segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A falta de transparência em MG e SP


À boca pequena comenta-se por aí que a imprensa de Minas é amordaçada desde que o PSDB assumiu o poder. Basta fazer uma breve pesquisa no Google para encontrar vídeos e notas de jornalistas que citam fatos de censura no estado. Não existe um único veiculo noticioso que publique ações contrárias ao governo tucano. Por isso, não causou surpresa alguma a notícia de que Minas Gerais lidera o ranking do alto risco de corrupção, seguido dos estados de Maranhão e Pará, segundo estudo feito pelo Centro de Estudos da Opinião Pública, da Unicamp, a pedido do Instituto Ethos.

Os três estados tiveram registro de "alto risco" em quatro dos oito indicadores sobre sistemas de controle da corrupção avaliados pelos cientistas políticos Bruno Speck e Valeriano Mendes Ferreira, autores do estudo. Das demais unidades da Federação, nenhuma foi aprovada em todos os quesitos. A análise foi publicada pela Agência Estado.

Os três estados tiveram registro de "alto risco" em quatro dos oito indicadores sobre sistemas de controle da corrupção avaliados pelos cientistas políticos Bruno Speck e Valeriano Mendes Ferreira, autores do estudo. Os dados são relativos a 2009. Uma das áreas avaliadas foi o controle externo exercido pelos tribunais de Contas dos estados, cuja composição é marcada pelo alinhamento com os grupos políticos dominantes em cada estado.

"O processo de nomeação (pelo governador ou pela Assembleia Legislativa) influencia profundamente o comportamento dos conselheiros. Os oriundos do meio político são usualmente indicados no final da carreira, levando para o cargo os laços políticos que construíram durante uma vida", afirmam os autores no texto, que será publicado no final do ano.

Há uma norma constitucional que garantiria um mínimo rigor técnico na composição dos TCEs: duas das vagas de conselheiros deveriam ser ocupadas por procuradores e auditores do próprio tribunal. Mas em apenas 13 Estados essa regra é cumprida

Ainda segundo Bruno Speck, tribunais de Contas dos estados são reduto de ex-políticos semiaposentados, presididos por suspeitos envolvidos em operações da Polícia Federal e réus em processos que tramitam na Justiça.Três presidentes desses órgãos de fiscalização tiveram de deixar seus cargos nos últimos meses por suspeitas de irregularidades.

Em ao menos sete estados, o atual comando do órgão também é alvo de questionamentos. A Procuradoria-Geral da República assinou há duas semanas o pedido de afastamento do presidente do TCE do Rio de Janeiro, Jonas Lopes de Carvalho, ao denunciá-lo por suspeita de envolvimento em irregularidades apuradas na Operação Pasárgada, da Polícia Federal. Dezesseis prefeitos foram presos na ação, de 2008, que apurava facilitação de benefícios a municípios. A cúpula do TCE de Minas também foi alvo de suspeitas na mesma operação.

Transparência limitada em São Paulo
São Paulo ficou em primeiro lugar na lista dos estados que menos realizam licitações nas áreas de saúde e educação. Segundo o estudo, nos locais onde há mais dispensa e inexigibilidade de licitação é maior a "discricionariedade" dos agentes públicos e menor competitividade entre os fornecedores. Também há um "apagão" nas estatísticas sobre os volumes e modalidades das compras públicas - o que é comprado com ou sem licitação, por exemplo. "Esse foi o dado mais difícil de levantar", disse o pesquisador Bruno Speck.

Mas há um problema de classificação contábil que dificulta a percepção do quadro com clareza: na Secretaria de Educação de São Paulo, por exemplo, entram na categoria das despesas sem licitação até os repasses do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Básico (Fundeb) a municípios.

Fiscalização
No âmbito do controle interno, a maioria dos governos criou corregedorias com relativa autonomia e estrutura para atuar, segundo o estudo. "No entanto, os resultados são bastante insatisfatórios com relação a transparência e desempenho efetivo. Metade dos estados não produz ou não divulga relatórios de atividades."

Criados para fiscalizar e julgar ações dos governantes nos estados, os TCEs se tornaram atrativos para nomeações políticas. A maior parte dos integrantes é escolhida pelo Legislativo, o que garante presença de ex-deputados.O cargo tem status vitalício e salário de desembargador. Bruno Speck diz que “alguém indicado pelo governador vai ter dificuldade de julgar de forma isenta as contas do governo”.

Fonte: blog http://altamiroborges.blogspot.com/

domingo, 6 de novembro de 2011

Folha, Estado, Veja e televisões minimizam corrupção em SP

No último dia 12 de outubro, este blog cobriu ato público “contra a corrupção” que começou no Museu de Arte de São Paulo (Masp), na avenida Paulista, e terminou no “Centro Velho” da cidade, na praça Ramos de Azevedo, diante do Teatro Municipal de São Paulo. A matéria reproduziu respostas a um questionário que esta página apresentou aos manifestantes. Aquele questionário foi elaborado de forma a identificar possível viés político-partidário e ideológico nos integrantes da manifestação.

Das 27 entrevistas feitas com os manifestantes, 26 apontaram forte viés político-partidário, deixando ver que o que ocorria ali era produto de campanha de partidos e entidades de oposição ao governo federal. Dessas 26 entrevistas que apuraram esse fato, sete se estenderam em breves conversas entre o entrevistador e os entrevistados. Só não foram relatadas antes porque o blog esperou pelo contato com fonte da Assembléia Legislativa que só ocorreu na semana passada.

Naquelas conversas com os manifestantes “contra a corrupção”, eles foram perguntados sobre se também estavam protestando contra o escândalo das emendas parlamentares na Assembléia Legislativa de São Paulo. Apesar de o entrevistador ter percebido que um dos entrevistados se fez de desentendido, os outros seis pareceram sinceros ao declararem que não sabiam de nada sobre esse escândalo, o que pode ser explicado pela discretíssima e rara cobertura do assunto pela imprensa.

Para quem não sabe, aliás, explica-se que há três meses o deputado estadual Roque Barbiere (PTB-SP) denunciou que ao menos “um terço” dos deputados estaduais paulistas “venderiam” a “prefeitos e empresas privadas” as emendas parlamentares ao Orçamento que os governos tucanos do Estado há muito distribuem a aliados e até a um pequeno contingente de deputados “de oposição” que fontes da AL informaram ao blog (na semana passada) que são tão governistas quanto os deputados assumidamente da base do governo.

Por conta disso, a base de apoio do governo Alckmin na AL-SP está conseguindo enterrar mais esse escândalo. Na última quinta-feira, os deputados governistas conseguiram derrubar, por seis votos a dois, o funcionamento do Conselho de Ética. Segundo um funcionário da AL (que preferiu não se identificar) ouvido pelo blog no último sábado, sem uma divulgação da imprensa igual à que é feita em relação a ministros do governo Dilma investigação relevante e profunda alguma ocorrerá, como nenhuma ocorre há muito tempo em São Paulo.

A explicação que esses veículos dão em off (através de alguns de seus jornalistas que freqüentam redes sociais como Twitter ou Facebook e entram em debates com quem questiona a omissão da imprensa nos escândalos tucanos) é a de que são escândalos “regionais” e que, por isso, receberiam cobertura tão “diferenciada”, um claro eufemismo para cobertura omissa porque, a bem dos fatos, não há, em relação ao PSDB, o jornalismo “investigativo” que chega a tentar invadir domicílios em busca de “provas” contra pessoas ligadas ao governo federal.

A cobertura e fiscalização pífias da imprensa em relação ao comportamento da oposição ao governo Dilma nos Estados em que essa oposição é governo – como em São Paulo ou em Minas Gerais – se dá sob o argumento de que seriam assuntos “regionais”. Todavia, tal falácia pode ser facimente desmontada meramente lembrando o que era feito pela imprensa quando a petista Marta Suplicy ou a ex-petista Luiza Erundina governaram a capital paulista. Então, críticas e denúncias ganhavam manchetes quase diárias nos jornais supracitados e nos telejornais de alcance nacional.

A imprensa, por essa razão, não investiga o escândalo das emendas parlamentares em São Paulo, um escândalo que lança suspeitas sobre os governos tucanos que se encastelaram no poder desse Estado há quase vinte anos, suspeitas comparáveis às que desencadearam o escândalo do mensalão federal porque insinuam que os governos tucanos paulistas subornam deputados para obterem deles favores em votações na Assembléia Legislativa.

À diferença das matérias investigativas que veículos como Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e a revista Veja passaram a fazer todos os meses contra o governo federal desde o começo do governo Lula e que neste ano ganharam uma intensidade nunca vista em anos anteriores, com trabalhos de investigação se sobrepondo em várias frentes simultâneas, nenhuma das matérias sobre o governo de São Paulo, na última década, partiu da imprensa brasileira, mas, sim, da repercussão de denúncias antigas que circulam entre os aliados do governo federal ou da repercussão de investigações no exterior.

O caso Alstom é um exemplo. Contém denúncias sobre propina que teria sido paga pela empresa francesa Alstom a vários políticos do PSDB, entre eles o ex-governador Mario Covas, já falecido, e o atual governador de São Paulo, Geraldo Alkmin. As raras matérias que saíram na imprensa brasileira foram “chupadas” da mídia internacional, de veículos como Wall Street Journal e Der Spiegel, entre outros. A imprensa brasileira mesma, não investiga nada sobre esse caso.

Todavia, é um caso gravíssimo. Trata-se de escândalo que envolve muitos milhões de dólares e que tem alcance internacional. Fora do Brasil, as notícias correm soltas. O assunto é tão sério que está sendo investigado pelo ministério público da Suíça, onde estão arrolados os nomes dos políticos tucanos aqui citados e de outros brasileiros envolvidos.

De acordo com o que consta em documentos enviados ao Ministério da Justiça do Brasil pelo ministério público da Suíça, no período que vai de 1998 a 2001 pelo menos 34 milhões de francos franceses teriam sido pagos em propinas a autoridades do governo do Estado de São Paulo através de empresas offshore (empresas criadas em paraísos fiscais, onde gozam de sigilo de suas contas bancárias que dificulta investigações).

Segundo o ministério público suíço, os pagamentos teriam sido feitos utilizando-se do esquema de contratos de “consultoria de fachada”. O valor das “comissões” supostamente pagas pela Alstom em troca da assinatura de contratos pelo governo de São Paulo chegaria a aproximadamente R$ 13,5 milhões. Segundo o Ministério Público da Suíça, pelo cruzamento de informações esses trabalhos de “consultoria” foram considerados como sendo fictícios.

No período de negociação e da assinatura dos contratos de consultoria estava à frente da Secretaria de Energia de São Paulo o então genro do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, David Zylbersztajn, que deixou o cargo em janeiro de 1998 ao assumir a direção geral da Agência Nacional do Petróleo. O atual secretário de Coordenação das Subprefeituras da cidade de São Paulo, Andrea Matarazzo, que ocupou a secretaria por alguns meses, e o atual secretário estadual dos Transportes, Mauro Arce, também estão envolvidos.

Para que se tenha uma idéia da enormidade do caso e para que se possa mensurar a enormidade da minimização que a imprensa brasileira faz dele, o TCE (Tribunal de Contas do Estado) julgou irregular uma compra de 12 trens da Alstom no valor de R$ 223,5 milhões feita sem licitação pela CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), empresa do governo de São Paulo. O contrato foi assinado em 28 de dezembro de 2005, no governo de Geraldo Alckmin.

Pergunta: você se lembra, leitor, de quando foi a última vez que recebeu uma única notícia da grande imprensa sobre esse caso?

O caso Alstom é apenas um dos muitos casos de corrupção que pesam sobre o partido que há quase duas décadas governa o segundo orçamento da União, o de São Paulo, que, como se sabe, é maior do que os orçamentos da maioria dos países da América Latina. Imagine o leitor o que faria a imprensa brasileira se houvesse um escândalo internacional contra o PT.

A imprensa daria ajuda inestimável ao ministério público suíço usando contra o PSDB esse “jornalismo investigativo” que descobre “provas” contra petistas e aliados toda semana. Contudo, é escandaloso o total desinteresse da imprensa brasileira sobre qualquer pedido de CPI entre as dezenas deles que hibernam nas gavetas da Assembléia Legislativa de São Paulo, que, agora se sabe, vem sendo banhada pelos impostos dos paulistas que acabam escorrendo para o setor privado através de nada mais, nada menos do que… ONGs.

É possível concluir, então, que a única forma de os governos federal, estadual e municipal serem fiscalizados pela imprensa é sendo governos petistas, pois só estes são alvos de investigação da imprensa. Essas campanhas “jornalísticas” contra ministros, com manchetes de capa e de primeira página tomando os telejornais todos os dias e com a Justiça sendo célere, só ocorrem desse jeito. Votar no PSDB, portanto, significa conceder a políticos uma espécie de licença para roubar sob as barbas da imprensa e da Justiça.

Fonte: blog da cidadania

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O rei da libelu posto a nu!

Prezado Reinaldo,

Na qualidade de seu leitor, noto que você, a cada dia, tem se superado. A crítica é bem vinda e necessária à democracia, por isso vou fazer a crítica da sua crítica. Ocorre que você agora é um idealista, como um ex-comunista confesso, um renegado da pior espécie, pois afirma ter sido da Convergência Socialista, um tipinho empertigado da Libelu – Liberdade e Luta. Aqueles chatos do assembleísmo, dono da verdade que continua sendo, nos seus escritos, bem escritos, mas sem dialética, posto que contraditórios, sem usar o argumento da contradição, na busca da síntese que cala o interlocutor.

Segundo você, no seu estilo "maricas", que se vangloria de ter lutado contra a repressão até no CRUSP, "enfrentou" a ditadura e agora a democracia, revela-se um falso forte. O grande articulista está merecendo um bom corretivo intelectual, com fogo com o qual se combate o fogo de um renegado "trotskista de mierda". Isso mesmo, pois disso posso falar de boca cheia, uma vez que fui, em 1967, presidente do Centro Acadêmico da Geologia, o Cepege, sem nunca ter sido militante de partido político algum. Agora, já passou o limite do racional obrigando alguém dizer abertamente: você é um jornalista que acha que é o dono da verdade, quando não passa de um "papa hóstia maldoso". Não quero ofender os crentes de boa fé.

Ninguém pode admitir os erros, a bandidagem e a roubalheira que de tão comuns os honestos se envergonham e nisso concordo com o que você possa encontrar e denunciar, sempre.

No caso do MEC, num País no qual a educação era proibida, quem podia estudava fora, depois começou religiosa e apenas na República tornou-se laica, hoje é dividida, como a sociedade, entre o ensino público e o particular, quando há muito interesse em jogo. A USP que, em 1934, com a criação da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras - FFCL, reunindo o saber universal, foi de fato nossa primeira Universidade e continua sendo a melhor, que você, nobre jornalista, não os alunos, eventuais “maconheiros” – usuários da erva que vocês da esquerda festiva da Libelu, certamente, ajudaram a introduzir nos campi, quer destruir com sua crítica maldosa. A quem interessa? No caso do ENEM, sem dúvida ao particular da indústria do vestibular, que vai se acabar sem os rendosos cursinhos, quando o ENEM ocupar de fato seu propósito, como o vem fazendo no papel de seleção nacional, o maior projeto educacional do mundo. Os erros denunciados em 2010 não foram tão graves, ainda que verdadeiros, tanto que não tiraram o sucesso do ENEM. O deste ano pela denúncia pífia e exagerada pela mídia e pessoas de seu calibre, quando de críticos a serviço de cursinhos que correm o risco de perderem a função. Num universo de cinco milhões de estudantes inscritos houve problema, o "vazamento" em apenas 639 candidatos de uma mesma escola particular. Um “professor” teria vazado, indiretamente, aos seus alunos, sem tirar o brilho do exame, mostra a importância do ENEM. Pois, por amostragem e estatística, poderia ser superior e ainda haver êxito. A deficiência do nosso sistema de ensino, não do ENEM, foi o elevado número de ausentes nas provas, que não está sendo bem cobrado. Do total de cinco milhões e pico de inscritos, apenas quatro milhões participaram, ou seja, 30% de ausentes. Qual o motivo de alguém fazer a inscrição e não comparecer? Isso é grave se eram estudantes aptos, além dos que poderiam tê-lo feito e não se inscreveram. Tampouco é reconhecido o seu custo elevado, da ordem de R$ 300 milhões, em função do grande número de participantes e do constante acréscimo da segurança. Lembro que o INEP é dispensado de licitação por ser órgão público. Mas não sou eu a pessoa indicada para defender o Ministro da Educação e vou defender o meu amigo Fernando Haddad, intelectual, como nós dois, vá lá que também o sejamos.

Você deveria calar a boca e parar de dizer besteira, com aquilo que mostrarei, antes de fuzilá-lo, com duras palavras. Como você debocha, erroneamente, há total diferença entre o que o professor Fernando Haddad justificou numa entrevista, por comparação, de maneira didática que qualquer intelectual entende: estavam criticando um livro sem lê-lo. Obrigação que até nisso diferiam os dois ditadores. Ou seja, Stalin – que na verdade não lia nada – lia os livros dos autores antes de mandá-los fuzilar, coisa que Hitler nem isso fazia para avaliar um “crime” intelectual! Haddad usou deste silogismo, quando aqueles que ignoravam o livro da professora, passaram a criticá-lo sem saber que o texto não ensinava a escrever errado, mas sim dava exemplos da língua viva e ocasiões ou mesmo regiões, em que e onde a língua falada faz a escrita.

No tocante à boa música, bom exemplo é o do nosso inesquecível Adoniran Barbosa, da “Saudosa Maloca” e do “Samba do Arnesto”, com sua criativa fala atravessada “errada”. Há quem defenda, com propriedade, que deveríamos escrever igual à fala! Nesta linha, eu modestamente, sendo do interior paulista igual a você, escrevi um livreto, ainda no prelo, usando a linguagem do dialeto caipira que conheço bem, no qual coloco toda a maldade do mundo na boca do matuto: “A pedra milagrosa, na filosofia caipira”.

Quem conhece os dialetos da nossa rica língua portuguesa, tantos, quando pessoa culta admira-se com a criatividade e a gramática caipira. Mistura do tupi-guarani, do português arcaico, do imigrante italiano e da fala dos escravos africanos, na forma simplificada, escrita tal e qual se fala.

Por todos os motivos lógicos, jamais o MEC propôs ensinar o estudante a escrever errado com aquele livro, como você e outros jornalistas e falsos intelectuais dão a entender. Sua sabedoria, Reinaldo, não é infalível e vai beber do seu próprio veneno. O sábio deveria ter “lido” o livro de Haddad e entendido, antes de fuzilá-lo e criticá-lo sem conhecimento da causa que cedo você abandonou, pois caso tivesse captado a mensagem nele contida teria gostado, não do “stalinista”, com quem ele não pode ser confundido, por você, ex-trotskista, que obrigatoriamente deve ter lido desde Karl Marx, Lênin e até ao menos seu ícone Leon Trotsky, por isso deve saber ao menos um pouquinho, ainda, dos precursores do "materialismo dialético" e dos seus sucessores e epígonos, com suas diversas escolas.

Haddad é membro do grupo dos pesquisadores e estudiosos da Escola de Frankfurt, particularmente de Habermas, com o qual neste trabalho diverge e completa a função da linguagem. Dito isso cale a boca, pois o livro de Fernando Haddad foi bem recebido pela crítica especializada. “Trabalho e Linguagem” recupera, se não sabe, que o trabalho fez o homem, a mulher também, que nele se fazem e se alienam, produzindo mercadorias que não lhes pertencem e tomam vida própria, como se roubassem incorporando a alma mortal do produtor e, por isso, se alienam igual a você, que acredita num ser supremo.

Em vez de por os pés no chão, que irá consumi-lo algum dia, eu espero que daqui a muito tempo, para poder pagar, em vida, seus pecados mortais, quando é injusto com pessoas de bem.

A par do trabalho, a linguagem, na medida em que permite o pensamento e a fala, com a comunicação, disputa a construção do ser humano, mesmo que não seja racional. Estamos na era da comunicação. O “macaco” para se tornar humano teve que, além de virar o polegar de lado, para ter o poder de pega e construir as coisas e mudar o mundo, engolir literalmente a língua para dentro da boca e criar nervos de aço, com cordas vocais. Por isso a linguagem escrita e falada é uma arma ao alcance de poucos e daquilo que não se sabe, Reinaldo, é melhor se calar, ou usar mal essa arma letal, igual ao dinheiro, que na sua mão e de outros, tira a alma mortal de pessoas honradas.

Ademais, o livro em pauta, do professor Fernando Haddad, não foi publicado quando da queda do sistema soviético, mas editado pela Azougue Editorial, em 2004, repito seu maldoso, apenas em 2004. No seu lançamento, na Livraria Cultura, eu estive presente e o autor nem pode comparecer devido a compromissos no Ministério da Educação, que havia recém ocupado. Você não tem vergonha? Basta de enganação! Errou até na data do livro que foi de fato publicado depois da queda do muro de Berlim e da derrocada das repúblicas socialistas, seu alvo preferido, pois vá lá e veja, se seu assistente revisor não remendou. Eu não tenho revisor, por isso não me acuse de imbecil, como faz com todos, se ao teclar este texto num curto espaço e tempo deixei passar algum erro. Já o sabichão, que abusa da erudição, escreveu com todas as letras e ideia com acento que não tem mais:

“Fernando Gugu-dadá Haddad é um homem de ideias bastante originais. Pouco antes de a União Soviética ir para o vinagre, ele escreveu um livro chamado “Trabalho e Linguagem - Para a Renovação do Socialismo”. Escrevi um post a respeito deste seu magnífico texto no dia 2 de julho de 2007. Faz tempo que me ocupo de seu pensamento profundo. Ali, o valente afirma: “O sistema soviético não tinha nada de reacionário. Trata-se de uma manifestação absolutamente moderna frente à expansão do capital.” Excelente! Dá para notar a matéria de que é feito o bruto”.

Cala-te boca maldita, verdadeira pena a serviço das forças reacionárias, do ensino privado e do poder do dinheiro, sem respeitar o direito de igualdade e a liberdade dos outros. Mas, me desculpe pelas duras palavras que me obriga a usar, como se fossem as pancadas do meu martelo de geólogo, para dar um chega para lá no recalcado e mostrar que você, Reinaldo Azevedo, sim joga bruto, e precisa ser lapidado, qual um diamante, posto que seja um comunista arrependido, igual ao “jacu”, tipo novo rico caipira que sai do mato, mas o mato não sai dele. Comunista confesso, pior, da Libelu, dos 17 aos 21 anos, idade já madura, sem poder alegar e justificar ter sido enganado. Mudar é um direito ou necessidade, se for para melhor, mas o “pentelho” da Libelu saiu da esquerda materialista e caiu na direita idealista, uma involução no pensamento filosófico. Saiu de Marx e voltou ao Hegel! Esse é o verdadeiro Idealismo Alemão, não o chiste que o detrator faz com o Morro do Alemão!

Veja a crise que o capital, o capitalismo, está novamente vivendo, talvez a pior desde o começo, na Revolução Industrial, para enxergar que Karl Marx está vivo, de tal maneira que todo meio científico voltou a estudar sua obra para, com facilidade, entender o que está acontecendo na economia e política global, conforme previsto em “O Capital”. Até Delfim Neto, que nunca teve nada de marxista, deu de citar e usar Karl Marx a torto e a direito, tal qual um pensador da esquerda, tipo marxista ortodoxo.

Caso você não publique esta mensagem, vou colocar em algum local público, nem que seja numa privada, como antigamente faziam, com a mensagem: “Reinaldo é um alienado, um Libelu frustrado!”. Desculpe o mau jeito, mas você está precisando, atenciosamente e um abraço de ex-companheiro Everaldo Gonçalves.

Texto de Everaldo Gonçalves é geólogo, ex-professor da USP e da UFMG e foi presidente da CPFL – Cia. Paulista de Força e Luz

Fonte: http://brasil247.com.br/pt/247/midiatech/21494/O-rei-da-libelu-posto-a-nu!.htm

Maria Inês Nassif: guia de boas maneiras na política. E no jornalismo


A cultura de tentar ganhar no grito tem prevalecido sobre a boa educação e o senso de humanidade na política brasileira. E o alvo preferencial do “vale-tudo” é, em disparada, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por algo mais do que uma mera coincidência, nunca antes na história desse país um senador havia ameaçado bater no presidente da República, na tribuna do Legislativo. Nunca se tratou tão desrespeitosamente um chefe de governo. Nunca questionou-se tanto o merecimento de um presidente – e Lula, além de eleito duas vezes pelo voto direto e secreto, foi o único a terminar o mandato com popularidade maior do que quando o iniciou.

A obsessão da elite brasileira em tentar desqualificar Lula é quase patológica. E a compulsão por tentar aproveitar todos os momentos, inclusive dos mais dramáticos do ponto de vista pessoal, para fragilizá-lo, constrange quem tem um mínimo de bom senso. A campanha que se espalhou nas redes sociais pelos adversários políticos de Lula, para que ele se trate no Sistema Único de Saúde (SUS), é de um mau gosto atroz. A jornalista que o culpou, no ar, pelo câncer que o vitimou, atribuindo a doença a uma “vida desregrada”, perdeu uma grande chance de ficar calada.

Até na política as regras de boas maneiras devem prevalecer. Numa democracia, o opositor é chamado de adversário, não de inimigo (para quem não tem idade para se lembrar, na nossa ditadura militar os opositores eram “inimigos da pátria”). Essa forma de qualificar quem não pensa como você traz, implicitamente, a ideia de que a divergência e o embate político devem se limitar ao campo das ideias. Esta é a regra número um de etiqueta na política.

A segunda regra é o respeito. Uma autoridade, principalmente se se tornou autoridade pelo voto, não é simplesmente uma pessoa física. Ela é representante da maioria dos eleitores de um país, e se deve respeito à maioria. Simples assim. Lula, mesmo sem mandato, também o merece. Desrespeitar um líder tão popular é zombar do discernimento dos cidadãos que o apoiam e o seguem. Discordar pode, sempre.

A terceira regra de boas maneiras é tratar um homem público como homem público. Ele não é seu amigo nem o cara com quem se bate boca na mesa de um bar. Essa regra vale em dobro para os jornalistas: as fontes não são amigas, nem inimigas. São pessoas que estão cumprindo a sua parte num processo histórico e devem ser julgadas como tal. Não se pode fazer a cobertura política, ou uma análise política, como se fosse por uma questão pessoal. Jornalismo não deve ser uma questão pessoal. Jornalistas têm inclusive o compromisso com o relato da história para as gerações futuras. Quando se faz jornalismo com o fígado, o relato da história fica prejudicado.

A quarta regra é a civilidade. As pessoas educadas não costumam atacar sequer um inimigo numa situação tão delicada de saúde. Isso depõe contra quem ataca. E é uma péssima lição para a sociedade. Sentimentos de humanidade e solidariedade devem ser a argamassa da construção de uma sólida democracia. Os formadores de opinião tem a obrigação de disseminar esses valores.

A quinta regra é não se deixar contaminar por sentimentos menores que estão entranhados na sociedade, como o preconceito. O julgamento sobre Lula, tanto de seus opositores políticos como da imprensa tradicional, sempre foi eivado de preconceito. É inconcebível para esses setores que um operário, sem curso universitário e criado na miséria, tenha ascendido a uma posição até então apenas ocupada pelas elites. A reação de alguns jornalistas brasileiros que cobriram, no dia 27 de setembro, a solenidade em que Lula recebeu o título “honoris causa” pelo Instituto de Estudos Políticos de Paris, é uma prova tão evidente disso que se torna desnecessário outro exemplo.

No caso do jornalismo, existe uma sexta regra, que é a elegância. Faltou elegância para alguns dos meus colegas.

Fonte: Maria Inês Nassif, na Carta Maior

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Ferronorte vai escoar commodities agrícolas do Mato Grosso a partir de 2013


A expansão da Ferronorte até a cidade de Rondonópolis, no Mato Grosso, vai provocar um forte impacto econômico na região. Quando o trecho de 252 quilômetros de extensão estiver concluído em 2013, os dois novos terminais da ferrovia receberão mais 12 milhões de toneladas de carga por ano, escoando a produção de grãos do Estado até o Porto de Santos, com previsão de chegar a 17,5 milhões de toneladas em 2015.

"Inicialmente, vamos transportar grãos, especialmente de soja, mas também queremos cargas de óleo de soja, milho, algodão, madeira certificada, contêineres refrigerados e derivados de petróleo. Tudo vai depender da demanda futura", afirma Thiago Trevisan, gerente de Infraestrutura de Projetos da América Latina Logística (ALL), concessionária da ferrovia.

O custo total do projeto é de R$ 750 milhões, sem contar a construção dos terminais de Rondonópolis e Itiquira, sendo 90% financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A obra é dividida em três trechos. O primeiro, de apenas 13 quilômetros, já está concluído. O segundo, em andamento, possui 163 quilômetros de extensão e o último terá mais 76 quilômetros de trilhos. Para minimizar impactos ambientais da obra, a ALL implementou programas para controlar erosão, garantir a qualidade das águas e zelar pelas áreas úmidas, além de monitorar a fauna da região e recompor áreas degradadas.

Ao todo, 112 quilômetros já foram concluídos até o Terminal de Itiquira, onde as obras estão em fase de acabamento. Duas pontes, de 120 e 380 metros, foram construídas nessa fase do projeto, que consumiu mais de 190 mil dormentes, 16 mil toneladas de trilhos e aproximadamente 340 mil metros cúbicos de pedras. O terminal, por sua vez, terá aproximadamente seis quilômetros de extensão, com uma área de quase 70 hectares e deve receber mais 2,5 milhões de toneladas por ano de carga quando o trecho entrar em operação.

"Estamos aguardando o licenciamento do Ibama e a autorização daAgência Nacional de Transportes Terrestres para começar a operar esse trecho até o fim do ano", conta Trevisan.

Já o terminal de Rondonópolis deve se converter em um Complexo Intermodal, que segundo a ALL será o maior do país. Trata-se de um gigante de 400 hectares, com uma estrutura moderna de carga e descarga ferroviária. "Teremos capacidade para abastecer simultaneamente dois trens, com cargas diferentes, em até seis horas, num total de 120 vagões", diz Trevisan. "Será um ganho de produtividade enorme."

O projeto atrai importantes players do agronegócio, como o Noble Group, trading de commodities que já definiu uma área no Complexo de Rondonópolis para implantar uma indústria de biodiesel.

Além disso, o projeto prevê a implantação de uma área de serviços com 230 mil metros quadrados para atender os caminhoneiros e a população local. O complexo contará com shopping, banco, farmácia, supermercados, hotel, restaurante e posto de combustível e estrutura para receber até 1,5 mil caminhões por dia. Ao todo, a estrutura de expansão da Ferronorte vai gerar 3,5 mil empregos na região quando a obra estiver concluída.

Para Peter Wanke, coordenador do Centro de Estudos de Logística do Coppead, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a expansão da Ferronorte é um grande negócio para a ALL. "Com a perda de fôlego da Malha Sul, provocada pela redução no ritmo de crescimento da indústria, a empresa recupera terreno na Malha Norte, refletindo um movimento de especialização da economia brasileira em commodities", observa. Wanke acredita que a expansão da Ferronorte também estende ainda mais a área de influência do Porto de Santos. "Isso vai aumentar ainda mais o papel já hipertrofiado de Santos na logística do país", diz.

domingo, 30 de outubro de 2011

Hipocrisia da grande Mídia



O Ministério Público de São Paulo pedirá à justiça o afastamento do presidente do Metrô de São Paulo, Sérgio Avelleda, por superfaturamento de R$ 327 milhões em uma licitação de um lote de obras.

O metrô de São Paulo é uma estatal do governo paulista, há anos sob governos tucanos, atualmente nas mãos de Geraldo Alckmin (PSDB/SP).

A investigação do Ministério Público está na fase final, e um parecer técnico feito por uma perita avaliou o processo de licitação e conclui: "caso tivessem sido consideradas as propostas relativas aos menores preços, a economia do Metrô teria sido de R$ 326.915.754,40. Isso porque o Metrô não optou pelos preços menores oferecidos por uma construtora, que já tinha vencido uma das licitações".

Cronologia da corrupção tucana:

- Janeiro de 2009: um documento é registrado em cartório constando quem seriam os vencedores da licitação para concorrência dos lotes 3 a 8, com conhecimento do jornal Folha de São Paulo (PIG/SP), segundo informa o portal G1 da TV Globo. O governador tucano era José Serra (PSDB/SP) nesta época.

- Junho de 2009: o Metrô anunciou o vencedor do primeiro lote e as obras foram iniciadas; O governador tucano era Alberto Goldman

- Outubro de 2010: o jornalão divulgou o documento registrado em janeiro de 2009. Goldman, constrangido, suspendeu as obras e pediu uma investigação.

- Junho de 2011: as obras foram retomadas e os contratos, mantidos. O governador tucano é Geraldo Alckmin.

Por que a Folha demorou 1 ano e 4 meses para divulgar?

A corrupção parece não ser apenas do Metrô, e joga a própria Folha no rol de suspeitos. O G1 diz que o jornal sabia desde janeiro de 2009. Então que interesses escusos levaram a não publicar logo após o resultado da licitação em junho de 2009?

Porque só publicar em outubro de 2010?

O silêncio do jornal por longos 16 meses é algo inexplicável.

Algum interesse financeiro?

Algum interesse no calendário eleitoral?

sábado, 29 de outubro de 2011

PSDB cobra 25% de propina em Alagoas

MACEIÓ (AL) _ Cadê as provas? Toda vez que aparece uma denúncia de corrupção, a primeira providência do acusado é cobrar as provas do crime. Como ninguém costuma passar recibo registrado em cartório e com firma reconhecida para dar quitação da propina, na maioria dos casos não acontece nada e a maracutaia continua.

Pois aqui em Maceió, onde estou participando da V Bienal Internacional do livro de Alagoas, a Polícia Federal está investigando as provas de que o governo do PSDB cobrou 25% de propina para pagar uma dívida de R$ 3,3 milhões com o Banco Panamericano, a 60 dias das eleições de 2010, em que o governador Teotonio Vilela Filho foi reeleito.

"Wilson, na reunião realizada ontem a pedido do governo de Alagoas, o Dr. Luiz Otávio Gomes, Secretário de Estado, ratificou que a única forma de liquidarem o débito é efetuar o pagamento na forma abaixo, ou seja, retorno de 25% sobre o principal e devolução integral da correção monetária", diz um dos e-mails apreendidos pela PF, enviado por Luiz Carlos Parandin a Wilson Roberto de Aro, ambos dirigentes do Panamericano época em que o banco de Silvio sSantos quebrou, deixando um rombo de 4,3 bilhões de reais.

Comentário do analista da Polícia Federal que consta do inquérito: "(...e uma taxa chamada "RETORNO" que deverá ser paga pelo banco a cada repasse do governo alagoano na forma de doação de campanha para o PSDB mediante recibo ou emissão de nota fiscal por empresa que será indicada pelo secretário".

O nome de Luiz Otávio Gomes, secretário de Planejamento e Desenvolvimento Econômico do Estado, chamado por aqui de "super-secretário" é citado várias vezes na troca de correspondências que fazem parte do inquérito da Polícia Federal aberto por determinação do juiz Douglas Camarinha,da 6ª Vara Criminal da Justiça Federal.

O superintendente da PF em Alagoas, delegado Amaro Vieira, informou à "Gazeta de Alagoas", o jornal da família Collor de Mello, que, se houver necessidade, o governador Teotonio Vilela Filho poderá ser chamado para prestar depoimento.

No acerto feito entre o governo e o banco para o pagamento da dívida de R$ 3,3 milhões em quatro parcelas, o PSDB ficaria com uma taxa de retorno de 25% sob a rubrica "doação, no total de R$ 678,5 mil destinados ao "caixa dois" do partido que deveria ser repassado em espécie, ou seja, em grana viva.

O objetivo do inquérito da PF é investigar "provável ocorrência de corrupção passiva e ativa". Não é o único caso que está dando trabalho para a PF em Alagoas, "quase sempre em primeiro lugar no Brasil nos piores índices de desenvolvimento social", como registra o jornal dos Collor. Dos 102 municíos do Estado, há investigações em curso em 91 deles _ 50 novos inquéritos foram abertos este ano.


texto de Ricardo Kotscho
Fonte: blogbalaiodokotscho