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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

EUA: mais de 20 milhões vivem na pobreza extrema


Ao menos 20,5 milhões de estadunidenses, cerca de 6,7% da população, vivem hoje na extrema pobreza, segundo estatísticas do Escritório do Censo. Para esta consideração os especialistas levam em conta pessoas que estão entre os 50% ou mais abaixo do índice oficial de indigência.

Os dados assinalam que a população na situação de extrema pobreza representa quase a metade dos 46,2 milhões de norte-americanos que vivem abaixo da linha da pobreza.
O Censo considera que, para estar no extremo da linha, uma pessoa deve ter um rendimento individual de 5.570 dólares ou menos ao ano, e de 11.157 dólares, no caso de uma família de quatro membros.

Atualmente o contingente de pobres em situação extrema do país estão em um nível recorde, uma da cada 15 pessoas enfrenta essa condição.

Tema central dos protestos do movimento dos chamados indignados de Ocuppy Wall Street, as novas estatísticas mostram os extremos entre os ricos e os pobres da nação enquanto o desemprego se mantém estável em um índice de 9,1%.

A pobreza extrema ocorre mais entre hispanos e negros, as duas principais minorias do país. E também idosos e pobres em idade de trabalhar que caíram na miséria. Resultados do censo de 2009 indicam que 27,6% dos latinos nos Estados Unidos vivem na pobreza, assim como 23,4 % dos negros.

As autoridades alertam que os bairros com taxas de pobreza de ao menos 40% aumentam em áreas mais amplas, crescendo nos subúrbios em duas vezes mais que o ritmo das cidades.

Segundo o Censo, zonas metropolitanas do sul do país enfrentam agora alguns dos maiores aumentos de concentração de penúria. O problema afeta 42 estados e o Distrito de Columbia, onde aumentaram os mais indigentes entre os pobres desde 2007.

Resultados do censo de 2009 indicam que 27,6 por cento dos latinos nos Estados Unidos vivem na pobreza, assim como 23,4 por cento dos negros. Por outro lado, algumas análises indicam que nos Estados Unidos pobreza e fome andam de mãos dadas. Cerca de 20,7% das crianças são necessitadas, com destaque para os hispanos, que atingem 33,1%, indicou recentemente um relatório do Instituto Pan para o Mundo, um movimento religioso contra a fome.

Segundo esse estudo, o problema da insegurança alimentar afetou, em 2009, 14,7% dos lares estadunidenses, tendo sido os hispanos quem enfrentaram mais estas penúrias com 26,9%.

Fonte:correiodobrasil

domingo, 16 de outubro de 2011

A ocupação de Washington DC por rebeldes do movimento contra a opressão do capitalismo

Num país em que os diretores executivos das empresas ganham 185 vezes a mais que seus trabalhadores, a mensagem da ocupação atrai muita gente. Joanne Quinn viajou do outro lado do país – Seattle, Washington – para participar do protesto.

Ela trabalha como enfermeira e explicou que, depois de anos vendo que seus pacientes estão perdendo o seguro saúde por não poder trabalhar, estava farta com o sistema.
O movimento de protesto que começou em Wall Street chegou à capital dos Estados Unidos. Centenas de pessoas de diferentes idades estão acampando na Praça Liberdade – entre a Casa Branca e o Capitólio – clamando por uma mudança na política e na economia do país.

Organizaram-se em zonas distintas da praça para preparar e servir comida, pintar cartazes e construir bonecos, tocar tambores, dar informação aos meios de comunicação e administrar os primeiros socorros aos feridos. Muitas pessoas dormem cada noite na praça em barracas ou sacos de dormir. E, a cada dia, os participantes realizam uma assembleia geral na qual discutem quais são suas demandas e como vão conseguir a mudança que querem.

Na primeira noite de protesto, 6 de outubro, o escritor e colunista Tim Rall disse à multidão que nada menos que uma revolução é aceitável.

“Não estou falando de ‘revolução’ entre aspas. Estou falando da revolução verdadeira”, gritou. “Sempre me dizem que o sistema é grande e poderoso demais para ser enfrentado. ‘Eles podem escutar sua conversa, assassiná-lo onde você esteja. Você tem o maior estado policial do mundo”. Mas eu respondo: “Em todas as revoluções na história foi batalhada por um povo mais débil e com menos gente que o Estado que derrubou”.

As ocupações estão crescendo em centenas de cidades ao longo dos Estados Unidos, de São Francisco, Califórnia, a Boston, Massachussets. A multidão em D.C. – que inclui veteranos de guerra, sindicalistas, pobres e profissionais liberais – está voltanda contra a influência das corporações sobre as eleições. Mas assim como o protesto em Wall Street, fala-se também da ganância corporativa, do aquecimento global e da desigualdade social.

Num país em que os diretores executivos das empresas ganham 185 vezes a mais que seus trabalhadores, a mensagem da ocupação atrai muita gente. Joanne Quinn viajou do outro lado do país – Seattle, Washington – para participar do protesto. Ela trabalha como enfermeira e explicou que, depois de anos vendo que seus pacientes estão perdendo o seguro saúde por não poder trabalhar, estava farta com o sistema:

– É uma grande injustiça o que se passa nos EUA. Estamos muito obedientes, aqui, mas temos de começar a ser desobedientes.

Apesar da imagem popular das ocupações ser de jovens, Quinn e sua geração estão muito bem envolvidas.

– Tenho visto décadas de desemprego, velhos que não conseguem se aposentar, e por isso esta manifestação me atraiu – contou.

Shane Dillingham, que nasceu em Whashington, D.C., tem 30 anos e está de acordo com que o movimento se junte a um grupo diverso.

– Tem uma crítica muito interessante: que somos 99% e eles são 1%. Creio que esta mensagem está ressoando nas pessoas – constata.

Dillingham, que trabalha como camareiro, chegou a Praça 6 de outubro – um dia antes do décimo aniversário da guerra contra o Afeganistão. Ele vê uma conexão muito forte entre o movimento contra a guerra e o movimento contra a pobreza.

– Quando estamos falando da crise econômica, ninguém fala das guerras, das ocupações e de todo o gasto militar em todo o mundo. Por isso estamos nos mobilizando em torno desse assunto – acrescentou.

Dillingham trabalhou em campanhas progressistas por muitos anos, mas agora está sofrendo um desencanto com o sistema político.

– Há muito pouco apoio popular para as reformas, mas não escutamos nada [a seu respeito] na discussão política atual. Não temos políticos nem partidos que estejam trabalhando com sinceridade para impor essas reformas. Portanto, penso que as pessoas estão experimentando uma nova maneira de participação – ocupando espaços públicos – porque a maneira tradicional, de votar, não está funcionando. Os dois partidos aqui têm mais em comum – defender seus interesses – que (têm em comum) com a maioria dos norte-americanos – afirmou.

Quinn concorda. “Nós perdemos nossa democracia”, disse.

O colunista progressista Chris Hedges, do site Truthdig.com descreveu os problemas atuais da sociedade estadunidense:
“As leis são mentiras. Vivemos um golpe corporativo. Os pobres e a classe trabalhadora sofrem desemprego e fome. A guerra é o único negócio do estado”.

Os moradores de Washington D.C. sentem fortemente a escassez de democracia em suas avidas – porque o distrito não tem os mesmos direitos dos estados. Embora os seus cidadãos paguem impostos, D.C. não tem representação no Congresso Federal, e a cidade não tem controle sobre suas próprias leis nem orçamento. Muita gente se queixa, dizendo que se trata de uma “colônia moderna”.

Dillingham disse que, crescer em Washington – especialmente durante a presidência de George W. Bush – foi uma experiência “formadora”. Mas via que muitos ativistas estavam mais cínicos. Por isso está muito emocionada, vendo o oposto do cinismo nas ruas de sua cidade.

Quinn também está muito feliz, observando o ânimo na Praça Liberdade.
– Sou velha o bastante para recordar dos protestos contra a guerra no Vietnã e me parece que agora há muita apatia. Há muitas coisas que nos distraem. As corporações querem que estejamos distraídos. Levamos tempo demais para chegar a este ponto, de montar um protesto na Praça Liberdade ou em Wall Street. Mas oxalá que ele esteja ganhando velocidade – disse.

Muita gente disse que o país está vivendo um momento crítico – enfrentando o poder corporativo sem precedentes, os ataques contra os direitos civis e a destruição do meio ambiente. Nestes tempos, é impossível assumir uma posição neutra.

Quando pegou o microfone, o escritor Hedges deu um ultimato à multidão:
– Vocês são rebeldes ou escravos?!.

Fonte: correiodobrasil