em operações de lançamento de minas, afirma Korotchenko.
"Operações de lançamento de mina podem ser executadas de modo bastante encoberto e depois disso o Irã pode anunciar que o Estreito de Ormuz está bloqueado", disse ele. "Além disso, o Irã é capaz de atingir petroleiros e outros navios dentro do estreito com mísseis anti-navio e disparados de botes velozes ou diretamente da costa".
Programas balísticos e nucleares
A principal preocupação do ocidente são os programas de mísseis balísticos e nuclear iranianos. O Irã criou forças de mísseis balísticos armados que são capazes de atingir quaisquer aliados dos EUA e bases estado-unidenses na região.
Afirma-se que o Irã acumulou vários milhares de mísseis balísticos móveis de alcance curto e médio. Os mísseis balísticos do Irã também poderiam ser configurados para transportar ogivas nucleares se o Irã puder desenvolvê-las.
O Irã ainda afirma que o seu programa nuclear é pacífico, mas muitos na comunidade mundial acreditam que é destinado a produzir armas nucleares. Segundo um de tais gurus, Anthony H. Cordesman do Center for Strategic and International Studies, é bastante possível que o Irã possa adquirir armas nucleares operacionais (deliverable) dentro dos próximos cinco anos.
Igor Korotchenko acredita que o Irã utilizaria seu poder balístico sem hesitação se exigido. A única questão que permanece é quão efctivamente isto funcionaria do lado da engenharia.
"Os mísseis balísticos Shahab-3 e os mísseis mais recentes baseados naquela tecnologia são de fato mísseis semi-estratégicos", disse ele. "É possível atacar instalações militares na região com aqueles mísseis, numa certa extensão. A questão é quão efetivamente o Irã utilizará suas unidades de mísseis".
"As unidades de mísseis são controladas pelos Guardas Revolucionários e estão incluídas na sua estrutura operacional", acrescentou Korotchenko. "Portanto podemos esperar que pelo menos no contexto da prontidão moral, os homens dos mísseis iranianos cumprirão o seu dever profissional".
Fonte: blog do Nassif - do Russia Today
domingo, 15 de janeiro de 2012
Mercado sem desenvolvimento: a causa da crise. Artigo inédito de Karl Marx
O texto abaixo é um dos achados do projeto Mega – Marx-Engels GesamtAusgabe, que, a partir dos arquivos de Karl Marx, está organizando a sua imensa obra ainda inédita: 114 volumes, o último dos quais será publicado em 2020.
Para entender em que mundo vivemos e viveremos, este artigo jamais lido do Capital, parece ter sido escrito hoje.
Eis o texto.
A enorme quantidade e variedade de mercadorias disponíveis no mercado não dependem apenas da quantidade e da variedade de produtos, mas são, em parte, determinadas pela entidade da parte de produtos produzidos como mercadorias, que deverão, portanto, ser inseridos no mercado para a venda na qualidade de mercadorias.
A grandeza dessa parte das mercadorias vai depender, por sua vez, do grau de desenvolvimento do modo de produção capitalista que produz os seus próprios produtos apenas como mercadorias, e do grau em que tal modo de produção domina em todas as esferas da produção.
Deriva daí um grande desequilíbrio no intercâmbio entre países capitalistas desenvolvidos, como aInglaterra, por exemplo, e países como a Índia ou a China. Esse desequilíbrio é uma das causas da crise.
Causa totalmente negligenciada pelos burros que se contentam em estudar a fase do intercâmbio de um produto por outro produto e que esquecem que o produto não é, portanto, em caso algum, mercadoria intercambiável enquanto tal. Isso constitui também a pedra no sapato que leva os ingleses, dentre outros, a querer subverter o modo de produção tradicional existente na China, na Índia etc., para transformá-lo em uma produção de mercadorias e, em particular, em uma produção baseada na divisão internacional do trabalho (ou seja, na forma de produção capitalista).
Eles conseguem, em parte, esse intento, por exemplo, quando prejudicam os fiadores de lã ou de algodão vendendo seus produtos a um preço inferior ou arruinar o seu modo de produção tradicional, que não é capaz de competir com o modo de produção capitalista ou com o modo capitalista de inserir as mercadorias no mercado.
Embora o capital produtivo, por sua própria natureza, esteja disponível no mercado, isto é, oferecido à venda, o capitalista pode (por um período de tempo longo ou curto, de acordo com a natureza das mercadorias) mantê-lo longe do mercado se as condições não lhe forem favoráveis ou com o fim de especular, ou outro.
O capitalista pode subtrair o capital produtivo do mercado das mercadorias, mas, em um momento posterior, será obrigado a reinseri-lo. Isso não tem efeitos sobre a definição do conceito, mas é importante para a observação da concorrência.
A esfera da circulação das mercadorias, o mercado, é, enquanto tal, diferente também fisicamente da esfera da produção, exatamente como são diferentes temporalmente o processo de circulação e o efetivo processo de produção. As mercadorias agora prontas ficam depositadas nos armazéns e nos depósitos dos capitalistas que as produziram (exceto no caso de serem vendidas diretamente), quase sempre só de modo passageiro, antes de serem expedidas para outros mercados.
Para as mercadorias, trata-se de uma estação de preparação a partir da qual serão inseridas na efetiva esfera de circulação, exatamente como os fatores da produção disponíveis permanecem à espera, em uma fase preparatória, antes de serem transportados para o efetivo processo de produção.
A distância física entre os mercados (considerados do ponto de vista da sua localização) e o lugar do processo de produção das mercadorias dentro de um mesmo país, e sucessivamente fora dele, constitui um elemento importante, porque é justamente a produção capitalista que faz com que, para uma boa parte dos seus produtos, o mercado seja constituído pelo mercado mundial. (As mercadorias também podem ser adquiridas para serem retiradas imediatamente do mercado, mas esse elemento deveria ser examinado em outros lugares, assim como a menção anterior às mercadorias que os produtores mantêm longe do mercado).
Consequentemente, é preciso que o mercado se expanda continuamente. Além disso, em todas as esferas individuais da produção, todo capitalista produz de acordo com o capital que lhe é oferecido, independentemente do que fizerem os outros capitalistas. No entanto, não será o seu produto, mas sim o produto total do capital investido nessa particular esfera de produção que irá constituir o capital produtivo, que oferece à venda esta e qualquer outra esfera individual de produção.
É um dado empírico que, embora a dilatação da produção capitalista leve a um incremento, a uma multiplicação do número de esferas de produção, ou seja, de esferas de investimento do capital, nos países de produção capitalista avançada, essa variação jamais mantêm o mesmo ritmo que o acúmulo do próprio capital.
O texto foi publicado no jornal La Repubblica, 08-01-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Fonte: blog do Nassif - Do IHU Online
Para entender em que mundo vivemos e viveremos, este artigo jamais lido do Capital, parece ter sido escrito hoje.
Eis o texto.
A enorme quantidade e variedade de mercadorias disponíveis no mercado não dependem apenas da quantidade e da variedade de produtos, mas são, em parte, determinadas pela entidade da parte de produtos produzidos como mercadorias, que deverão, portanto, ser inseridos no mercado para a venda na qualidade de mercadorias.
A grandeza dessa parte das mercadorias vai depender, por sua vez, do grau de desenvolvimento do modo de produção capitalista que produz os seus próprios produtos apenas como mercadorias, e do grau em que tal modo de produção domina em todas as esferas da produção.
Deriva daí um grande desequilíbrio no intercâmbio entre países capitalistas desenvolvidos, como aInglaterra, por exemplo, e países como a Índia ou a China. Esse desequilíbrio é uma das causas da crise.
Causa totalmente negligenciada pelos burros que se contentam em estudar a fase do intercâmbio de um produto por outro produto e que esquecem que o produto não é, portanto, em caso algum, mercadoria intercambiável enquanto tal. Isso constitui também a pedra no sapato que leva os ingleses, dentre outros, a querer subverter o modo de produção tradicional existente na China, na Índia etc., para transformá-lo em uma produção de mercadorias e, em particular, em uma produção baseada na divisão internacional do trabalho (ou seja, na forma de produção capitalista).
Eles conseguem, em parte, esse intento, por exemplo, quando prejudicam os fiadores de lã ou de algodão vendendo seus produtos a um preço inferior ou arruinar o seu modo de produção tradicional, que não é capaz de competir com o modo de produção capitalista ou com o modo capitalista de inserir as mercadorias no mercado.
Embora o capital produtivo, por sua própria natureza, esteja disponível no mercado, isto é, oferecido à venda, o capitalista pode (por um período de tempo longo ou curto, de acordo com a natureza das mercadorias) mantê-lo longe do mercado se as condições não lhe forem favoráveis ou com o fim de especular, ou outro.
O capitalista pode subtrair o capital produtivo do mercado das mercadorias, mas, em um momento posterior, será obrigado a reinseri-lo. Isso não tem efeitos sobre a definição do conceito, mas é importante para a observação da concorrência.
A esfera da circulação das mercadorias, o mercado, é, enquanto tal, diferente também fisicamente da esfera da produção, exatamente como são diferentes temporalmente o processo de circulação e o efetivo processo de produção. As mercadorias agora prontas ficam depositadas nos armazéns e nos depósitos dos capitalistas que as produziram (exceto no caso de serem vendidas diretamente), quase sempre só de modo passageiro, antes de serem expedidas para outros mercados.
Para as mercadorias, trata-se de uma estação de preparação a partir da qual serão inseridas na efetiva esfera de circulação, exatamente como os fatores da produção disponíveis permanecem à espera, em uma fase preparatória, antes de serem transportados para o efetivo processo de produção.
A distância física entre os mercados (considerados do ponto de vista da sua localização) e o lugar do processo de produção das mercadorias dentro de um mesmo país, e sucessivamente fora dele, constitui um elemento importante, porque é justamente a produção capitalista que faz com que, para uma boa parte dos seus produtos, o mercado seja constituído pelo mercado mundial. (As mercadorias também podem ser adquiridas para serem retiradas imediatamente do mercado, mas esse elemento deveria ser examinado em outros lugares, assim como a menção anterior às mercadorias que os produtores mantêm longe do mercado).
Consequentemente, é preciso que o mercado se expanda continuamente. Além disso, em todas as esferas individuais da produção, todo capitalista produz de acordo com o capital que lhe é oferecido, independentemente do que fizerem os outros capitalistas. No entanto, não será o seu produto, mas sim o produto total do capital investido nessa particular esfera de produção que irá constituir o capital produtivo, que oferece à venda esta e qualquer outra esfera individual de produção.
É um dado empírico que, embora a dilatação da produção capitalista leve a um incremento, a uma multiplicação do número de esferas de produção, ou seja, de esferas de investimento do capital, nos países de produção capitalista avançada, essa variação jamais mantêm o mesmo ritmo que o acúmulo do próprio capital.
O texto foi publicado no jornal La Repubblica, 08-01-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Fonte: blog do Nassif - Do IHU Online
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