terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Concessão de aeroportos foi estratégia para distribuição de renda

A concessão dos Aeroportos de Guarulhos, Brasília e Viracopos à inciativa privada desagrada a quem é contra as privatizações, por princípio.

E a princípio, o governo Dilma é contrário à privatizações. Então qual é a lógica dessas concessões?

Se olharmos bem a operação ao longo dos 20 a 30 anos, veremos que não há uma política pública de diminuição do Estado no setor aéreo, e sim um remanejamento de capital estatal de uma região para outra, a fim de promover o desenvolvimento regional.

O governo está arrecadando dinheiro em mercados ricos como São Paulo e Brasília, para investir em mercados menos desenvolvidos que precisam de aeroportos melhores, como nas regiões Norte, Nordeste, no Pantanal, em Foz do Iguaçu, etc. O resultado disso será melhor distribuição de renda, principalmente para a indústria do turismo.

A concessão rendeu R$ 24,5 bilhões pelo que já existe em São Paulo, Campinas e Brasília. Esse dinheiro é destinado ao Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC), que tem a finalidade de garantir verbas para outros aeroportos a serem reformados ou construídos sob direção ESTATAL, especialmente os regionais.

Portanto, o dinheiro do setor aéreo não está sendo "desestatizado", está sendo remanejado da região mais rica para as regiões mais pobres, corrigindo desequilíbrios regionais.

Outra fonte de receita destes aeroportos concedidos, também para reinvestir nos aeroportos estatais através deste Fundo:
- 10% do faturamento bruto anual de Guarulhos;
- 5% do faturamento bruto anual de Viracopos;
- 2% do faturamento bruto anual de Brasília.

Por fim, a Infraero continua dona da concessão de 49% destes três aeroportos e, portanto, continuará tendo metade dos lucros deles.

A ideia de conceder à iniciativa privada assusta, e protestos como os da CUT são justos, válidos e compreensíveis, pela má experiência das privatizações no passado, mas dessa vez nada tem a ver com o que foi feito na era tucana. Eis as diferenças:

- O governo concedeu por decisão estratégica própria, e não por imposição do FMI, nem por necessidade de pagar dívidas.

- Não há diminuição do estado no setor. O dinheiro será investido em outros aeroportos estatais.

- A concessão tem prazo: 20 anos para Guarulhos, 25 para Brasília, e 30 para Viracopos, podendo prorrogar apenas por 5 anos. Depois disso, os Aeroportos voltam às mãos Estado e, se lá o governo quiser deixar 100% nas mãos da Infraero ou fazer novo leilão, pode decidir o que for melhor.

- A Infraero não foi privatizada. Ela perdeu espaço nestes Aeroportos por uma mão, mas ganhará pela outra, nos Aeroportos estatais que receberão investimentos do FNAC.

- Se a Infraero não foi privatizada, não haverá demissões em massa de seus funcionários, como ocorria na privataria tucana. No máximo ocorrerá remanejamento, se houver excedente em algum dos aeroportos concedidos.

Se olharmos o todo, a operação foi engenhosa. Havia pouco interesse do capital privado em investir nas outras regiões, e havia muito interesse em investir em São Paulo e Brasília. O governo jogou com os investidores para fazer uma triangulação: captou dinheiro em São Paulo, que será investido no Nordeste, na Amazônia, no Pantanal, etc.

Detalhe: São Paulo e Brasília não terão nenhum prejuízo. Pelo contrário, as concessionárias estão obrigadas a investir R$ 16 bilhões nos 3 aeroportos ao longo dos anos, para ampliação e modernização.

Em tempo: o BNDES não está financiando o valor da concessão, como há gente mal informada dizendo por aí. O BNDES oferece empréstimo para obras de ampliação dos aeroportos, como sempre fez com outros empreendimentos industriais e de infra-estrutura.

Fonte: Amigos do presidente Lula

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

As doações de Washington a Pinochet - Riggs, máquina de lavar dinheiro para ditadores

Enquanto estava no poder entre 1973 e 1990, o ditador chileno Augusto Pinochet conseguiu fazer um belo pé de meia. Isso antes que investigadores norte-americanos, chilenos e espanhóis revelassem o caso; a amplitude das descobertas foi surpreendente.

No dia 16 de março de 2005, dois senadores norte-americanos, o democrata Carl Levin e o republicano Norm Coleman, apresentaram os resultados de sua investigação sobre a lavagem de dinheiro. Eles descobriram uma verdadeira “rede financeira secreta” composta de não menos do que 125 contas bancárias em diversos estabelecimentos dentro e fora dos Estados Unidos, em favor do ex-presidente chileno e de membros de sua família.

Um único banco, o Riggs Bank, tinha gerenciado quase um quarto das contas de Pinochet. Apesar de seu tamanho médio, o estabelecimento financeiro “preferido das embaixadas” de Washington vangloriava-se por ser “o banco mais importante da cidade mais importante do mundo”.

Graças às suas competências e à dedicação dessa prestigiosa instituição, um sistema financeiro complexo e ilegal havia sido construído em favor do ex-caudilho, com a cumplicidade de bancos de diversas nacionalidades: os norte-americanos Citigroup e Bank of America, o britânico HSBC, o Banco de Chile, o espanhol Santander. Em suas conclusões, o documento do Senado de 2005 não exclui a existência de outras contas.

Apesar de os investigadores não terem conseguido calcular a soma exata acumulada, a estimativa é de cerca de US$ 13 milhões. Levin explicava na época que “novas informações demonstram que a rede financeira de Pinochet nos Estados Unidos era muito mais desenvolvida, tinha durado mais tempo e implicava mais estabelecimentos bancários do que tínhamos descoberto antes”.

O relatório anterior do Senado norte-americano, concluído em julho de 2004, mencionava apenas somas de US$ 4 milhões e 8 milhões depositadas, entre 1994 e 2002, em nove contas do
Riggs. Deduzia-se de maneira clara que as diversas rendas de Pinochet – a de general, de presidente da República ou ainda de senador vitalício – não eram suficientes para justificar depósitos dessa ordem de grandeza. Ora, como afirmava Levin naquela época, o banco “não avisou nem a polícia nem a justiça da existência desses depósitos”, apesar de a lei nos Estados Unidos obrigá-lo a isso. Muito mais do que uma simples omissão, a implicação ativa do Riggs na gestão fraudulenta desses fundos duvidosos era, de fato, espantosa.

Passando por diferentes controles, o banco tinha se recusado a revelar a identidade do titular, afirmando que se tratava de um “profissional aposentado com sucesso”. No entanto, entre outubro de 1998 e março de 2000, o ex-ditador foi detido em Londres a pedido da justiça espanhola, que o indiciava por “genocídio, torturas e desaparecimentos”, e apesar de, segundo o relatório do Senado norte-americano, “uma corte ter dado a ordem de congelar suas contas bancárias, o Riggs tinha tranquilamente ajudado a transferir os fundos de Londres para os Estados Unidos”.

A transferência, efetuada em 1999, envolvia uma soma de US$ 1,6 milhão. Quando a imprensa britânica publicou a fortuna de Pinochet, o banco modificou o nome do titular, bem como o de sua mulher, com o objetivo de confundir as pistas.


Executivos laranjas

A primeira investigação do Senado conseguiu, no entanto, divulgar a existência de duas empresas fictícias, a Ashburton Co. Ltd e a Ashburton Trusty Althorp Investment Co. Ltd, montadas do começo ao fim pelo Riggs em favor do general. Altos funcionários do estabelecimento bancário tinham polidamente se oferecido para emprestar seus nomes. As duas empresas não possuíam escritórios nem empregados. No entanto, esses laranjas eram titulares de contas nas Bahamas, bem conhecidas pelos apreciadores de paraísos fiscais.

A segunda investigação trouxe informações mais precisas sobre a rede financeira. Nessa época, é verdade que o Riggs tinha se mostrado mais cooperativo. Mas, cercado por diversas investigações – do Senado, do Tesouro norte-americano e, enfim, da Securities and Exchange Commission (SEC), a “polícia” da Bolsa norte-americana –, que outra escolha teria o banco? E a cooperação não foi sem limites. O estabelecimento continuou fechando certas contas sem notificar as autoridades sobre a natureza fraudulenta dos capitais envolvidos. Tanto que os agentes norte-americanos fracassaram na tentativa de reconstituir as movimentações, como lamentou Levin em 16 de março de 2005.

A equipe do Senado conseguiu, no entanto, provar que Pinochet teve acesso a não menos que dez identidades falsas, assim como a passaportes diplomáticos falsificados para a abertura de contas. Por meio de correspondência apreendida, a comissão da Casa revelou amostras do grau de intimidade instaurado entre o ex-ditador e os mais altos funcionários do banco, entre os quais o diretor-geral, Joe L. Allbritton.

Vendo o cerco judiciário se apertar contra sua instituição, os banqueiros preferiram um acordo amigável com a justiça a um processo escandaloso que teria arruinado a reputação de uma instituição que se orgulhava de ter, em 169 anos de existência, “as contas de vários presidentes norte-americanos”. Quando, em janeiro de 2005, o procurador federal do distrito de Colúmbia, Kenneth Wainstein, anunciou o acordo, ele se mostrou tão severo quanto o senador Carl Levin: “Apesar das múltiplas advertências dos controladores, o Riggs manteve negócios com clientes que tinham alta probabilidade de estar envolvidos em atividades de lavagem de dinheiro e os ajudou a proteger suas operações financeiras de todo exame aprofundado.

Esse comportamento prolongado e sistemático não advinha de uma simples negligência cega; era mais da ordem de uma violação criminal das leis bancárias que protegem nosso sistema financeiro de sua exploração por terroristas, narcotraficantes e outros criminosos”. Os dirigentes do Riggs aceitaram declarar-se culpados, submeter seu estabelecimento a um período probatório de cinco anos e pagar uma multa de US$ 16 milhões.

A conta pode parecer salgada, mas o banco se saiu muito bem do caso. Em primeiro lugar, só admitiu sua culpa para uma das acusações: a de não ter informado as autoridades nos prazos previstos pela lei da origem duvidosa de alguns fundos que alimentavam suas contas. Isso permitiu que a instituição aparecesse como culpada de uma simples negligência, permitindo salvar sua reputação, quando na verdade ela foi um ator principal nas infames atividades financeiras de alguns de seus clientes.

Além disso, o banco foi dispensado do período probatório de cinco anos. Uma cláusula do acordo dispunha que, em caso de aquisição do banco, a medida seria revogada. Ora, o Riggs foi comprado pelo banco PNC Financial Services, venda negociada em julho de 2004 e efetivada em 13 de maio de 2005. Quanto à multa de US$ 16 milhões, seria necessário ressaltar que foi com dinheiro sujo que o banco “se lavou”? Onde já se viu um ladrão comprar uma nova virgindade penal com o produto de seus roubos?

O general Pinochet, por sua vez, esperava dispor do dinheiro depositado no Riggs para acertar os US$ 5 milhões de impostos atrasados e multas não pagas. Mas, apesar das ações realizadas por seu advogado contra o Tesouro chileno, as autoridades se recusaram a suspender o congelamento de sua fortuna, uma decisão tomada em novembro de 2004 pelo juiz Sergio Muñoz.

Três semanas somente após o acordo amigável com a justiça norte-americana, soube-se que o Riggs tinha aceitado uma transação com as autoridades judiciárias espanholas: o banco pagou US$ 9 milhões, reconhecendo ter transferido US$ 1,6 milhão de modo ilegal, quando a fortuna financeira do ex-ditador tinha sido congelada.

Em contrapartida, Madri se comprometeu a pôr um fim no processo judiciário contra o banco e seus dirigentes. As indenizações foram depositadas em uma conta administrada pela Fundação Salvador Allende, a mesma que, pelas denúncias de genocídio, tinha conseguido a detenção do general Pinochet, por ocasião de uma visita particular em Londres. Um milhão de dólares deveria servir para cobrir os custos judiciários; US$ 8 milhões eram destinados às vítimas da ditadura chilena.

No mesmo dia em que a transação com a justiça espanhola tornou-se pública, uma indiscrição revelou que uma dúzia de executivos de alto escalão do banco tinha obtido mais de US$ 15 milhões em “paraquedas de ouro” (indenizações em caso de rescisão de contrato) − uma quantia muito superior às indenizações negociadas pelas dezenas de milhares de vítimas chilenas.



O tirano da Guiné Equatorial

Pinochet não é o único ditador a ter se beneficiado das competências do Riggs. Teodoro Obiang Nguema, o ditador que dirige a Guiné Equatorial com mão de ferro, depositou na instituição uma quantia de até US$ 700 milhões, o que faz desse déspota africano o maior cliente do banco. Desde a independência, em 1968, a Guiné Equatorial vive no terror. Primeiro sob o comando de Macías Nguema, depois sob o governo de seu sobrinho, Obiang Nguema, que, em 1979, apoiando uma revolução palaciana, derrubou o tio do poder, fazendo-o passar pelas armas.

O novo mestre tomou posse de um país que, no final dos anos 1970, era um dos mais pobres do mundo. Ele fez desse pequeno Estado, hoje povoado por um pouco mais de 500 mil pessoas, sua propriedade particular.

Segundo o jornalista Peter Maass, a Guiné Equatorial “parece às vezes com uma caricatura de cleptocracia petroleira”. Enquanto as rendas do ouro negro aumentavam de maneira exponencial (US$ 3 milhões em 1993, US$ 210 milhões em 2000, US$ 700 milhões em 2003),9 65% da população vivia com menos de US$ 2 por dia. Como o resto da produção, a renda petroleira foi maciçamente desviada pelo tirano e sua família, com a cumplicidade ativa de empresas norte-americanas, entre as quais o Riggs Bank, até sua compra pelo PNC Financial Services.

Em 1995, o Riggs abria uma conta para a embaixada da Guiné Equatorial em Washington, a primeira de uma longa série. O relatório do Senado norte-americano revelou que, entre 1995 e 2004, o estabelecimento gerenciou “mais de sessenta contas bancárias para o governo da Guiné Equatorial, seus membros e famílias, [...] fechando os olhos para os indícios que mostravam uma ligação com atividades de corrupção”.

Os US$ 13 milhões de Pinochet ficam parecendo brincadeira de criança quando comparados aos US$ 700 milhões de Nguema. E com razão: na Guiné Equatorial, a renda nacional é confundida com as finanças pessoais do ditador. Uma empresa estrangeira não pode se estabelecer lá sem abrir seu capital a parceiros locais, obrigatoriamente ligados ao clã governamental. O que era uma prática comum virou oficial em 2004, por um decreto presidencial, que, no setor petroleiro, impõe uma abertura de capital em 35%.

Em relação à renda petroleira, as empresas norte-americanas – que dispõem do monopólio da produção do país em questão – depositavam diretamente suas rendas nas contas do Riggs em Washington. E, qualquer que fosse a conta oficial aberta em nome do Estado da Guiné Equatorial, as assinaturas eram as do presidente ou de um membro de sua família. A investigação do Senado conseguiu identificar alguns desses movimentos de capitais. Trechos de um breviário da corrupção: “Mais de US$ 35 milhões foram transferidos para empresas petrolíferas, por meio de empresas estabelecidas em paraísos fiscais, a partir de uma conta detida pelo presidente Obiang, seu filho, o ministro das Minas, e seu sobrinho, secretário de Estado no Tesouro.

[O Riggs] autorizou entre 2000 e 2002 depósitos em dinheiro de uma quantia total de cerca de US$ 13 milhões em contas controladas pelo presidente e sua esposa”. O banco concedeu ao casal presidencial “empréstimos para a compra de um avião e de residências de luxo, localizadas sobretudo nos Estados Unidos”.

Durante a apresentação do relatório de julho de 2004, o senador Levin ressaltou o “corpo mole” dos estabelecimentos na hora de cooperar. Ele explicou que um dos responsáveis, durante depoimento, tinha se recusado a responder às questões. Simon Kareri, encarregado das contas guinéu-equatorianas no banco Riggs, teria, no entanto, muita coisa para contar. Segundo o relatório, em pelo menos duas ocasiões, esse alto funcionário teria recebido, na embaixada em Washington, malas “contendo US$ 3 milhões em dinheiro a fim de fazer um depósito nas contas do presidente guinéu-equatoriano”.

Ironia da história, o Riggs teve de romper com o ditador no mesmo momento em que ele era cortejado como nunca pelos chanceleres ocidentais. Após os atentados de 11 de setembro de 2001, os Estados Unidos decidiram reduzir a dependência do petróleo do Oriente Médio e aumentar as importações provenientes da África ocidental. De certo modo, Pinochet e Nguema foram “vítimas colaterais” dos ataques de 11 de setembro. Seus fundos prosperavam em silêncio, quando a comissão de questões governamentais do Senado decidiu investigar o financiamento das organizações terroristas.

A Arábia Saudita se viu no banco dos réus, por meio de organizações de caridade e de personalidades como a princesa Haifa al-Faisal, esposa do príncipe Bandar, ex-embaixador saudita nos Estados Unidos. As buscas conduziram naturalmente ao banco dos diplomatas. Foi durante as investigações das 150 contas sauditas do Riggs que os investigadores descobriram movimentos de capitais de origem fraudulenta envolvendo outros clientes. No dia 14 de maio de 2004, as autoridades norte-americanas condenaram a respeitável instituição a pagar uma multa de US$ 25 milhões por ter infringido a lei, de modo “deliberado e sistemático”, como afirmaram os controladores federais.

Os relatórios oficiais só descobriram a ponta do iceberg. Investigações similares poderiam ser realizadas em relação a contas de outros presidentes. E, por que não, àquelas dos ex-diretores do banco...

por Alain Astaud - Jornalista e Ilustração: Dálcio

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Coleguismo: será que ele ainda existe nas empresas?

Para especialista, a falta de coleguismo pode atrapalhar o networking, a produtividade, além de diminuir as chances de promoção

Há pouco tempo, a prática do chamado coleguismo era essencial para quem quisesse ter sucesso dentro da empresa. Contudo, com a competição cada vez mais presente dentro das organizações, cabe a pergunta: ainda há espaço para o coleguismo?

De acordo com o headhunter da De Bernt Entschev Human Capital, Rômulo Machado, a falta de coleguismo é mais comum entre os mais jovens, que são mais ansiosos para a conquista de uma nova posição.

Contudo, alerta o especialista, a falta de coleguismo pode ser bastante prejudicial à carreira, na medida que atrapalha o networking, impacta na produtividade, já que o trabalho geralmente é interdependente, e diminui as chances de promoção.

“As pessoas, às vezes, esquecem que os resultados dentro de uma empresa são medidos pela equipe e não só pelo trabalho individual”, ressalta.

Coleguismo
Ainda segundo Machado, coleguismo é pensar no bem da organização como um todo, pensar no bem da equipe e não somente no trabalho individual.

Na opinião dele, as empresas devem trabalhar para que o coleguismo seja uma prática diária. Para isso, sugere, é importante que os líderes deixem claro a importância do trabalho em equipe, que haja transparência na comunicação e diálogo constante.

“A competição na empresa é saudável, mas deve se atentar para que não se ultrapasse os limites”.

Fonte: por Infomoney - http://www.administradores.com.br

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O imundo macartismo “faxineiro” do PIG (partido da imprensa golpista)

Nem bem se anunciou a (possível) nomeação do deputado Aguinaldo Ribeiro (PP) para o Ministério das Cidades, o Estadão já parte para cima do ministeriável.

“Aguinaldo Ribeiro favoreceu no Orçamento de 2012 o curral eleitoral da irmã, a deputada Daniella Ribeiro“, diz o jornal, dizendo que ele apresentou emendas que seriam destinadas a favorecer eleitoralmente a irmã.

Bem, o “curral eleitoral” é nada menos quea cidade de Campina Grande, de “apenas” 600 mil habitantes, só ligeiramente menor que a capital do Estado da Paraíba, João Pessoa. Campina é, inclusive, centro de uma região metropolitana de 23 municípios e a maior do interior do Nordeste.

E o que foi este terrível fisiologismo nepotista?

R$ 450 mil para equipar melhordois hospitais filantrópicos que realizam atendimento público na cidade. O Pedro I, fundado em 1932 pela maçonaria e o Escola, criado em 1965 por uma associação mantida pelo Governo da Holanda, que depois passou a ser administrado por brasileiros e é hoje onde são atendidos os acometidos por câncer na região, porque oferece quimio e radioterapia.

E mais R$ 330 mil para uma Universidade Federal ali localizada. Note, um órgão federal e uma universidade pública.

Ora, pode até se discutir se devem existir emendas parlamentares ao Orçamento, o que é considerado errado, com razão, por muitos. Mas o fato é que elas existem e quase todos os deputados as utilizam, individual ou coletivamente, através das emendas de bancada.

Se o Estadão quer ser coerente, deveria dizer que o líder do PSDB, deputado Bruno Araújo, aprovou uma emenda no valor de R$ 400 mil para beneficiar seu “curral eleitoral” da cidade de Brejo da Madre de Deus, em Pernambuco, para passar a patrol em dez quilômetros de estradas vicinais no pequeno município, de apenas 45 mil habitantes, onde o prefeito (e médico) Edson Souza deixa o Hospital Municipal José Carlos de Santana caindo aos pedaços, sem colchões ou lençóis e imundo, como você pode ver aqui.

Não conheço o deputado Aguinaldo, mas acho que ele fica bem, pelo menos nessa comparação de emendas parlamentares.

Fonte: http://www.tijolaco.com/ de Brizola neto

“Não existe neutralidade na imprensa”

O diretor de redação do jornal francês Le Monde Diplomatique, Ignácio Ramonet, acredita que a mídia deveria se posicionar claramente sobre a linha ideológica e política que segue. Doutor em Sociologia e professor de Teoria da Comunicação, o jornalista, que comanda um periódico abertamente de esquerda, diz que não existe a tão aclamada neutralidade da imprensa.

“Um jornal que diz que é objetivo é um jornal alinhado à direita e que tenta esconder seu ponto de vista”, explica. Ramonet entende que os veículos de comunicação deveriam deixar claras as posições políticas e ideológicas que defendem. “Não tenho nada contra um jornal ser de direita, acho interessante que existam. Mas que fique claro que representa o ponto de vista dos empresários, da burguesia e da classe conservadora”, aponta.

O jornalista esteve em Porto Alegre na semana passada para participar das atividades do Fórum Social Temático e mesmo com uma apertada agenda encontrou tempo para conversar durante meia hora com a reportagem do Sul21. Nesta entrevista, ele analisa também o papel das esquerdas na crise capitalista que assola a Europa e contrapõe a situação no velho continente ao momento vivido pela América Latina. “A América Latina está construindo o Estado de bem-estar social, enquanto na Europa ele está sendo destruído”, compara.

O senhor escreveu o livro A tirania da comunicação. Quais os propósitos por trás da atuação jornalística dos grandes veículos e comunicação?

O jornalismo está vivendo várias crises. A primeira delas é a dominação pelos grandes grupos globais. Esses grupos são multimídia, detêm televisões, imprensa escrita, rádios e sites. E se comportam como atores da globalização, o que faz com que não tenham a mesma relação direta com os leitores. A segunda crise jornalística foi criada pela internet. Em muitos países, a imprensa escrita está desaparecendo, sendo substituída pelos meios digitais. E aí vem também uma crise econômica, porque o modelo de sustentação da imprensa escrita não funciona mais. Caíram a publicidade e as tiragens.

A internet não trouxe benefícios ao jornalismo?

O problema é que temos dois modelos – o impresso e o digital – e nenhum deles funciona. Provavelmente, o que vai prevalecer será o modelo digital, até porque a informática se aprimora cada dia mais nos países em desenvolvimento. Uma consequência do advento da internet é o que os cidadãos podem intervir muito mais do que antes. O público não é mais passivo, hoje existe a possibilidade de comentar e de difundir a informação. Isso também afeta o trabalho do jornalista, que acaba possuindo um papel diferente, não está mais num pedestal. Não é mais só o jornalista que fala. A relação hoje em dia é muito mais interativa. Por outro lado, isso gera uma crise de identidade: se todo mundo pode ser jornalista, o que é, de fato, ser jornalista? Onde está a especificidade de um jornalista, se qualquer pessoa pode sê-lo?

A internet, com a força das redes sociais, está se convertendo numa ferramenta efetiva contra o monopólio da informação pela mídia tradicional?

O panorama está mudando. A internet pode romper os monopólios? Sim, pode ser que seja possível. Mas não acredito que se deva pensar que se alcançará uma fase de democratização da informação. O que há é uma ilusão de democratização, já que hoje em dia todos podemos produzir e difundir informação. Há uma noção de que estaríamos nos auto-informando. Mas, na realidade, todos são auxiliados pelas fontes centrais de informação. Então há uma maior participação das pessoas, mas ainda existem os monopólios. E esses monopólios já integram o Facebook, o Twitter e possuem suas páginas digitais. A democratização existe, mas os monopólios não se enfraqueceram. No fundo, o que está mudando é a defesa das pessoas contra a tentativa de domesticação levada adiante pela mídia dominante. Do ponto de vista ideológico, o objetivo dos grandes meios de comunicação é domesticar a sociedade. Com as novas ferramentas digitais e com as redes sociais, surge um modo de se defender disso.

Aqui no Brasil a mídia se diz imparcial e desprovida de objetivos políticos. Nenhum jornal da imprensa tradicional se qualifica abertamente como de esquerda ou de direita. O senhor, como diretor do Le Monde Diplomatique, um jornal de esquerda, avalia que é necessário haver maior transparência quanto à posição ideológica da mídia?

Acredito que são os leitores que dão identidade a um jornal. O jornal não diz “somos de esquerda”. Mas, sem dúvida, a neutralidade não existe. Um jornal que diz que é objetivo é um jornal alinhado à direita e que tenta esconder seu ponto de vista. Não tenho nada contra um jornal ser de direita ou de centro-direita, pelo contrário, acho interessante que existam. Mas que fique claro que representa o ponto de vista dos empresários, da burguesia e da classe conservadora. Não acredito que se possa dar a informação de maneira objetiva. Existem fatos objetivos, mas o comentário sobre eles será sempre diferente. E é importante que seja assim, desde que se jogue com as cartas na mesa.

O governador Tarso Genro disse num evento do FST que a esquerda precisa perder o medo da mídia e enfrentar temas que a imprensa “mastiga de forma negativa”. É exagerada a cautela dos políticos em relação à mídia?

Os meios de comunicação têm uma função absolutamente indispensável numa sociedade democrática. Mas não são partidos políticos e não devem pensar que o são. Se querem se transformar em partidos, que se apresentem nas eleições. O papel crítico da mídia é indispensável na democracia. Mas não podem confundir crítica com oposição. Na América Latina muitos veículos de comunicação que têm dominado a vida intelectual acreditam que são mais importantes que os partidos políticos. Nesse continente, os latifundiários da imprensa são os novos amos das consciências. Acreditam que podem domesticar a população e não aceitam a autonomia do poder político.

O senhor entende que a esquerda não está conseguindo propor alternativas ao capitalismo. A esquerda também é culpada pela atual crise do sistema?

Claro que sim. A esquerda europeia, por exemplo, não apenas não propôs nenhuma alternativa, como tem se prestado a legitimar as políticas impostas pelo Fundo Monetário Internacional e pelo Banco Central Europeu. A esquerda social-democrata, quando estava nos governos, deu provas de sua incapacidade, até mesmo teórica, de enfrentar essa crise. Não apenas é uma crise econômica, é também uma crise das esquerdas.

E qual a alternativa, já que a esquerda tradicional não está dando conta?

Existem outros partidos de esquerda que estão decididos a adotar políticas diferentes, por exemplo, mudando a relação com o Banco Central Europeu, que não permite ajuda aos países. Há partidos que dizem que se deve obrigar o Banco Central a ajudar, que é preciso adotar uma política de estímulo, não apenas para reduzir o déficit, mas para promover crescimento econômico. Mais ou menos como faz Barack Obama nos Estados Unidos, e ele não é nenhum revolucionário. Mas está promovendo uma política de estímulos, uma política neo-keynesiana e não conservadora. Existem forças propondo uma mudança efetiva, mas elas ainda não estão nos governos europeus.

Aqui no Brasil existem outros partidos de esquerda que propõem ações não previstas no programa do governo federal. Mas alguns deles defendem, inclusive, uma ditadura do proletariado. Até que ponto é possível buscar alternativas mais à esquerda sem incorrer no totalitarismo?

Não faz mais sentido falar em ditadura do proletariado. A história já passou por isso. Hoje, qualquer alternativa deve partir do respeito aos mecanismos democráticos. Quando eu falo de outras esquerdas, não estou falando de esquerdas fora da esfera democrática. A esquerda dentro da democracia é a única que interessa. É a única que pode ser realista e que pode trazer soluções num panorama totalmente democrático.

Como o senhor avalia o contexto político da América Latina, mais especificamente da América do Sul, onde a maioria dos países é governada pela esquerda?

Para muitas esquerdas no mundo, a América Latina é algo que está funcionando. Aqui implementam políticas originais. Não seguem os ditames do FMI, promovem políticas de integração continental, de inclusão social e não de exclusão. A América Latina está construindo o Estado de bem-estar social, enquanto na Europa ele está sendo destruído. E, lá, as esquerdas participam dessa destruição. A América Latina, pela primeira vez na história, aparece para toda a esquerda mundial como uma prática na qual podem se inspirar.

Pode surgir daqui uma saída para a crise capitalista?

A América Latina está num período de construção do Estado de bem-estar e de classes médias. É a mesma situação que viveu a Europa após a Segunda Guerra Mundial. A América Latina lembra a Europa que o Estado é um ator importante, não somente os mercados. Na Europa os mercados governam e os estados e a política não conseguem se impor. E a América Latina lembra o mundo inteiro que a política ainda vale, que os dirigentes políticos ainda valem e que, por consequência, a política e as eleições ainda têm sentido. Na Grécia, na Itália e na Inglaterra os jovens se revoltam. Estão indignados, porque consideram que os políticos não fazem nada e são cúmplices das soluções propostas pelos mercados. A América Latina mostra ao mundo que é possível o Estado se impor aos mercados.

Mas há diferenças entre as esquerdas que governam na América Latina. Venezuela, Bolívia e Equador intensificam reformas e mudanças anticapitalistas que países como Brasil, Argentina e Uruguai não parecem dispostos a implementar.

Essa suposta oposição entre as esquerdas na América Latina é muito mais uma invenção dos meios de comunicação ocidentais, que têm interesse em criar oposições artificiais. É evidente que cada país é diferente, mas globalmente todos estão fazendo políticas de inclusão social. Cada um com seus métodos, mas estão construindo o Estado de bem-estar e uma democracia participativa. Tudo isso tem muito mais semelhanças do que diferenças. É claro que há diferenças, mas não há oposição. Toda a América Latina vai pela primeira vez na mesma direção, isso é muito importante.

A Europa está dominada hoje por governos conservadores. Inglaterra, Alemanha, França, Grécia, Itália e Espanha são governados pela direita e implementam soluções reacionárias e autoritárias para sair da crise. Este ano tem eleições na França, se a esquerda vencer o país pode se tornar uma luz no fim do túnel europeu?

Se essa esquerda que tem possibilidade de ganhar as eleições se comportar de maneira diferente da esquerda que estava no poder na Grécia, na Espanha, em Portugal… Se agir da mesma forma, não haverá nenhuma mudança. É bem provável que François Hollande (do Partido Socialista) possa ganhar a eleição. Fará uma política diferente? Muitas pessoas desejam isso. Mas será que ele poderá fazer algo diferente? Os mercados permitirão? A Alemanha permitirá? Não sabemos. O que é seguro dizer é que se a França muda sua política de maneira racional, mas atrevida, terá uma grande influência no mundo inteiro e na Europa. E isso pode mudar as coisas, inclusive numa aliança com a América Latina.

Postado por Miro às 19:35

Fonte: http://altamiroborges.blogspot.com

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

MEC quer ensino médio menos técnico e mais prático

O Ministério da Educação publicou na edição desta terça-feira (31) do Diário Oficial da União as diretrizes curriculares para o ensino médio de todo o país. De acordo com o relator do texto e membro do Conselho Nacional de Educação, José Fernandes de Lima, a iniciativa visa a propor um ensino "menos técnico e mais prático e humano".

“Essas diretrizes estão substituindo as diretrizes de 1998. Aprovamos o texto em maio de 2011 e ele foi homologado em janeiro de 2012. Desde 1998, muita coisa mudou, muita coisa evoluiu. Por exemplo, o número de alunos no ensino médio quase dobrou nesses 14 anos. Apareceram novas avaliações”, explica o relator.

dessas novas avaliações, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) surgiu em 1998 e já é utilizado como critério de seleção por 500 universidades federais e estaduais, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). José Fernandes negou que as alterações nas diretrizes foram elaboradas pensando em similaridade com a metodologia praticada pelo Enem. No entanto, assumiu que esse processo se dará espontaneamente no futuro.

“As diretrizes que nós escrevemos estão dizendo que precisamos fugir daquele ensino de 'decoreba'. Tem de ensinar os textos, os conteúdos mais voltados para a vida, para a prática. Nesse caso, quando as pessoas começarem a praticar mais as diretrizes vai haver uma natural aproximação com o Enem”, teorizou o conselheiro.

Essa mudança de filosofia para os estudantes do ensino médio fica evidente quando o relator inclui nas diretrizes que o ensino deve ser norteado pelo “aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico”, diz a resolução no Diário Oficial.

Preparando para a vida...

“Entendemos que o ensino médio tem um espaço muito grande ainda para melhorar. O que vem sendo praticado não está dando conta dos interesses da juventude”, ressalta o conselheiro do CNE. José Fernandes defende que “o ensino médio não é apenas para preparar para o vestibular e para o mercado de trabalho, ele tem de preparar para a vida também.”

Baseando-se na formação integral do estudante, a iniciativa ainda prega que o aprendizado deve basear-se na “educação em direitos humanos como princípio nacional norteador”, e a sustentabilidade ambiental como meta universal. Para o relator, o ensino médio que vem sendo praticado não está dando conta dos interesses da juventude, por isso, a necessidade de mudança.

Matérias

Apesar das alterações recomendadas, as matérias tradicionais também foram mencionadas nas diretrizes. Divididas por áreas de conhecimento, as velhas conhecidas dos alunos deverão seguir a seguinte orientação: de linguagens constam as aulas de língua portuguesa, língua materna (para populações indígenas), língua estrangeira moderna, arte e educação física. O ensino da língua espanhola também é colocado como obrigatório pelas instituições de ensino.

Matemática é a segunda área de conhecimento. A terceira é ciências da natureza, subdivididas em biologia, física e química, e as ciências humanas, que incluem as disciplinas de história, geografia, filosofia e sociologia.

Por: Raoni Scandiuzzi, Rede Brasil Atual

Fonte: blog do nassif

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A formação do Terceiro Reich

Na gelada manhã de 30 de janeiro de 1933 chegaria ao fim a tragédia da República de Weimar, a tragédia de 14 frustrados anos nos quais os alemães buscaram, sem sucesso, pôr em funcionamento uma democracia.

Aproximadamente às 10h30, os membros do ministério proposto em negociações entre nazistas e reacionários da velha escola, somados às forças conservadoras, de centro e de setores sociais-democratas, atravessam o jardim do palácio e se apresentam no gabinete presidencial.

O presidente da República, o velho marechal Paul von Hindenburg, de 86 anos, confia a chancelaria a Adolf Hitler, führer do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei, NSDAP), mais conhecido como Partido Nazista, e o encarrega de formar o novo governo.

A nomeação surpreendente de Hitler seguiu-se às tratativas entre os dirigentes conservadores, em especial o ex-chanceler Franz von Papen, e os simpatizantes nazistas, representados pelo doutor Hjalmar Schacht, um reputado economista responsável pelo reordenamento espetacular da economia alemã após a crise inflacionária de 1923, o "ano desumano".

Os conservadores e o empresariado queriam se servir de Hitler para deter a ameaça comunista. Não acreditavam que os nazistas representassem um perigo real para a democracia alemã.

O Partido Nazi estava perdendo velocidade eleitoral. No pleito de 31 de julho de 1932 havia conquistado 230 cadeiras no Reichstag de um total de 608 – 37,3 % dos votos populares. Já nas eleições legislativas de novembro do mesmo ano, obtiveram 33,1% dos sufrágios, perdendo 2 milhões de votos e 34 lugares no Parlamento.

Os comunistas ganharam 750 mil votos e os social-democratas perderam a mesma quantidade. Com esse resultado, os comunistas passaram de 89 para 100 cadeiras e os socialistas caíram de 133 para 121 deputados. Os dois somados superavam largamente as 196 cadeiras nazistas.

A perda de dois milhões de votos nazistas sobre um total de 17 milhões, em apenas quatro meses, significava um duro revés. O governo formado por Hitler foi aberto amplamente aos representantes da direita clássica. Não contava com mais do que três nazistas, Hitler, entre eles, e Von Papen, como vice-chanceler.

Por falta da maioria absoluta no Reichstag, Hitler parecia longe de poder governar a sua vontade. Ninguém leva a sério os discursos racistas. Muitos alemães pensam, contudo, que ele poderia recuperar o país atormentado pela crise econômica.

Com uma rapidez fulminante e por meios totalmente ilegais, vai consolidar a ditadura a despeito da fraca representação de seu partido no governo e no Reichstag.

No dia seguinte a sua investidura na chancelaria, Hitler dissolve o Reichstag e prepara novas eleições para 5 de março de 1933. Ao mesmo tempo, traça aquilo que seu chefe de propaganda, Josef Goebbels, chama de "as grandes linhas da luta armada contra o terror vermelho".

As tropas de assalto de seu partido, as SA (Sturmabteilung), aterrorizam a oposição como forma de campanha eleitoral. Cometem pelo menos 51 assassinatos.

Um dos principais ajudantes de Hitler, Hermann Goering, ocupando o cargo chave de Ministro do Interior da Prússia, manipula a polícia, demitindo funcionários hostis e colocando os nazistas nos postos essenciais.

Hitler faz rondar o "espectro da revolução bolchevique", mas como esta tarda a eclodir, decide inventá-la. Em 24 de fevereiro, uma batida na sede do Partido Comunista permite a Goering anunciar a apreensão de documentos prenunciando a revolução. Esses documentos jamais foram publicados.

Como toda essa agitação não parecia bastar para acumular a maioria dos sufrágios aos nazistas, decidem pôr fogo no Reichstag.

As classes conservadoras julgavam ter encontrado o homem que as ajudaria a alcançar suas metas : erguer uma Alemanha autoritária que pusesse termo à "insensatez democrática", esmagasse os comunistas e o poder dos sindicatos, arrancasse as algemas de Versalhes, reconstruísse um grande exército e reconquistasse para o país o seu lugar ao sol.

O Império dos Hohenzollern fora edificado sobre as vitórias militares da Prússia ; a República alemã sobre a derrota diante dos Aliados depois de uma grande guerra. O Terceiro Reich, porém, nada devia aos azares da guerra. Foi instaurado em tempos de paz, e pacificamente, pelos próprios alemães.