quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Professores se revoltam com pressão de governadores para reduzir reajuste salarial

A pressão dos governadores Sérgio Cabral (RJ), Antonio Anastasia (MG), Renato Casagrande (ES), Cid Gomes (CE) e Jaques Wagner (BA) para que o presidente da Câmara, Marco Maia, determine o regime de urgência na votação do projeto de Lei que reduz o reajuste do piso nacional dos professores dos atuais 22%, este ano, para 6%, é um motivo a mais para que os trabalhadores da Educação parem, por tempo indeterminado, a partir da greve geral marcada entre os dias 14 e 16 de março.
Maia confirmou a conversa com os cinco executivos estaduais, na véspera, durante a posse da presidenta da Petrobras, Maria das Graças Foster, mas adiantou que “uma coisa é a pressão dos governadores, outra é a matéria entrar na pauta do Plenário”, disse, por meio de sua assessoria.

Ao tomar conhecimento da ação dos governadores junto ao Legislativo, o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Roberto Franklin de Leão, repudiou a atitude e avisou que “a greve nacional será o momento em que os professores irão enfrentar estes cinco inimigos da Educação”.

O professor da Rede Oficial de Ensino de São Paulo acrescenta que a intenção dos dirigentes estaduais é “de romper um acordo feito no Senado”, que mantinha o reajuste da categoria nas bases definidas pela Lei 11.738, de 2008, assinada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Educação, à época, Fernando Haddad, hoje candidato a prefeito do Município de São Paulo.

Segundo Leão, os senadores mantiveram o parágrafo único do Artigo 5º, que prevê o reajuste dos professores segundo “o mesmo percentual de crescimento do valor anual mínimo por aluno referente aos anos iniciais do ensino fundamental urbano, definido nacionalmente”, segundo os critérios do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB).

Por este critério, o piso nacional seria reajustado em 22%, mas os governadores fluminense, mineiro, capixaba, cearense e baiano pressionam para que, na Câmara, este fator seja substituído pela variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), o que reduziria a 6% a correção dos salários dos mais de 2 milhões de profissionais que atuam apenas no Ensino Básico.

– Lamento profundamente que estes governadores se posicionem contra a valorização do Magistério. Eles se colocam no mesmo nível daqueles que interpuseram um recurso contra a legislação que visa reduzir injustiças históricas contra os professores. Mais lamentável, ainda, é a participação nesse grupo do governador da Bahia, Jaques Wagner, que acaba de enfrentar uma greve das forças de segurança. Ele contradiz tudo aquilo porque o Partido dos Trabalhadores sempre lutou. O mínimo que deveria fazer é se desligar desta legenda e procurar um partido neoliberal – afirmou Leão.

Procurado pelo Correio do Brasil, Wagner não desmentiu ou aquiesceu o que seu vizinho mineiro, Antonio Anastasia, admitiu com ressalvas. Por meio de seus assessores, o Palácio da Liberdade confirmou a conversa com o deputado Maia, durante a solenidade em que esteve presente, no Rio, mas fez questão de frisar que “o problema foi gerado durante o governo do presidente Lula”, disse um porta-voz do governador tucano.

Anastasia está na mira dos dirigentes sindicais “desde que o Tribunal de Contas da União constatou que o Estado não aplica nas escolas o que manda a Constituição”, lembrou o presidente do CNTE.

– É importante lembrar, também, que o governador cearense, Cid Gomes, botou a polícia na rua contra os professores – acrescentou Leão.

O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, disse estar em uma solenidade e não poderia responder ao CdB e o do Rio, Cabral, negou até mesmo haver participado do grupo que pressionou o presidente da Câmara, embora sua presença tenha sido confirmada tanto por Maia quanto pelo colega mineiro, Anastasia.

Fonte: Por redação do correiodobrasil.

Você sabe quais são as vantagens e riscos na hora de comprar uma empresa?

Na hora de abrir o próprio negócio, os empreendedores geralmente entendem quais são os perigos que podem surgir na busca pelo sucesso da empresa. Como em tudo na vida, a atividade empreendedora traz vantagens e riscos. Resta ao empresário, conhecer a fundo os 'dois lados da moeda' para evitar frustrações e precipitações, seja montando o próprio negócio a partir de uma visão ou comprando uma empresa existente e que tenha se mostrado geradora de bons resultados.

Batista Gigliotti, franqueado da Sunbelt Business Brokers para o Brasil, elenca alguns pontos.

Vantagens

Histórico conhecido: antes de adquirir uma empresa, o comprador tem a oportunidade de analisar e de auditar o histórico do negócio. Portanto, o grau e incerteza é bem menor nessa situação quando comparado a um empreendimento nascendo do "zero";

Ponto comercial testado (e aprovado): como o negócio já está funcionando, o ponto comercial de uma empresa no "azul", já possui certa identidade positiva, evitando, assim, o desgaste e a insegurança do empreendedor na busca de um local estratégico;

Clientela formada: se a empresa atua no segmento há algum tempo, possui uma carteira de clientes que será repassada ao novo empresário. Caberá a ele, então, reter e atrair mais consumidores para alavancar o negócio;

Chances de fracasso menores: nos Estados Unidos, a taxa de empresas que fracassam nos cinco primeiros anos de atuação gira entre 65% e 80%. No caso das franquias, esse índice fica entre 15% e 20% no mesmo período. No entanto, quando uma empresa em andamento (que esteja no azul) é comprada dentro dos procedimentos corretos de uma intermediação sadia, o empreendedor tem esse risco reduzido para 2%.

Riscos

Seguir o manual: supondo que a empresa adquirida esteja no azul, é preciso entender os motivos que a fizeram estar nessa posição hoje. Isso implica, na maioria dos casos, uma adaptação do comprador à cultura existente; caso contrário, uma atitude mal planejada poderá levar a mesma empresa ao fracasso;

Atitudes empreendedoras: no entanto, a transformação é necessária, pois ninguém quer trocar seis por meia dúzia. Todo mundo quer crescer. E aí, em time que está ganhando se mexe, sim. Ficar restrito aos serviços antigos e não se atentar às novas tendências são fatores que poderão prejudicar (e muito) o sucesso do negócio. O processo é delicado e essa tênue convivência do novo com o antigo tem que ser bem administrada;

Não estudar bem o negócio: às vezes há uma natural acomodação do comprador aos resultados encontrados em uma empresa saudável. No entanto, recomenda-se que o comprador deva estudar profundamente o negócio, identificando os riscos e as oportunidades;

Não dar atenção à concorrência: assim como em qualquer negócio, é vital ver o que o mercado está oferecendo. Não é porque a empresa foi comprada há pouco tempo e esteja indo financeiramente bem, que ela possui os melhores serviços e produtos do mercado.

Fonte: Por Redação, www.administradores.com.br

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Sem medo do martelo

No debate sobre o leilão dos aeroportos, o PT precisa assumir a defesa do que fez se é que está seguro do que fez. Ao balbuciarem argumentos frágeis e se constrangerem diante da opinião pública, em uma postura defensiva, muitas de suas lideranças demonstram não ter clareza de para onde sua metamorfose ambulante os está levando.

As concessões foram transformadas em algo espetacular, o que foi facilitado pela imagem da batida dos martelos. Mas o PT não está dando nenhuma guinada. O leilão foi absolutamente coerente com o modelo que suas duas presidências, Lula e agora Dilma, montaram e têm posto em operação na relação entre o setor público e o setor privado para uma estratégia de desenvolvimento.

Ficou patente que as marteladas constrangeram alguns petistas, ao ponto de parecerem atingidos nos dedos. Para se defenderem, usaram um argumento frágil, que é um remendo, um esparadrapo para cobrir o dedo dolorido: são concessões, jamais privatizações.

É verdade que não houve venda de patrimônio público. Ninguém proferiu a palavra mágica “vendido”. Isso de fato faz muita diferença. Mas as concessões são a entrega de serviços à gestão privada. É uma forma de privatização sim, e o PT deveria parar de dizer que se trata de outra coisa. Ninguém acredita.

Os tucanos se refestelaram e relaxaram com a cena. Mas, ao tentarem igualar o leilão dos aeroportos ao que foi a privatização da telefonia, da Vale, da CSN e tantas outras estatais, quase nos levam a crer que a própria Infraero foi leiloada. Mas não foi, e continua valendo o ditado, ‘uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa’.

Algumas informações básicas simplesmente desapareceram, tanto entre os que criticam, quanto entre os que dão vivas à operação. A gestão dos aeroportos pelas empresas privadas irá gerar recursos que irão para o Fundo Nacional de Aviação Civil. Os trabalhadores da Infraero têm garantia de estabilidade no emprego. A Infraero detém 49% de participação nos consórcios ganhadores e poder de veto sobre as decisões. Ela passa a se associar a grupos privados, doravante, como a Petrobrás tem feito na exploração do pré-sal, como os Correios fazem com o Bradesco, como a Caixa sempre fez com as lotéricas, como o Banco do Brasil sempre fez com a Visa e a Mastercard. Ou seja, quem hoje ri dos leilões está rindo atrasado. A piada já foi contada faz tempo.

Ao mesmo tempo, é preciso que fique claro que os críticos do leilão estão, na prática, defendendo que o Estado faça questão de arcar com 100% do anúncio que diz “a Infraero informa”, do painel com os horários de vôo, da conta da limpeza dos banheiros, dos funcionários terceirizados que conferem os bilhetes de passagem na entrada dos portões de embarque, do carregamento das malas, dos guichês de informação, e, claro, das obras de ampliação.

Qual a “razão de Estado” desses serviços, mesmo que eles sejam essenciais a qualquer aeroporto?
Os tucanos saboreiam uma vitória de Pirro. Comemoram algo que deveria preocupá-los. Ao aplaudirem a operação e ironizarem o governo, mais uma vez escondem a bandeira que os diferenciava: a da venda do patrimônio público e desencargo do Estado com determinadas áreas, passando-as para o pleno domínio empresarial. Abdicam de mais um assunto de sua pauta, quando, a rigor, deveriam estar defendendo a venda dos aeroportos e externar insatisfação com as meras concessões e com o poder da Infraero sobre os consórcios vencedores. De novo, o liberalismo brasileiro se esquivou de colocar a cara a tapa.

Partidos egressos de dissidências do PT, como o PSOL e o PSTU, também estão comemorando o que a eles parece uma desgraça. Mas terão o ônus de defender antigo “status quo” do sistema aeroportuário, num momento em que o transporte aéreo se popularizou e a crítica ao seu desempenho se intensificou.

Quando Lula enfrentou Alckmin em 2006, empunhou a bandeira da defesa do patrimônio público, contra a privatização. O candidato tucano se viu obrigado a aparecer usando um boné do Banco do Brasil e vestindo macacão com as marcas da Petrobrás e dos Correios. O debate a favor e contra a privatização não era genérico, e sim específico.

Tinha o nome e o endereço de cada uma das estatais acima referidas. Fazia todo o sentido, pois, no último ano da presidência FHC, em 2002, o Ministério da Fazenda oficialmente falava na necessidade de uma nova etapa do programa de privatizações e citava algumas dessas empresas como alvos imediatos.

O poder público todo dia bate o martelo, ou seja, leiloa a compra de serviços. Dos clips aos cartuchos para impressoras, do lápis aos computadores, da terceirização da vigilância aos serviços de recepção e limpeza. Garantir a propriedade pública e a operação estatal pode até ser um alívio para a consciência de muitos, mas o debate econômico sobre o papel do Estado na economia vai, além disso.

A questão essencial é sobre a relação do Estado com o setor privado para uma estratégia de desenvolvimento. O uso de recursos do BNDES em apoio às multinacionais brasileiras e aos grandes projetos de infraestrutura, o papel dos bancos públicos para o crédito à produção, os fundos de fomento à inovação, a contratação privada de serviços de saúde com recursos do SUS, a utilização de instituições privadas como complemento ao ensino superior e técnico, a lei de incentivo à cultura, entre tantos outros, são temas que mereceriam atenção redobrada. Sem precisar da cena do martelo, tudo isso já está posto. Em todos os casos, há bons exemplos e grandes problemas nessa relação.

O governo não está abandonando seu programa, nem dando nenhuma guinada. Qual a incongruência na concessão de aeroportos, se já se fazia concessão de rodovias? Qual o problema do modelo adotado para os consórcios dos aeroportos, com dinheiro do BNDES e com a associação entre empresas estatais e empresas privadas? Ele já vinha sendo adotado para as maiores obras de infraestrutura do PAC. Tal trajetória não começou na semana passada.

Que o PT abandonou muitas de suas teses do passado é absolutamente verdade. Em 1990, o PT já não era mais aquele dos anos 80. E o governo Dilma não é o governo Lula. A metamorfose ambulante continua sendo uma das características do PT. Mas, até aí, nenhuma novidade. Todas essas mudanças foram exaustivamente anunciadas, eleição após eleição. O debate não é se o PT está ou não mudando, é sobre para onde essa trajetória tem levado o Brasil. Neste ano, já poderemos fazer o balanço de uma década de mudanças consolidadas ou ainda em curso, e seus respectivos resultados e dilemas.

Fonte: Por Antonio Lassance http://correiodobrasil.com.br
O martelo, neste momento, tem o efeito da varinha dos mágicos: desviar o olhar para o que deveria ser o centro de nossa atenção, ou seja, o coelho que está saindo de dentro da cartola.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Brasil quer garantia de autopeça mexicana em carro importado do México

O Brasil quer renegociar o acordo automotivo que mantém com o México estipulando regras claras sobre o uso de autopeças mexicanas nos carros embarcados para o Brasil ou incluindo no documento exportações de caminhões e ônibus, segundo disse à Reuters uma fonte do governo.

O contrato foi firmado entre os dois países em 2002 e no ano passado movimentou cerca de 2,5 bilhões de dólares, mas está sendo considerado pelo governo brasileiro ineficaz.

Na semana passada, o Brasil chegou a ameaçar romper o acordo automotivo caso não seja atendido nas suas reivindicações. O México disse que estava disposto a escutar as queixas brasileiras, mas que não havia nada a ser renegociado.

Segundo essa fonte, que pediu para não ter seu nome revelado, atualmente apenas 20 por cento das peças dos carros produzidos no México e importados para o Brasil são produzidas naquele país e o restante é proveniente dos Estados Unidos, usando acordos firmados no âmbito do Nafta.

Essa situação desagrada o Brasil, que desde o ano passado tem dado incentivos fiscais para as montadoras que utilizem pelo menos 60 por cento de conteúdo nacional nos veículos fabricados no país.

O objetivo do governo brasileiro é atrair montadoras para o país e incluir tecnologias ao processo produtivo que ainda não existem no Brasil.

Segundo essa fonte, nas conversas com os mexicanos o Brasil não apresentou um percentual mínimo para nacionalização de peças dos carros importados do México via acordo.

"Isso pode variar de acordo com a negociação. Se os mexicanos aceitarem incluir caminhões e ônibus no acordo, esse percentual poderá ser menor", afirmou.

Depois de uma primeira rodada de negociações nesta semana, as duas partes agendaram um novo encontro para os dias 28 e 29 deste mês na Cidade do México. O governo brasileiro tem pressa e espera uma resposta clara dos mexicanos já na próxima reunião.

"Ambos os países estão empenhados em buscar solução satisfatória que atenda aos interesses das duas partes", limitou-se a dizer o Ministério das Relações Exteriores do Brasil por meio de um comunicado.

DECRETO

A pressa do governo em definir a negociação com os mexicanos está ligada aos ajustes da política industrial para o setor automotivo que podem ser anunciadas na próximas semanas.

O decreto que está em estudo no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior mantém as principais diretrizes da política instituída no ano passado, de estímulo à produção nacional, e que gerou polêmica com fabricantes de carros importados. As regras valerão para o período entre 2013 e 2016.

Uma das novidades em análise é a concessão de créditos tributários para montadoras que comprovarem a fabricação de mecanismos que agreguem eficiência energética, segurança e inovação tecnológica aos automóveis.

A redução da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis que contenham até 60 por cento do conteúdo nacional continuará em vigor até 2016, mas os critérios de cálculo para medir essa meta podem ser revistos, passando a levar em conta o número de peças e processos produtivos, segundo revelou uma fonte do governo.

Fonte: Por Jeferson Ribeiro http://br.reuters.com (Reportagem adicional de Esteban Israel, em São Paulo)

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Bases para o bom empreendedorismo

O gosto pelo empreendedorismo está na veia de cada brasileiro, mas nem sempre os resultados das empreitadas são aqueles esperados. Muitas vezes falta-nos a preparação adequada, incluindo vivência, experiência e maturidade para assumir riscos e vencer desafios.

É preciso aprender a sonhar abrindo os olhos diante dos problemas, brigando pelas soluções até que a... repetição consiga consolidar os próprios passos. Muitas vezes passamos uma vida tentando ganhar na sena, querendo pular escadas que mal sabemos como descer e acabamos por nunca completar nada.

Arte de vencer requer alguns princípios para os subsídios da evolução, pois para qualquer atividade é preciso preparar nosso lado comportamental, incorporando valores para que a determinação e meios garantam persistência e "saco" diante das diferenças de tempo entre o que prevíamos e o real necessário para que as coisas aconteçam.

Filtrar sonhos, ordenar objetivos possíveis, reunir tudo num só conjunto, incluindo idéias, vontade e determinação, organizam a qualidade das ações, garantindo que a luta, tenha pelas atitudes, a diferença entre a produção no papel e disposição pratica para os seus pr?ojetos.

No mundo atual nada mais é amador. Seus passos devem ser dirigidos junto com o conhecimento e domínio das variáveis do mercado pretendido. Isso é o que chamamos de exercícios para a percepção, que fatalmente farão diferença para que as coisas tenham maiores chances de acontecer.

Nunca se empolgue antes de entender exatamente o que quer e o como caminhar até lá. Sonhos, objetivos, atitude, percepção serão fatores que antecederão para te fortalecer de motivação e condições de persistir pelo que acredita. Afinal ser gente é evoluir sempre para dar motivos a existência.

Fonte:Por Sérgio Dal Sasso - http://www.administradores.com.br

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Israel insiste na guerra contra o Irã

O general Dempsey foi claro: se Israel atacar o Irã sem prévio acordo com os EUA, “não conte com nosso auxílio”. O objetivo evidente era convencer os israelenses a manterem seus bombardeiros em terra até Obama decidir que os iranianos tinham ido longe demais. O que poderia nunca acontecer.

Nem bem o general voltou para seu país e o governo de Israel realizou uma reunião do mais alto nível, num subúrbio de Tel-aviv, para elencar argumentos capazes de convencer Obama que já chegara a hora de atacar. Ou, pelo menos, deixar claro que ele deveria ir se preparando, pois Israel considerava as sanções insuficientes e, portanto, já se decidira a bombardear o Irã, logo. E que seria bem sucedido.

O vice-primeiro-ministro para Assuntos Estratégicos, Moshe Ya’lon, rejeitou o argumento de que o ataque não conseguiria êxito total. “É possível destruir todas as instalações nucleares do Irã”, garantiu.

Numa tentativa de mostrar que o problema era também dos EUA, Ya’lon afirmou que a explosão de uma base de mísseis no Irã, em fins do ano passado, foi obra do serviço secreto israelense. O maior beneficiário dessa ação seria, segundo ele, os EUA, pois os mísseis da base tinham um alcance de 10.000 quilômetros, prontos para atingir cidades americanas.

O ministro não apresentou nenhuma prova ou evidência dessa asserção. A idéia de atacar os EUA é absurda. Os iranianos podem ser atrevidos, mas não são loucos.

Por sua vez, Yoram Cohen, chefe do Shin Bet (serviço de segurança interna), denunciou ataques do Irã em alvos israelenses no exterior. Três deles teriam sido evitados em tempo: contra diplomatas israelenses na Turquia, Azerbaijão e Tailândia. A denúncia de Cohen ficou nas palavras, pois nenhuma prova, evidência ou sequer indício foi apresentado.

O Major-General Aviv Kochavi foi, talvez, a sensação da noite. Ele jurou que o Irã acumulou mais 4,5 toneladas de urânio enriquecido ao nível de 3,5% e quase 100 quilos ao nível de 20%. Material suficiente para produzir quatro bombas nucleares.

Como se sabe, bombas nucleares exigem urânio enriquecido a 90%. Kochavi não vê dificuldade nenhuma nisso. “No momento em que Kamenei der ordens para acelerar a produção do primeiro engenho nuclear, estimamos que levará um ano para o Irã conseguir o grau de enriquecimento necessário”.

Todas essas informações são muito estranhas. Embora se saiba que o último relatório da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) contou com amplas informações dos serviços secretos do Ocidente – inclusive de Israel-, nada disso foi comunicado. O que nos leva a crer que as denúncias do general não passaram de words, words, words.

Há décadas que Israel ameaça bombardear o Irã. E fica por isso mesmo. Desta vez, parece que é sério. Autoridades dos EUA que têm participado das gestões diplomáticas com Israel acreditam que as chances de guerra são de 50%. Há alguns que falam em 70%.

O próprio Secretário da Defesa, Leon Panetta, declarou ao Washington Post que acreditava que Israel atacaria entre abril e junho. Depois desmentiu. Disse que não era bem assim…

O fato é que, apesar das exortações de Obama e da condenação inflamada do antigo chefe do Mossad, Meir Dagan, e de outras importantes figuras de Israel, Netanyahu não desiste do ataque.

A intransigência israelense tem dois objetivos:

1) Fazer Obama “esforçar-se mais” para tornar as sanções realmente destruidoras. E é o que o presidente tem feito. Pressionou (e continua pressionando) vários países a respeitarem o boicote do petróleo iraniano e do seu Banco Central. Procura convencer as potências petrolíferas a aumentarem sua produção para substituir o petróleo iraniano tirado do mercado.

Aumentou a força naval no Golfo e fortaleceu militarmente os países satélites da região (Arábia Saudita, Qatar, Bahrein, Kuwait, Omã e Emirados Árabes Unidos).

Promoveu ciberataques contra as instalações iranianas e financia grupos dissidentes que querem derrubar o regime iraniano.

2) Fornecer munição aos republicanos e às personalidades públicas pró-Israel para defenderem o ataque ao Irã e pressionarem Obama, de modo a obrigá-lo a, senão apoiar esse ataque, pelo menos entrar na luta depois que os iranianos revidarem e a guerra se concretizar.

A estas alturas, é quase certo que Israel, dentro de poucos meses, enviará sua aviação para atacar o Irã. E não somente as instalações nucleares. É de se crer que bombardearão também os principais objetivos militares do país, para enfraquecer a retaliação inevitável.

Claro, com a participação americana, o ataque seria arrasador. O Irã ficaria militarmente enfraquecido, sem muitos meios para reagir à altura.

O plano B de Netanyahu é começar sozinho, aceitando que a resposta iraniana poderá causar muitas mortes.

Em compensação, causaria também a entrada dos EUA na guerra. E o fim de mais um país que se atreveu a procurar igualar a capacidade militar de Israel.

Há quem ache que pode não dar certo. Que ressurja o Obama modelo 2008, dos tempos da campanha eleitoral. Esse Obama redivivo interviria, exigindo uma trégua, com apoio e controle da ONU.

Todos os países do mundo ficariam de pé para aplaudi-lo. Até os Estados Unidos.

Fonte: por Luiz Eça - jornalista - Correio da cidadania

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Brasileiros formulam nova divisão sócio-econômica

Os professores brasileiros Wagner Kamakura, da Duke University, nos Estados Unidos, e José Afonso Mazzon, da Universidade de São Paulo, estão propondo uma nova divisão sócio-econômica da população brasileira, com foco no consumo de produtos e serviços. O novo modelo, construído a partir dos dados do Instituto Brasileira de Geografia e Estatística (IBGE), pode ser usado em pesquisas de mercado, especialmente as orientadas aos hábitos de compra da classe média.

Os professores, que trabalharam juntos no projeto ao longo de um ano e meio, dizem que a classificação utilizada pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (conhecida como Critério Brasil) não retrata adequadamente a importância que a classe média adquiriu nos últimos anos. E decidiram elaborar um novo modelo, com base nos dados da mais recente Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), realizada pelo IBGE em 2009.

Mais de 104 mil domicílios entraram no modelo, que considera 36 critérios - desde o número de aparelhos de TV em cores, computadores pessoais e automóveis, até nível de educação e ocupação do chefe da casa, passando pelo número de empregados domésticos. Critérios como acesso a esgoto, água tratada e ruas pavimentadas também foram considerados.

A nova classificação tem como base a renda permanente e não a renda corrente. "Renda permanente é um conceito teórico, relacionado com a capacidade de a pessoa de gerar renda, e, portanto, não é observada diretamente," diz Kamakura A renda permanente pode ser medida por meio da posse de bens duráveis e do nível de educação, por exemplo. A renda corrente é o rendimento atual: o salário, as transferências de renda e os rendimentos financeiros.

"As grandes empresas foram pegas de surpresa pela nova classe média no Brasil", diz Kamakura, que ensina marketing global na escola de negócios Fuqua, da Duke, na Carolina do Norte. Por décadas, diz ele, as estratégias traçadas por brasileiras e multinacionais consideravam como público-alvo os consumidores de maior poder aquisitivo. "É a estratégia do 'em cima do morro'", afirma. O produto era pensado e vendido para a elite. A classe média acabava comprando, diz ele, porque aspirava ter as mesmas coisas que a classe alta.

A migração de 20,5 milhões de brasileiros, da base para o meio da pirâmide, foi um processo que ocorreu com maior vigor de 2003 a 2009, justamente o período analisado por Kamakura e Mazzon. A classe média ficou maior, na avaliação deles, porque a renda real e a oferta de crédito cresceram.

Nesse novo quadro, a classificação usada pelas empresas especializadas em elaborar pesquisas de mercado, conhecida por Critério Brasil, não retrata mais a realidade. Quando são comparadas as oito classes do novo modelo com as oito classes do Critério Brasil, observa Mazzon, o que se nota é uma distribuição mais assimétrica da população no modelo novo - com maior número de domicílios nas mãos da classe média.

A classificação do Critério Brasil mostra uma "curva assimétrica", diz Mazzon, mostrando maior número de lares nas mãos da classe D (ver arte nesta página). Os professores não são os únicos a pesquisas o assunto. Há consultorias do setor de consumo no Brasil estudando formas de atualizar a classificação de renda.

A classificação conhecida como Critério Brasil, diz Mazzon, "retrata melhor a camada mais rica da população." Esse método, segundo ele, ainda é uma boa ferramenta para medir o consumo de joias ou de serviços pessoais. O novo modelo, explica melhor o consumo da classe média, que, segundo o estudo, representa cerca de 56% dos lares (ou 51% da população) e responde por 33% dos gastos de consumo no país.

Mais de 104 mil domicílios entraram no modelo, que considera 36 critérios e dados da POF realizada em 2009

A classificação proposta por Kamakura e Mazzon será apresentada à Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa nos próximos dias. A ideia é oferecer, sem custo, o novo modelo a companhias que queiram fazer pesquisas no Brasil.

O estudo dos professores, que levou cerca de um ano e meio para ser elaborado, também será publicado no "International Journal of Research in Marketing" no início de 2013, numa edição especial sobre marketing nos países emergentes.

Fonte: Por Marco Antonio L.do Valor Econômico - blog do Nassif