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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Israel insiste na guerra contra o Irã

O general Dempsey foi claro: se Israel atacar o Irã sem prévio acordo com os EUA, “não conte com nosso auxílio”. O objetivo evidente era convencer os israelenses a manterem seus bombardeiros em terra até Obama decidir que os iranianos tinham ido longe demais. O que poderia nunca acontecer.

Nem bem o general voltou para seu país e o governo de Israel realizou uma reunião do mais alto nível, num subúrbio de Tel-aviv, para elencar argumentos capazes de convencer Obama que já chegara a hora de atacar. Ou, pelo menos, deixar claro que ele deveria ir se preparando, pois Israel considerava as sanções insuficientes e, portanto, já se decidira a bombardear o Irã, logo. E que seria bem sucedido.

O vice-primeiro-ministro para Assuntos Estratégicos, Moshe Ya’lon, rejeitou o argumento de que o ataque não conseguiria êxito total. “É possível destruir todas as instalações nucleares do Irã”, garantiu.

Numa tentativa de mostrar que o problema era também dos EUA, Ya’lon afirmou que a explosão de uma base de mísseis no Irã, em fins do ano passado, foi obra do serviço secreto israelense. O maior beneficiário dessa ação seria, segundo ele, os EUA, pois os mísseis da base tinham um alcance de 10.000 quilômetros, prontos para atingir cidades americanas.

O ministro não apresentou nenhuma prova ou evidência dessa asserção. A idéia de atacar os EUA é absurda. Os iranianos podem ser atrevidos, mas não são loucos.

Por sua vez, Yoram Cohen, chefe do Shin Bet (serviço de segurança interna), denunciou ataques do Irã em alvos israelenses no exterior. Três deles teriam sido evitados em tempo: contra diplomatas israelenses na Turquia, Azerbaijão e Tailândia. A denúncia de Cohen ficou nas palavras, pois nenhuma prova, evidência ou sequer indício foi apresentado.

O Major-General Aviv Kochavi foi, talvez, a sensação da noite. Ele jurou que o Irã acumulou mais 4,5 toneladas de urânio enriquecido ao nível de 3,5% e quase 100 quilos ao nível de 20%. Material suficiente para produzir quatro bombas nucleares.

Como se sabe, bombas nucleares exigem urânio enriquecido a 90%. Kochavi não vê dificuldade nenhuma nisso. “No momento em que Kamenei der ordens para acelerar a produção do primeiro engenho nuclear, estimamos que levará um ano para o Irã conseguir o grau de enriquecimento necessário”.

Todas essas informações são muito estranhas. Embora se saiba que o último relatório da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) contou com amplas informações dos serviços secretos do Ocidente – inclusive de Israel-, nada disso foi comunicado. O que nos leva a crer que as denúncias do general não passaram de words, words, words.

Há décadas que Israel ameaça bombardear o Irã. E fica por isso mesmo. Desta vez, parece que é sério. Autoridades dos EUA que têm participado das gestões diplomáticas com Israel acreditam que as chances de guerra são de 50%. Há alguns que falam em 70%.

O próprio Secretário da Defesa, Leon Panetta, declarou ao Washington Post que acreditava que Israel atacaria entre abril e junho. Depois desmentiu. Disse que não era bem assim…

O fato é que, apesar das exortações de Obama e da condenação inflamada do antigo chefe do Mossad, Meir Dagan, e de outras importantes figuras de Israel, Netanyahu não desiste do ataque.

A intransigência israelense tem dois objetivos:

1) Fazer Obama “esforçar-se mais” para tornar as sanções realmente destruidoras. E é o que o presidente tem feito. Pressionou (e continua pressionando) vários países a respeitarem o boicote do petróleo iraniano e do seu Banco Central. Procura convencer as potências petrolíferas a aumentarem sua produção para substituir o petróleo iraniano tirado do mercado.

Aumentou a força naval no Golfo e fortaleceu militarmente os países satélites da região (Arábia Saudita, Qatar, Bahrein, Kuwait, Omã e Emirados Árabes Unidos).

Promoveu ciberataques contra as instalações iranianas e financia grupos dissidentes que querem derrubar o regime iraniano.

2) Fornecer munição aos republicanos e às personalidades públicas pró-Israel para defenderem o ataque ao Irã e pressionarem Obama, de modo a obrigá-lo a, senão apoiar esse ataque, pelo menos entrar na luta depois que os iranianos revidarem e a guerra se concretizar.

A estas alturas, é quase certo que Israel, dentro de poucos meses, enviará sua aviação para atacar o Irã. E não somente as instalações nucleares. É de se crer que bombardearão também os principais objetivos militares do país, para enfraquecer a retaliação inevitável.

Claro, com a participação americana, o ataque seria arrasador. O Irã ficaria militarmente enfraquecido, sem muitos meios para reagir à altura.

O plano B de Netanyahu é começar sozinho, aceitando que a resposta iraniana poderá causar muitas mortes.

Em compensação, causaria também a entrada dos EUA na guerra. E o fim de mais um país que se atreveu a procurar igualar a capacidade militar de Israel.

Há quem ache que pode não dar certo. Que ressurja o Obama modelo 2008, dos tempos da campanha eleitoral. Esse Obama redivivo interviria, exigindo uma trégua, com apoio e controle da ONU.

Todos os países do mundo ficariam de pé para aplaudi-lo. Até os Estados Unidos.

Fonte: por Luiz Eça - jornalista - Correio da cidadania

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A Paz de Obama é a Guerra!

Barak Obama em seu discurso recente na 66ª Assembléia Geral da ONU ultrapassou o limite da arrogância e por que não dizer fora do rumo da história.

A paz da guerra necessária defendida por Obama, não interessa aos palestinos que desde 1948 sofrem todo tipo de humilhação, discriminação e agressão militar por parte de Israel com total apoio dos Estados Unidos.

Interessante é que os estadunidenses se apregoam como os defensores da liberdade e da democracia para todos os povos do mundo, mas negam no caso palestino. Por que esta parcialidade sempre em defesa de Israel? Será que o povo palestino mão merece a democracia tão apregoada por Obama?

Sim, os palestinos querem a democracia, mas não a democracia que os EUA levaram ao Iraque e à Líbia. Os palestinos querem ter seu estado, livre, soberano, democrático, com capital em Jerusalém e que seu povo tenha direito ao justo retorno.

Fica claro que Obama comete um retrocesso em sua política para o Oriente Médio esquecendo-se da Primavera Árabe, os anseios de transformação de toda a sociedade, de melhor forma de vida, trabalho, educação, bem estar e justiça social. Os EUA estão perdendo seus principais parceiros árabes como o Egito e possivelmente a Arábia Saudita. Até parece que Obama quer desencadear uma nova intervenção bélica na região.

A responsabilidade da comunidade internacional em acabar com as práticas expansionistas de Israel, apoiadas incondicionalmente pelos Estados Unidos que pode vetar no Conselho de Segurança da ONU de admissão da Palestina, com base nas fronteiras de 4 de junho de 1967, com Jerusalém Oiental como sua capital, como membro pleno das Nações Unidas. As discussões do Conselho de Segurança vão até o fim de outubro, e podem se estender até novembro.

A Limpeza Étnica
Os palestinos já romperam as barreiras do medo e do silêncio. Em suas Intifadas deixaram claro que a disposição em conquistar seus direitos é ilimitada.

A Intifada gerou um cenário único. Saíram às ruas com pedras contra um dos exércitos mais poderosos do mundo. Mostraram sua indignação ao sofrimento, humilhação coletiva de um sistema repressivo de um estado agressivo, expansionista que está sufocando todo um povo milenar através da limpeza étnica como bem define o historiador israelense Ilan Pappe.

Israel procura de todas as formas inverter a verdadeira história. Pappe em seu livro A Limpeza étnica na Palestina deixa muito claro como foi a partilha da Palestina promovida pela ONU que a dividiu em três regiões: a palestina com 818 mil palestinos e 10 mil judeus em 42% de suas terras; a judaica com 499 mil judeus e 438 mil árabes em 56% da terra e Jerusalém internacionalizada, com 200 mil de cada comunidade em 2% da terra. Os palestinos maior parte da população com 1.456.000, ficaram com 42% de suas terras e hoje somente com 22% e totalmente ocupados pelas forças israelenses.

O muro da vergonha
O muro de Israel que continua sendo construindo na Palestina tem mais de 700km e tem aproximadamente 9m de altura. O de Berlim, levantado em 1961, tinha em torno de 155 km e 3m de altura. É a brutalidade da história se multiplicando.

A Assembléia Geral da ONU decidiu, em dezembro de 2003, dirigir à Corte Internacional de Justiça a seguinte consulta: “Quais são as conseqüências legais da construção do muro que vem sendo construído por Israel, o poder ocupante, no Território Palestino Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental e perímetro urbano, como descrito no relatório do Secretário Geral, considerando-se as regras e princípios da lei internacional, incluindo a Quarta Convenção de Genebra, de 1949, e as resoluções relevantes do Conselho Geral e da Assembléia?”

Ao ver o mapa da Palestina fica claro que o muro não cerca a Cisjordânia, mas é construído dentro do território ocupado. Os palestinos ficam confinados em verdadeiros bantustões com restrições de ir e vir violando totalmente sua liberdade como nação. O Muro, além dos checkpoints, separa os camponeses de suas terras férteis, as famílias são separadas, os estudantes impedidos de irem às escolas, os doentes, as mulheres grávidas chegam a morrer antes de chegar aos hospitais.

Natanyahu ainda se julga no direito de culpar os palestinos por não quererem negociar. Negociar o quê, se já lhes foi tirado tudo? Agora vem com esta conversa que os palestinos têm que aceitar o Estado Judeu e que Israel continuará implantando novos assentamentos na Cisjordânia.

Os governantes israelenses dizem que os palestinos não querem a paz, mas são eles que ocuparam 78% das terras palestinas, violaram todas as leis internacionais, construindo assentamentos, anexando as Colinas de Golã a Região de Shibhaa do Líbano e o pior Jerusalém Oriental. Hoje, a Palestina virou um grande Campo de Concentração a céu aberto sob constante repressão do exército de Israel onde os direitos humanos são violados diariamente. Israel confisca a água palestina, degrada o meio ambiente, pratica a demolição de casas, escolas e hospitais. Devemos lembrar que O Estado de Israel teve um início conturbado, uma vez que os colonos sionistas passaram a colonizar a Palestina a partir dos anos 30.

ABBAS na ONU
Em seu discurso na 66ª Assembléia Geral da ONU , o presidente palestino Mahmoud Abbas reforçou a disposição palestina em negociar em todos os momentos aceitando as Resoluções da ONU, mas que são desconstruídas sistematicamente por Israel intensificando-se após os Acordos de Oslo.

Os relatórios das missões das Nações Unidas, bem como de várias instituições israelenses e das sociedades civis, transmitem uma imagem terrível sobre o tamanho da campanha de colonização, da qual o governo israelense não hesita em se gabar e que continua a executar por meio do confisco sistemático de terras palestinas e da construção de milhares de unidades de novas colônias em diversas áreas da Cisjordânia, especialmente em Jerusalém oriental, e da construção acelerada do Muro de anexação, que consome grandes extensões da nossa terra, dividindo-a em ilhas separadas e isoladas e cantões, destruindo a vida familiar, as comunidades e os meios de subsistência de dezenas de milhares de famílias.

A potência ocupante também continua suas incursões em áreas da Autoridade Nacional Palestina por meio de ataques, prisões e assassinatos nos checkpoints. Nos últimos anos, as ações criminosas das milícias de colonos armados, que gozam da proteção especial do exército de ocupação, intensificou-se com a perpetração de ataques freqüentes contra nosso povo, tendo como alvo casas, escolas, universidades, mesquitas, campos, plantações e árvores. Apesar de nossas repetidas advertências, a potência ocupante não agiu para conter esses ataques, e nós a consideramos totalmente responsável pelos crimes dos colonos.

O pronunciamento da presidente Dilma, primeira mulher a fazer a abertura solene da Assembléia Geral da ONU, sem dúvida fortaleceu o apoio internacional.
É bom lembrar sempre os ensinamentos de Edward Said, em um de seus brilhantes artigos “nenhuma cultura ou civilização existe isolada das outras, nenhuma entende estes conceitos de individualidade e de iluminismo como sendo completamente exclusivos. Nenhuma, existe sem os atributos humanos fundamentais que são a comunidade, o amor, a valorização da vida e de todo o resto”.

A Paz para a Palestina significa também a paz para Israel, razão pela qual Israel e os EUA deveriam ser os primeiros a apoiar a criação do Estado da Palestina.

Israel não está entendendo o que acontece,
Israel não quer a Paz.
Obama não quer a Paz.
Querem a guerra e seus vultuosos lucros.

Querem continuar a limpeza étnica do Povo Palestino. Israel em um momento histórico responde com insanidade e desprezo ao mundo desrespeitando a comunidade internacional e avisa que construirá mais 1.100 casas em Jerusalém Oriental, ocupada militarmente.

Texto de Ali El-Khatib, este é sociólogo, superintendente do Ponto de Cultura Árabe - Instituto Jerusalém do Brasil e coordena o NEAF – Núcleo de Estudos e Pesquisa Árabes da FACAMP.

Fonte: caros amigos