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domingo, 14 de abril de 2013

O tempo urge: o papel da mídia alternativa


Texto de e Saul Leblon, na Carta Maior

O jogo do conservadorismo para 2014 está montado em duas cartas: uma de natureza diretamente política; outra, de manipulação das expectativas econômicas.

Com a primeira, pretende-se impedir que Lula transfira a força de seu prestígio ao palanque de Dilma. O processo de investigação contra o ex-presidente, engendrado no circuito Gurgel, Valério & Associados, tem essa finalidade.

Com a segunda, trata-se de corroer a confiança do país no futuro, de modo a impedir que o capital privado migre do rentismo para o novo ciclo de investimento produtivo buscado pelo governo.

Ademais de jogar a economia num corner inflacionário , dado o desequilíbrio entre oferta e demanda, o êxito dessa dupla cartada deixaria Dilma ‘solteira’, num palanque cercada de difamação administrativa por todos os lados.

Esse é o jogo.
O primeiro tempo corre nas manchetes e escaladas noticiosas. O segundo, com os acréscimos previsíveis de golpes baixos, tomará todo o ano de 2014.

Como na mesa de truco, o sucesso da empreitada depende do poder de convencimento daqueles cujo blefe não contagiou o Brasil em 2002, 2006 e 2010. Por que haveria de ser diferente agora?

Distorções intrínsecas à macroeconomia das últimas décadas (juro sideral e câmbio valorizado), acrescidas do contágio lento, mas cumulativo, da desordem planetária neoliberal , afetam o crescimento brasileiro nesse momento.

O vício rentista trazido dos anos 90, quando a taxa de juro chegou a estonteantes 40%, poupou o dinheiro graúdo dos percalços do mundo físico da produção, até meados de 2008. A uma elite sempre dissociada do país, concedeu-se trocar o relevo acidentado da produção, pela planície financeira do ganho alto, com risco zero e liquidez imediata.

Esse dinheiro bronzeado em férias permanentes em paraísos fiscais e locais, está sendo induzido agora, a toque de juros baixos, a se sujar de graxa e poeira outra vez. Não é uma travessia simples, mesmo quando todas as variáveis estão sob controle.

E, no caso, elas não estão.

A principal variável, a das expectativas em relação ao futuro brasileiro, está sendo minada, diariamente, pelo dispositivo midiático conservador. O governo enfrenta aqui a sua principal desvantagem.

A questão decisiva da confiança não argui, propriamente, os projetos de investimento previstos e em curso. Não se questiona a sua pertinência.

Nem seria possível. O Brasil precisa aproveitar a alavanca do pré-sal para se reindustrializar. Tem que readequar uma infraestrutura desenhada para a sociedade elitista do século XIX, ao gigantesco mercado de massa revelado sob o ciclo de governos do PT.

As dimensões do que já se encontra em andamento colocam o país no ranking dos maiores canteiros de obras do mundo. Das 50 maiores tapumes de infraestrutura e energia erguidos no planeta, 14 estão no Brasil.

A Europa se liquefaz; os EUA ainda tropeçam; as taxas juros são negativas em 90% dos mercados relevantes do globo. Dados da associação Brasileira de Tecnologia para Equipamentos e Manutenção (Sobratema): no Brasil, ao contrário, há 12.260 obras e investimentos importantes agendados para até 2016. Em valores, R$ 1,5 trilhão. Pouco menos que a metade do PIB atual.

Onde a coisa emperra então?
Na barragem de fogo que fomenta a incerteza quanto à capacidade do atual governo de implantá-los. A acusação é de intervencionismo.

‘O governo Dilma quer decidir até a taxa de lucro dos projetos’, uivam os órfãos nativos de Margareth Tatcher — ‘a ladra do copo de leite’, assim homenageada pela classe trabalhadora inglesa por sua obra na gestão da merenda escolar, quando serviu como ministra da educação, em 1970.

O dispositivo midiático fala à elite e aos investidores, locais e forâneos. A mensagem é: não se arrisquem agora; se o PT for derrotado em 2014, as regras do jogo mudam. A pregação pela alta dos juros lubrifica o convite à adesão e o nome da recompensa.

À medida em que posterga prazos e projetos urgentes , a incerteza muda o pano de fundo econômico da disputa politica. É esse manejo psicológico do futuro brasileiro que dá à mídia em 2014 uma importância ainda mais central do que já teve em 2002, 2006 e 2010.

Em 2002, o governo era comandado pelo conservadorismo. Sua inoperância estava tão evidente que nem mesmo a barragem da mídia seria capaz de acobertá-la. Lula ganhou.

Em 2006, o cerco montado em torno das denúncias do ‘mensalão’ colidiu de frente com a resistência social, embalada por uma economia em ascensão, em contraposição à memória ainda fresca do desastre tucano no poder. Lula foi reeleito.

Em 2010, o país contabilizava os ganhos do enfrentamento contracíclico oposto ao colapso da ordem neoliberal. Dilma venceu.

Hoje, a disposição das peças do xadrez é mais complexa. O mantra do ‘Brasil que não dá certo’, mesmo sendo essencialmente uma conveniência ideológica, pode interferir objetivamente no cenário econômico e político.

O cerco a Lula, na medida em que possa enfraquecer o fiador de última instância de Dilma, converge no mesmo sentido. Por isso a dimensão midiática da luta eleitoral hoje é mais decisiva do que o foi em 2002, 2006 e 2010.

Desengavetar o marco regulatório da mídia é imperativo. Mas talvez não seja mais suficiente. O processo, previsivelmente longo, não responde à urgência da hora. Como diz o governador Tarso Genro:
 “... o Brasil vive sob o bloqueio da informação...  A mídia interdita o debate e a solução dos problemas nacionais... Temos, frequentemente, que recorrer à mídia alternativa para romper o cerco...”

Recorrer aos veículos alternativos e aos canais públicos talvez não possa mais ser encarado como a alternativa do desespero. Chegou a hora de cogitá-la como a resposta da sensatez.

domingo, 12 de junho de 2011

O terror de Battisti e nossa democracia


Começo a ler previsíveis declarações de repúdio e alarme diante da libertação de Cesare Battisti, após decisão do Supremo Tribunal Federal.

Confesso que ficaria mais confortável se essas mesmas vozes tivessem se levantado com igual veemencia quando o Brasil recusou-se a extraditar um carrasco nazista conhecido como o “Monstro de Sobibor”.

Também gostaria de ter ouvido condenações mais firmes diante da permanencia do ditador Alfredo Stroessner em nosso país para fugir da justiça do Paraguai.

Não deixa de ser irônico, por outro lado, que os protestos contra a libertação de Cesare Battisti tenham dado uma rara oportunidade ao primeiro-ministro italiano Sylvio Berlusconi aparecer em todas as TVs para falar de um assunto um pouco mais
sério, digamos assim.

Eu já estava me acostumando com a idéia de que o chefe de governo da Italia só sabia falar de corrupção, prostitutas e bunga-bunga, o que me deixava deprimido ao lembrar da riqueza da cultura italiana, de meus antepassados que vieram da Bota…

Confesso que nunca admirei ações terroristas — e os atos pelos quais Battisti foi condenado, corretamente ou não, se incluem nessa categoria. Uma coisa são ações armadas, de guerrilha. Outra são ações que envolvem a morte de inocentes, criando um ambiente de incerteza e insegurança que só prejudica as democracias e dão legitimidade a medidas de força.

Alguém tem dúvidas sobre quem foi o maior beneficário do maior ato terrorista da história, que foi o ataque de 11 de setembro? Quem acumulou forças? Quem pagou a conta?

Não por acaso, o apogeu do terror na Italia dos anos 70 envolveu um conflito entre organizações de esquerda e grupos de extrema-direita. O maior atentado de todos, em Bolonha, foi obra da extrema-direita. No fim das contas, sempre se soube quem iria vencer e jamais se eliminou, por completo, a suspeita de que boa parte dos atentados terroristas de esquerda tivessem sido forjados nas entranhas da máquina policial do governo italiano, dominada pela CIA e outros serviços de espionagem.

Minha crítica ao terror envolve sua concepção política, uma forma armada de arrogancia de quem se coloca acima da população e acima da lei, para cometer atos de violência em nome de uma causa que só ele compreende e apoia.

Deixando as boas e más intenções de lado, há um espírito narcisista e antidemocrático nessa atividade, alimentada por uma visão que despreza a consciencia do cidadão comum e a vontade popular.

Um aspecto nem de longe secundário é que as ações terroristas só podem ser concebidas a partir de uma visão de quem manipula o bem mais precioso que a natureza ofereceu a cada pessoa, que é a vida humana, única e insubstituível.

Mas a decisão de autorizar Battisti a permanecer no Brasil tem uma legitimidade que vai além de suas idéias e de seus atos. Envolve a nossa democracia.

Como tantos casos extremos, um caso como este não permite uma só resposta, muito menos de caráter científico. Pressupõe a divergencia e o conflito de opinião.

Um regime democrático não pretende oferecer, sempre, a resposta técnicamente mais correta para os problemas que dividem a sociedade. Seu compromisso envolve a representação política, o mandato popular — e isso implica em aceitar que, vez por outra, ou até muito mais vezes do que outras, sejamos obrigados a conviver com decisões com as quais nem todos estão de acordo.

Vamos combinar: quem acredita que existem respostas tecnicamente adequadas para todas as questões são tecnocratas, partidários de um regime de sábios que, com muito boa vontade, podemos definir como uma ditadura para quem tem diploma em pós-graduação.

Eu acredito na democracia e acho que, cedo ou tarde, ela é o melhor caminho para uma população atingir um melhor padrão de bem estar e desfazer injustiças da história.

Não preciso concordar com as idéias de Battisti para aceitar sua permanencia no país. A decisão se baseia nas convicções de um presidente eleito duas vezes. Sua legitimidade foi referendada pelo Supremo por 6 votos a 3.

Podemos até acreditar que se o Brasil outro presidente, também eleito, é muito possível que a decisão fosse diferente. Quem sabe. Battisti viveu em liberdade na França do socialista François Mitterrand. Foi preso quando o conservador Jaques Chirac ganhou a eleição. Ninguém se sentiu inseguro por causa disso.

Assegurar a permanencia de Alfredo Stroessner no Brasil pode ter sido uma decisão correta, ou não. Isso muda conforme várias considerações, inclusive de natureza política. Mas não foi legítima. Sua base foi uma decisão de uma ditadura militar, que prestava serviços a um aliado do outro lado da fronteira.

Essa diferença faz todas as diferenças.

Texto de Paulo Moreira Leite Fonte http://colunas.epoca.globo.com/paulomoreiraleite

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A distância entre imprensa livre e imprensa boa

Existe uma distância razoável entre imprensa livre e imprensa boa. Podemos afirmar que temos no Brasil uma imprensa livre. Veículos de comunicação divulgam o que bem entendem, usam de sua liberdade como bem entendem – do contrário não haveria liberdade –, elevam assuntos de importância secundária para a condição de matéria de primeira página nos jornais, ou com maior minutagem e maior destaque nos telejornais.
E fazem, também, o caminho inverso: relegam a um terceiro plano o que teria tudo para ser notícia de primeira, notícia com N maiúsculo.

Ainda assim, não podemos dizer que temos uma boa imprensa pela simples razão de que há uma carga bem pesada de subjetividade em afirmação de tal monta. Boa para quem, cara pálida? Para os veículos de comunicação? Para os governos? Para determinados segmentos da sociedade? Para a sociedade como um todo? Esta última questão esbarra no senso comum do “ora, nem Jesus Cristo agradou todo mundo… como a imprensa agradaria a toda a sociedade ou, no mínimo, seria por esta considerada boa?”.

A imprensa é livre, por exemplo, para mudar o foco real do debate sobre liberdade de imprensa e liberdade de expressão. Qualquer ser pensante que se atreva a pedir mais transparência da imprensa, mais debate sobre suas necessárias formas de regulação e não apenas aquelas abrigadas no conceito genérico da autoregulação, é logo considerado golpista, pessoa que possui um dos hemisférios cerebrais localizados no campo do autoritarismo, do cerceamento à liberdade de expressão.

São apenas censores os que não tomam parte das legiões do pensamento único. E, na verdade, isso tem um nome. Chama-se ideologização e nada mais. Por que há muito de ideologia no ataque a qualquer proposta de regulação da mídia. Do contrário, seria um debate muito bem vindo e não o que se deseja lançar sobre a sociedade, ao reputá-lo como um atentado à liberdade de imprensa.

Todos os meios
Sabemos, de antemão, que tipo de imprensa não queremos. Nesse bloco podemos afirmar com grande margem de acerto e correção que será uma imprensa refém do capital pelo capital; uma imprensa travestida de partido político e, portanto, a serviço de determinados projetos de poder; uma imprensa que atua como tribunal de primeira à última instância, acusando, julgando e condenando sem deixar de antes fazer terra arrasada da reputação de seus declarados desafetos, os também chamados “bolas da vez”.

A imprensa que não desejamos é aquela que é generosa nos ataques e nas acusações e extremamente parcimoniosa no uso do direito de resposta, direito muitas vezes conseguido apenas nos tribunais.

É nesse contexto que julgamos salutar que o governo apresente um anteprojeto de regulação da mídia ainda neste ano. Que as experiências colhidas em governos anteriores sirvam de base para os estudos necessários e que este material seja disponibilizado para conhecimento da sociedade parece ser, desde já, um desafio e tanto. Temos que aproveitar o atual processo de convergência das mídias e o surgimento de novas tecnologias para proceder a uma atualização das regras do setor.

Atualização que se faz urgente haja vista que normas brasileiras datam do agora distante ano de 1962, ano em que nem mesmo existiam a TV em cores, as transmissões por satélite e muito menos os meios virtuais – sítios, blogues, redes de relacionamento e tantas outras novidades.

A permanecer o status quo, temos o que temos: terra de ninguém, onde parece ter razão quem tem os meios de difundí-la a todo e a qualquer momento e, ainda mais, por todos os meios à sua disposição. Isto é, à disposição dos grandes conglomerados que produzem as notícias e sabem como despejá-las sobre a sociedade, usando o suporte escrito, radiofônico, televisivo e virtual.

Perspicácia
O importante mesmo é não deixar o debate morrer de inanição. Na luta por uma imprensa de boa qualidade – e esta somente poderá assim ser adjetivada se for fundada no inegociável estatuto de sua liberdade – não devem existir mocinhos e bandidos.

Há que se buscar uma imprensa que melhor combine os atributos da liberdade de informar com a responsabilidade de informar, as características de empreendimento econômico-financeiro lucrativo com aquelas de empreendimento que favoreça a identidade nacional e o fortalecimento de nossa ainda incipiente cidadania.

É muito trabalho para pouco debate. Estamos apenas no início. Mas não se ganha batalha sem antes haver sido iniciada. E que tenhamos em mente a perspicaz observação do grande líder indiano Mahatma Gandhi (1869-1948) ao afirmar que “a liberdade para ser verdadeira precisa incluir a liberdade de errar.”

Texto de Washington Araújo

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Kadafi, será mesmo um cruel ditador?

A todo momento vemos na grande mídia notícias que acusam Kadafi de estar atacando de forma cruel e desumana o povo líbio. Mas será isso uma verdade? Ou será apenas mais uma das vastas maneiras de manipular a opinião das massas?

Há muitos anos a propaganda tem sido largamente utilizada pelos governos, principalmente a partir da Segunda Guerra Mundial, onde os fatos que culmiram no surgimento de um mundo bipolar, estando dividido entre EUA x URSS. Nesta época que chamamos de Guerra-Fria, a maior arma utilizada não foram canhões, misseis ou aviões, mas sim o poder da propaganda e da mídia. Assim a mídia se constitui em uma arma poderosa para se atingir determinados objetivos, basta observar o ocorrido após os ataques de 11 de setembro com a propaganda massiva da Guerra ao Terror que levou a invasão do Iraque sob falsas informações de que o mesmo possuia armas de destruição em massa e não só isso, também afirmavam ligações de Sadam com as redes terroristas,algo inconcebível e jamais provado.

Mais uma vez hoje nos deparamos com o uso massivo da mídia como uma das armas de guerra que tem sido usada na Libia. Informações desencontradas, mentiras e noticias direcionadas a dar respaldo aos interesses excusos de determinado grupo tem inundado nossas redes de informações. Mas eu pergunto ao amigo leitor, em quem devemos acreditar? O que é verdade e o que tem sido mentira?

Kadafi é um ditador, isso concordo plenamente. Mas será Kadafi um ditador sanguinário que massacra seu próprio povo?

Em minha concepção após acompanhar por alguns anos os indicadores de desenvolvimento da África e o governo em especial da Líbia por ser este país um bastião de desenvolvimento na região tão empobrecida e miserável como é o continente Africano em grande parte. Vejo que temos tido uma visão míope e tendenciosa da grande mídia com relação a imagem de Kadafi e a nação Líbia. Vou listar aqui alguns pontos que não vejo serem ressaltados em qualquer mídia, e com isso assumo uma posição suscetível a criticas e mesmo á represálias por defensores das políticas selvagens da OTAN e seus estados, além dos ditos defensores dos direitos humanos.

Se me recordo bem, no ano de 2007 os indicadores da ONU, a mesma que hoje deu carta branca para o ataque criminoso da OTAN á Líbia, constatou os seguintes fatos:

- A Líbia possui o maior IDH do continente Africano, valendo salientar que este IDH supera até mesmo o brasileiro.

- A Líbia fornece educação gratuita até a formação em nível superior, tendo um indice baixissimo de analfabetismo.

- A Líbia de Kadafi sustenta cerca de 10% de seus jovens em cursos de nível superior na Europa e EUA.

- A Líbia de Kadafi presenteia casais recém casados com um bônus de até 50 mil dólares.

- A Líbia de Kadafi provê a seu povo um sistema de saúde moderno, comparável aos mais altos padrões europeus gratuitamente.

- A Líbia de Kadafi através de seu banco estatal fornece linha de credito á seu povo com taxa de juros zero.

- A Líbia de Kadafi criou o maior sistema de irrigação do mundo, vem tornando o deserto (95% da Líbia), em fazendas produtoras de alimentos.

- A Líbia de Kadafi distribui a renda do petróleo entre a sua população.

Estes são alguns de vários exemplos que podemos citar, mas que por motivos óbvios que não preciso nem comentar, levam tais fatos a serem encobertos e não propagados ao mundo pelos barões da midia que se vendem aos interesses alheios á verdade.

O que vemos na Líbia hoje não é como não cansam de repetir nos meios de comunicação, um ataque do governo contra um povo, ou uma manifestação pacífica que esta sendo cruelmente reprimida por um sanguinário ditador, que é como pintam Kadafi.

Primeiro ponto que derruba essa teoria é o simples fato que um grupo opositor ao governo de fato através do uso de armas e violência promoveu um levante em uma região específica do país. Insiro aqui um fato que não foi revelado na mídia, os opositores de Kadafi ao iniciar a sua campanha de insurreição e levante armado vitimaram dezenas de civis inocentes que apoiavam o governo nas regiões onde tomaram o controle. Promoveram saques e execuções sumárias que são mantidas encobertas da opinião pública mundial pela OTAN.

Segundo ponto importate a ser considerado é que Kadafi ordenou bombardeios sim, mas os alvos sempre foram desde o principio os paiois de armas e munições das forças armadas líbias que cairam em poder dos insurgentes, muito diferente da versão apresentada até então.

Terceiro fato e um dos mais importantes, todo estado tem direito de fazer uso de suas armas para se defender de ameaças externas e internas que venham a por em risco a integridade do estado. O que vemos na Líbia é claramente um estado de insurreição, onde de um lado temos o Estado Líbio e de outro uma força insurgente fazendo uso de armas para derrubar o governo legítimo, algo totalmente fora do contexto ocorrido nos demais estados árabes com as revoluções por direitos democráticos.

Em resumo o que temos é uma clara violação da Carta das Nações Unidas. Onde a ONU deu respaldo para que a OTAN, uma organização que perdurá mesmo após o fim da ameaça para a qual foi criada á contrapor, que hoje deixou seu teatro de operações original que é o europeu e passou a tornar-se uma ferramenta militar coativa da UE e EUA para defesa seus interesses, a atuar na Líbia como força de intervenção, supostamente encarregada de criar e manutenir uma zona de exclusão aérea para que fosse possivel inserir ajuda humanitária as vítimas daquele conflito civil.

O que vemos não é o cumprimento de uma zona de exclusão aérea, pois o mesmo se limitaria a delimitar uma zona onde fosse proibido o sobrevoo de aeronaves militares Líbias ou rebeldes, e não o ataque a posições do exército líbio e a infraestrutura de defesa do Estado de fato. O que ocorre é um claro desrespeito a resolução adotada, pois a OTAN tem atuado em apoio as forças rebeldes, tomando assim partido dentro de uma questão interna do Estado Líbio ao qual não cabe qualquer intervenção internacional. Pior a OTAN esta contribuindo em um esforço para derrubada de um governo legitimado que possui apoio de mais de 80% de sua população, e que em suas ações ditas de "ajuda Humanitária" tem vitimado os civis aos quais deveria proteger.

Vamos entender um pouco mais ao abordar os interesses externos na Líbia de Kadafi:

- A Líbia de Kadafi possui uma reserva de mais de 45 bilhões de barris de petróleo de alta qualidade.

- A Líbia de Kadafi juntamente com a Síria de Al-Assad são os únicos Estados do mediterrâneo não alinhados as políticas da OTAN.

- O Banco Central Líbio não faz parte do sistema Financeiro mundial. Possuindo reservas com toneladas de ouro, dando respaldo ao valor do dinar, e desatrelando das flutuações do cambiais do dólar.

- A Líbia de Kadafi propôs e quase teve êxito na criação de uma moeda afrinaca unificada desligada do dólar e do sistema financeiro mundial, com isso criando mais um fator pelo qual há o grande interesse de derruba-lo do poder.

- Após a queda de Kadafi, caso esta ocorra, os Estados da OTAN irão implantar um governo fantoche e com isso se apoderar do controle das reservas petrolíferas, além de garantir bilhões em contratos de suas empreiteras na reconstrução da infraestrutura líbia que esta sendo aniquilada pelos bombardeios.

Em resumo o que vemos na mídia em grande parte são mentiras ou meia-verdades usadas para garantir o apoio internacional nesta guerra suja e desumana á qual temos assistido, onde um grupo de rebeldes, em grande parte membros de grupos extremistas islâmicos, tentam derrubar um governo que tem garantido ao seu povo condições ímpares de desenvolvimento e qualidade de vida.

Agora nos resta assistir de mãos atadas este verdadeiro crime perpetrado pela OTAN e ver nascer mais um poço de lama como é o caso do Afeganistão e Iraque. Tendo apenas uma certeza caso haja a queda de Kadafi, a de que a África irá perder o seu único bastião de desenvolvimento e veremos surgir mais um estado fraco e um provável covil de terroristas e toda sorte de criminosos internacionais.

texto de Angelo D. Nicolaci - Editor GeoPolítica Brasil

sexta-feira, 2 de julho de 2010

A mentira do Merval Pereira "da Globo"


Merval Pereira escreveu hoje no Globo que: "Em dezembro deste ano, o endividamento chegará ao recorde de R$ 2,2 trilhões, correspondente a 64,4% do PIB. Em 2000, a dívida era de 52,7% do PIB".

Isso tudo para tentar vender a idéia de que a política fiscal do governo Lula é irresponsável e que vai deixar uma herança maldita para seu sucessor. Essa afirmação é uma clara confusão premeditada que mistura os conceitos de Dívida Líquida e Bruta. Vamos entender com um texto oficial do Banco Central de 2003.

A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) abrange o total das dívidas de responsabilidade dos governos federal, estaduais e municipais (incluindo administração direta e indireta e o INSS) junto ao setor privado, ao setor público financeiro, ao Banco Central do Brasil (BCB) e ao resto do mundo. Os créditos representados por títulos públicos que se encontram em poder dos órgãos da administração direta e indireta e dos fundos públicos não integram a dívida bruta.

Pois bem, em dezembro de 2002, a Dívida Bruta do Governo Geral totalizou R$1.132,9 bilhões, equivalentes a 72,7% do PIB e não 52,7% como insinua Merval. Esse percentual se refere, à Dívida Líquida e não à Dívida Bruta.

A Dívida Líquida do Governo Geral é o balanço entre os créditos e os débitos dos governos federal, estaduais e municipais. Em dezembro de 2002, a Dívida Líquida do Governo Geral totalizou R$859,7 bilhões, ou 55,2% do PIB. A Dívida Líquida do Setor Público Consolidado (DLSP), que inclui os governos federal, estaduais e municipais, o Banco Central do Brasil, a Previdência Social e as empresas estatais, totalizou R$881,1 bilhões em dezembro de 2002 (56,5% do PIB).

Na verdade, a Dívida Líquida caiu de 56% em 2002 para 41% em 2010, uma demonstração clara da sustentabilidade da política fiscal. É exemplo para o mundo derretendo em políticas anticíclicas suicidas e o Risco País, na casa dos 200 pontos, não me deixa mentir.

Merval Pereira entende tanto de política fiscal quanto eu de rugby.

Fonte blog: www.aleporto.com.br de Alexandre Porto

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Recordar é viver e não esquecer. Veja onde tudo começou.

A Polícia Federal, através do delegado José Castilho Neto e do perito Renato Rodrigues Barbosa, entregou ao Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, um dossiê sobre as remessas ilegais de recursos para o exterior, através das chamadas contas CC-5, envolvendo nomes de políticos ligados ao governo FHC, entre eles o candidato derrotado à presidência da República, José Serra, o ex-diretor Internacional do Banco do Brasil, e caixa da campanha, Ricardo Sérgio de Oliveira e o também caixa de campanha tucana, Sérgio Motta.

Segundo a revista “IstoÉ Dinheiro” desta semana, os documentos da PF que envolvem José Serra são extratos fornecidos pelo banco americano JP Morgan Chase aos investigadores brasileiros, obtidos mediante a quebra, naquele país, dos sigilos bancários dos envolvidos. José Serra aparece como autor de uma ordem de pagamento internacional no valor de US$ 15,6 mil que teria, por solicitação sua, saído da conta “Tucano” no JP Morgan e ido parar na conta 1050140210, da empresa Rabagi Limited, no Helm Bank de Miami. Essa operação, segundo a Polícia Federal, mostra que José Serra tinha poderes para movimentar a conta “Tucano”.

Segundo o mapeamento feito pela Polícia Federal, essa conta movimentou US$ 176,8 milhões entre 1996 e 2000. Os recursos partiram de laranjas em Foz do Iguaçu e seguiram para a conta “Tucano” no JP Morgan, em Nova Iorque. A PF, que realizou um rastreamento internacional dos recursos e descobriu também o envolvimento de outros tucanos nas remessas, como Ricardo Sérgio de Oliveira e Sérgio Motta, pretende agora investigar se José Serra, além de movimentar a conta “Tucano”, era proprietário da empresa Rabagi Limited, que recebeu os recursos do JP Morgan.

A Polícia Federal descobriu também que a conta “Tucano” em Nova Iorque teve uma movimentação suspeita no dia 30 de março de 1999, com a transferência de US$ 500 mil de sua sede nos EUA para outra conta, também batizada com o mesmo nome de “Tucano”, só que num banco Suíço, o Lugano. E o que intrigou os policiais da PF, neste caso, é que 24 horas depois, ou seja, em 31 de março, outros US$ 500 mil saíram da conta “Tucano” de Nova Iorque em direção à Suíça.

As investigações sobre as remessas ilegais através das contas CC-5 começaram graças ao trabalho do promotor Celso Três que, segundo a “IstoÉ”, mapeou todas as contas CC-5 do Brasil. A ação da Polícia Federal, logo em seguida, permitiu chegar às contas de altas figuras do governo tucano. Para obter as informações que ajudaram a esclarecer o caso, a PF pediu à justiça americana a quebra do sigilo bancário dessas contas. Com isso acabou chegando às pessoas que fizeram as movimentações nessas contas.

O JP Morgan recebia recursos enviados por laranjas sediados em Foz do Iguaçu. Segundo o delegado Castilho, todas as pessoas que movimentaram essas contas no exterior, como foi o caso de Serra e Ricardo Sérgio, deverão ser investigados pela Comissão Parlamentar de Inquérito.

Fonte: Jornal Hora do Povo de 01 de julho de 2003

sábado, 12 de junho de 2010

A GRANDE MÍDIA É HIPÓCRITA e MENTIROSA



Dirijo-me a cada internauta e amigo que, como eu, nada tem a ganhar isoladamente com a ascensão de Dilma Rousseff ou de José Serra à Presidência da República no ano que vem,mas que terá tudo a ganhar ou a perder como cidadão, dependendo do tipo de governo que o país venha a ter a partir de 1º de janeiro de 2011.

Peço uma reflexão sobre o seguinte:quando você lê uma manchete ou vê um comentarista econômico da Globo dizer que esse crescimento forte da economia é um problema, que é ruim a falta de mão-de-obra que já decorre desse crescimento porque isso faz os salários subirem, será que não se lembra de que estes são os mesmos que até há um ano, em meio a fortes críticas ao governo Lula, anunciavam que o Brasil estava em recessão?

Vejam,o ataque virulento do “colunista” do Jornal da Globo Arnaldo Jabor ao presidente Lula por conta da crise que mostrava as garras no Brasil naquele 7 de outubro de 2008 (veja o vídeo abaixo). Fica claro que o PSDB e a grande mídia Globo, Folha, Estadão e outros estão achando que o eleitor brasileiro não tem senso crítico e nem memória. Para essa coalizão política, ninguém terá capacidade de lembrar de que quando o PIB não crescia tucanos, demos e sua imprensa criticavam, e de que, quando cresce, também criticam.

Acham que a maioria não presta atenção na economia e não percebe nada do dia-a-dia. Já o presidente Lula-PT, uma parcela significativa do eleitorado e os partidos da coalização governista, apostam no contrário. Aliás, o presidente tem dito isso reiteradamente, que a população percebe, mas a oposição tucano-pefelê-midiática acha exatamente o contrário. São, portanto, duas apostas sobre nós, cidadãos comuns, sem filiação partidária, sem desfrute de dinheiro público, sem qualquer interesse direto em quem governa e sim, apenas, em como se governa, e que só queremos que o Brasil tenha o melhor governo possível.

É isso o que está em jogo neste ano, se somos um país sem memória, de pessoas incapazes de se lembrarem das notícias “antigas’, ou cada vez mais somos politizados e com sensibilidade para escolher o que é melhor para nós, nossos filhos e nossos pais. Algum brasileiro terá deixado de ler ou de assistir a pelo menos uma das centenas de milhares de “notícias” de Globos, Folhas, Vejas e Estadões dando conta de que o PT e Lula eram corruptos?

Acho que não… Mas, então, como é que Lula se elegeu, com esses meios de comunicação, o PSDB e o DEM acusando-o sem parar? Para vocês eu não sei, mas, para mim, os fatos que elenquei dizem que a aposta do governo Lula-PT foi a melhor para o conjunto da população, principalmente para a maioria da população inclusive os “excluídos” e a classe média.

Adaptado do texto "Eles comemoram a crise" do blogdacidania.com.br de Eduardo Guimarães