sábado, 14 de janeiro de 2012

Guerra dos EUA e Israel contra o Irã já começou, avaliam especialistas



Especialistas militares avaliaram, nesta quinta-feira, que a guerra entre o Irã e os EUA já começou, a julgar pelo movimento de tropas na região e os últimos acontecimentos no cenário montado pelas nações ocidentais no Golfo Pérsico.

Fontes ouvidas pela agência espanhola de notícias RicTV atestam que, agora, “é apenas uma questão de horas para o início do conflito armado”. A morte do cientista iraniano em um atentado foi, segundo analistas, um ponto decisivo para o agravamento do quadro de confronto entre as forças norte-americanas, israelenses e do Irã.

A morte de Mostafa Ahmadi Roshan, de 32 anos, engenheiro nuclear iraniano, em um atentado a bomba, nesta quarta-feira, provocou uma onda de revolta em Teerã contra Israel, o principal suspeito, e contra os Estados Unidos, que afirmaram não ter qualquer ligação com o atentado. A edição desta quinta-feira dos principais jornais iranianos pede represálias imediatas contra ambos os países.

“Sob a lei internacional é legal executar represálias com o assassinato do cientista nuclear”, afirma o jornal iraniano Keyhan, em um editorial. “A República Islâmica conquistou muita experiência em 32 anos. Portanto, é possível assassinar autoridades e militares israelenses”, completa o texto. O assassinato domina o noticiário naquele país e muitos criticaram o que chamaram de silêncio do Ocidente sobre as mortes. Os jornais mais radicais pedem, inclusive, uma ação secreta contra Israel.

Ainda prudente em seus pronunciamentos, o governo iraniano disfarça a irritação com o episódio mas garante que obteve provas de que “interesses estrangeiros” estavam por trás da morte do cientista Roshan, subdiretor da central de enriquecimento de urânio de Natanz. Ele morreu quando dois homens, em uma motocicleta, pararam ao lado do automóvel do cientista, retido em um engarrafamento em Teerã, e colocaram uma bomba magnética na porta, após o que se ouviu uma forte explosão.

A bomba também matou o motorista e o segurança de Ahmadi Roshan, enquanto um terceiro ocupante do carro, um modelo Peugeot 405, ficou ferido. O ataque foi similar a outros quatro que aconteceram em Teerã nos últimos dois anos. Três cientistas, incluindo dois que também trabalhavam no programa nuclear iraniano, morreram, enquanto outro – que agora dirige a Agência de Energia Atômica do Irã – escapou por pouco tempo de um atentado.

Capitalismo em declínio
Pomo da discórdia entre o Irã, Israel e os EUA, a energia nuclear foi o tema central dos pronunciamentos realizados em Havana, na noite passada, durante a recepção ao presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad promovida pelo presidente cubano, Raúl Castro. Ambos defenderam o direito de todos os países ao uso pacífico da energia nuclear, no clímax da escalada militar em curso na região do Golfo Pérsico.

Os dois governantes “ratificaram o compromisso dos dois países na defesa da paz, do direito internacional e dos princípios da Carta das Nações Unidas, assim como do direito de todos os Estados ao uso pacífico da energia nuclear”, afirma um comunicado oficial.

O apoio cubano ao programa nuclear iraniano foi anunciado na mesma semana em que os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Nicarágua, Daniel Ortega, fizeram o mesmo. De acordo com a nota oficial, durante o encontro no Palácio da Revolução de Havana, Raúl Castro e Ahmadinejad conversaram sobre “o excelente estado das relações bilaterais e temas do âmbito internacional”.

– Estamos observando que o sistema capitalista está em decadência, em diferentes cenários, como em um beco sem saída, e é necessária uma nova ordem, uma nova visão, que respeite todos os seres humanos, um pensamento baseado na justiça. Quando já lhe falta lógica recorrem às armas para matar e destruir. Hoje em dia a única opção que restou ao sistema capitalista é matar – disse Ahmadinejad, em uma conferência na Universidade de Havana, onde recebeu o título Doutor Honoris Causa em Ciências Políticas.

Ahmadinejad reivindicou uma nova ordem mundial baseada na justiça e que respeite todos os seres humanos e encorajou Cuba e seus universitários a trabalharem ao lado de seu país para criá-la.
– Temos que estar alertas. Se nós não planejamos a nova ordem no mundo, serão os herdeiros dos donos de escravos e os capitalistas a controlar e impor o novo sistema – afirmou.

Questão de horas
Enquanto Ahmadinejad se movimenta pela América Latina, em busca de uma sólida aliança com países socialistas da região, o porta-aviões da classe Nimitz, modernizado e com armas mais letais se posiciona próximo ao Estreito de Ormuz. Nos últimos dias, os EUA trasladaram um grupo de militares especializados em desembarque e um batalhão inteiro de marines.

A tropa segue embarcada nos navios anfíbios Makin Island, New Orleans e Pearl Harbor. Soma-se à força naval uma esquadrilha reforçada de helicópteros e um batalhão de retaguarda. As informações foram divulgadas, nesta manhã, pela RicTV.

A agência acrescenta que o serviço de comunicações da Armada norte-americana comunicou que a principal função do novo grupo de combate, encabeçado pelo super porta-aviões é apoiar o exército em suas operações no Afeganistão e participar de manobras internacionais na região.

Especialistas ouvidos, no entanto, advertem que o aumento no número de embarcações dos EUA nas costas do Irã é um fator marcante para o aumento da tensão entre os dois países, com desfecho previsto em questão de horas. Fernando Bazán, um dos analistas internacionais, em entrevista aos jornalistas, aponta a escalada do poderio armamentista dos EUA no Mar Arábico.

– De um lado, Washington envia cada vez mais navios de guerra para a região por sua preocupação com o avanço da produção nuclear iraniana, ainda mais depois que Teerã confirmou a produção de urânio enriquecido a 20% em uma instalação subterrânea. De outra parte, o Irã é um dos países mais importantes na política regional e pode influir na maioria dos processos em curso no Oriente Médio, com apoio aos grupos xiitas – afirmou Bazán.

Além do USS Nimitz, o vespeiro em que se encontra o Estreito de Ormuz contará, nos próximos dias, com a presença de um grupo de combate da V Frota Marítima, encabeçado pelo porta-aviões Carl Vinson, com aeronaves a bordo. Estes equipamentos se somam a um outro grupo de navios de guerra estacionado na região desde dezembro último. Estas belonaves já haviam passado pelo Estreito de Ormuz, na divisa entre o Mar de Omán e o Golfo de Áden, por onde circulam 40% do tráfego mundial de petróleo.

Fonte:http://correiodobrasil.com.br

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

País gasta muito com seguro-desemprego

O Brasil é o único país no mundo em que o emprego cresce e as despesas com seguro-desemprego disparam. O paradoxo decorre de instituições de má qualidade no campo do trabalho. Explico-me.

Para fazer jus ao seguro-desemprego, o empregado precisa ter trabalhado pelo menos seis meses com registro em carteira. Para poder sacar os recursos depositados no FGTS, o empregado necessita completar um ano de serviço, desde que dispensado sem justa causa.

Vejamos o que ocorre com um empregado que ganha R$ 1 mil por mês e que completa um ano na mesma empresa. As estimativas a seguir são feitas com aproximações e sem considerar os descontos de lei.

Se ele for dispensado sem justa causa, terá acumulado R$ 1.040 na sua conta do FGTS (inclusive a parcela do 13.º salário). No caso de ser desligado da empresa sem justa causa, sacará esse montante e receberá R$ 400 a título de indenização de dispensa, perfazendo R$ 1.440. Além do salário do mês, como parte das verbas rescisórias, ele terá direito a R$ 1 mil de 13.º salário e R$ 1.333 a título de férias e abono, o que no agregado soma R$ 3.773. Uma vez despedido, ele receberá quatro parcelas no valor de R$ 763,29 a título de seguro-desemprego, ou seja, R$ 3.053,16. Em resumo: para viver nestes quatro meses, o empregado em tela disporá de R$ 6.826, o que dá uma média mensal de R$ 1.706, ou seja, 70% a mais do que ganhava quando estava trabalhando.

Até aqui foi tudo legal. Mas, com a atual falta de mão de obra, o referido trabalhador pode se reempregar com facilidade. Para não perder o benefício do seguro-desemprego, muitos procuram um emprego informal. Digamos que o protagonista do exemplo consiga ganhar R$ 1 mil nessa atividade, ou seja, R$ 4 mil durante os quatro meses. O ganho total no período subirá para R$ 10.826, que dá uma média de R$ 2.706 mensais! Além disso, há o abono salarial.

Numa realidade desse tipo, não é à toa que tanta gente utilize esses expedientes. Isso ocorre principalmente entre os empregados de baixa renda. Os dados mostram que, em 2010, 85% dos saques do FGTS foram feitos em contas cujo saldo médio era de apenas R$ 1 mil (tendo totalizado R$ 12 bilhões). Para quem ganha R$ 1 mil por mês, um acréscimo de renda de 170% é de extrema valia.

É assim que se explica por que os pedidos de seguro-desemprego aumentam numa hora em que (ainda) são abundantes as oportunidades de emprego. As despesas explodem. O pagamento do seguro-desemprego e do abono salarial consumiu em 2011 cerca de R$ 32 bilhões - quase 20% acima do que se gastou em 2010.

Uma parte do estouro das despesas foi devida à elevação do salário mínimo em 2011. E o que ocorrerá em 2012? O salário mínimo será de R$ 622 mensais - um aumento de 14% em relação a 2010. O governo que se prepare. As despesas com seguro-desemprego e abono salarial explodirão.

Mas essa é só uma parte da história. A outra, de maior impacto, vem da combinação das estratégias acima descritas e ganha força num mercado de trabalho aquecido. A rotatividade aumenta porque muitos empregados "provocam" sua demissão (sem justa causa) e entram na ciranda das benesses.

Esse é um bom exemplo de como más instituições induzem a perigosas distorções. Está na hora de fazer uma boa revisão das leis que dão suporte a essas manobras. A exigência de aceitar um emprego oferecido pelo Ministério do Trabalho (criada em setembro de 2010) é uma boa medida, mas ainda é tímida. Uma reforma de profundidade exige a combinação do seguro-desemprego e do FGTS com programas de treinamento e com a própria aposentadoria. Mas esse é um assunto complexo que fica para outra oportunidade. Ademais, os recursos do FGTS pertencem aos trabalhadores, que já vêm sendo expropriados por uma taxa de juros ridícula, e a eles cabe a primeira palavra.

Texto de José Pastore - presidente do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da FecomercioSP

Artigo publicado no jornal O Estado de S.Paulo pág. B2 03/01/2012

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

PM quis se antecipar à ação da PF na Cracolândia

O cronograma traçado pelo governo federal para ser discutido com o Estado e a cidade de São Paulo previa o começo das ações policiais na cracolândia apenas em abril. A proposta era começar o ano fortalecendo serviços de retaguarda nas áreas desaúde e proteção social e inaugurar os consultórios de rua em fevereiro. Só depois seriam instaladas bases móveis da Polícia Militar em locais com alta concentração de consumidores de drogas e iniciado o policiamento ostensivo na região, com monitoramento das ruas por câmeras. Em maio, o policiamento dessas áreas ganharia apoio de equipes de ronda ostensiva - no caso de São Paulo, a Rota.

O cronograma ao qual o Estado teve acesso - e que está sendo coordenado pela Casa Civil do governo federal - prevê uma série de intervenções em cracolândias ainda neste semestre em seis capitais brasileiras: além de São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Salvador, Distrito Federal e Porto Alegre. Mas a antecipação da intervenção no centro paulistano para janeiro acabou prejudicando o diálogo com a União, que deveria ser intensificado neste mês.

Uma das ações dificultadas pela ocupação da PM na cracolândia foi, por exemplo, o mapeamento pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) dos mais de cem pontos de consumo de crack em São Paulo - chamados no estudo de "cenas do crack". Os 12 pesquisadores da entidade - que estão conversando com usuários para identificar necessidades de tratamento e equipamentos públicos - enfrentam problemas por causa da migração de dependentes pela região central. O plano do governo federal previa ainda estratégias para o caso de dispersão de consumidores, com deslocamento de bases policiais e escritórios de rua.

O detalhamento e a sequência das ações eram uma tentativa de facilitar que o pacote de R$ 4 bilhões em ações para combater o crack, divulgadas em dezembro pela presidente Dilma Rousseff, começassem rapidamente a sair do papel. Na estratégia discutida pela União, os policiais ainda têm tarefas bem detalhadas.

No caso de encontrarem uma pessoa inconsciente ou correndo risco de morte, por exemplo, devem chamar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. Caso um adulto seja flagrado com droga, deve ser encaminhado ao Distrito Policial, onde será indicada uma Unidade Básica de Saúde, Centro de Apoio Psicossocial ou Centros de Referência Especializado de Assistência Social.

A secretária de Estado da Justiça, Eloisa de Sousa Arruda, diz, no entanto, que não teve acesso a nenhum documento do governo federal com definição de datas para ações na cracolândia. Mas isso, segundo ela, não significa que Estado e União não pretendam conversar daqui para a frente. Eloisa diz que a parceria com a União já permitiu a São Paulo montar um Centro de Atendimento de Saúde Mental em Perdizes, na zona oeste. "Queremos ampliar as conversas para termos mais recursos."

A Assessoria de Comunicação do Ministério da Justiça ressaltou que constitucionalmente o governo federal não pode tomar medidas unilaterais sem que Estado e município sejam ouvidos, pois são eles que tomam as decisões locais.

Fonte;blog do Nassif por Bruno Paes Manso - O Estado de S.Paulo

E se o PMDB engolir o DEM?

Cá na província, de agora até a quarta-feira de cinzas tudo é carnaval – e se fundem prévias de troças, blocos e agremiações diversas com balões de ensaio na política. E como papel aceita tudo, qualquer especulação pode virar notícia.

Assim, como gato escaldado que tem medo de água fria, leio a notícia veiculada na Folha de S. Paulo da última quarta-feira, 5, que dá conta de entendimentos entre o PMDB e o DEM com vistas a alianças nos pleitos municipais de outubro como uma espécie antessala de uma hipotética fusão futura entre os dois partidos. Com o olhar benevolente do Planalto. O próprio vice-presidente da República, Michel Temer, estaria no comando das tratativas.

Alianças diversificadas e muitas delas surpreendentes costumam acontecer em eleições para prefeito e vereador pelo país afora. No âmbito municipal a política é furta cor: legendas aliadas em plano estadual ou federal disputam entre si o poder local, assim como se formam coligações dentre as que se digladiam. Isto reflete a complexidade da sociedade brasileira e o grau ainda insatisfatório de construção da maioria dos partidos políticos. Não há necessariamente uma coerência verticalizada no comportamento dos partidos.

Por esse ângulo, nada a estranhar na notícia da Folha. Mas chama a atenção que um dos focos das conversações seja exatamente a capital de São Paulo; e se cogite de uma futura fusão entre o partido do vice-presidente e o partido da barulhenta bancada da extrema direita. Ou, dito de modo mais preciso, a absorção do DEM pelo PMDB.

O pano de fundo dessa especulação é algo maior do que o visível raquitismo do DEM; está na fragilidade da oposição como um todo. Sem rumo, sem discurso, sem proposições alternativas à orientação adotada pelo governo federal os partidos oposicionistas quase que se limitam a replicar o que se publica na grande mídia, esta sim convertida em força organizada de combate ao governo. De tal sorte que o trio PSDB, DEM e PPS, abatido em anemia crônica, tende a se enfraquecer mais ainda.

Bom ou ruim? À primeira vista a absorção do DEM poderia favorecer o governo da presidenta Dilma, premiada com o alargamento de sua base de sustentação parlamentar. Mas nem tanto, pois reforçaria o setor mais conservador dessa base, em desvantagem para o segmento mais avançado da coalizão governista.

Numa visão mais de longo prazo, melhor seria que houvesse uma oposição partidária programática capaz de alimentar a polêmica acerca dos rumos da Nação, incluindo o diretista DEM. Daria cor e consistência ao debate democrático e contribuiria (pelo confronto de ideias) para a formação de uma consciência social avançada, fator indispensável para a transformação da sociedade.


Fonte: brasil247 por Luciano Siqueira (membro do Comitê Central do PCdoB, deputado estadual em Pernambuco)

domingo, 8 de janeiro de 2012

Brasileiro termina 2011 otimista sobre 2012, o que ajudará economia

Após o primeiro ano de mandato da presidenta Dilma Rousseff, os brasileiros de todas as faixas de renda e níveis de escolaridade estão mais otimistas com a situação socioeconômica do país, segundo pesquisa divulgada nesta quinta-feira (5) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Pelo levantamento, em dezembro, 64,4% das famílias acreditavam que, em 2012, o Brasil passará por melhores momentos do que em 2011. Em novembro, 60,1% das famílias mostravam grandes expectativas para o futuro próximo.

Este otimismo tem chances de se tornar uma espécie de profecia que se autorrealiza. De acordo com o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, a confiança das pessoas atua como fator redutor ou indutor do crescimento econômico. “Se as expectativas estão otimistas em relação ao futuro, tende-se a gastar mais. Quando há forte pessimismo, gasta-se menos”, disse.

O otimismo dos brasileiros resulta de uma percepção de que houve melhoria nas condições de vida. Em dezembro, 78,2% das famílias diziam se sentir melhores financeiramente do que um ano antes. Na metade de 2011, eram 74,7%. Para 2012, 86,6% das famílias apostam que irão progredir, percentual maior do que em novembro (82,7%).

Os dados apurados pelo Ipea fazem parte de uma pesquisa mensal realizada com 3,8 mil domicílios, distribuídos por 200 cidades diferentes, na qual o instituto tenta apurar um Índice de Expectativas das Famílias (IEF).

Em dezembro, o IEF atingiu 67,2 pontos, 3,5 a mais do que em novembro, igualando-se ao mais alto já observado antes (janeiro de 2011). Em dezembro de 2010, o índice estava em 64,6 pontos.

Pela metodologia do Ipea, quando o índice fica entre 60 e 80 pontos, as famílias podem ser consideradas “otimistas”. Acima disso, é “grande otimismo”. Abaixo, na faixa de 40 a 60 pontos, há “moderação”. De 20 a 40 pontos, há “pessimismo” e, de 0 a 20 pontos, “muito pessimismo”.

No mais recente levantamento, observou-se que todas as regiões do país apresentaram em dezembro um IEF superior ao de novembro, com exceção do Nordeste, que registrou queda de 0,6 pontos.

Em relação à expectativa para 2012, a região mais otimista é a Centro-Oeste (82,2% das famílias acham que a situação socioeconômica será melhor este ano) e a menos, o Sul (59,6% apostam em melhoria em 2012).

Quando se faz uma análise por escolaridade, verifica-se que, quanto mais estudo, mais otimismo sobre 2012. Estão nas categorias “superior incompleto” e “superior ou pós graduação” as mais altas expectativas (73% e 68,9%, respectivamente). O menor índice é entre os “sem escolaridade” (57,7%). A pesquisa possui ainda outras quatro categorias (fundamental completo e incompleto e médio completo e incompleto).

Já num recorte por renda, o maior otimismo sobre 2012 está entre quem ganha de 4 a 5 salários mínimos (75,8%) e entre os mais ricos (acima de 10 mínimos, 71,7%). E o menor, entre os quem ganham até um mínimo (51,9%).

Fonte: Agência Carta Maior

sábado, 7 de janeiro de 2012

Problema com enchentes? Estude OSPB e descubra de quem cobrar



Quando cursei o antigo “ginásio” (hoje Ensino Fundamental II), lá pelo início dos anos 1970, o currículo escolar tinha uma disciplina chamada OSPB (Organização Social e Política Brasileira), que se tornou obrigatória a partir de 1969 através do Decreto-lei 869/68.

OSPB foi abolida do currículo escolar após a redemocratização do país devido a ter passado a ser considerada pelos Parâmetros Curriculares Nacionais estabelecidos pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1996 como sendo “doutrinadora da ideologia da ditadura militar”.

Apesar de ser verdadeira a afirmação de que a disciplina em questão servia aos propósitos de doutrinação ideológica do regime, há momentos em que fico imaginando se não seria o caso de reinseri-la no currículo escolar, mas sem qualquer viés político-ideológico.

Penso nisso ao ver o noticiário sobre as enchentes que o período de chuvas de verão já está criando, como acontece todo ano. Esse é um período em que interessa à imprensa politicamente partidarizada expor alguns casos e esconder outros.

Vemos, neste instante, o noticiário sobre deslizamentos e alagamentos com profundas críticas ao governo federal. Até criticar o governo do país, sem problemas. O problema está em poupar governos estaduais e municipais que, em certos casos, são muito mais responsáveis.

Não se pode comparar enchentes nas regiões pouco ou nada desenvolvidas com as que acontecem em Estados ricos como São Paulo, onde a imprensa ou põe a culpa no governo federal ou em São Pedro, mas nunca no governo do Estado ou na prefeitura da capital.

Essa crítica enviesada, exacerbada ou omitida às responsabilidades de cada nível da administração pública de acordo com as injunções políticas conhecidas da grande imprensa só é possível porque o brasileiro não sabe direito que nível cuida do quê.

O brasileiro médio tampouco sabe dizer exatamente para que servem senadores, deputados e vereadores, além de não saber direito o que é de maior responsabilidade do prefeito, do governador ou do presidente.

Se ocorre uma inundação em uma localidade erma e empobrecida do Norte ou do Nordeste, seguramente o governo federal tem que responder. Mas quando uma megalópole como São Paulo inunda, prefeito e governador é que são os maiores responsáveis.

A escola aborda aspectos laterais dos níveis de responsabilidade de cada um dos Poderes e de cada um dos cargos do Executivo e do Legislativo, e superficialmente. E a Constituição Federal, então, quase não é estudada no ensino fundamental ou no médio.

Eis, aí, a razão de ser simples para a imprensa partidarizada confundir o cidadão cobrando só do governo federal o que deveria ser cobrado dos governos estaduais e municipais, como em São Paulo. Ou até cobrando São Pedro, mas nunca o responsável pelo problema.

Se os cidadãos soubessem direito a quem cobrar por cada problema que os aflige, seria mais simples. Enquanto a imprensa partidarizada instiga o paulistano, por exemplo, a cobrar do governo federal o que prefeitura e governo do Estado têm que resolver, o problema persistirá.

Que ao menos a geração que estuda aprenda a Organização Social e Política do Brasil. Só assim para livrar lugares como São Paulo de problemas para os quais os governos locais não dão bola porque sabem que não serão cobrados. A geração adulta já não tem mais jeito.

Fonte:http://www.blogcidadania.com.br

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Keynes estava certo

O teste tem vindo de países europeus como Grécia e Irlanda, que tiveram que impor austeridade fiscal. "O momento de expansão, e não de retração, é a hora certa para o Tesouro Nacional ser austero."
Foi o que disse John Maynard Keynes em 1937, quando o BC americano estava a ponto de provar que Keynes estava certo ao tentar equilibrar o orçamento cedo demais, fazendo a economia americana entrar em profunda recessão.

Um governo que adota política de cortes numa economia em depressão faz a queda ser pior; a austeridade deve esperar até que a recuperação esteja bem encaminhada.

Infelizmente, no fim de 2010 e início de 2011, políticos e governantes em muitas partes do ocidente acreditavam que sabiam mais, e que nós deveríamos focar em deficits e não em empregos, ainda que nossas economias tivessem acabado de se recuperar da depressão pós-crise financeira. Agindo de forma anti-keynesiana, acabaram provando que Keynes estava certo mais uma vez.

Ao declarar que a economia keynesiana foi vingada, estou indo contra o saber convencional. Especialmente em Washington, a incapacidade do pacote de estímulos de Obama de gerar grande número de empregos é geralmente vista como prova de que gastos governamentais não conseguem produzir empregos.

Mas aqueles de nós que fizeram as contas corretamente perceberam desde o início que a Lei de Recuperação e Reinvestimento de 2009 era restrita demais, dada a profundidade da queda. E também previmos o consequente retrocesso político.

Portanto, o verdadeiro teste para a economia keynesiana não veio dos tépidos esforços do governo americano para impulsionar a economia, que foram largamente contrabalançados por cortes em níveis estaduais e municipais.

O teste tem vindo de países europeus como a Grécia e a Irlanda, que tiveram que impor severa austeridade fiscal como condição para receber empréstimos de emergência -e têm sofrido perdas econômicas do mesmo nível da Grande Depressão. Isso não deveria acontecer, segundo a ideologia que domina grande parte do nosso discurso político.

Em março passado, a parte republicana do Comitê Econômico Conjunto do Congresso divulgou relatório que ridicularizava as preocupações de que cortes em um momento de queda poderiam piorar a situação, argumentando que os cortes aumentariam a confiança de consumidores e de mercados, e isso sim poderia levar a um crescimento mais rápido, não mais lento.

A insistência em cortes imediatos continuou dominando o cenário político, com efeitos maléficos sobre a economia. É verdade que não houve novas grandes medidas de austeridade do governo federal, mas vimos muita austeridade "passiva" à medida que o pacote de estímulos de Obama saiu de cena e governos estaduais e municipais sem liquidez continuaram fazendo cortes.

Você poderia argumentar que Irlanda e Grécia não tinham escolha quanto à imposição de austeridade a não ser fazê-lo ou declararem-se inadimplentes e deixar o euro.

Mas outra lição de 2011 foi que os EUA tinham e têm uma escolha; Washington pode estar obcecado com a questão do deficit, mas os mercados financeiros estão, sim, sinalizando que nós deveríamos tomar mais empréstimos.

po Krugman - Tradução de THOMAS MUELLO

Fonte: blog do Nassif - Folha de S.Paulo