“Eles que Venham. Por Aqui Não Passarão” é o título de uma nota divulgada ontem, por 98 militares da reserva, criticando a Comissão da Verdade – criada para esclarecer quem foram os responsáveis por mortes, torturas e desaparecimentos na ditadura, mas sem poder de punição. Eles reafirmam outro manifesto que havia sido divulgado anteriormente, em que reconhecem que a comissão é um “ato inconsequente de revanchismo explícito e de afronta à Lei da Anistia com o beneplácito, inaceitável, do atual governo”.
Minha crítica à Comissão da Verdade é exatamente o contrário: ela foi aprovada em versão light, sem a força que deveria ter.
Pouco me importa o que pensam os verde-oliva da reserva. Eles podem reclamar até se engasgar com o chá da tarde no Clube Militar. A meu ver, demonstrações de afeto a um período autoritário são peça de museu, pertencentes a um tempo que, se não fizermos nenhuma besteira, nunca mais vai se repetir. Vivemos em uma democracia e, por isso, e só por isso, qualquer um (inclusive eles) podem se manifestar à vontade. O problema são as consequências da permanência de uma forma de pensar na sociedade, que é passada sem questionamento para as gerações mais jovens, tornando a dignidade humana algo relativo e flexível.
Para isso, gostaria de tomar a liberdade e reproduzir um texto que já postei aqui há um bom tempo – atualizado, é claro, com informações novas:
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Não conheço pessoa que, tendo amado intensamente ou vivido uma dor muito forte, não pensou, pelo uma vez, na possibilidade de ter suas memórias arrancadas fora em um passe de mágicas. Considerando que deve levar um tempinho ainda até que desenvolvam um aparelho como o do filme “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças”, perguntei a uma médica-amiga se já haviam inventado remédio para acentuar o esquecimento. E, em caso positivo, se ela poderia me deixar receitadas uma ou duas caixas – nada demais, apenas para as intempéries do dia-a-dia. Ora, por que não? Inventam pílulas para tudo, de ereção prolongada até suadouro nas mãos! Com um sorriso, ela me lembrou que tal remédio já existe e é consumido pela humanidade desde que o primeiro hominídio percebeu que comida fermentada dá barato.
É claro que todos os percalços fazem parte da caminhada de cada um e da grande marcha de uma sociedade e que, portanto, são importantes no processo de aprendizado. Mas e quando a lição já foi entendida e a lembrança, não resolvida, continua a martelar nosso cotidiano?
Dia desses, trouxe aqui a história de Maria Francisca Cruz, uma “quase” viúva. Seu marido foi trabalhar na Amazônia, deixando para trás sete filhos e o silêncio. Enveredou-se por outro colo? Está preso? Tem medo de voltar? Falam que morreu tentando fugir de uma fazenda… Quem sabe? Dor maior não é saber que acabou. É não ter certeza disso.
Acordar de manhã sem alguns pressupostos básicos é angustiante. Imagine, então, aguardar o retorno de alguém que nunca aparece. Conheço gente cujos pais foram sumidos pela Gloriosa dos Verde-Oliva. A família parou no tempo, porta-retratos não saem do mesmo lugar em que estavam desde quando ainda éramos 90 milhões em ação. Até a poeira do relógio de pulso aguardando o dono é a mesma, sofrendo em silêncio.
O governo brasileiro resolveu não mais tentar buscar a revisão da Lei da Anistia. Mais do que punir torturadores, seria uma ótima forma de colocar pontos-finais em muitas das histórias em aberto e fazer com que pessoas tivessem, pela primeira vez em décadas, uma noite de sono inteira. A Presidência da República resolveu investir suas fichas na Comissão da Verdade, criada pelo Congresso Nacional. Até agora, o governo insiste em manter trancados a sete chaves documentos considerados ultrassecretos, além de inventar desculpa atrás de desculpa para não vomitar todos os arquivos da ditadura. Garantindo que representantes daquele tempo, como o Coronel Brilhante Ustra, possam continuar reinventando a história como quiserem, uma vez que a prova dos nove está encaixotada em algum lugar.
(Carlos Alberto Brilhante Ustra foi acusado pela família do jornalista Luiz Eduardo Merlino, torturado e assassinado no Doi-Codi, em São Paulo, em 1971. Pede-se o reconhecimento público da responsabilidade do coronel pela morte de Merlino. Ustra era comandante do Doi-Codi e diversas testemunhas – entre elas o ex-ministro-chefe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo Vannuchi, preso no local na mesma época – afirmam ter visto Merlino em estado gravíssimo após sessões de tortura.)
Em nome de uma suposta estabilidade institucional, o passado não resolvido permanece nos assombrando. E incomodando através de um olhar perdido da mãe de um amigo que, da janela, permanece a esperar.
Isso tudo com a ajuda de colegas jornalistas que esqueceram que a função primeira da profissão não é ajudar restolhos da ditadura sob a justificativa de garantir essa estabilidade, mas trazer à tona o que está submerso. Repetem ad nauseam: “Não é hora de mexer nesse assunto”.
A Corte Interamericana de Direitos Humanos concluiu que o Brasil é responsável pelo desaparecimento de 62 pessoas entre os anos de 1972 e 1974, durante a Guerrilha do Araguaia. Disse que a Lei da Anistia impede o acesso à verdade dos fatos e pediu que ela fosse revista. Nesse caso, o Supremo Tribunal Federal, que vem sendo sensível em decisões sobre a dignidade humana, deu de ombros.
Uma pesquisa do Datafolha em 2010 apontou que 45% da população era contrária à punição de agentes que torturaram presos políticos durante a ditadura militar contra 40% a favor. Agarro-me desesperadamente à esperança de que o pessoal não entendeu exatamente do que se tratava.
Em enquete realizada este ano por este humilde blog, o resultado foi o contrário, com a grande maioria apoiando a punição contra quem torturou durante a Gloriosa. Orgulho dos meus leitores que, contudo, não representam a posição do restante da sociedade.
O impacto de não resolvermos o nosso passado se faz sentir no dia-a-dia dos distritos policiais, nas salas de interrogatórios, nas periferias das grandes cidades, nos grotões da zona rural, com o Estado aterrorizando parte da população (normalmente mais pobre) com a anuência da outra parte (quase sempre mais rica). A ponto de ser banalizada em filmes como Tropa de Elite, em que parte de nós torceu para os mocinhos que usavam o mesmo tipo de método dos bandidos no afã de arrancar a “verdade”.
A justificativa é a mesma usada nos anos de chumbo brasileiros ou nas prisões no Iraque e em Guantánamo, em Cuba: estamos em guerra. Ninguém explicou, contudo que essa guerra é contra os valores que nos fazem humanos e que, a cada batalha, vamos deixando um pouco para trás. Esse é o problema de sermos o país do “deixa disso” ou mesmo do “esquece, não vamos criar caso, o que passou, passou” e ainda do “você vai comprar briga por isso? Ninguém gosta de briguentos”. Enquanto não acertarmos as contas com nossa história, não teremos capacidade de entender qual foi a herança deixada por ela – na qual estamos afundados até o pescoço e que nos define.
A verdade é que não queremos olhar para o retrovisor não por ele mostrar o que está lá atrás, mas por nos revelar qual a nossa cara hoje. E muitos de nós não suportarão isso.
O presidente do Senado chegou a defender o sigilo dos documentos da ditadura da qual fez parte.
Mas, e agora José? O que eu faço para esquecer?
sábado, 3 de março de 2012
sexta-feira, 2 de março de 2012
Política é guerra
Acostumamo-nos a pensar na política como uma estrada esburacada e pedregosa por onde transita a democracia, mas, em verdade, ela não passa de um preço que se paga para viver no regime democrático, pois é uma atividade intrinsecamente vil, ainda que imprescindível.
Vemos políticos se portando como lordes ingleses em relação aos adversários e muito mais em relação aos correligionários, ao menos publicamente. Entretanto, isso não impede que mandem a fleuma para o espaço quando lhes convém.
Essa imagem de civilidade e respeito mútuo que os políticos tentam passar à sociedade é um biombo para uma atividade repleta de jogadas baixas, de covardia, de egolatria, de mentiras, de perversidade, de mesquinhez e, acima de tudo, da mais deslavada hipocrisia.
Mas as pessoas se esquecem de que os políticos não vieram de Marte, de Venus ou de outra dimensão. Eles saem do seio do povo e, quer queiramos quer não, são um retrato da sociedade que os elege. Isso quando há democracia – veja você, leitor.
Quando não há um sistema para excluir setores da sociedade da representação política – fenômeno que subverte o conceito de democracia –, os partidos, seus eleitos e as militâncias se constituem em mera amostragem do tecido social. E essa é a verdadeira democracia.
Se prevalecer esta tese – e, na opinião deste que escreve, prevalece –, não será bonito o retrato deste povo. Todavia, podemos nos consolar com o fato de que em praticamente qualquer sociedade a política é a mesma guerra que se vê no Brasil.
Ao contrário do que se pensa, os embates políticos mais duros – e, muitas vezes, os mais sujos – são travados, primeiro, entre os grupos políticos e em privado. Só depois de estabelecidas as estruturas de poder intrapartidárias é que os políticos passam a se engalfinhar publicamente.
Entre os grupos políticos é que começa a luta dissimulada, ou nem tanto, pelo protagonismo. Talvez este seja o estágio mais duro da política, pois aqueles que deveriam ser pares chegam a usar, sem hesitação, golpes que hesitariam em usar contra adversários declarados.
A diferença da política para a guerra é a de que a primeira não virou a segunda, ainda que ambas sejam faces da mesma moeda. No estágio político puro, portanto, os golpes são contra a imagem dos adversários do seu ou de outros grupos. Quando tais ataques “evoluem” para a violência, aí a política também “evolui” e vira guerra declarada.
E o pior é que ninguém foge da política. Pode-se fugir da partidária, mas não se foge da política que fazemos em nosso cotidiano em família, entre amigos ou no trabalho.
Estamos sempre buscando uma condição superior na hierarquia social ou na pública e quem se interpõem em tal busca acaba tendo que ser anulado, e não se anula um adversário usando flores e beijos…
Impressiona que, com tantos avanços tecnológicos que o homem logrou no curso da história, tão pouco tenha avançado em termos de organização social e política. Nesta última, aliás, foi onde logrou menos. Nesse ponto, estamos onde estávamos há pelo menos cem anos.
A conclusão é inescapável: um sinal de que o homem se civilizou um pouco mais só virá no dia em que surgir uma forma nova e menos vil de organização social e política, pois a forma atual nos mantém em um conflito permanente e irracional com os semelhantes.
Fonte: Por Eduardo Guimarães - http://www.blogcidadania.com.br
Vemos políticos se portando como lordes ingleses em relação aos adversários e muito mais em relação aos correligionários, ao menos publicamente. Entretanto, isso não impede que mandem a fleuma para o espaço quando lhes convém.
Essa imagem de civilidade e respeito mútuo que os políticos tentam passar à sociedade é um biombo para uma atividade repleta de jogadas baixas, de covardia, de egolatria, de mentiras, de perversidade, de mesquinhez e, acima de tudo, da mais deslavada hipocrisia.
Mas as pessoas se esquecem de que os políticos não vieram de Marte, de Venus ou de outra dimensão. Eles saem do seio do povo e, quer queiramos quer não, são um retrato da sociedade que os elege. Isso quando há democracia – veja você, leitor.
Quando não há um sistema para excluir setores da sociedade da representação política – fenômeno que subverte o conceito de democracia –, os partidos, seus eleitos e as militâncias se constituem em mera amostragem do tecido social. E essa é a verdadeira democracia.
Se prevalecer esta tese – e, na opinião deste que escreve, prevalece –, não será bonito o retrato deste povo. Todavia, podemos nos consolar com o fato de que em praticamente qualquer sociedade a política é a mesma guerra que se vê no Brasil.
Ao contrário do que se pensa, os embates políticos mais duros – e, muitas vezes, os mais sujos – são travados, primeiro, entre os grupos políticos e em privado. Só depois de estabelecidas as estruturas de poder intrapartidárias é que os políticos passam a se engalfinhar publicamente.
Entre os grupos políticos é que começa a luta dissimulada, ou nem tanto, pelo protagonismo. Talvez este seja o estágio mais duro da política, pois aqueles que deveriam ser pares chegam a usar, sem hesitação, golpes que hesitariam em usar contra adversários declarados.
A diferença da política para a guerra é a de que a primeira não virou a segunda, ainda que ambas sejam faces da mesma moeda. No estágio político puro, portanto, os golpes são contra a imagem dos adversários do seu ou de outros grupos. Quando tais ataques “evoluem” para a violência, aí a política também “evolui” e vira guerra declarada.
E o pior é que ninguém foge da política. Pode-se fugir da partidária, mas não se foge da política que fazemos em nosso cotidiano em família, entre amigos ou no trabalho.
Estamos sempre buscando uma condição superior na hierarquia social ou na pública e quem se interpõem em tal busca acaba tendo que ser anulado, e não se anula um adversário usando flores e beijos…
Impressiona que, com tantos avanços tecnológicos que o homem logrou no curso da história, tão pouco tenha avançado em termos de organização social e política. Nesta última, aliás, foi onde logrou menos. Nesse ponto, estamos onde estávamos há pelo menos cem anos.
A conclusão é inescapável: um sinal de que o homem se civilizou um pouco mais só virá no dia em que surgir uma forma nova e menos vil de organização social e política, pois a forma atual nos mantém em um conflito permanente e irracional com os semelhantes.
Fonte: Por Eduardo Guimarães - http://www.blogcidadania.com.br
quinta-feira, 1 de março de 2012
O que é melhor: fazer o que se gosta ou o que paga mais?
Ao procurar uma oportunidade no mercado de trabalho, a maioria dos candidatos parte em busca de um sonho: o de conseguir um emprego que não apenas satisfaça profissionalmente, mas que também atenda às suas necessidades financeiras. Contudo, nem sempre atender a ambos o requisitos é possível, o que torna a procura ainda mais complicada.
E, se realizar esse desejo já é complicado demais, o que seria mais aconselhável, então? Fazer aquilo que se gosta ou escolher um emprego que pague um salário melhor?
De acordo com a consultora de Planejamento de Carreira da Ricardo Xavier Recursos Humanos, Karla Mara Alves de Oliveira, a resposta é nem um nem o outro.
“O profissional deve ser orientado a fazer o que gosta, buscando uma área que tenha uma remuneração mais adequada para suprir suas necessidades. Contudo, se isso não for possível e ele ganhar uma boa remuneração pelo que faz, o ideal é que o trabalhador procure enxergar suas atividades de uma maneira mais positiva”, diz Karla.
Consequências
E tanto esforço certamente tem uma razão de ser, afinal, trabalhar no que não se gosta pode trazer sérios riscos à saúde.
“Ao se fazer o que não se gosta, o trabalhador pode se tornar uma pessoa opressiva e infeliz”, esclarece Karla.
Além disso, não é apenas desse mal que um profissional pode sofrer. Segundo o consultor da De Bernt Entschev Human Capital, Julio Bonrruquer, por exemplo, ao optar exclusivamente pelo retorno financeiro e não pela satisfação profissional, o trabalhador pode se sujeitar a inúmeras doenças. “São muitas as pessoas que adoecem e que têm dinheiro, por exemplo”, diz Bonrruquer.
E é por essa razão que o especialista defende tanto que é preciso trabalhar no que se gosta. "Isto é importante, mas não se pode apenas viver de um sonho, pois, sem dinheiro, não se pode viver”, diz.
Como fazer
Para encontrar um meio termo, o profissional deve primeiramente se conhecer. Ou seja, saber exatamente do que gosta e em quais áreas ele possui mais competência.
“Ele precisa saber onde possui habilidade para se desenvolver mais e mais. Além disso, é importante que ele saiba também onde e como buscar um trabalho adequado ao seu perfil, tendo paciência para esperar o retorno mais apropriado, item este fundamental no processo”, esclarece Karla.
Bonrruquer dá outra recomendação. “Ao adquirir estabilidade financeira, é possível trabalhar com mais paixão naquilo que se gosta. Aquilo que fazemos com paixão sempre traz bons resultados, inclusive financeiros”, lembra.
Fonte: Infomoney e http://www.administradores.com.br
E, se realizar esse desejo já é complicado demais, o que seria mais aconselhável, então? Fazer aquilo que se gosta ou escolher um emprego que pague um salário melhor?
De acordo com a consultora de Planejamento de Carreira da Ricardo Xavier Recursos Humanos, Karla Mara Alves de Oliveira, a resposta é nem um nem o outro.
“O profissional deve ser orientado a fazer o que gosta, buscando uma área que tenha uma remuneração mais adequada para suprir suas necessidades. Contudo, se isso não for possível e ele ganhar uma boa remuneração pelo que faz, o ideal é que o trabalhador procure enxergar suas atividades de uma maneira mais positiva”, diz Karla.
Consequências
E tanto esforço certamente tem uma razão de ser, afinal, trabalhar no que não se gosta pode trazer sérios riscos à saúde.
“Ao se fazer o que não se gosta, o trabalhador pode se tornar uma pessoa opressiva e infeliz”, esclarece Karla.
Além disso, não é apenas desse mal que um profissional pode sofrer. Segundo o consultor da De Bernt Entschev Human Capital, Julio Bonrruquer, por exemplo, ao optar exclusivamente pelo retorno financeiro e não pela satisfação profissional, o trabalhador pode se sujeitar a inúmeras doenças. “São muitas as pessoas que adoecem e que têm dinheiro, por exemplo”, diz Bonrruquer.
E é por essa razão que o especialista defende tanto que é preciso trabalhar no que se gosta. "Isto é importante, mas não se pode apenas viver de um sonho, pois, sem dinheiro, não se pode viver”, diz.
Como fazer
Para encontrar um meio termo, o profissional deve primeiramente se conhecer. Ou seja, saber exatamente do que gosta e em quais áreas ele possui mais competência.
“Ele precisa saber onde possui habilidade para se desenvolver mais e mais. Além disso, é importante que ele saiba também onde e como buscar um trabalho adequado ao seu perfil, tendo paciência para esperar o retorno mais apropriado, item este fundamental no processo”, esclarece Karla.
Bonrruquer dá outra recomendação. “Ao adquirir estabilidade financeira, é possível trabalhar com mais paixão naquilo que se gosta. Aquilo que fazemos com paixão sempre traz bons resultados, inclusive financeiros”, lembra.
Fonte: Infomoney e http://www.administradores.com.br
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Mobilidade: o que fazer para alcançá-la plenamente
Os minutos passam rapidamente enquanto o carro continua praticamente parado. Heloísa, a caminho do trabalho, resolve conferir o relógio, que já mostra que não há o que fazer: o atraso é certo. A ansiedade e o estresse, então, crescem nela e nos motoristas enfileirados na avenida que buzinam ininterruptamente tentando, em vão, se espremer entre as faixas congestionadas da pista. Depois de muito tempo em meio a barulho e confusão, Heloísa chega ao seu destino aliviada, mas com a certeza de que amanhã seu trajeto diário continuará mais longo e mais desgastante do que deveria ser.
A situação acima vivida por Heloísa é muito semelhante ao dia a dia de grande parte da população, constituída por motoristas, passageiros e pedestres, principalmente na zona urbana. As causas disso são a grande quantidade de veículos, o desrespeito no trânsito e a estrutura insuficiente em vias, calçadas e no transporte público, que são problemas que vêm afetando a mobilidade urbana.
Tema atual e recorrente em pesquisas, a melhoria da mobilidade no trânsito é um fator de fundamental importância para o bem-estar populacional. Sem atitudes que visem o desbloqueio de calçadas e o desafogamento do trânsito, tomando como exemplo ações que restrinjam o transporte individual, a mobilidade nas cidades brasileiras só tende a piorar. "Não conseguiremos avançar muito mais no modelo que temos hoje: incentivo do transporte individual, à velocidade e à falta de cidadania. Isso é, de fato, um conceito fadado ao fracasso", afirma Maria Amélia, especialista em Gestão de Trânsito e Mobilidade Urbana e gerente de Marketing e Comunicação Corporativa da Perkons.
Buscando entender o atual panorama da mobilidade brasileira, identificar as consequências dela em nosso dia a dia e as alternativas viáveis para melhorar a situação, o portal Administradores preparou a série especial Caminhos do Brasil.
Abrindo os caminhos: um panorama da mobilidade no Brasil
Quando o homem só sabia coletar, caçar e pescar, desenvolver rotas que garantissem sempre bons resultados nessas empreitadas era, literalmente, questão de vida ou morte. Mais tarde, aprendemos a cultivar e comercializar excedentes, inclusive em pontos muito distantes, o que nos levou a construir as grandes estradas. Para atravessarmos os mares, surgiram as naus e caravelas. Para irmos mais rápido em terra, os trens, os bondes, os carros, as motos. Pelos ares, os dirigíveis, os aviões.
Independente da época, desenvolvimento econômico e capacidade de mobilidade das populações são fatores que sempre se mantiveram intimamente relacionados ao longo de toda a história. Por exemplo, foi por terem saído na frente na corrida naval que Portugal e Espanha conquistaram boa parte do mundo e estabeleceram entrepostos comerciais estratégicos que lhes renderam o status de maiores potências econômicas do planeta durante o século XV. Na Inglaterra dos séculos XVIII e XIX, a chamada Revolução Industrial, teve boa parte de seu sucesso à gigantesca malha ferroviária construída no país.
No Brasil, a relação tem a mesma importância, o que nos impõe um desafio gigantesco: interligar cidades encurtando nossas longas distâncias. A tarefa não é fácil, quando lembramos que de Oiapoque/AP (extremo norte do país) a Arroio Chuí/RS (extremo sul) são mais de 4.000 km. Mas não é impossível.
Rodovias
Em termos quantitativos, a malha rodoviária brasileira não deixa a desejar. Até porque a opção histórica pelas estradas obrigou o país a, literalmente, abrir caminhos por onde pudessem passar carros e caminhões. Segundo dados do governo federal, temos 1,355 milhões de quilômetros de rodovias, por onde passam 56% de todas as cargas do país. Boa parte dessas rodovias, entretanto, encontra-se atualmente em péssimas condições, com 30% delas bastante danificadas e apenas 140 mil quilômetros pavimentados.
Diante da extensão da malha rodoviária brasileira, uma alternativa pela qual estados e o governo federal têm optado é a concessão de trechos. De acordo com a Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias – ABCR, o país tem pouco mais de 15 mil km de estradas administradas por 55 concessionárias.
A extensão administrada por esse modelo ainda é pequena, se comparada ao total do país. Mesmo assim, com suas 283 praças de pedágio (Segundo a ABCR), os trechos são alvos de críticas. Em Osasco/SP, por exemplo, população e parlamentares têm reclamado de mau planejamento, que seria responsável por um aumento no fluxo de veículos dentro da cidade por conta dos pontos de cobranças posicionados nas estradas que a cercam.
"O estado instala pedágios no Rodoanel, na Anhanguera e na Castello, jogando todo o trânsito pesado para dentro da nossa cidade", reclama o vereador de Osasco Valmir Prascidelli (PT).
O governador Geraldo Alckmin, entretanto, defende o modelo. "A concessão feita em São Paulo é bem sucedida. Ele permitiu grandes investimentos. Como é que o estado conseguiria fazer a nova pista da (rodovia) Imigrantes? Ela foi feita sem um centavo de dinheiro público", disse em sabatina a jornalista.
Trilhos
As ferrovias, historicamente relegadas a segundo plano nos programas nacionais de mobilidade, hoje são – em sua maioria – obsoletas e se restringem, basicamente, ao transporte de cargas, sendo utilizadas para transportes de passageiros em apenas algumas regiões e em trechos curtos. Hoje a malha tem pouco mais de 30 mil quilômetros, operados por consórcios privados e, em algumas áreas urbanas, pela estatal CBTU – Companhia Brasileira de Trens Urbanos.
Hoje, a maior aposta nesse campo é a construção da ferrovia Transnordestina, obra que já está em andamento e deve interligar os portos de Suape (Pernambuco) e Pecém (Ceará), cortando o Nordeste com duas frentes. A previsão é de que empresas de médio e grande porte se instalem nas regiões por onde os 1.728 km da linha férrea passarão, gerando emprego e renda. O grande objetivo do empreendimento, entretanto, é reduzir os custos de transporte da produção nordestina.
No céu
O transporte aéreo, por sua vez, tem vivido uma fase de ascensão e boas perspectivas, com a ampliação de aeroportos e a expansão das rotas para o interior do país. A pequena Azul Linhas Aéreas, por exemplo, que tem apostado em terminais alternativos, atingiu a marca de 15 milhões de clientes transportados em apenas três anos de operação. A TAM, maior companhia do país, obteve um lucro operacional de 197,5 milhões em 2011, uma elevação de 36,5% em relação ao ano anterior, que demonstra a consolidação do setor.
De olho na Copa e para evitar colapsos como o do apagão aéreo de 2006, o governo Dilma decidiu privatizar a operacionalização de importantes aeroportos do país, concedendo-a por tempo determinado. A decisão, entretanto, apontada como a solução mais viável para o país no curto prazo, foi criticada pela Lata, organização que reúne as 280 maiores aéreas do mundo. O temor é de que haja alta nas taxas cobradas e, consequentemente, aumento nos preços de passagens. "Mesmo considerando que uma quantidade substancial de recursos pode ser atingida por meio de melhorias na eficiência dos aeroportos, em especial em Guarulhos, é difícil conciliar o montante pago com o potencial de receita", diz comunicado da entidade. O projeto de concessão, no entanto, não prevê aumento de taxas.
Nas ruas
O grande calo do Brasil está dentro das cidades. Caro, o transporte urbano responde atualmente, em média, por 19,6% do orçamento das famílias brasileiras, perdendo apenas para habitação e alimentação.
O transporte público ainda é frágil, considerado ruim ou muito ruim por 41% da população das cidades com mais de 100 mil habitantes, segundo levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Ipea. Com uma infraestrutura que privilegia os veículos pessoais, o modelo brasileiro vive sob a constante ameaça de colapso, com muitos carros nas ruas, ônibus que não atendem a todas as necessidades e linhas de metrô insuficientes.
Para se ter uma ideia, na cidade do Porto, em Portugal, que tem pouco mais de 200 mil habitantes, a população tem à disposição um sistema integrado de ônibus, bondes elétricos e metrô por um custo relativamente baixo, mesmo o país vivendo uma de suas piores crises econômicas.
Uma assinatura mensal que dá livre acesso em ônibus e metrô na zona principal do Porto pode ser adquirida hoje por 30 euros, o que equivale a 5,4% do salário mínimo do país (554 euros). Em João Pessoa/PB, não há assinatura mensal para o sistema de ônibus (único modelo de transporte coletivo público existente na cidade). Mas, considerando que um trabalhador utilize duas passagens diariamente – para se deslocar de casa para o trabalho e do trabalho para casa – trabalhando 21 dias do mês, sua despesa será de R$ 96,80, o que corresponde as 15,56% do salário mínimo brasileiro atual, de R$ 622,00.
Sancionado em janeiro, o Plano Nacional de Mobilidade Urbana pretende suprir os déficits da infraestrutura brasileira no setor, procurando melhorar a qualidade do serviço prestado e reduzir os custos. Entre seus principais pontos estão a garantia de recursos para obras de viabilização do trânsito e a fixação de subsídios para as tarifas de transporte público.
Fonte: Por Eber Freitas, Fábio Bandeira, Mayara Emmily e Simão Mairins/ Arte: Thiago Castor, www.administradores.com.br
A situação acima vivida por Heloísa é muito semelhante ao dia a dia de grande parte da população, constituída por motoristas, passageiros e pedestres, principalmente na zona urbana. As causas disso são a grande quantidade de veículos, o desrespeito no trânsito e a estrutura insuficiente em vias, calçadas e no transporte público, que são problemas que vêm afetando a mobilidade urbana.
Tema atual e recorrente em pesquisas, a melhoria da mobilidade no trânsito é um fator de fundamental importância para o bem-estar populacional. Sem atitudes que visem o desbloqueio de calçadas e o desafogamento do trânsito, tomando como exemplo ações que restrinjam o transporte individual, a mobilidade nas cidades brasileiras só tende a piorar. "Não conseguiremos avançar muito mais no modelo que temos hoje: incentivo do transporte individual, à velocidade e à falta de cidadania. Isso é, de fato, um conceito fadado ao fracasso", afirma Maria Amélia, especialista em Gestão de Trânsito e Mobilidade Urbana e gerente de Marketing e Comunicação Corporativa da Perkons.
Buscando entender o atual panorama da mobilidade brasileira, identificar as consequências dela em nosso dia a dia e as alternativas viáveis para melhorar a situação, o portal Administradores preparou a série especial Caminhos do Brasil.
Abrindo os caminhos: um panorama da mobilidade no Brasil
Quando o homem só sabia coletar, caçar e pescar, desenvolver rotas que garantissem sempre bons resultados nessas empreitadas era, literalmente, questão de vida ou morte. Mais tarde, aprendemos a cultivar e comercializar excedentes, inclusive em pontos muito distantes, o que nos levou a construir as grandes estradas. Para atravessarmos os mares, surgiram as naus e caravelas. Para irmos mais rápido em terra, os trens, os bondes, os carros, as motos. Pelos ares, os dirigíveis, os aviões.
Independente da época, desenvolvimento econômico e capacidade de mobilidade das populações são fatores que sempre se mantiveram intimamente relacionados ao longo de toda a história. Por exemplo, foi por terem saído na frente na corrida naval que Portugal e Espanha conquistaram boa parte do mundo e estabeleceram entrepostos comerciais estratégicos que lhes renderam o status de maiores potências econômicas do planeta durante o século XV. Na Inglaterra dos séculos XVIII e XIX, a chamada Revolução Industrial, teve boa parte de seu sucesso à gigantesca malha ferroviária construída no país.
No Brasil, a relação tem a mesma importância, o que nos impõe um desafio gigantesco: interligar cidades encurtando nossas longas distâncias. A tarefa não é fácil, quando lembramos que de Oiapoque/AP (extremo norte do país) a Arroio Chuí/RS (extremo sul) são mais de 4.000 km. Mas não é impossível.
Em termos quantitativos, a malha rodoviária brasileira não deixa a desejar. Até porque a opção histórica pelas estradas obrigou o país a, literalmente, abrir caminhos por onde pudessem passar carros e caminhões. Segundo dados do governo federal, temos 1,355 milhões de quilômetros de rodovias, por onde passam 56% de todas as cargas do país. Boa parte dessas rodovias, entretanto, encontra-se atualmente em péssimas condições, com 30% delas bastante danificadas e apenas 140 mil quilômetros pavimentados.
Diante da extensão da malha rodoviária brasileira, uma alternativa pela qual estados e o governo federal têm optado é a concessão de trechos. De acordo com a Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias – ABCR, o país tem pouco mais de 15 mil km de estradas administradas por 55 concessionárias.
A extensão administrada por esse modelo ainda é pequena, se comparada ao total do país. Mesmo assim, com suas 283 praças de pedágio (Segundo a ABCR), os trechos são alvos de críticas. Em Osasco/SP, por exemplo, população e parlamentares têm reclamado de mau planejamento, que seria responsável por um aumento no fluxo de veículos dentro da cidade por conta dos pontos de cobranças posicionados nas estradas que a cercam.
"O estado instala pedágios no Rodoanel, na Anhanguera e na Castello, jogando todo o trânsito pesado para dentro da nossa cidade", reclama o vereador de Osasco Valmir Prascidelli (PT).
O governador Geraldo Alckmin, entretanto, defende o modelo. "A concessão feita em São Paulo é bem sucedida. Ele permitiu grandes investimentos. Como é que o estado conseguiria fazer a nova pista da (rodovia) Imigrantes? Ela foi feita sem um centavo de dinheiro público", disse em sabatina a jornalista.
As ferrovias, historicamente relegadas a segundo plano nos programas nacionais de mobilidade, hoje são – em sua maioria – obsoletas e se restringem, basicamente, ao transporte de cargas, sendo utilizadas para transportes de passageiros em apenas algumas regiões e em trechos curtos. Hoje a malha tem pouco mais de 30 mil quilômetros, operados por consórcios privados e, em algumas áreas urbanas, pela estatal CBTU – Companhia Brasileira de Trens Urbanos.
Hoje, a maior aposta nesse campo é a construção da ferrovia Transnordestina, obra que já está em andamento e deve interligar os portos de Suape (Pernambuco) e Pecém (Ceará), cortando o Nordeste com duas frentes. A previsão é de que empresas de médio e grande porte se instalem nas regiões por onde os 1.728 km da linha férrea passarão, gerando emprego e renda. O grande objetivo do empreendimento, entretanto, é reduzir os custos de transporte da produção nordestina.
O transporte aéreo, por sua vez, tem vivido uma fase de ascensão e boas perspectivas, com a ampliação de aeroportos e a expansão das rotas para o interior do país. A pequena Azul Linhas Aéreas, por exemplo, que tem apostado em terminais alternativos, atingiu a marca de 15 milhões de clientes transportados em apenas três anos de operação. A TAM, maior companhia do país, obteve um lucro operacional de 197,5 milhões em 2011, uma elevação de 36,5% em relação ao ano anterior, que demonstra a consolidação do setor.
De olho na Copa e para evitar colapsos como o do apagão aéreo de 2006, o governo Dilma decidiu privatizar a operacionalização de importantes aeroportos do país, concedendo-a por tempo determinado. A decisão, entretanto, apontada como a solução mais viável para o país no curto prazo, foi criticada pela Lata, organização que reúne as 280 maiores aéreas do mundo. O temor é de que haja alta nas taxas cobradas e, consequentemente, aumento nos preços de passagens. "Mesmo considerando que uma quantidade substancial de recursos pode ser atingida por meio de melhorias na eficiência dos aeroportos, em especial em Guarulhos, é difícil conciliar o montante pago com o potencial de receita", diz comunicado da entidade. O projeto de concessão, no entanto, não prevê aumento de taxas.
O grande calo do Brasil está dentro das cidades. Caro, o transporte urbano responde atualmente, em média, por 19,6% do orçamento das famílias brasileiras, perdendo apenas para habitação e alimentação.
O transporte público ainda é frágil, considerado ruim ou muito ruim por 41% da população das cidades com mais de 100 mil habitantes, segundo levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Ipea. Com uma infraestrutura que privilegia os veículos pessoais, o modelo brasileiro vive sob a constante ameaça de colapso, com muitos carros nas ruas, ônibus que não atendem a todas as necessidades e linhas de metrô insuficientes.
Para se ter uma ideia, na cidade do Porto, em Portugal, que tem pouco mais de 200 mil habitantes, a população tem à disposição um sistema integrado de ônibus, bondes elétricos e metrô por um custo relativamente baixo, mesmo o país vivendo uma de suas piores crises econômicas.
Uma assinatura mensal que dá livre acesso em ônibus e metrô na zona principal do Porto pode ser adquirida hoje por 30 euros, o que equivale a 5,4% do salário mínimo do país (554 euros). Em João Pessoa/PB, não há assinatura mensal para o sistema de ônibus (único modelo de transporte coletivo público existente na cidade). Mas, considerando que um trabalhador utilize duas passagens diariamente – para se deslocar de casa para o trabalho e do trabalho para casa – trabalhando 21 dias do mês, sua despesa será de R$ 96,80, o que corresponde as 15,56% do salário mínimo brasileiro atual, de R$ 622,00.
Sancionado em janeiro, o Plano Nacional de Mobilidade Urbana pretende suprir os déficits da infraestrutura brasileira no setor, procurando melhorar a qualidade do serviço prestado e reduzir os custos. Entre seus principais pontos estão a garantia de recursos para obras de viabilização do trânsito e a fixação de subsídios para as tarifas de transporte público.
Fonte: Por Eber Freitas, Fábio Bandeira, Mayara Emmily e Simão Mairins/ Arte: Thiago Castor, www.administradores.com.br
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
A ilusão do negócio fácil e altamente lucrativo
Os meios de comunicação não cansam de contar e exibir histórias de empresas que tiveram um crescimento meteórico – principalmente aquelas ligadas à tecnologia e internet –, mas esquecem de dizer que essas empresas são exceções à regra.
Se você analisar as empresas que conhece e que podem ser consideradas "bem-sucedidas" verá que na maioria dos casos não existe nenhuma fórmula mágica para que isso aconteça. Existe sim, é muito trabalho e uma grande regularidade na aplicação dos recursos gerados.
Assim como o segredo dos grandes investidores é a aplicação constante e regular no longo prazo, reinvestindo os rendimentos obtidos, criando assim um efeito multiplicador extraordinário, da mesma forma uma empresa deve reinvestir parte dos lucros na ampliação do seu negócio.
No entanto, muitos ainda são iludidos pela aparente facilidade que alguns empresários tiveram em transformar seus negócios em empresas de sucesso, mas a realidade nos mostra que a maioria das empresas sólidas foi construída na base de muito suor e dedicação, levando, às vezes, mais que uma geração para chegar ao patamar atual.
Por conta desse tipo de distorção, tenho percebido, principalmente por parte dos jovens empreendedores, muita ansiedade em ver sua empresa crescer e ao mesmo tempo querendo usufruir o "merecido" retorno financeiro pelo "esforço" empregado até o momento.
É claro que não podemos confundir as coisas. Se sua empresa não está alcançando os objetivos e resultados traçados, às vezes, é necessária uma correção de rota. Mas, partindo do princípio de que ela é lucrativa, o crescimento será sempre proporcional à sua capacidade de geração de recursos, exceto, é claro, que aconteça algo extraordinário e inesperado no mercado que atua.
Uma maneira de você criar essa regularidade é estar focado nos objetivos do negócio. Pois quando você sabe aonde quer chegar, não é qualquer turbulência ou "nova oportunidade" que lhe desviará do caminho.
Digo nova oportunidade, pois, às vezes, surgem negócios "imperdíveis" que podem nos tirar a atenção, para logo em seguida se mostrarem inviáveis, mas já tomaram tempo e recursos suficientes para atrapalhar o nosso objetivo principal.
Enfim, regularidade requer disciplina e foco nos objetivos, mas não pode ser sinônimo de teimosia e estagnação. Ou seja, a empresa não pode estar engessada ao ponto de comprometer sua continuidade, por insistência num modelo de negócio inviável. Portanto, se em algum momento você precisar tomar uma decisão que mude totalmente os rumos do negócio, faça isso embasado em informações confiáveis, e, continue firme na construção de uma empresa de sucesso.
Fonte: Por Isaac Rincaweski http://www.administradores.com.br
Se você analisar as empresas que conhece e que podem ser consideradas "bem-sucedidas" verá que na maioria dos casos não existe nenhuma fórmula mágica para que isso aconteça. Existe sim, é muito trabalho e uma grande regularidade na aplicação dos recursos gerados.
Assim como o segredo dos grandes investidores é a aplicação constante e regular no longo prazo, reinvestindo os rendimentos obtidos, criando assim um efeito multiplicador extraordinário, da mesma forma uma empresa deve reinvestir parte dos lucros na ampliação do seu negócio.
No entanto, muitos ainda são iludidos pela aparente facilidade que alguns empresários tiveram em transformar seus negócios em empresas de sucesso, mas a realidade nos mostra que a maioria das empresas sólidas foi construída na base de muito suor e dedicação, levando, às vezes, mais que uma geração para chegar ao patamar atual.
Por conta desse tipo de distorção, tenho percebido, principalmente por parte dos jovens empreendedores, muita ansiedade em ver sua empresa crescer e ao mesmo tempo querendo usufruir o "merecido" retorno financeiro pelo "esforço" empregado até o momento.
É claro que não podemos confundir as coisas. Se sua empresa não está alcançando os objetivos e resultados traçados, às vezes, é necessária uma correção de rota. Mas, partindo do princípio de que ela é lucrativa, o crescimento será sempre proporcional à sua capacidade de geração de recursos, exceto, é claro, que aconteça algo extraordinário e inesperado no mercado que atua.
Uma maneira de você criar essa regularidade é estar focado nos objetivos do negócio. Pois quando você sabe aonde quer chegar, não é qualquer turbulência ou "nova oportunidade" que lhe desviará do caminho.
Digo nova oportunidade, pois, às vezes, surgem negócios "imperdíveis" que podem nos tirar a atenção, para logo em seguida se mostrarem inviáveis, mas já tomaram tempo e recursos suficientes para atrapalhar o nosso objetivo principal.
Enfim, regularidade requer disciplina e foco nos objetivos, mas não pode ser sinônimo de teimosia e estagnação. Ou seja, a empresa não pode estar engessada ao ponto de comprometer sua continuidade, por insistência num modelo de negócio inviável. Portanto, se em algum momento você precisar tomar uma decisão que mude totalmente os rumos do negócio, faça isso embasado em informações confiáveis, e, continue firme na construção de uma empresa de sucesso.
Fonte: Por Isaac Rincaweski http://www.administradores.com.br
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Um sábio que entendeu para que servem impostos
Acaba de ser divulgado que a Receita Federal cravou um novo recorde de arrecadação para janeiro. O valor é 102 bilhões e representa uma alta de 6% em relação a janeiro do mesmo ano. Nunca se arrecadou tanto nessa época do ano.
Antes da turma do impostometro começar a disparar sua campanha em estilo Papai Noel,de quem quer pagar menos imposto com a ilusão de que os serviços públicos irão melhorarpara todo mundo, não custa recordar as lições de Tony Judt, um sábio que morreu precocemente, mas deixou duas obras importantes sobre nosso tempo.
A primeira, Pós-Guerra, retrata a construção do Estado Bem-Estar Social. A segunda, O Mal Ronda a Terra, descreve as consequencias socialmente malignas produzidas pela onda conservadora produzida na economia mundial e nas idéias políticas a partir de 1980, pela ação conjunta de Margaret Thatcher e Ronald Reagan. Com pouco mais de 100 páginas, ilustrado por gráficos ilustrativos, O Mal… é uma obra que se lê com facilidade. Foi escrito por Judt em seus últimos meses de vida.
O tom é de um manifesto em defesa dos valores da social-democracia, corrente do movimento operário que foi desprezada pelos comunistas como última barreira de defesa do capitalismo, mas tratada como esquerdista demais por muitos conservadores.
O mal que ronda a terra, explica Tony Judt, é a destruição do Estado de Bem-Estar. Longe de ser um fanático da estatização e da intervenção do Estado na economia, Judt é partidário da tese de que Estado e mercado pode se combinar em proveito do bem-estar da maioria das pessoas.
Com números numa das mãos e idéias claras na outra, Judt acompanhou que as privatizações na Inglaterra de Tatcher e a desregulamentação nos EUA de Reagan.
Suas conclusões:
a) os serviços pioraram e se tornaram mais caros, mesmo em áreas de saúde e transporte;
b) a carga de impostos diminuiu para a cúpula da sociedade, que pagava mais, mas ficou igual e até subiu para as camadas inferiores.
Para além do aspecto econômico, porém, Judt tem a sabedoria de registrar o aspecto político. A privatização, ensina, implica num rebaixamento dos serviços públicos e do espaço de atuação da cidania sobre questões que dizem respeito diretamente a sua vida.
Quando são prestados pelo Estado, a sociedade tem o direito de discutir seu conteúdo, sua finalidade, suas aplicações. Quando são fornecidos por empresas privadas, adquirem outra natureza. São mercadorias, que obedecem a outra lógica e são julgados por outros critérios.
Judt não é um nostálgico da estatização. Diz que é preciso ter honestidade para ver qual solução funciona melhor em qual situação.
Lembra que a qualidade de muitos serviços prestados pelo Estado chegava a ser ruim e o atendimento deixava a desejar. Mas, mesmo nessa situação, o cidadão tinha meios de cobrar e questionar. Também podia vingar-se na próxima eleição.
No caso dos serviços privados, você está diante de uma empresa e do seu SAC. As moças do telemarketing podem ser atenciosas mas não há hipótese de alterar a situação. Neste caso, direito público passam a ser equivalentes a sabonetes ou marcas de biscoito.
Judt mostra que um dos argumentos favoritos para a privatização era a falta de recursos do Estado para manter investimentos. Observa, porém, que raras vezes o Estado deixou de gastar bilhões em recursos — que seriam repassados ao contribuinte — para financiar as aquisições pelo setor privado. Ele também mostra que, no momento em que os serviços deixam de corresponder às metas de lucro, inicia-se um processo de devolução ao Estado.
Judt desenvolve este raciocínio para demonstrar a importancia dos impostos e da saúde financeira dos governos. Mostra que todos os cidadãos consomem serviços públicos ao longo de suas vidas, em grande quantidade, e que é absurdo imaginar que não seria preciso pagar por eles.
Lembra o óbvio, o que é até necessário em situações de muita confusão ideologico: o imposto está nas ruas, na iluminação, na escola que voce frequentou (ou que seu empregado frequentou), no subsídio que fez a comida ficar mais barata e permitiu comprar remédios mais conta, na saúde pública que atende a massa da população que não teria como receber atendimento médico e assim por diante.
Ele mostra que, ao contrário da lenda, o retorno dos impostos é real, pode ter um efeito multiplicador muito maior e seu caráter é socializador. (O caso notório é da saúde americana, um sistema privado que tem custos maiores e qualidades muito menores do que nos países onde é assumido pelo Estado). Outro caso é a previdência pública, única garantia de um fim de vida decente da maioria da população mais velha.
Você não precisa concordar com tudo o que ele diz. Mas certamente não vai perder seu tempo se resolver refletir a respeito.
Antes da turma do impostometro começar a disparar sua campanha em estilo Papai Noel,de quem quer pagar menos imposto com a ilusão de que os serviços públicos irão melhorarpara todo mundo, não custa recordar as lições de Tony Judt, um sábio que morreu precocemente, mas deixou duas obras importantes sobre nosso tempo.
A primeira, Pós-Guerra, retrata a construção do Estado Bem-Estar Social. A segunda, O Mal Ronda a Terra, descreve as consequencias socialmente malignas produzidas pela onda conservadora produzida na economia mundial e nas idéias políticas a partir de 1980, pela ação conjunta de Margaret Thatcher e Ronald Reagan. Com pouco mais de 100 páginas, ilustrado por gráficos ilustrativos, O Mal… é uma obra que se lê com facilidade. Foi escrito por Judt em seus últimos meses de vida.
O tom é de um manifesto em defesa dos valores da social-democracia, corrente do movimento operário que foi desprezada pelos comunistas como última barreira de defesa do capitalismo, mas tratada como esquerdista demais por muitos conservadores.
O mal que ronda a terra, explica Tony Judt, é a destruição do Estado de Bem-Estar. Longe de ser um fanático da estatização e da intervenção do Estado na economia, Judt é partidário da tese de que Estado e mercado pode se combinar em proveito do bem-estar da maioria das pessoas.
Com números numa das mãos e idéias claras na outra, Judt acompanhou que as privatizações na Inglaterra de Tatcher e a desregulamentação nos EUA de Reagan.
Suas conclusões:
a) os serviços pioraram e se tornaram mais caros, mesmo em áreas de saúde e transporte;
b) a carga de impostos diminuiu para a cúpula da sociedade, que pagava mais, mas ficou igual e até subiu para as camadas inferiores.
Para além do aspecto econômico, porém, Judt tem a sabedoria de registrar o aspecto político. A privatização, ensina, implica num rebaixamento dos serviços públicos e do espaço de atuação da cidania sobre questões que dizem respeito diretamente a sua vida.
Quando são prestados pelo Estado, a sociedade tem o direito de discutir seu conteúdo, sua finalidade, suas aplicações. Quando são fornecidos por empresas privadas, adquirem outra natureza. São mercadorias, que obedecem a outra lógica e são julgados por outros critérios.
Judt não é um nostálgico da estatização. Diz que é preciso ter honestidade para ver qual solução funciona melhor em qual situação.
Lembra que a qualidade de muitos serviços prestados pelo Estado chegava a ser ruim e o atendimento deixava a desejar. Mas, mesmo nessa situação, o cidadão tinha meios de cobrar e questionar. Também podia vingar-se na próxima eleição.
No caso dos serviços privados, você está diante de uma empresa e do seu SAC. As moças do telemarketing podem ser atenciosas mas não há hipótese de alterar a situação. Neste caso, direito público passam a ser equivalentes a sabonetes ou marcas de biscoito.
Judt mostra que um dos argumentos favoritos para a privatização era a falta de recursos do Estado para manter investimentos. Observa, porém, que raras vezes o Estado deixou de gastar bilhões em recursos — que seriam repassados ao contribuinte — para financiar as aquisições pelo setor privado. Ele também mostra que, no momento em que os serviços deixam de corresponder às metas de lucro, inicia-se um processo de devolução ao Estado.
Judt desenvolve este raciocínio para demonstrar a importancia dos impostos e da saúde financeira dos governos. Mostra que todos os cidadãos consomem serviços públicos ao longo de suas vidas, em grande quantidade, e que é absurdo imaginar que não seria preciso pagar por eles.
Lembra o óbvio, o que é até necessário em situações de muita confusão ideologico: o imposto está nas ruas, na iluminação, na escola que voce frequentou (ou que seu empregado frequentou), no subsídio que fez a comida ficar mais barata e permitiu comprar remédios mais conta, na saúde pública que atende a massa da população que não teria como receber atendimento médico e assim por diante.
Ele mostra que, ao contrário da lenda, o retorno dos impostos é real, pode ter um efeito multiplicador muito maior e seu caráter é socializador. (O caso notório é da saúde americana, um sistema privado que tem custos maiores e qualidades muito menores do que nos países onde é assumido pelo Estado). Outro caso é a previdência pública, única garantia de um fim de vida decente da maioria da população mais velha.
Você não precisa concordar com tudo o que ele diz. Mas certamente não vai perder seu tempo se resolver refletir a respeito.
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Tecnologia na aula - por que não aceitá-la a nosso favor?
A educação vem passando por diversas mudanças importantes, que afetam diretamente todas as crianças. É tanta tecnologia que alunos e professores vivem uma crise de autoafirmação, que ocorre no encontro de gerações em um mesmo ambiente.
A sala de aula, que até então servia para proporcionar o desenvolvimento intelectual, social e cognitivo do aluno, torna-se um espaço onde, na maioria das vezes, ocorrem muitos conflitos.
Por um lado estão professores com uma formação disciplinadora, enfrentando o desafio de se atualizar e se modernizar. É preciso que eles entendam as novas tecnologias como aliadas, de modo que consigam ganhar a atenção de alunos cada vez mais conectados ao mundo virtual. Alunos estes que, a cada dia, chegam às escolas cheios de energia e vontade de aprender algo novo, de forma diferente.
A maneira como os professores ministravam as aulas já não é mais atrativa; é preciso algo mais, é preciso inovar! Mas como ministrar aulas motivadoras que alcancem diretamente os alunos? A resposta e os recursos já estão em suas mãos; basta se abrir ao que é novo.
Conhecer melhor o outro lado, certamente, auxiliará no pensar a inovação, que nada mais é do que oferecer aos alunos oportunidades de se desenvolverem com autonomia. A tecnologia que já existe dentro de muitas escolas permite, justamente, que isso aconteça.
Não é simplesmente usar o computador, digitar uma frase, mas sim fazer com que aqueles conteúdos aprendidos em sala de aula com o professor sejam desenvolvidos pelos alunos por meio de computadores, notebooks, tablets e smartphones, entre outros.
O que alunos desejam e precisam é que sejam oferecidos a eles desafios que possam ser superados. Isso é possível por meio de aplicativos interessantes e aulas dinâmicas, que promovem a socialização e o desenvolvimento integral do ser humano.
Por meio da Informática Educacional, tudo isso é feito com muito entusiasmo e dedicação, buscando sempre a qualidade na Educação brasileira. É o desejamos para os nossos alunos, para as nossas crianças, enfim, para a nossa Educação!
Fonte: brasil 247 - por Ana Paula Barros de Paiva, é Orientadora-Educacional na área de Informática Educacional da empresa Planeta Educação e pedagoga especializada em projetos educativos
A sala de aula, que até então servia para proporcionar o desenvolvimento intelectual, social e cognitivo do aluno, torna-se um espaço onde, na maioria das vezes, ocorrem muitos conflitos.
Por um lado estão professores com uma formação disciplinadora, enfrentando o desafio de se atualizar e se modernizar. É preciso que eles entendam as novas tecnologias como aliadas, de modo que consigam ganhar a atenção de alunos cada vez mais conectados ao mundo virtual. Alunos estes que, a cada dia, chegam às escolas cheios de energia e vontade de aprender algo novo, de forma diferente.
A maneira como os professores ministravam as aulas já não é mais atrativa; é preciso algo mais, é preciso inovar! Mas como ministrar aulas motivadoras que alcancem diretamente os alunos? A resposta e os recursos já estão em suas mãos; basta se abrir ao que é novo.
Conhecer melhor o outro lado, certamente, auxiliará no pensar a inovação, que nada mais é do que oferecer aos alunos oportunidades de se desenvolverem com autonomia. A tecnologia que já existe dentro de muitas escolas permite, justamente, que isso aconteça.
Não é simplesmente usar o computador, digitar uma frase, mas sim fazer com que aqueles conteúdos aprendidos em sala de aula com o professor sejam desenvolvidos pelos alunos por meio de computadores, notebooks, tablets e smartphones, entre outros.
O que alunos desejam e precisam é que sejam oferecidos a eles desafios que possam ser superados. Isso é possível por meio de aplicativos interessantes e aulas dinâmicas, que promovem a socialização e o desenvolvimento integral do ser humano.
Por meio da Informática Educacional, tudo isso é feito com muito entusiasmo e dedicação, buscando sempre a qualidade na Educação brasileira. É o desejamos para os nossos alunos, para as nossas crianças, enfim, para a nossa Educação!
Fonte: brasil 247 - por Ana Paula Barros de Paiva, é Orientadora-Educacional na área de Informática Educacional da empresa Planeta Educação e pedagoga especializada em projetos educativos
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