terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

China passa Japão e é 2ª maior economia do mundo - 2010


O governo japonês divulgou hoje o balanço econômico de 2010 e confirmou a perda do posto de segunda maior economia mundial para a China.

De acordo com dados oficiais, o Produto Interno Bruto (PIB) do Japão em 2010 ficou em US$ 5,474 trilhões. Já a China fechou o ano com um acumulado de US$ 5,8786 trilhões.

A queda nas exportações e no consumo interno, desencadeada pela recessão de 2008/2009, prejudicou o desempenho do Japão. Já a China teve um excelente desempenho no setor manufatureiro.

Segundo os dados divulgados pelo governo, a economia japonesa teve uma retração de 1,1% na taxa anualizada nos três últimos meses de 2010. O crescimento recuou 0,3% em relação ao trimestre anterior.

Foi a primeira vez, em quatro trimestres, que a economia registrou uma contração. Assim, o PIB anual teve uma expansão de 3,9%.

O ritmo de recuperação do Japão foi lento demais para segurar a posição de segunda maior economia mundial, posto que o Japão ocupou por mais de 40 anos.

Mas o governo diz que o fato não abala a confiança dos japoneses.

"Não estamos competindo por rankings, mas trabalhando para melhorar a vida dos cidadãos", disse hoje Kaoru Yosano, ministro de Política Econômica à imprensa japonesa.

Ele acrescentou que o crescimento chinês é uma boa notícia não só para o Japão, mas para os vizinhos asiáticos. "Isso (o crescimento da China) pode ser a base de um desenvolvimento da economia regional, ou seja, da Ásia Oriental e do Sudeste", sugeriu.

A China é hoje o principal parceiro econômico do Japão. Empresas de eletrônicos como a Sony e fabricantes de carros como Honda e Toyota ganham cada vez mais espaço no gigante mercado chinês.

O índice de crescimento da China gira em torno dos 10% há alguns anos. Se o ritmo continuar assim, analistas dizem que o país asiático tomará o posto dos Estados Unidos de líder mundial em aproximadamente uma década.

"É real dizer que, em dez anos, a China terá praticamente o mesmo tamanho da economia norte-americana", disse à BBC o consultor econômico Tom Miller, do GK Dragonomics.

Mas mesmo com tanto vigor, a China ainda tem muito para melhorar. "A maioria dos chineses ainda é pobre e há mais pessoas vivendo no campo do que nas cidades", lembra Miller.

Realmente, hoje, a renda per capita dos japoneses continua bem à frente. Os chineses têm um ganho anual de cerca de US$ 3,6 mil, enquanto os japoneses contabilizam uma renda quase dez vezes maior.

Texo de Ewerthon Tobace - BBC

Fonte:http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Gasto social com educação é o que mais eleva o PIB

Em seu Comunicado nº 75, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revela a importância que os gastos sociais adquiriram no Brasil para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e a redução das desigualdades. Segundo o estudo, que usou como base dados de 2006, cada R$ 1 gasto com educação pública gera R$ 1,85 para o PIB, e o mesmo valor investido na saúde gera R$ 1,70. Foram considerados os gastos públicos assumidos pela União, pelos estados e municípios.

Ao comparar tipos diferentes de gasto social, o Comunicado concluiu que aquele destinado à educação é o que mais contribui para o crescimento do PIB, haja vista a quantidade de atores envolvidos nesse setor e os efeitos da educação sobre setores-chave da economia. “O gasto na educação não gera apenas conhecimento. Gera economia, já que ao pagar salário a professores aumenta-se o consumo, as vendas, os valores adicionados, salários, lucros, juros”, explicou o diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, Jorge Abrahão.

Abrahão apresentou o estudo ao lado de Joana Mostafa, técnica de Planejamento e Pesquisa do Ipea. Por sua vez, quando se calcula o tipo de gasto social que tem o maior efeito multiplicador na renda das famílias, em primeiro lugar aparece o Programa Bolsa Família (PBF). Para cada R$ 1 incluído no programa, a renda das famílias se eleva 2,25%. “A título de comparação, o gasto de R$ 1 com juros sobre a dívida pública gerará apenas R$ 0,71 de PIB e 1,34% de acréscimo na renda das famílias”, acrescenta o Comunicado, intitulado Gastos com política social: alavanca para o crescimento com distribuição de renda.

O texto afirma ainda que 56% dos gastos sociais retornam ao Tesouro na forma de tributos. “O gasto social não é neutro. Ele propicia crescimento com distribuição de renda. Ele foi muito importante para o Brasil superar a crise de 2008. Esse gasto tem uma grande importância como alavanca do desenvolvimento econômico e, logicamente, do bem-estar social”, concluiu Abrahão.

Fonte: IPEA

Pseudojornalismo

Na site da revista IstoÉ, a prova de que a grande imprensa se dedica hoje a um filão cadente da opinião pública, mas que ainda tem carne nos ossos para uns sujeitos que se crêem muito espertos explorarem. Um dos editores da revista tratou de escrever uma das peças mais inacreditáveis que já li.

O nome do jornalista é Leonardo Attuch. Para quem não se lembra, há alguns anos entrevistou a ex-secretária do publicitário Marcos Valério, envolvido nos mensalões petista e tucano.

A secretária que esse jornalista entrevistou foi Fernanda Karina Somaggio, de quem conseguiu arrancar algumas acusações contra o PT que jamais foram provadas. Depois de aparecer até no Jornal Nacional, a oportunista pediu 2 milhões de reais à Playboy para posar nua. A revista, obviamente recusou a oferta.

Mas, desta vez, em vez de fazer a felicidade de oportunistas, Attuch resolveu fazer seus leitores de idiotas com um textinho sem pé nem cabeça em que inverte tudo o que se sabe sobre o processo que redundou na eleição de Dilma Rousseff.

Sob o título “Ciúme precoce”, juntou-se a esse exército de colunistas de grandes meios de comunicação que acham que podem vender à sociedade a idéia ridícula de que Lula estaria triste porque Dilma estaria agradando mais do que o padrinho político.

Algumas passagens do texto serão mais do que suficientes. Irei reproduzindo e comentando cada um desses trechos que selecionei e que, com um pedido de desculpas pela insalubridade intelectual, terei que fazer o paciente leitor encarar.

Attuch — Terá ele [Lula] percebido que o governo Dilma poderá ser melhor do que o seu? Ou que a opinião pública aprecia mais o estilo discreto da presidente do que a verborragia lulista?

De onde Attuch tirou essa informação?, perguntará o leitor. De alguma pesquisa de opinião? Não, não tirou. Não existe qualquer base para sua afirmação de que Dilma esteja agradando mais ou menos do que Lula. Tirou de sua cachola? Tampouco. Tirou, isso sim, das páginas impressas da grande mídia. E apresentou como fato.

Attuch — Com menos de 45 dias de governo, Lula já tenta se apropriar do provável êxito de sua sucessora. E talvez só agora ele tenha percebido que não elegeu um poste, mas alguém com estilo e com idéias próprias.

Sobre Lula tentar se apropriar do que ainda não existe – e que espero que venha a existir, porque votei em Dilma –, não vale nem comentar. Mas sobre ele achar que a candidata que indicara era um poste, aí não tem jeito: há que rir. A mídia passou dois anos dizendo que ela era um poste e que não se elegeria e Lula passou todo esse tempo dizendo o contrário. E agora é ele quem a achava “um poste”.

Attuch — O ciúme precoce [de Lula] é até compreensível. Depois de oito anos usufruindo o fausto poder, não é nada simples se acostumar com o anonimato e com a vida de cidadão comum.

Deixemos a parte mais idiota de lado e concentremo-nos na mais inacreditável: Lula no anonimato? Quando foi que isso aconteceu? Quem acredita em que acontecerá? Como poderia ter mergulhado no anonimato se os Attuchs da imprensa golpista não esquecem dele um só dia mesmo depois que deixou o poder?

Attuch — O fato é que Dilma tem agradado por razões que vão muito além do fato de ter a caneta presidencial. Sua política externa é bem mais equilibrada do que a de Lula, a gestão fiscal é responsável – note-se o corte de R$ 50 bilhões em despesas.

Uau! Em quarenta dias ele já pode fazer decretos sobre a “política externa” de Dilma. Com base em que? Em duas ou três declarações dela sobre o assunto. Nossa, que mudança, não!? E corte de despesas, quando Lula fazia era “rendição ao neoliberalismo”.

Attuch — A reabertura da discussão sobre a compra dos caças para a Aeronáutica, com foco na transferência de tecnologia para a aviação civil, sinaliza uma postura mais pragmática do que ideológica.

Vejam bem: Lula poderia ter tomado a decisão, mas adiou e deixou para Dilma justamente porque achava que o assunto precisaria ser melhor estudado. E a exigência de transferência de tecnologia foi sempre o cerne da questão. Mas o Attuch atocha essa imbecilidade em seu leitorado idiota.

Fonte:http://www.blogcidadania.com.br

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Oriente Médio: O fantasma da revolução


Há um medo crescente alimentado, em grande parte, pelas elites conservadoras do Ocidente e do Oriente de que futuros acontecimentos no Egito poderão trilhar os mesmos caminhos da revolução que aconteceu no Irã em 1979 tais como: elegeu Israel como o grande inimigo, se envolveu em ações antiamericanas no mundo inteiro, privou as mulheres e as minorias dos seus direitos (como se tivessem direitos sob a ditadura de Mubarak). Numa região repleta de exemplo ações armadas que atemorizam Israel, EUA e aliados ajudou a criar a imagem de que a melhor forma de combater ativistas islâmicos ( falsos ou verdadeiros) é uma ditadura secular.

No entanto é importante lembrar que, logo no início da revolução iraniana em 1979, havia intenso apoio das potências capitalistas aos movimentos radicais islâmicos em todo o grande Oriente Médio e Ásia Central com o intuito de provocar aquilo que se convencionou chamar "arco de crise". O objetivo maior, claro, era atingir as regiões muçulmanas da União Soviética, um regime materialista e ateu, de “vital importância para os EUA cujo centro de gravidade é o Irã” como afirmou à época Zbigniew Brzezinski (assessor segurança nacional do presidente Carter). O caos político resultante poderia facilitar a incorporação do american way of life nos inimigos de seus inimigos.

De maneira análoga, pode-se dizer que, 32 anos depois, as revoltas populares na Tunísia, no Egito, Argélia e Iêmen podem ser os sinais iniciais de um novo “arco de crise”, mas agora de autênticas revoluções que poderão varrer o Grande Oriente Médio. Diante de tais fatos, tal como todos outros governos norte-americanos anteriores, Obama, inicialmente preferiu ficar ao lado de seu “aliado leal” contra um movimento que levou a fundo a retórica dos direitos humanos presente em seu discurso no Cairo em 2009. Diga-se, é verdade, que esses momentos revelam a essência da decisão na política externa dos EUA que vai muito além da órbita do presidente da república. Apesar da celebração ritual da sociedade civil, autoridades dos EUA (militares, agências de inteligência e lobbies no congresso) sempre mantiveram fortes ligações com regimes repressivos e nunca mantiveram qualquer tipo de contato com os principais grupos oposicionistas.

Não há como negar que a religião é um fundamento essencial de identidade dos povos e um componente crucial da dinâmica de desenvolvimento das sociedades, em geral, e do mundo islâmico de forma particular. Contudo, tal como observou o professor Mark Levin, as fotos estampadas na grande mídia dos EUA podem ajudar-nos a entender melhor as diferenças entre os dois momentos revolucionários.

No início de 1979 as imagens dos jovens eram de exuberância revolucionária, aliadas a um sentimento raiva, supostamente alimentada por um fervor religioso, isso soou tão estranho para um cidadão norte-americano que parecia vir de um outro planeta. Já as fotos da praça Tahrir mostram mulheres e jovens, seculares e religiosos, curvando-se em orações diante dos blindados militares. Uma espécie jihad pacífica que sempre existiu, mas que não tinha os holofotes da mídia para mostrá-la.

Com criatividade e ousadia e mesmo diante das inúmeras provocações e assassinatos mantiveram-se determinados a não usar a violência. Suas táticas foram amplas mobilizações, aproximação com as forças armadas, paralisações de trabalhadores e uso das redes sociais que permitiu que o mundo inteiro fosse capaz de seguir suas batalhas em tempo real. Já a determinação em reprimir e, sobretudo, o desprezo pela forma pacífica e democrática de expressar opiniões, era evidente no início da Revolução Iraniana de 1979 onde vários grupos que defendiam a liberdade de imprensa e os direitos das minorias foram coagidos por verdadeiras gangues armadas.

No Egito, não há nenhuma figura carismática de estatura do aiatolá Khomeini. Ao contrário do clero xiita no Irã, a Irmandade Muçulmana não tem uma base em uma organização clerical. Apesar de contar com setores conservadores, não estão envolvidos em debates sobre o uso do véu ou de outros comportamentos religiosos, mas sim em questões envolvendo corrupção, desemprego, liberdade política e violações dos direitos humanos. Nesse sentido, diferentemente do Irã a possibilidade de mobilizar a maioria dos egípcios em torno de uma agenda de reformas é maior.

Observar o que vai acontecer no Egito nas próximas semanas é como assistir um teatro das sombras em que apenas alguns dos atores estão sob um foco de luz e outros vão saindo aos poucos. Entretanto, podemos antecipar e destacar que islâmico ou secular, o novo governo poderá – espero que sim - recusar a adotar incondicionalmente os métodos adotados pelos EUA e a Europa na guerra contra o terror sem que isso signifique ser partidário de Bin Laden. Por sua vez, não afrontar Israel não significa, por outro lado, necessariamente qualquer tipo de concordância com a política de ocupação dos territórios palestinos. E, finalmente, um novo governo poderá também questionar se para manter a tão aclamada estabilidade política na região é necessário gastar bilhões de dólares em equipamentos militares.

De toda forma restar ver como os militares e as elites dirigentes que agora comandam a transição vão descobrir uma maneira de conviver com este novo cenário. Nesses momentos cruciais sempre é bom lembrar alguém que entendia de revoluções ( Marx) que certa feita fez a seguinte advertência: “As criadas políticas da França estão varrendo a lava ardente da revolução com vassouras velhas, e discutem entre si enquanto executam sua tarefa”.

Texto de Reginaldo Nasser Professor de Relações Internacionais da PUC-SP

Fonte:http://www.cartamaior.com.br

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Mubarak deixa o cargo e entrega o poder ao exército


O presidente Hosni Mubarak deixou o poder e entregou o poder ao exército, anunciou o vice-presidente egípcio Omar Suleiman em um comunicado à nação nesta sexta-feira.

Após o anúncio, uma explosão de alegria tomou as ruas do Cairo.

Centenas de milhares de manifestantes agitando bandeiras, gritando, rindo e se abraçando celebraram nesta terça-feira o anúncio da renúncia do presidente Hosni Mubarak.

"O povo derrubou o regime", gritava a multidão na Praça Tahrir, no centro do Cairo.

Após 18 dias de protestos contra o governo, o presidente do Egito, Hosni Mubarak, renunciou ao cargo após 30 anos no poder e transferiu o comando do país para o Conselho Supremo das Forças Armadas, informou o vice-presidente, Omar Suleiman, durante uma transmissão na rede de televisão estatal.

"Por causa das atuais circunstâncias no país o presidente Hosni Mubarak decidiu renunciar, e o alto comando do exército está assumindo o controle do país", disse Suleiman. A multidão de manifestantes reunida na Praça Tahrir, no centro do Cairo, vibrou com a notícia.

Os manifestantes choravam, dançavam e cantavam "Deus é o maior!". Paralelamente, na Tunísia, as pessoas foram as ruas e fizeram buzinaço para comemorar a saída de Mubarak do poder.

Ontem à noite, Mubarak afirmou num discurso que estava delegando poderes a Suleiman, mas não renunciou ao cargo, enfurecendo os manifestantes, que continuaram com os protestos mesmo em meio a pedidos das autoridades para que todos voltassem para casa e ao trabalho. Mubarak estava no poder desde 1981.

Os protestos contra o governo egípcio começaram em 25 de janeiro e deixaram pelo menos 300 mortos e muitos outros detidos e feridos.

O ministro da Defesa do Egito, Mohamed Hussein Tantawi, vai chefiar o Conselho Militar que assumiu o controle do país após a renúncia do presidente Hosni Mubarak nesta sexta-feira.

O Conselho Militar do Egito vai demitir o gabinete e suspender as duas casas do Parlamento, informou a rede de televisão Al Arabiya.

O representante da oposição no Egito Mohamed ElBaradei disse ter sido "o melhor dia" de sua vida quando o vice-presidente egípcio, Omar Suleiman, anunciou que o presidente Hosni Mubarak havia renunciado, entregando o poder ao Exército.

"Nós aguardamos esse dia há décadas. Todos estamos ansiosos para trabalhar com as forças militares para preparar eleições livres e justas. Estou ansioso pelo período de transição de compartilhamento de poder entre o Exército e o povo", disse ElBaradei por telefone.

Ao ser perguntado se iria concorrer à Presidência, ElBaradei, ex-prêmio Nobel da Paz, disse: "O assunto não está na minha mente. Eu vivi o suficiente e estou feliz em ver o Egito libertado."

Fonte: Agências de Notícias.

Uma revolução puramente egípcia


O presidente Hosni Mubarak renunciou. O líder de um dos mais autoritários regimes do Oriente Médio não sobreviveu aos 18 dias de protestos nas ruas do Egito, que atraíram milhões de pessoas. O movimento não contou com líderes claros ou tendências políticas definidas. Reuniu muçulmanos, cristãos e diferentes ideologias.

A banida Irmandade Muçulmana reforçou o coro da população insatisfeita, e o ex-chefe da agência da ONU para energia atômica Mohamed Elbaradei chegou a apresentar-se como um possívél líder das massas. Mas o movimento não queria bandeiras ou representantes específicos. Seu objetivo era simples: derrubar o regime, pôr um fim no modelo político baseado na repressão de vozes populares. Sua reivindicação principal era a saída do líder da ditadura, e o que parecia impossível foi obtido diante dos olhares do mundo todo.

Hosni Mubarak, um ex-comandante da Força Aérea do Egito que acabou chefiando o país por três décadas, não escolheu exatamente a carreira de ditador. Quando, em uma de suas falas recentes, lembrou que nunca quis o cargo que ocupava, Mubarak não estava exatamente mentindo. O que o levou ao posto foi o assassinato de Anwar Sadat por radicais islâmicos, fato que deixou a Presidência no colo de Mubarak. Sua obrigação, em um momento extremamente delicado para o país, era preservar um regime que já existia desde os anos 50.

Ao longo de 30 anos, entretanto, a figura de Mubarak ganhou força, e seu plano de passar o poder para seu filho indicava uma característica mais personalista da ditadura. Mubarak, que se utilizou de uma brutal polícia repressora e, segundo denúncias, possui uma fortuna bilionária no exterior, foi assumindo com o passar do tempo todas as credenciais de um típico déspota.

Em seus últimos pronunciamentos, Mubarak apresentou-se como um patriota. Lembrando seu passado de militar, defensor da integridade política e territorial do Egito, inclusive durante a ocupação israelense da Península do Sinai, ele disse ser um servo da pátria. O que os milhões de manifestantes nas ruas do país lhe respondiam, entretanto, era que a pátria não precisava mais de seus serviços.

O tempo havia mudado, as necessidades eram outras, e o Egito entrara numa nova fase da sua história. O próprio Exército, enviado inicialmente para conter os protestos, foi forçado a admitir a legitimidade de suas reivindicações. A população disse continuar admirando seus militares, que tanto fizeram pelo país no passado, mas deixou claro que um novo regime deveria nascer das manifestações de rua.

O futuro do Egito ainda está para ser definido, e entre os espectadores mais atentos estão três governos com passados e agendas políticas muito diferentes. Estados Unidos, Israel e Irã gozavam de um certo conforto com o regime de Mubarak. Com ele Israel estabeleceu uma paz essencial para a segurança de grande parte do seu território. Washington tinha em Mubarak o maior aliado no mundo árabe, que ao mesmo tempo controlava o avanço fundamentalista e garantia estabilidade a Israel. Já o Irã, adversário de nações sunistas como o Egito, compartilhava com Mubarak a crença de que a democracia plena não era uma alternativa viável para a região. Agora os três países precisam, por motivos diferentes, adaptar-se à nova realidade.

O regime islâmico do Irã, apesar de ver com bons olhos o possível avanço no Egito de ideologias contrárias ao Ocidente, vai combater a ideia de que a voz do povo merece ser sempre ouvida. Por isso mesmo, promoveu a interrupção dos sinais do canal persa da BBC, que vinha fazendo cobertura extensiva dos acontecimentos no Cairo. Os Estados Unidos tentarão manter a aliança com os militares egípcios, que são o alicerce do poder no país, enquanto Israel torce para que o possível estabelecimento da democracia não permita avançar no vizinho um sentimento hostil ao Estado judeu.

O que os recentes acontecimentos no Cairo mostram, no entanto, é que as potências estrangeiras terão de acatar a vontade dos egípcios e de suas instituições. Apesar de instigado pelos acontecimentos da Tunísia, que semanas antes derrubou o seu próprio ditador, o movimento iniciado em 25 de janeiro, com a ajuda da internet e suas redes sociais, foi uma revolução puramente egípcia. Uma nova geração de cidadãos foi às ruas pela derrubada de um regime que deixara de atender às suas aspirações, sem copiar ninguém ou atender ao chamado de algum líder. Qualquer que seja o caminho a ser tomado pelo Egito, ele parece estar sendo traçado de forma espontânea e independente.

Fonte: BBC Brasil

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Crise no Egito se agrava com pronunciamento de Mubarak

O presidente do Egito, Hosni Mubarak, afirmou nesta quinta-feira que se compromete com a Constituição do país até que ocorra a transferência do cargo ao vencedor em uma "eleição honesta".

O presidente fez um pronunciamento à nação em meio à forte pressão para que deixe o poder, que ocupa há 30 anos.Ele reiterou que não vai concorrer ao cargo nas próximas eleições e que o país caminha, dia após dia, para uma transferência de poder pacífica. Mubarak afirmou ainda que o diálogo com a oposição resultou num consenso preliminar para resolver a crise.

O presidente egípcio, Hosni Mubarak, delegou alguns poderes a seu vice-presidente e propôs reformas constitucionais, mas afirmou que a transição que colocará fim a seu regime de 30 anos durará até setembro.

A esperança era de que Mubarak fosse renunciar imediatamente, depois que a cúpula militar anunciou horas mais cedo que iria garantir a segurança do país e defenderia as demandas "legítimas" da população.Mas, no final de seu discurso, Mubarak permaneceu como presidente do país.O discurso não agradou aos manifestantes, que nas últimas duas semanas pediram o fim do regime Mubarak.

Os manifestantes reunidos na praça Tahrir, no centro do Cairo, reagiram furiosos, nesta quinta-feira, quando o presidente Hosni Mubarak anunciou que não deixará o poder imediatamente, e pediram que o exército se una a eles na rebelião.

Demonstrando decepção e ira, centenas de manifestantes tiraram os sapatos e os agitaram em frente aos telões pelos quais assistiam ao discurso de Mubarak, um gesto que é considerado um insulto em sociedades árabes.

O ar estava impregnado de agressividade na praça e começaram a se ouvir chamados de alguns que propunham ir ao palácio presidencial e retirar Mubarak dali à força, despertando o temor de uma escalada da violência.

Outros, ainda, pediram a convocação de uma greve geral e dirigindo-se ao exército, que mobilizou grande número de tropas no entorno do local do protesto, demandaram: "Exército egípcio, o momento da escolha é agora, o regime ou o povo!".

Reagindo à decisão do presidente egípcio, Hosni Mubarak, de permanecer no cargo, o opositor Mohamed ElBaradei advertiu na quinta-feira que o Egito explodirá e precisa ser resgatado pelo Exército.

"O Egito explodirá. O Exército deve salvar o país agora", afirmou o vencedor do prêmio Nobel da Paz e ex-diretor da agência nuclear da Organização das Nações Unidas (ONU) em mensagem no Twitter.

ElBaradei, entrevistado desde o Egito pela CNN, disse que "as pessoas estão muito irritadas". Ele acrescentou que caberá ao Exército "salvar o país de ir pelo ralo."

"Devemos ficar bastante preocupados", disse. "Eles (Mubarak e o vice-presidente Omar Suleiman) precisam se afastar. As pessoas perderam a confiança neles."

ElBaradei afirmou que Mubarak perdeu toda a legitimidade. Referindo-se à transferência de poderes de Mubarak a Suleiman, ele disse: "como você pode ser um presidente sem poder algum?"

A atual conjuntura política no Egito é muito instável, o que tem deixado o país a mercê das incertezas, pois tal instabilidade pode inflar uma guerra civil pelo poder, desestabilizando a organização do Estado e derrubando Mubarak, assim resultando em um novo foco de tensão no Oriente Médio que pode vir a afetar a economia na região e mesmo a estabilidade relativa que há entre Israel e os Estados Árabes que o circundam.

A revolução que tomou conta do Egito pode resultar em um novo governo democrático, como vem sendo o alvo das manifestações, bem como pode a qualquer momento resultar em um golpe de Estado por parte das forças armadas, que até então tem acompanhado a situação do país, sendo apoiadas a intervir na vida política do país por grandes nomes da política egípcia como ElBaradei.

A posição adotada por Mubarak em se manter no poder até as eleições de setembro não conseguiram atender aos anceios da população egípcia, que esperavam que o discurso em rede nacional fosse o pronunciamento da renuncia da presidencia e a implantação de um governo provisório até as eleições de setembro.

Israel e as demais nações acompanham de perto o desenrolar da crise no Egito, pois os caminhos que forem determinados pela revolução que tomou o Egito podem comprometer a integridade do Estado Israelense e reacender a insegurança nas fronteiras entre os dois Estados, que há décadas atrás travaram uma guerra que resultou na perda de territórios do Egito ao Estado de Israel. Outros governos árabes acompanham a crise egipcia e temem que as manifestações venham a atingir seus Estados com revoluções pró-democracia.

Angelo D. Nicolaci Editor - GeoPolítica Brasil