terça-feira, 13 de dezembro de 2011

PSDB e seus crimes contra a educação: agora, o verniz oportunista


“O PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), uma análise feita por um grupo de pesquisadores da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) para medir o grau de instrução nas principais áreas de ensino, coloca a rede das escolas públicas do estado de São Paulo apenas em 53º lugar entre as 65 avaliadas”

A informação se tornou pública e perturbou o governo paulista. E não era para menos, pois os “tucanos” estão no governo do estado desde 1995, ou seja, há 17 anos. Assim, não podem sequer jogar a culpa sobre os ombros de outros partidos políticos. Mais ainda, salvo um pequeno lapso de tempo, o governador Geraldo Alckmin sempre esteve no governo. No início como vice de Covas, depois titular, completando, com este ano, 13 anos com poder de decisões em suas mãos. Ninguém pode dizer que lhe faltou competência, muito pelo contrário, já que é um político muito bem assessorado e inteligente. O que faltou foi compromisso com nossa juventude e infância. Creio que, mais que isto, foi crime premeditado contra as gerações infantis e jovens desse longo tempo já passado.

Não podemos esquecer que o ensino público do estado paulista foi sistematicamente destruído a partir do governador Mário Covas, que nomeou para a Secretaria da Educação a professora Rose Neubauer. Esta, por sua vez, demitiu milhares de professores ainda não concursados, sem substituí-los, fechou escolas, concentrou alunos nas classes restantes (próximo de 50 em cada sala), eliminou matérias relacionadas com a sociologia, reduziu aulas de História e Geografia e, ainda, impôs pesado arrocho aos salários dos professores.

O objetivo do tucanato era permanecer no governo por 20 anos, pelo menos. Para atingir tal objetivo seria fundamental impedir a formação do senso crítico das gerações futuras. E conseguiram. Notemos que tal avaliação de baixíssima qualidade do ensino estadual, uma das piores do Brasil, não vem de nenhum “partido de esquerda” ou das sempre apontadas “oposições”. Vem de um órgão internacional voltado para os interesses do capital. Logo...

Como foi dito acima, a notícia buliu com o ego do governo paulista, que tenta dar nó em fumaça. Alckmin acaba de anunciar que as escolas com pior desempenho terão a partir do ano de 2012 a chamada residência educacional, ou seja, nova modalidade de estágio para universitários em escolas públicas. Cada universitário receberá bolsa de R$500,00 e auxílio transporte...

Por que “nó em fumaça”? Porque tal iniciativa não revoluciona, nem ao menos repara parte da destruição a que o sistema educacional paulista foi submetido; não elimina a deficiência curricular e não recupera a semi-alfabetização das várias gerações de jovens. Não há um plano de recuperação do professorado, nem de ampliação do quadro de professores e nem mesmo de recuperação do sistemático arrocho salarial. Compreendamos que o salário mínimo no Brasil, conforme o DIEESE, deveria ser hoje R$2.150,00. Quantos professores têm esse salário? Por conta dessa migalha, a maioria se vê forçada a procurar trabalho em mais de uma escola, ficando sem condições físicas e psicológicas para ministrar um ensino da qualidade exigida, um direito de toda a infância e juventude em escala mundial. Os estagiários receberão a maravilha de R$500,00! Ou seja, para tentar preservar sua imagem pública usará um verniz escolar, tentando, mais uma vez, enganar a população, em sua maioria mal informada e desinformada pelos poderosos meios de comunicação conservadores.

Porém, ao tomar a iniciativa de envernizar a educação no estado, para quem compreende um pouco de políticas públicas, tal medida é confissão do crime e o governo responsável deveria se tornar réu perante a Justiça e a opinião pública. Mas, infelizmente, nossa “justiça” tem que ser escrita entre aspas porque é inútil e mancomunada com a criminalidade imperante, uma vez que, ante os imperativos constitucionais, jamais tomou posição efetiva em defesa dos interesses de nossa infância e juventude.

Não podemos deixar de refletir sobre esse estado de coisas. Particularmente, o professorado deveria debater o caso com o povo, despertando-lhe a consciência amortecida e, com isto, ir criando condições para um amplo movimento popular visando exigir mudanças estruturais e punir os responsáveis pela catástrofe educacional. Que bom será quando o professorado paulista, coletivamente, decidir enfrentar pra valer o governo, a exemplo do que vem acontecendo em outros estados – Minas, Rio Grande do Norte, Ceará e outros.

Não se pode também desconhecer que o rebaixamento do padrão do ensino público tinha e tem também outro objetivo - muito perseguido e aplicado pelo tucanato no país inteiro: forçar o povo a procurar escolas particulares. Em outras palavras, para os tucanos (não apenas eles) o ensino deixa de ser um direito do cidadão e passa ser mera mercadoria, que deve trazer lucro para os empresários em vez de cultura para o povo. O que se passa na educação é válido também para outras áreas, como a saúde pública esfacelada e em processo avançado de privatização, o transporte, a telefonia, a energia elétrica, a Previdência Social. Agora, com Dilma, já temos também a privatização dos portos e aeroportos.

Enquanto deixam de aplicar o dinheiro dos impostos nas áreas vitais para o povo, os governantes vão despejando grandes quantias em obras faraônicas particulares, como estádios de futebol (em São Paulo, garantindo a estrutura complementar ao estádio do Corinthians) e em outras regiões, como a transposição do “Velho Chico”, construção de barragens predatórias e outras picaretagens que favorecem grandes empresas, sonegando os investimentos nas áreas de interesse popular e nacional. Tudo para favorecer criminosamente o capital espoliador.

Alckmin não está realmente preocupado com a qualidade de vida da infância e da juventude, o que vem mostrando ao longo dos seus mandatos. Está preocupado com sua carreira política. Por isto, as medidas anunciadas são meramente paliativas e, como tais, enganosas.

Waldemar Rossi é metalúrgico aposentado e coordenador da Pastoral Operária da Arquidiocese de São Paulo.

Eleitor diz não à divisão; Pará “precisa mudar”


Nesse domingo, dia 11, os eleitores paraenses foram às urnas e disseram “Não” à divisão do Estado para se criar mais dois estados – Carajás e Tapajós.

As cicatrizes da divisão continurão à mostra.

Para debater a questão, o Escrevinhador conversou com Edmilson Rodrigues, liderança paraense contrária à divisão. Atualmente, Rodrigues é deputado estadual pelo PSOL; já foi prefeito de Belém, entre 97 e 2004, pelo PT.

As duas regiões que demandavam sua emancipação possuem motivações distintas, há legitimidade em ambas?
Há um sentimento de abandono muito grande em todo o Pará. Pessoas morrem por falta de atendimento médico e sofrem com a falta de saneamento em Santarém, no Tapajós, e em Marabá, no Carajás, assim como em Soure, na ilha do Marajó, que fica próximo à Belém, e também na periferia da capital paraense. O deficiente acesso às políticas públicas é uma realidade em todo o Estado. Somos 7 milhões de habitantes distribuídos num território de 1,2 milhão de km2.

As respectivas populações estão envolvidas nas campanhas?
O movimento separatista é alimentado por políticos, os principais privilegiados com a possibilidade de criação dos estados do Carajás e do Tapajós, assim como grandes empresários e fazendeiros que vieram de fora para enriquecer no Pará.

Todos os estudos realizados por institutos de seriedade reconhecida, como o Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará (Idesp) e o Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) apontam que esses novos estados e o Pará remanescente nascerão deficitários em cerca de R$ 3 bilhões ao ano. Serão necessários muitos recursos para construir novos palacetes do Executivo, do Legislativo, do Judiciário e dos Tribunais de Contas, novos cargos de procuradores, magistrados, deputados, senadores, governador e assessores, entre outros.

Além do mais, o mapa da divisão foi desenhado de forma a excluir do Pará quase todas as riquezas. O Carajás ficará com quase todas as reservas minerais e a hidrelétrica de Tucuruí, que é a segunda maior do Brasil e uma das maiores do mundo, enquanto que o Tapajós ficará com as florestas e com o potencial energético das grandes bacias hidrográficas paraenses.

Ninguém consultou a população sobre esse mapa. Os habitantes da região do Xingu, onde o governo pretende construir a hidrelétrica de Belo Monte, não aceitam integrar o Tapajós.

Os setores favoráveis à divisão argumentam que, devido ao tamanho do Pará, há regiões negligenciadas pela administração pública. Como resolver isto?
É verdade, a maioria da população do Pará vive no abandono. Por isso, os paraenses de todos os cantos deste Estado sairão das urnas com uma certeza: o Pará precisa mudar. Sou oposição ao governo Jatene [atual governador pelo PSDB]. Defendo a manutenção da integridade do território paraense, mas não para manter a realidade atual com a permanência do modelo predatório e excludente. O Estado precisa investir na descentralização administrativa, no planejamento territorial e maior investimento social para reverter a realidade de pobreza e abandono para fazer com que as políticas públicas cheguem a todos os lares paraenses.


Mas também é preciso que o governo federal faça a sua parte. As riquezas do Pará estão sendo vendidas a preço de banana, enquanto o povo continua pobre: 19% dos paraenses vivem na pobreza extrema, segundo o Idesp. A Lei Kandir desonerou a cobrança de ICMS na exportação do minério e também não há cobrança de imposto na geração da energia. A criação das hidrelétricas só fez expulsar as comunidades tradicionais de suas casas, deixando-as no abandono e, pior, sem acesso à energia elétrica.

Dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral indicam que as campanhas pró divisão tiveram muito mais verbas do que o outro lado e, mesmo assim, pesquisa Datafolha indica que mais de 60% da população é contrária a divisão. Como você explica esse cenário? O fato da maioria dos eleitores residirem em Belém é decisivo?
O povo paraense, na capital e no interior, já percebeu que a divisão não é remédio para a dramática situação social em que vive. Pelo contrário, esquartejar o Pará é na verdade um veneno mortal, uma verdadeira irresponsabilidade com o presente e o futuro de todos que aqui vivem.

Belém possui a maior densidade populacional, com cerca de 1,5 milhão de habitantes. Segundo o Idesp, o Pará remanescente ficaria com o menor território, apenas 218 mil km2, mas com a maior população, 4,9 milhões de habitantes, ou seja, 64% da população atual. A população da região metropolitana é contra a divisão porque sabe que todos sairão perdendo. Não há garantia alguma de que haverá aumento do Fundo de Participação dos Estados (FPE) com a criação dos três novos territórios. A população já sabe que essa é uma falácia das lideranças divisionistas. O Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu que a lei do FPE terá que ser votada no Congresso em 2012, estabelecendo novas regras. Portanto, a proposta de divisão que é apresentada como uma alternativa de mudança, de melhoria de vida para a população, deve, na verdade, provocar efeito contrário, aumentando a pobreza.

A cidade Belém recebe um grande fluxo de migrantes de outras partes do Pará que vêem na cidade oportunidades econômicas. A criação de um novo estado não poderia modificar esse movimento, criando outros pólos migratórios?
Creio que não. A dinâmica econômica atual já registra intensos fluxos migratórios para o sul-sudeste do Pará, em decorrência dos grandes projetos ali instalados, assim como já está acontecendo no Xingu, com a possibilidade de construção de Belo Monte. Este cenário não mudaria com a hipotética criação de novos estados.

Há interesses econômicos por trás do projeto de criação dos estados de Tapajós e Carajás? Quem seriam os principais beneficiados em cada caso?
Há poderosos interesses econômicos por trás da campanha separatista. A região do Tapajós, que será a mais pobre, fatalmente vai consumir as riquezas florestais para sobreviver, aumentando o desmatamento na Amazônia. Será a terra sem lei das madeireiras ilegais. A produção de grãos também é grande, especialmente de soja, que tende a incendiar as florestas para privilegiar a monocultura voltada à exportação.

Já o Carajás, terá que brigar muito com o governo federal, com pouca chance de vitória, para reverter a Lei Kandir ou conseguir uma compensação financeira. Ou seja, a [mineradora] Vale que já é muito poderosa no Pará, vai ampliar seu poder, vai se tornar a dona do Carajás com seu poderio econômico, inclusive, para decidir quem será o governante e, por via de consequência, para definir as obrigações financeiras e compensações sociais com as quais não terá que arcar.

Porém, tenho certeza que, no próximo domingo, 11, a expressiva maioria dos eleitores do Pará vai derrotar democraticamente essa absurda proposta de divisão.

A Igreja Evangélica, o Rotary Clube e a Maçonaria apoiam a criação do estado do Carajás. Qual a interesse deles em um novo estado?
Algumas instituições estão divididas. Há várias igrejas evangélicas no Pará, assim como maçonarias e outros. Creio que a opinião sobre a divisão encontra posição definida em relação ao território onde está localizada cada instituição. Mas acredito que há setores defendendo a divisão porque realmente crêem que essa seja a melhor alternativa para o Pará, mas estão enganados.

A campanha pró estado de Carajás está sendo realizada pelo publicitário Duda Mendonça, que possui terras na região mas é da Bahia. Os grupos econômicos que atuam lá na pecuária e mineração são paraenses?
O Duda Mendonça foi o marqueteiro responsável pela campanha contra a divisão da Bahia. Por que em relação ao Pará ele pensa diferente? Todo mundo sabe que o Duda é um latifundiário do Pará, apesar de não ser daqui. É uma situação intrigante.

Como todos sabem, a maior parte dos produtores rurais veio de fora, inclusive se beneficiando de pesados incentivos fiscais. São investidores que chegaram no Estado em busca de oportunidades e encontraram solo fértil para enriquecer, especialmente na pecuária, onde o Sudeste Paraense é um dos maiores produtores brasileiros de gado. Na mineração, o setor é dominado pela Vale S.A. Há muitos outros segmentos ligados ao agronegócio e à mineração que atuam na região e que certamente reforçam a campanha divisionista.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Tucanos se complicam após lançamento de livro sobre esquema de corrupção no governo FHC


A situação nacional do maior partido da direita brasileira, o PSDB, fica ainda mais complicada diante do lançamento de A Privataria Tucana, livro do jornalista Amaury Ribeiro Junior.

Disponível nas livrarias desde a noite passada, a obra reúne, em 343 páginas, todo o processo de privatização realizado ao longo do governo de Fernando Henrique Cardoso, nos anos 90, que dilapidou patrimônios públicos como a Vale do Rio Doce e a Companhia Siderúrgica Nacional.

O livro revela, ainda, documentos inéditos sobre a transferência de bilhões de reais para esquemas de lavagem de dinheiro e pagamentos de propina aos altos escalões da República. O ex-governador de São Paulo, José Serra, que também é do PSDB, assim como o então presidente Fernando Henrique Cardoso são citados como cúmplices no ciclo de corrupção.

– O livro tem sido, de longe, o mais vendido aqui, até agora – resume um funcionário de uma das maiores livrarias na Zona Sul do Rio de Janeiro.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Guerra Aécio/Serra abriu a caixa preta da "privataria"

O livro mais anunciado, comentado e aguardado por aqueles que se intitulam “blogueiros sujos” está nas livrarias. Escrito pelo jornalista Amaury Ribeiro Júnior, a obra “A Privataria Tucana” vem sendo anunciada desde a campanha presidencial de 2010, quando Amaury se tornou personagem da história, ao ser acusado de quebrar o sigilo fiscal de Verônica Serra, filha do então candidato José Serra.

O episódio fez com que Fernando Pimentel, hoje em seu inferno astral, perdesse espaço na campanha para os paulistas liderados por Rui Falcão e Antonio Palocci. Amaury submergiu e se dedicou a concluir seu livro, lançado nesta sexta-feira pela Geração Editorial, do jornalista Luiz Fernando Emediato.

É um trabalho que traz revelações importantes sobre a era das privatizações, expõe de forma clara o tráfico de influência comandado por Serra e seus operadores, especialmente o tesoureiro Ricardo Sérgio de Oliveira, e revela ainda como uma guerra interna no ninho tucano deu origem a toda essa história. Ex-repórter do Estado de Minas, que lutava para emplacar Aécio Neves como presidenciável, Amaury recebeu a encomenda de investigar a vida de José Serra. O resultado são as 343 páginas de “A Privataria Tucana”.

Em 2009, Aécio e Serra disputavam a indicação tucana para concorrer à presidência. O mineiro defendia prévias e o paulista se colocava como “o primeiro da fila”. Amaury, que vivia em Belo Horizonte, foi chamado por seus patrões para a missão quando o Estado de S. Paulo publicou um texto intitulado “Pó pará, governador?”, um tanto estranho para os padrões austeros da família Mesquita, pois, já no título, insinuava que Aécio seria um cocainômano – e que, portanto, não poderia sonhar com a presidência.

A partir daí, veio a resposta mineira. Segundo Álvaro Teixeira da Costa, dono do Estado de Minas, São Paulo não deveria mexer com Minas, pois os mineiros também saberiam lutar.

Amaury recebeu a encomenda e disse aos patrões que a fragilidade de Serra residia nas privatizações. E assim começou a investigá-lo, bem como a seus principais operadores: Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-diretor do Banco do Brasil, e Grégorio Marin Preciado, casado com sua prima. No meio do caminho, Amaury descobriu as contas usadas por Ricardo Sérgio, Gregório e até pela filha de Serra, Verônica, e por seu genro, Alexandre Bourgeois.

Eis algumas das revelações do livro:

• Carlos Jereissati, dono da Oi, usou sua empresa Inifinity Trading, sediada em paraísos fiscais, para pagar propina a Ricardo Sérgio de Oliveira, na empresa Franton Enterprises.

• A propina pela compra da Oi, segundo o autor do livro, seria próxima a R$ 90 milhões. Jereissati e seus parceiros chegaram ao leilão sem recursos e foram socorridos por fundos de pensão, comandados por Ricardo Sérgio de Oliveira e seu braço direito João Bosco Madeiro.

• Ricardo Sérgio de Oliveira, que era chamado de “Mr. Big” e se tornou amigo de Serra por intermédio de Clóvis Carvalho, comprou prédios inteiros em Belo Horizonte, que depois foram também vendidos a fundos de pensão estatais. O livro traz documentos e procurações usadas por Ricardo Sérgio e seus laranjas.

• Na privatização da Vale, vencida por Benjamin Steinbruch com recursos dos fundos de pensão, num consórcio organizado por Miguel Ethel e José Brafman, a propina teria sido de R$ 15 milhões.

• Gregório Marin Preciado, “primo” de Serra, organizou o consórcio Guaraniana, que, também com dinheiro dos fundos de pensão, comprou várias distribuidoras de energia no Nordeste, hoje pertencentes ao grupo espanhol Iberdrola.

• Preciado e Ricardo Sérgio jogavam juntos. Boa parte dos depósitos recebeidos pela Franton Enterprises, de Ricardo Sérgio, eram feitos pelo “primo” de Serra. As movimentações da dupla, documentadas no livro de Amaury, somam mais de US$ 20 milhões. Preciado e Serra também aparecem como sócios num terreno em São Paulo. Também na era Serra, o Banco do Brasil teria reduzido uma dívida de R$ 448 milhões de Preciado para míseros R$ 4,1 milhões.

• O livro também aborda a sociedade entre a empresa Decidir.com, de Verônica Serra, filha do ex-governador tucano, com o grupo Opportunity, de Daniel Dantas. A Decidir.com, voltada para leilões na internet, recebeu cerca de R$ 10 milhões em investimentos, mas nunca apresentou resultados. Em abril de 2002, a empresa foi dissolvida.

• Tanto Verônica Serra como Ricardo Sérgio de Oliveira utilizaram a mesma empresa, a Citco, para abrir suas contas no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas.

Além disso, o livro também revela como Serra teria usado o governo de São Paulo para contratar a empresa Fence e espionar adversários políticos – era essa, aliás, uma das encomendas iniciais do Estado de Minas: descobrir por quem Aécio vinha sendo seguido em suas constantes noitadas cariocas. Por último, depois de se dedicar à guerra interna dos tucanos, Amaury escreveu sobre a guerra interna do PT, na campanha de Dilma, entre os grupos de Fernando Pimentel e Antônio Palocci.

O que talvez comprove que PT e PSDB têm muito mais semelhanças do que diferenças. Uma boa sugestão para o répórter seria um lviro sobre a "privataria" petista, com recursos do BNDES, dos fundos de pensão e até do FGTS.

Fonte: brasil247

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Futebol e Capitalismo: Galo e Cruzeiro, a que ponto chegamos

Não é novidade que o futebol, não só no Brasil, mas em todo o mundo, está afogado em casos de corrupção.

Entretanto, como torcedor do Clube Atlético Mineiro, saltou-me aos olhos o histórico jogo ocorrido neste domingo, dia 4 de dezembro de 2011, entre o Atlético Mineiro e o Cruzeiro.

O futebol mineiro tem história de glórias e vexames. O Galo, fundado em 25 de março de 1908, que foi um dos maiores clubes brasileiros até meados da década de 1980, foi perdendo dali em diante esse status, enquanto o Cruzeiro, que vinha em ascensão desde a década de 1960, passou a ter maior estatura diante do arqui-rival.

Associa-se esta decadência a vários fatores, entre eles a incompetência administrativa dos negócios do clube daquele período em diante. O clube passou a acumular dívidas de distintas modalidades e hoje soma uma das maiores dívidas do futebol brasileiro.

Pois bem. Eis que o que já estava indo mal fica pior. Alexandre Kalil, filho do histórico e respeitável dirigente já falecido Elias Kalil, presidente atleticano entre 1980 e 1985 e responsável pelo último time alvinegro que se fez digno de orgulho da massa atleticana nos campos nacionais e internacionais, é eleito em 2008.

De 2008 para cá, o Atlético Mineiro apenas aprofundou sua condição de time decadente. Em menos de três anos, o presidente atleticano realizou a contratação de cerca de 72 jogadores(!!!), técnicos de ponta como Vanderlei Luxemburgo e Dorival Jr. e... fracassos em campo. Afora 2009, quando o time ficou durante quase todo o campeonato entre os primeiros colocados e chegou a liderar por algumas rodadas, mas ainda assim conseguiu apenas terminar a competição fora da zona de classificação para a Libertadores.

O segredo da administração de Alexandre Kalil, em um clube com dívidas que se especula que podem passar de R$ 400 milhões de reais, não guarda muito mistério e é aqui que os bastidores supostamente obscuros começam.


O Atlético tem patrocínio desde janeiro de 2010 com o Banco BMG, propriedade do Grupo BMG, que é controlado por Ricardo Guimarães, ex-presidente do Galo entre 2000 e 2006.

Ricardo Guimarães esteve envolvido no chamado Escândalo do Mensalão e inclusive prestou depoimentos durante as Comissões Parlamentares de Inquérito da época. É também o principal credor do clube, que lhe deve cerca de R$ 95 milhões.

Durante a gestão de Ricardo Guimarães, o Atlético caiu para a segunda divisão em 2005, mesmo ano em ele que chegou à presidência do BMG. “Quando o time caiu, a torcida foi para a porta do meu prédio exigindo que eu saísse. Recebi ameaças e telefonemas anônimos. Fizeram passeatas no centro e o meu enterro simbólico. São coisas desagradáveis”, disse Ricardo Guimarães à revista Época Negócios.

O mineiro Ricardo Annes Guimarães, de 50 anos, diz ser um atleticano fanático enquanto sustenta que “o banco não torce, não tem clube, faz negócio e quer visibilidade”.

Ainda no mesmo ano de 2005, “o escândalo do mensalão acabaria por envolver o banco, que havia feito um empréstimo de R$ 10 milhões para Cristiano Paz e Marcos Valério, sócios da agência de propaganda SMP&B. 'Eu mesmo, pessoalmente, validei o empréstimo, que era absolutamente normal e tinha todas as garantias. Mandei emprestar o dinheiro e o que mais quisessem', afirma Flávio Guimarães (pai do Ricardo). Os sócios do BMG não estão entre os 38 réus que serão julgados pelo STF. O BMG, no entanto, continua sendo chamado de 'o banco do Mensalão'”.

Além de ser o maior patrocinador dos dois maiores clubes de Minas Gerais, o Atlético Mineiro e o Cruzeiro, o banco BMG, especializado em empréstimos consignados, é hoje o maior anunciante/patrocinador dos clubes de futebol do Brasil. Camisas de times como Flamengo, Palmeiras, Vasco, São Paulo e Santos são vitrines da marca do BMG no futebol nacional e internacional.

Como apurou uma reportagem do iG sobre o banco BMG, “em pelo menos outras cinco equipes da primeira divisão o banco não tem contrato de patrocínio, mas também tem 'fatias' de alguns atletas. São os casos de Avaí, Botafogo, Corinthians e Fluminense”. São 39 clubes com a estampa do banco BMG e suas letras laranjas.

“A exposição de seu logotipo financia, ainda, três equipes da Superliga masculina de vôlei e duas da feminina; três times de basquete, entre eles o Flamengo; a ginasta Jade Barbosa; o lutador Vitor Belfort e até o apresentador Otávio Mesquita, convertido em piloto da Copa Mercedes... O investimento na chancela esportiva chega a R$ 60 milhões anuais, mais de 90% de tudo que o banco destina ao marketing”.

Ainda segundo a reportagem, “uma série de pesquisas da consultoria independente Sport+Markt, que monitora estratégias de investimento no marketing esportivo em todo o mundo, dá conta da eficiência do modelo de patrocínio pulverizado adotado pelo BMG.

Em julho de 2009, o banco aparecia em 92° lugar num ranking de marcas associadas espontaneamente ao futebol brasileiro. Em março deste ano, chegou à 4° posição, superando tradicionais investidores do esporte como Adidas, Brahma, Skol, Coca-Cola, Fiat e Batavo (as três primeiras colocadas na pesquisa foram Itaú, Nike e Bradesco)”.

Para se ter idéia, “na convocação de Mano para os jogos com a Argentina, em setembro, havia pelo menos cinco jogadores ligados ao banco, não propriamente ao de reservas: Réver (Atlético-MG), Dedé (Vasco), Danilo (Santos), Paulinho e Ralf (Corinthians). No lado adversário, Montillo (Cruzeiro). Atletas como Herrera (Botafogo), Willian e Leandro Castán (Corinthians) também são do BMG”.

Tendo as informações acima em mente, lembremos: um mesmo banco patrocina os três maiores clubes mineiros (Atlético, Cruzeiro e América) e é proprietário do passe de vários jogadores importantes dos elencos destes clubes.

Cruzeiro 6 x 1 Atlético Mineiro: méritos ou negócios?
Durante o Campeonato Brasileiro de 2011, o Atlético Mineiro sustentou uma campanha irregular, tendo ficado na maioria do campeonato na zona de rebaixamento para a Série B, enquanto o Cruzeiro teve um bom primeiro turno e um catastrófico segundo turno com apenas duas vitórias, até o dia do clássico mineiro. Eis que na penúltima rodada, diante do Botafogo, o Galo, que vinha de uma ótima seqüência no returno do campeonato, se livrou do rebaixamento goleando um time que não vencia desde 2008 por 4 a 0, em Sete Lagoas, enquanto o Cruzeiro empatava com o seu concorrente direto na luta contra o rebaixamento, o Atlético Paranaense, que foi rebaixado em função da derrota do time alvinegro mineiro, que deu três pontos e seis gols ao Cruzeiro.

Após a euforia da vitória e o fim do tabu sobre o Botafogo, que livrou matematicamente o time da possibilidade de rebaixamento, a torcida, aliviada, voltava suas preocupações para o próximo e último jogo, que seria diante do seu maior arquirrival, em Sete Lagoas, com torcida única cruzeirense (acordo em vigor em função da não garantia de segurança por parte da Polícia Militar de Minas Gerais e das obras para a Copa nos estádios Mineirão e Independência). Já o time, que chegou a fazer uma rodinha no meio campo após o jogo com o adversário carioca, pareceu ter relaxado bastante, como defendeu Kalil em entrevista coletiva à imprensa na segunda-feira (5).

As suspeitas nos bastidores
Eis que, na sexta-feira, dia 2 de dezembro, dois dias antes do clássico derradeiro, a jornalista esportiva Ludymilla Sá, que trabalha no jornal Estado de Minas, em seu blog De Salto Alto, publicou uma postagem chamada “Respeito é bom e a massa gosta!”, que terminava seu texto dizendo: “O último dos absurdos ventilado aos quatro cantos da capital mineira é que o BMG vai trocar uma derrota alvinegra para salvar o Cruzeiro do rebaixamento em troca do anúncio de Diego Tardelli nesta segunda-feira.

Seria inadmissível e imperdoável, um verdadeiro desrespeito aos atleticanos, que só fizeram sofrer nos últimos anos com o fantasma da Segunda Divisão. Uma humilhação! A massa, que jamais abandonou o time, não merece uma afronta dessas. Por isso não acredito que o Galo, diante do maior rival, vai colocar em risco essa relação de tanta cumplicidade”.

Em seguida, o portal Dom Total, da faculdade belo-horizontina Dom Helder Câmara, publicava uma matéria chamada “Possibilidade de entrega causa revolta à torcida do Galo”, que repercutiu as informações publicadas pela jornalista Ludymilla Sá seguida da resposta do presidente atleticano Alexandre Kalil em seu Twitter, na mesma sexta-feira, que disse: “Entregar o jogo para o Cruzeiro?! Tem gente achando que eu sou algum vagabundo?”.

A postagem de Ludymilla em seu blog, a matéria do portal Dom Total e a declaração de Kalil se deram na mesma sexta-feira, durante a tarde e a noite. Bastidores agitados?

As suspeitas não pararam por aí
O Atlético Mineiro vinha de uma ótima campanha no returno, contando com o melhor rendimento defensivo dentre os vinte clubes, enquanto o Cruzeiro só havia obtido duas vitórias e tinha o pior ataque do returno.

A tendência e a expectativa óbvia seriam as apostas no time de melhor campanha recente, correto? Não. Por toda a sexta-feira, nas apostas do chamado “bicho”, feitas no Centro de Belo Horizonte, para ver quem ganharia o clássico, só dava Cruzeiro, como circularam rumores de alguns atleticanos em redes sociais.

Correu ainda um boato na comunidade da torcida organizada Galoucura (que, sabe-se, apóia Kalil e é apoiada por este) na rede social Orkut, ainda no dia 2 de dezembro, de que teria havido uma suposta reunião na quinta-feira entre o presidente atleticano, Alexandre Kalil, o presidente cruzeirense e senador pelo PSDB-MG, Zezé Perrella, e o presidente do Banco BMG, Ricardo Guimarães, onde se tirou um acordo de que o Atlético Mineiro iria entregar o resultado do jogo para a equipe celeste. Em troca, o presidente do Banco BMG teria garantido a contratação do atacante que foi ídolo da massa alvinegra e que havia sido vendido para o futebol russo, Diego Tardelli, cujo passe, especula-se, está na casa dos 8 milhões de euros. Houve rumores não confirmados de que a reunião teria sido em uma churrascaria da zona sul da capital mineira, na quinta-feira (1).

Além disso, Flavinho Guimarães, filho de Ricardo Guimarães, teria dito a amigos como Felipe Kallas que os zagueiros Réver e Leonardo Silva, responsáveis pela melhor defesa do returno do campeonato, haviam sido comprados, corrompidos, mas que não se sabe se por Perrella ou BMG (ou ambos!).

Ainda segundo um relato anônimo publicado na Internet, no sábado, 3 de dezembro, teria ocorrido uma reunião entre Alexandre Kalil, o treinador Cuca e mais quatro jogadores em um hotel de Belo Horizonte, para que estes repassassem aos demais jogadores que iriam a campo no dia seguinte o informe de que o jogo fosse “aliviado”. É óbvio que os jogadores mais identificados com a torcida e o clube não iriam querer entregar e, ainda segundo o relato, o placar elástico teria sido um recado de descontentamento dos jogadores atleticanos à diretoria. Boatos recentes dão conta ainda de que ocorreram vinte demissões no Banco BMG em Belo Horizonte sem justificativas, o que torna esta história ainda mais estranha e suspeita.

Apesar de serem verossímeis esses relatos e boatos, não há provas concretas que nos permita afirmar que este jogo foi de fato manipulado e digno de punições cabíveis aos clubes, e o mesmo ocorre com a imensa maioria de jogos de futebol suspeitos, com raras exceções. Mas, agora, cabe, no mínimo, à imprensa esportiva e até política e, principalmente, ao Ministério Público, apurar cada uma dessas suspeitas e investigar, enquanto cabe à torcida se organizar diante do que se tornou o Atlético Mineiro nas últimas décadas.

O que há de mais suspeito que um banco financiando os dois rivais?
Mesmo entre suspeitas e boatos, nada pode ser mais suspeito que um mesmo banco financiando os dois maiores clubes de Minas Gerais. A história é repleta de exemplos de como o dinheiro, o poder econômico, influencia e corrompe, seja na política, seja no futebol.

No caso mineiro, o que estava realmente em jogo era a desvalorização da marca Cruzeiro, utilizada pelo Banco BMG como vitrine para valorização de seus jogadores para efetivação de vendas dos passes ou de participações nas porcentagens destes. Não interessa para o Banco BMG, nem para Ricardo Eletro, Brahma e o governo de Minas Gerais, o rebaixamento da equipe com maior visibilidade internacional de Minas Gerais.

Vale lembrar que, como pode ser visto neste vídeo, as diretorias do Atlético e do Cruzeiro são alinhadas ao PSDB de Minas Gerais, liderado pelo senador Aécio Neves, que articulou Zezé Perrella como vice do falecido Itamar Franco para o Senado, junto ao governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia, também fabricado por Aécio.

O estádio Mineirão está em reforma para a Copa do Mundo de 2014 e será entregue somente no ano da Copa, enquanto o estádio Independência será entregue no início de 2012. É um caso de lógica bem simples: basta imaginar o que ocorreria se o presidente Alexandre Kalil peitasse as forças políticas e econômicas em uma reunião com tais figuras, ou parte delas, como Ricardo Guimarães/BMG.

Sob o capitalismo, times e jogadores de futebol são meras mercadorias
Estamos falando de times que marcaram por mais de cem anos a história do futebol nacional e internacional, nas mais diversas épocas, que tiveram jogadores e times campeões e reconhecidos.

O Banco BMG, na prática, utiliza principalmente, por fatores que envolvem troca de favores, influências e facilitações, os times mineiros como vitrines para expor o futebol de seus jogadores. Após valorizá-los suficientemente, o banco os vende e paga parte do valor ao clube por emprestar sua marca e futebol para tal operação. “O BMG é um dos investidores no clube, talvez o maior, por ter mais proximidade, por ser uma empresa de Minas Gerais”, disse o diretor de futebol, Eduardo Maluf, em entrevista ao iG. E assim, um time de futebol passa a ser uma mercadoria que oferece o serviço de amostra de mercadorias de um banco. Neste caso, as mercadorias a serem exibidas na vitrine são jogadores.

A frase de Maluf sobre a venda de parte dos direitos econômicos dos atletas não nos deixa enganar: “Eu vejo como uma facilidade. Antes você tinha que vender e perder o jogador para capitalizar. Perdia ele. Hoje você consegue lucrar e ele continua jogando no time. Ao menos por um tempo”, afirma.

A reportagem da revista Época deixa límpido como opera o banco: “Em meados do ano passado, os sócios do BMG criaram o fundo de investimento Soccer BR1, para operar a compra e venda de jogadores. O BMG é cotista único do fundo, no qual investiu até agora perto de R$ 50 milhões.

Não é dono sozinho do direito econômico de nenhum dos 60 jogadores que possui – seu modelo de negócios privilegia as participações, nunca superiores a 50%. Dessa forma, garante o interesse de outros sócios na venda do atleta, incluindo prioritariamente o clube onde ele atua. 'Não adianta investir 100%, porque na hora de vender o cartola diz Poxa, vou criar um desgaste com a torcida e não vou levar nada? Aí, faz de tudo para barrar a negociação', afirma Ricardo Guimarães”. Só neste ano o BMG vendeu os jogadores Gil e Henrique, que atuaram pelo Cruzeiro.

Está tudo aí, mastigado, para que o Ministério Público e a imprensa que ainda preza pelo jornalismo e pelo esporte busquem a verdade, custe o que custar. Diante de tanto dinheiro e poder político em jogo, torna-se difícil acreditar que jogos escandalosos como o último clássico mineiro não tenham sido fruto de manipulações de resultados.

O presidente do Atlético, claro,nega e considera “idiotice” a suspeita. Basta rever o escandaloso jogo novamente em vídeo. Inclusive, já há petições para que o Ministério Público investigue. O Atlético Paranaense é o maior interessado nessa investigação hoje, pois, não fosse o resultado duvidoso, o Cruzeiro estaria rebaixado.

O esporte não deveria se tornar uma extensão de negociatas de políticos e banqueiros. Os apaixonados pelo esporte e pela justiça não podem aceitar esta realidade como algo natural. Este futebol dos cartolas, políticos e banqueiros precisa passar a ser do povo e para o povo. Do contrário, irá se tornar um mero jogo de apostas desapaixonado, em uma palavra, anti-esportivo, como foi o caso deste vergonhoso clássico mineiro do dia 4 de dezembro de 2011. Atleticanas e atleticanos, americanas e americanos e cruzeirenses, mãos à obra!


Por Reinaldo Leal é o pseudônimo de um jornalista.

Fonte: Correio da Cidadania, por Reinaldo Leal, é o pseudônimo de um jornalista.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Ministro Pimentel continua sob ataque e apresenta explicações


As denúncias contra o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel continuam nesta quarta-feira. Depois da renúncia de sete ministros em função da ação do Partido da Imprensa Golpista, Pimentel parece ser o próximo alvo. Em nota enviada ao Portal Vermelho, o ministro se defende, dizendo que “fez consultorias quando não exercia nenhum cargo público”.

As matérias publicadas principalmente no jornal O Globo se referem `a empresa P-21 Consultoria, que Pimentel manteve entre 2009 e 2010, período em que ficou fora do cargo de prefeito de Belo Horizonte e até assumir o cargo de ministro.

Pimentel salienta que informou ao jornal, fato não noticiado, que quando foi indicado para o ministério, comunicou à Comissão de Ética Pública a existência da P-21 Consultoria, “seu faturamento e seu devido desligamento da empresa, cumprindo todas as formalidades legais”.

Explicações
Sobre as acusações de que a grupo Convap, que utilizou os serviços de consultoria de Pimentel, manter contratos com a prefeitura de Belo Horizonte, a nota explica que o município mantém com a Convap trabalhos que foram firmados a partir de licitações vencidas pelo consórcio que a empresa integrava.

– Ambas foram realizadas na gestão de Marcio Lacerda e, numa delas, a empresa foi inabilitada pela própria prefeitura, tendo permanecido, segundo a nota, no processo de concorrência pública por liminar na justiça. “Esse fato, que compromete a tese que se quer fazer prosperar, foi relatado à reportagem na entrevista dada no último domingo, mas o jornal não publicou a informação”, salienta o ministro.


Ataques continuam
Nesta quarta-feira, o mesmo jornal traz outras reportagens contra o ministro. O acusa de manter relações com o empresário Roberto Giannetti Nelson de Senna, dono da HAP Engenharia, empresa que mantém contratos com a prefeitura de Belo Horizonte.
Segundo o jornal, Senna comprou um lote de Pimentel em 2000, no bairro Buritis, na capital mineira, por R$ 55 mil. Desde o domingo, o jornal ataca as relações do ministro com o empresário.

Outra “acusação” publicada na mesma edição, é o que o sócio minoritário na empresa de consultoria de Pimentel, Otílio Prado, continua sendo assessor do prefeito Márcio Lacerda. Apresentado como grande descoberta, que merece matéria específica, o fato é conhecido de todo mundo político mineiro e, claro, o trabalho de Otílio é de completo conhecimento público .

Fonte : correio do brasil

Depois de Lupi, o PIG mira em Fernando Pimentel


Se fosse no interior de Minas, comentaria o matuto: “Mas o difunto neim isfriô”. Porém, a sede do PIG (Partido da Imprensa Golpista) é insaciável. O ministro do trabalho Carlos Lupi renunciou no domingo e simultaneamente começou o bombardeio contra outro titular da esplanada. No dia, o jornal O Globo traz uma denúncia contra o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel.

Acusação de consultorias suspeitas
Segundo o jornal carioca, Pimentel faturou pelo menos R$ 2 milhões com sua empresa, a P-21 Consultoria, entre 2009 e 2010. O problema apontado é que ele teria prestado serviços para empresas que tem contratos com a prefeitura de Belo Horizonte, comandada pelo seu aliado, Márcio Lacerda (PSB).

Nesta terça-feira, o mesmo jornal vem quente com mais um tiro na mesma direção. A acusação é que uma das empresas que usaram sua consultoria, por 400 mil reais, não teria condições para tal contratação. Trata-se da firma especializada em cabeamento estruturado para rede de computadores, a QA Consulting Ltda.

Outro problema apontado é que ela pertence a Gustavo Prado, filho de um braço direito de Pimentel, Otílio Prado. Além de aliado, é sócio minoritário de Pimentel na P-21 Consultoria e continua trabalhando na prefeitura de BH, no gabinete do prefeito.

Faxina, a novela do PIG
Até ai, novidade nenhuma, pois nesses primeiros 11 meses de governo Dilma, o enredo foi o mesmo. O PIG acusa um ministro no fim de semana. Na terça-feira, a oposição pede a convocação para ele se explique no Congresso e exige que Dilma continue a sua “faxina”. Depois de semanas de acusações e ataques do PIG e da oposição, o ministro é obrigado a renunciar.

O último foi o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que viveu num calvário por mais de um mês e renunciou para encerrar o chamou de “tortura”. Segundo o secretário geral do PDT, Manoel Dias, Lupi saiu para atender a um pedido da sua família, que não agüentava mais tanto sofrimento.

Próximos capítulos
A novidade deste capítulo da novela é que Pimentel é um petista e dos ministros mais próximos de Dilma. Os dois se conhecem desde os tempos de luta armada e Pimentel foi um dos coordenadores da campanha presidencial e responsável pela transição.
O caso das acusações traz semelhanças com a novela Pallocci, por se tratar de um petista, ministro do núcleo do governo e que leva a mesma acusação de consultorias suspeitas. Porém, quando estourou o caso do ministro da Casa Civil, ninguém tinha a noção que dali pra frente cairia outros tantos ministros.

Seguindo o roteiro da novela do planalto, os partidos de oposição já anunciaram que vão pedir nesta terça-feira para que Pimentel se explique no Congresso. O PSDB entra com um pedido de convocação na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara. O líder do governo, deputado Cândido Vacarezza (PT-SP), já anunciou que a orientação para a base aliada é não aceitar a convocação do ministro.

Fonte: correio do brasil