sábado, 15 de janeiro de 2011

País planeja laboratório oceanográfico em alto-mar


O Brasil tem uma ambiciosa proposta de fincar um laboratório oceanográfico na mais remota fronteira marítima do país e, com isso, garantir o domínio territorial sobre uma área em que as riquezas naturais escondidas vão além do petróleo na camada do pré-sal. No limite da plataforma continental, a 350 milhas náuticas (648 quilômetros) da costa, o potencial de reservas minerais é imensurável, segundo uma fonte militar revelou ao GLOBO.

Com a implantação de um centro de pesquisas em alto-mar e o investimento em satélites, embarcações de patrulhamento e submarinos, a estratégia que vem sendo esboçada reservadamente pelo governo Dilma Rousseff é no sentido de afastar investidas de estrangeiros, como americanos, russos, alemães e japoneses, nos cobiçados mares do Atlântico Sul.

O instrumento de pesquisa, cujo projeto envolve os ministérios da Defesa, da Ciência e Tecnologia, do Meio Ambiente e investidores privados brasileiros, passará a ser usado para marcar a presença do Brasil dentro e fora das 200 milhas (370 quilômetros) hoje delimitadas. É o mesmo espírito que move a ocupação de pesquisadores do minúsculo arquipélago de São Pedro e São Paulo, a 1.010 quilômetros de Natal (RN). Os cientistas atualmente se revezam a cada 15 dias no arquipélago.

A localização e o projeto da plataforma fixa que dará suporte ao laboratório ainda estão em fase de elaboração. A determinação de custos e de prazo para a construção do equipamento é a próxima etapa, e a idéia é formalizar um consórcio com a participação do governo, da Petrobras e de parceiros da industrial nacional para custear o projeto. Além das pesquisas direcionadas à segurança ambiental, ao desenvolvimento de tecnologia naval e à biotecnologia, já há entendimento para que o laboratório tenha um observatório submarino, cujas imagens estariam disponíveis ao público pela internet.

Exploração brasileira tem respaldo das Nações Unidas

No limite de 200 milhas mar adentro, entra na pauta de prioridades a descoberta de petróleo no pré-sal. Os mais preocupados citam a volta da Quarta Frota dos Estados Unidos, país atento ao fortalecimento de uma frota militar na região. Um oficial da Marinha lembra a “incrível coincidência” entre o anúncio do petróleo na camada pré-sal e a decisão dos americanos de deslocar para o Caribe a Quarta Frota – divisão da Marinha americana responsável por operações no Atlântico Sul.

O faturamento potencial das reservas do pré-sal, considerando as atuais estimativas de 40 bilhões de barris, com o preço médio unitário de US$100, alcançaria US$4 trilhões. A ideia, segundo revelou ao GLOBO alto funcionário do governo, é “cravar os pés brasileiros” em um eldorado cuja soberania nacional pode ser questionada no futuro. A autoridade lembra que, nos limites oceânicos, prevalece a ocupação permanente para fins de domínio territorial. – Vamos pegar o limite da área de disputa, antes de outros. Eles vêm aqui com a Quarta Frota e nós vamos com o laboratório marítimo, muito mais simpático – afirma.

O Brasil já conquistou, junto às Nações Unidas, respaldo para explorar científica e comercialmente uma vasta área oceânica, que alcança 350 milhas náuticas, entre a fronteira com a Guiana Francesa e a divisa com o Uruguai. E disputa outros três trechos estratégicos, um ao sul e outro ao norte das reservas do pré-sal, inclusive na ainda misteriosa costa do extremo sul do país. O terceiro ponto segue em direção ao Mar do Caribe.

A questão é que, quando o pré-sal estiver a pleno vapor, o Brasil estará entre os maiores fornecedores de petróleo do mundo, podendo chegar ao nível do Oriente Médio. Passará também a ser um ator relevante no setor de energia. Assim, exercerá influência sobre as nações produtoras e terá de negociar pesadamente com os grandes consumidores, onde se inserem os americanos. – Estamos trabalhando sobre um cenário de 30, 40 anos. Nossa preocupação, no caso do pré-sal, não é com uma ameaça imediata. Não importa o que aconteça no futuro, temos de estar preparados para a adversidade – esclareceu uma fonte da área militar.

Em outra frente, o Brasil se prepara para disputar novos espaços para entrar firme em mineração no solo oceânico, na área fora do pré-sal e após as 200 milhas, entre a África e a América do Sul. As Nações Unidas trabalham em uma normatização para a exploração dos solos marinhos na faixa entre os dois continentes, hoje ocupada por embarcações da Rússia, do Japão e da Alemanha.

- A América do Sul e a África podem interferir nas decisões da ONU sobre o Atlântico Sul – diz essa fonte.

Um das preocupações é que, com a autorização dada aos países para explorar minérios, serão montadas estruturas no caminho das rotas marítimas comerciais brasileiras, o que provocará aumento de custo e obrigará navios a desviarem o curso. Mais um item a encarecer o frete.

- O Atlântico Sul é a região do oceano menos estudada do planeta e 92% do nosso comércio exterior passam por lá. Essa base científica é fundamental e vale a pena, não importa o custo – avalia Jorge Ramalho, especialista em relações internacionais da Universidade de Brasília (UnB).

Plataforma será patrulhada por submarino nuclear

No ano passado, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, iniciou uma ofensiva junto aos países da Costa Oeste da África, para que seja deslanchada uma ação conjunta que beneficie os dois continentes na negociação no âmbito da ONU. Jobim ofereceu a Marinha brasileira para ajudar os africanos a mapearem sua plataforma continental e estabelecer seus próprios limites.

Para assegurar o controle da plataforma brasileira, serão usados um submarino convencional e um submarino nuclear, que pode ficar meses submerso com uma velocidade maior. Também serão comprados mais navios de patrulha oceânica e construído um sistema de satélite para monitorar a chamada Amazônia Azul.

Fonte: O Globo, via Plano Brasil e GeoPolítica Brasil

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Guerra de Quarta Geração: “Aniquilar, controlar ou assimilar o inimigo”


A quarta guerra mundial já começou. Enquanto você descansa, enquanto você consome, enquanto você goza os espetáculos oferecidos pelo sistema, um exército invisível está se apoderando de sua mente, de sua conduta e de suas emoções.

Sua vontade está sendo tomada por forças de ocupação invisíveis sem que você suspeite de nada. As batalhas já não se desenrolam em espaços distantes, mas em sua própria cabeça. Já não se trata de uma guerra por conquista de territórios, mas de uma guerra por conquista de cérebros, onde você é o alvo principal.

O objetivo já não é mais matar, mas fundamentalmente controlar. As balas já não se dirigem apenas a seu corpo, mas às suas contradições e vulnerabilidades psicológicas. Sua conduta está sendo checada, monitorada e controlada por especialistas.

Sua mente e sua psicologia estão sendo submetidas a operações extremas de guerra de quarta geração. Uma guerra sem frentes nem retaguardas, uma guerra sem tanques nem fuzis, onde você é, ao mesmo tempo, a vítima e o algoz.

A guerra de quarta geração
Guerra de quarta geração (Fourth Generation Warfare – 4GW) é o termo usado pelos analistas e estrategistas militares para descrever a última fase da guerra na era da tecnologia da informação e das comunicações globalizadas.

Embora no início da década de noventa do século XX a teoria não tenha sido detalhada, nem tenha ficado expresso claramente o que se entendia por 4GW, o conceito foi logo associado à guerra assimétrica e à guerra antiterrorista.

Alguns analistas relacionam seu ponto de partida histórico com os atentados terroristas de 11 de setembro [de 2001] nos Estados Unidos.

Em 1991, o professor da Universidade Hebraica de Jerusalém Martin van Creveld publicou um livro intitulado “A transformação da guerra”, que daria sustento intelectual à teoria da 4GW.

O autor afirma que a guerra evoluiu até o ponto em que a teoria de Clausewitz se tornou obsoleta.

Martin Van Creveld prevê (livro - “A transformação da guerra”) que no futuro as bases militares serão substituídas por esconderijos e depósitos e o controle da população se efetuará mediante uma mistura de propaganda e terror.

As forças regulares serão transformadas em algo diferente do que tem sido tradicionalmente, assinala van Creveld. Ele também prevê o desaparecimento dos principais sistema de combate convencionais e a conversão das guerras em conflitos de baixa intensidade (também chamadas Guerras Assimétricas).

1-A versão antiterrorista
Depois dos ataques terroristas de 11 de setembro (de 2001)nos Estados Unidos, a Guerra de Quarta Geração se complementa com o uso do “terrorismo midiatizado” como estratégia e sistema avançado de manipulação e controle social.

Produz-se pela primeira vez o uso sistematizado do “terrorismo” (realizado por grupos de operação infiltrados na sociedade civil), complementado pela Operações Psicológicas Midiáticas orientados para o aproveitamento social, político e militar do fato “terrorista”.

A Guerra Antiterrorista (uma variação complementar da Guerra de Quarta Geração) confunde as fronteiras tradicionais entre “front amigo” e “front inimigo” e situa como eixo estratégico de disputa a guerra contra um inimigo universal invisível, disseminado por todo o planeta: o terrorismo.

A lógica do “novo inimigo” da humanidade, identificado com o terrorismo depois de 11 de setembro, se articula operacionalmente a partir da “Guerra Antiterrorista”, que compensa a desaparição do “inimigo estratégico” do capitalismo no campo internacional da Guerra Fria: a União Soviética.

A “guerra preventiva” contra o “terrorismo” produz um salto qualitativo na metodologia e nos recursos estratégicos da Guerra de Quarta Geração a serviço dos interesses imperiais da potência hegemônica do sistema capitalista: Estados Unidos.

A guerra entre potências, expressa no confronto Leste-Oeste, desaparece com a União Soviética e é substituída, a partir do 11 de setembro, pela “Guerra Antiterrorista” liderada por todas as potências e pelo império (Estados Unidos) contra apenas um inimigo: o terrorismo “sem fronteiras”.

O desenvolvimento tecnológico e informativo, a globalização da mensagem e a capacidade de influir na opinião pública mundial converteram a Guerra Psicológica Midiática na arma estratégica dominante da 4GW, em sua variação “antiterrorista”.

As operações com unidades militares são substituídas por operações com unidades midiáticas e a ação psicológica substitui as armas no teatro da confrontação.

Desta maneira, a partir do 11 de setembro a “Guerra Antiterrorista” e a “Guerra Psicológica” formam as duas colunas estratégicas que sustentam a Guerra de Quarta Geração, com os meios de comunicação convertidos em novos exércitos de conquista.

2. Guerra Psicológica (ou Guerra sem fuzis)
Na definição conceitual atual, a coluna vertebral da Guerra de Quarta Geração se enquadra no conceito de “guerra psicológica”, ou “guerra sem fuzis”, que foi assim chamada, pela primeira vez, nos manuais de estratégia militar da década de setenta.

Em sua definição técnica, “Guerra Psicológica” ou “Guerra Sem Fuzis” é o emprego planejado da propaganda e da ação psicológica orientadas a direcionar condutas, em busca de objetivos de controle social, político ou militar, sem recorrer ao uso das armas.

Os exércitos militares são substituídos por grupos de operação descentralizados, especialistas em insurgência e contrainsurgência e por especialistas em comunicação e psicologia de massas.

O desenvolvimento tecnológico e informático da era das comunicações, a globalização da mensagem e as capacidades para influenciar a opinião pública mundial converteram as operações de ação psicológica midiática na arma estratégica dominante da 4GW.

Como na guerra militar, um plano de guerra psicológica está destinado a: aniquilar, controlar ou assimilar o inimigo.

A guerra militar e suas técnicas se revalorizam dentro de métodos científicos de controle social e se convertem em uma eficiente estratégia de domínio sem o uso das armas.

Diferentemente da guerra convencional, a Guerra de Quarta Geração não se desenvolve em teatros de operação visíveis. Não há frentes de batalha com elementos materiais: a guerra se desenvolve em cenários combinados, sem ordem aparente e sem linhas visíveis de combate; os novos soldados não usam uniformes e se misturam aos civis. Já não existem os elementos da ação militar clássica: grandes unidades de combate (tanques, aviões, soldados, frentes, linhas de comunicação, retaguarda, etc.)

As bases de planejamento militar são substituídas por pequenos centros de comando e planejamento clandestinos, desde onde se desenham as modernas operações táticas e estratégicas.

As grandes batalhas são substituídas por pequenos conflitos localizados, com violência social extrema e sem ordem aparente de continuidade.

As grandes forças militares são substitutídas por pequenos grupos de operação (Unidades de Guerra Psicológica) dotados de grande mobilidade e de tecnologia de última geração, cuja função é detonar acontecimentos sociais e políticos mediante operações de guerra psicológica.

As unidades de Guerra Psicológica são complementadas por Grupos de Operação, infiltrados na população civil com a missão de detonar casos de violência e conflitos sociais.

As táticas e estratégias militares são substituídas por táticas e estratégias de controle social, mediante a manipulação informativa e a ação psicológica orientada para direcionar a conduta social em massa.

Os alvos já não são físicos (como na ordem militar tradicional), mas psicológicos e sociais. O objetivo já não é a destruição de elementos materiais (bases militares, soldados, infraestrutura civil, etc.), mas o controle do cérebro humano.

As grandes unidades militares (barcos, aviões, tanques, submarinos, etc.) são substituídas por um grande aparato midiático composto pelas redações e estúdios de rádio e de televisão.

O bombardeio militar é substituído pelo bombardeio midiático: os símbolos e as imagens substituem as bombas, mísseis e projéteis do campo militar.

O objetivo estratégico já não é somente o poder e controle de áreas físicas (populações, territórios, etc.), mas o controle da conduta social em massa.

As unidades táticas de combate (operadores da guerra psicológica) já não disparam balas mas símbolos direcionados a conseguir o objetivo de controle e manipulação da conduta de massa.

Os tanques, fuzis e aviões são substituídos pelos meios de comunicação (os exércitos de quarta geração) e as operações psicológicas se constituem em arma estratégica e operacional dominante.

3. O Alvo
Na Guerra sem Fuzis, a Guerra de Quarta Geração (também chamada Guerra Assimétrica), o campo de batalha já não está no exterior, mas dentro de sua cabeça.

As operações já não se traçam a partir da colonização militar para controle um território, mas a partir da colonização mental para controlar uma sociedade.

Os soldados da 4GW já não são militares, mas especialistas de comunicação em insurgência e contrainsurgência, que substituem as operações militares pelas operações psicológicas.

Os projéteis militares são substituídos por símbolos midiáticos que não destroem o corpo, mas anulam sua capacidade cerebral de decidir por si próprio.

Os bombardeios midiáticos com símbolos estão destinados a destruir o pensamento reflexivo (informação, processamento e síntese) e a substituí-lo por uma sucessão de imagens sem relação com tempo e espaço (alienação controlada).

Os bombardeios midiáticos não operam sobre sua inteligência, mas sobre sua psicologia: não manipulam sua consciência, mas seus desejos e temores inconscientes.

Todos os dias, durante 24 horas, há um exército invisível que aponta para sua cabeça: não utiliza tanques, aviões nem submarinos, mas informação direcionada e manipulada por meio de imagens e notícias.

Os guerreiros psicológicos não querem que você pense na informação, mas que consuma informação: notícias, títulos, imagens que excitam seus sentidos e sua curiosidade, sem conexão entre si.

Seu cérebro está submetido à lógica de Maquiavel: “Dividir para conquistar”. Quando sua mente se fragmenta com notícias desconectadas entre si, deixará de analisar (o que, porque e para que cada informação) e se converterá em consumidor. Quando você consome mídia sem analisar os ques e os porquês, os interesses do poder imperial se movem por trás de cada notícia ou informação jornalística você está consumindo Guerra de Quarta Geração, de ordens psicológicas direcionadas através de símbolos.

As notícias e as imagens são mísseis de última geração que as grandes cadeias midiáticas disparam com precisão demolidora sobre os cérebros convertidos em teatro de operações da Guerra de Quarta Geração.

Quando você consome notícias com “bin Laden”, “Al Qaeda”, “terrorismo muçulmano”, sua mente está consumindo símbolos de medo associados ao terrorismo, “delinquência organizada”, “vândalos”, “grevistas”.

O mesmo acontece no Brasil quando se diz “MST” (movimento dos trabalhadores sem terras, “greve”, “partidos de esquerda”, “sindicalistas”, “blogsujos”.Enquanto isso seu cérebro está servindo de teatro de operações para a Guerra de Quarta Geração lançada para controlar as sociedades em escala local e global.

Quando você consome a mídia sem analisar os porques e para ques ou os interesses do poder imperial que se movem por trás de cada notícia ou informação jornalística, você está consumindo a Guerra de Quarta Geração.

Texto por Manuel Freytas, no Gaceta en Movimiento, reproduzido em espanhol pelo Pedro Ayres em seu blog e traduzido pelo Viomundo, Colaboração: Hornet

Fonte: blog geopolitica Brasil

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Folha de São Paulo - hipocrisia sobre a ditadura militar no Brasil


Leia e analise esse excelente texto de Eduardo Guimarães do blog cidadania sobre o jornal Folha de São Paulo.

Jornal da Ditabranda ataca general sem vergonha
O jornal Folha de São Paulo instiga todo dia seus colunistas amestrados e o seu “noticiário” político contra os governos do PT, talvez mais por raiva de Lula do que por divergir das idéias do partido.

Nessa busca por qualquer chance que veja de desmoralizar seus adversários políticos, o jornal não mede os próprios atos e acaba caindo em contradições como a que passo a relatar.

Diante do rumor decorrente da declaração do novo chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general José Elito Carvalho, de que “Não há motivo para vergonha no fato de o país ter desaparecidos políticos”, o colunista Clóvis Rossi (grande membro do PIG), na edição da Folha de quinta-feira, fez uma crítica injusta ao governo nascituro de Dilma Rousseff.

Com tal crítica, o jornal desencadeou o que parece ser uma ofensiva para intrigar a nova administração do país com os sempre imprevisíveis militares de pijama, os quais, em pleno século XXI, ainda se pretendem uma força de ocupação do Brasil, um quarto de século depois de terem largado o osso da República.

A crítica de Rossi foi muito simples:
“Começa muito mal a gestão Dilma Rousseff: deveria ter demitido no ato o general José Elito Carvalho. No mínimo, no mínimo, a presidente deveria ter exigido de seu subordinado que emitisse nota oficial explicando as declarações que deu e que, segundo ele, foram mal interpretadas.

Não cabia interpretação nenhuma. O general produziu a mais indecente declaração que ouvi até hoje em 40 anos (…). Achar que se trata de “fato histórico” é zombar do público.

Quer dizer então que os desaparecidos foram tragados por um tsunami, por um terremoto, um vendaval, “fatos” naturais contra os quais não há mesmo remédios nem culpados?(…)”.

Alguns dirão irrepreensível a conclusão do colunista, não é? Um democrata fica naturalmente inclinado por ela, mas só até a medida que reflita um pouco sobre quem está acusando Dilma de tibieza com o general por ele ter dito que a ditadura militar foi menos culpada do que suas vítimas a pretendem.

A foto que está acima do texto é do ato público que o blogcidadania.com.br e seus leitores promoveram em 7 de março de 2009 à porta do jornal Folha de São Paulo. Levamos uns quinhentos amigos até lá para mostrar a nossa “alegria” com a tese do veículo de que a ditadura militar oriunda do golpe militar de 1964 teria sido uma “Ditabranda” por ter matado pouca gente e por ter sido decorrente de “uma guerra entre dois lados” etc., etc.

Como se não bastasse, o fundador da Folha, o falecido Octavio Frias de Oliveira, foi um grande entusiasta e colaborador da ditadura militar principalmente entre 1964 e 1980.

A crítica que esse e outros colunistas da Folha de São Paulo vêm fazendo à presidente da República é injusta porque seu governo está começando e é possível compreender que, em nome de poder realizar com mais tranqüilidade o projeto para o qual foi eleita, ela tenha optado por apenas cobrar explicações e manifestar seu desagrado.

Pode haver um caminho para tal crítica, mas deve-se atentar para quem a faz. Como Rossi e seus colegas podem ignorar que trabalham para um jornal que foi entusiasta da Ditabranda?

Afinal, pelo mesmo “pragmatismo” de Dilma esses colunistas não “demitem” seu empregador por ter tido – e continuar tendo – opinião análoga à do general José Elito Carvalho.

Fonte: http://www.blogcidadania.com.br/2011/01/jornal-da-ditabranda-ataca-general-sem-vergonha/ com algumas adaptações.

Análise do Discurso de Posse da Dilma


Não pretendia analisar o Discurso da Dilma, porque andam insinuando que sou Dilma de carteirinha, o que obviamente não sou. Só me sinto na obrigação de concordar quando uma futura candidata defende teses que sempre defendi. Estou no fundo agindo em causa própria.

Não entendo a grande imprensa, quando não percebe que é do interesse dela defender ideias inteligentes mesmo vindos da oposição, e ajudando assim a implantá-las.

Discursos de Posse são mais autênticos do que promessas eleitorais, embora ainda contenham um monte de platitudes para não "esquecer ninguém".

Vou me concentrar naquilo que ela não precisaria dizer, mas disse por que são coisas que ela acredita, que precisavam ser ditas, segundo ela.

Confronto com a imprensa em minha opinião será uma constante no seu governo. Como já alertei, Dilma não leva desaforo para casa, e sua relação com a imprensa será péssima, não necessariamente por culpa dela.

Brigar por tudo, como muitos de esquerda e direita acham corretos, é contraproducente. O estilo de Dilma é outro. Ela vai comprar muito mais brigas do que Lula, ela é capaz de comprar todas as brigas possíveis, algo que não recomendo, mas é sem dúvida o estilo dela. E é o que um bom "turn around manager" tem que fazer, por isto normalmente não duram muito.

Agora vamos ao que interessa, o que ela não precisaria dizer, mas disse.

Gerar oportunidades
O que mais me chamou a atenção, porque ela citou isto 3 vezes, é que ela iria "gerar oportunidades". Isto é a essência do discurso liberal por excelência. Os liberais acham que as oportunidades é que precisam ser bem distribuídas, enquanto à esquerda, o PSOL, o PSDB, até o PMDB, acham é que a é a renda que precisa ser bem distribuída.

"Gerar oportunidades" significa dar educação, estabilidade econômica, juros baixos, gerar empreendorismo, e se você não aproveitar estas oportunidades para gerar renda, problema seu.

"Gerar oportunidades" é uma guinada radical ao discurso típico da esquerda que era "gerar direitos", direitos que , como todos sabem, são sempre contra alguém, o contribuinte. Oportunidades são sempre a favor de alguém, do consumidor.

Porque a grande imprensa não pulou de alegria? Porque a nossa grande imprensa não é liberal, é conservadora.

Oportunidades, para os outros, é vista como uma ameaça ao "status quo", especialmente aos editores que hoje beiram os seus 65 anos, e estão mais de 40 anos no poder. Isto explica o antagonismo de certos jornalistas que, como todos percebem, não permitem renovação e ascensão jornalística dos mais jovens.

Não são liberais, não querem dar oportunidades a vocês jornalistas mais jovens, mais bem preparados, que sabem usar uma HP 12 C, um Excel, e o Scielo.

Defesa da Classe Média
Dilma também deu ênfase à defesa da Classe Média, uma classe liberal por excelência, a classe do Profissional Liberal, que o próprio nome indica.

Enquanto o PSDB pensa em se refundar, o PT está se reformulando para ser o Partido não mais dos trabalhadores e sim da Classe Média, e assim ficar 20 anos no poder.

Lembre-se que os funcionários públicos são Classe Média, e esta estratégia da Dilma é politicamente inteligente.

Grande empresa
Chamou-me a atenção que ela anunciou que iria incentivar a "grande empresa", até o pequeno agricultor. Não precisava usar o termo "grande empresa", mas usou.

Dilma precisaria agradar a "grande empresa" num discurso público, isto se faz a boca pequena. Ela realmente acredita na Marfrig, Friboi, Brazil Foods. Porque isso faz parte do conceito "empresas de classe mundial", algo que já tratei aqui, que ela reforça na hora de defender a internacionalização da empresa nacional.

Em vez de destruir o imperialismo, como muitos queriam Dilma da entender que vamos competir contra ele. Uma mudança de 180 graus.

Reservas Cambiais
Ela afirmou também que as "reservas continuarão a crescer", contrariando muitos economistas do PT, da oposição e da grande imprensa, que criticaram Meirelles pelo custo destas reservas. Pararam no tempo, Dilma não.

Os liberais e neoliberais deveriam ficar contentes com o discurso, é um progresso e tanto na forma de conduzir uns pais.

Infelizmente, o liberalismo como o socialismo, é o grande pavor dos jornalistas conservadores deste país. Mas o jovem de hoje é liberal, acredita na oportunidade para todos. Vamos aguardar.

Texto original de Stephen Kaniz com algumas adaptações

Fonte : http://blog.kanitz.com.br/2011/01/an%C3%A1lise-do-discurso-de-posse-da-dilma.html#more

domingo, 9 de janeiro de 2011

Política – não basta criticar - você tem que participar


Todo dia alguém reclama da qualidade dos nossos políticos e da incompetência dos nossos governantes. Infelizmente, cada povo tem o governo que produz e merece.

Afinal, não incentivamos os jovens a serem políticos, não ajudamos os mais competentes a se eleger, nem sequer sabemos onde fica a sede do partido político em que votamos, não identificamos quem poderia ser um bom político no futuro.

Pergunte a 100 universitários que profissão escolherá e a maioria responderá administração, medicina, engenharia ou advocacia. Poucos dirão que pretendem seguir a carreira política.

Nenhum país consegue tornar-se uma nação séria e respeitada se a carreira de político não consegue atrair seus melhores cidadãos de uma sociedade. Desde Platão já havia essa constatação.

Deplorar constantemente a qualidade de nossa classe política, sem fazer absolutamente nada para mudar esta situação, é uma atitude cínica e complacente de quem critica.

Temos de fazer algo. Uma das primeiras lições de Administração, é que a qualidade do produto depende dos seus insumos. Se os próprios candidatos são de baixa qualidade, os eleitos também o serão. Existem excelentes políticos no congresso, sem a menor dúvida, mas precisamos aumentar seu número.

Há trinta anos, a sociedade americana, criou um programa chamado Pagers, que podemos adaptar para realidade Brasileira, chamando o programa de Estagiários no Congresso.

Pager era um menino de recados, que levava bilhetes de lá para cá, neste caso entre Senadores e Congressistas americanos em plenário. Ser escolhido Pager era o máximo, uma honra e uma curtição.

Os detalhes devem ter mudado, mas do que me lembro na época, cinqüenta jovens do primeiro colegial, escolhidos pelos colegas entre os representantes de classe ou do grêmio, e com as melhores notas acadêmicas das escolas de cada Estado americano, eram designados Pager por três semanas, e lá iam todos para a capital da república.

Nessas três semanas, entravam em contato com os congressistas e líderes da política americana. Participavam, de certa forma, dos bastidores do poder, ouviam as discussões e as fofocas de plenário e voltavam à terra natal para serem substituídos por outros cinqüenta estudantes. o Final do ano uns 500 passavam pela experiência.

Muitos percebiam que havia algo muito bem mais nobre na vida do que ser médico ou engenheiro. Em vez de se tornarem grandes administradores, ou financistas, alguns desses melhores e brilhantes alunos optaram pela carreira de políticos e escolheram a faculdade apropriada.

No ano passado, ao visitar o Congresso Americano, indaguei qual havia sido o efeito concreto daquele programa. Descobri que 10% dos congressistas americanos atuais e seus auxiliares diretos, eram ex-pagers.

Portanto, alguns dos melhores alunos de cada Estado americano estavam lá, e haviam sido influenciados por aquela singular experiência como pager a mudar de carreira.

Um projeto desses custaria menos de 10.000 reais por mês em alojamento e alimentação, e outros tantos de passagem de avião. Algo uma organização civil há muito tempo deveria ter patrocinado, pois, economizaria para a nação bilhões em impostos em longo prazo.

Um programa brasileiro precisaria de algumas adaptações ou pode muito bem ser diferente. Poderíamos enviar o melhor aluno da escola, com aquele que mostrasse dom político, 2 por escola. Assim, ambos aprenderiam um pouco do outro - o estudioso a ser mais político, e o político a ser mais estudioso.

Os melhores alunos de cada Estado iriam ser Estagiários de Senadores. Os melhores alunos de cada Cidade seriam estagiários de Deputados Estaduais.

Seriam entrevistados pela imprensa, abririam seus blogs, mostrariam as suas ideias para os velhos políticos, seriam heróis nas suas cidades natais e futuros vereadores.

Dezenas de outras idéias obviamente terão de ser desenvolvidas e implantadas para ajudar a melhorar o atual quadro político.

Observação: adaptação do texto original de Stephen Kanitz Publicado na Revista Veja edição 1656, ano 33, nº 27 de 5 de julho de 2000.

Fonte: http://blog.kanitz.com.br

sábado, 8 de janeiro de 2011

Mídia dá tratamentos diferentes a ex-presidentes Lula e FHC

Faz uma semana que Lula deixou o poder e ingressou na mesma galeria de ex-presidentes em que o também ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ingressou em 2002. Aí terminam as coincidências entre os dois ex-primeiros mandatários da República.

Ao contrário de FHC, Lula deixou o poder sob recorde mundial de aprovação – módicos 87%. FHC deixou o poder com pouco mais de um quarto disso. E essa não é a única diferença entre os dois ex-presidentes.

Desde que Lula deixou o cargo que apanha sem parar da mídia, que implicou com as férias que o governante que sai deixando tanta saudade foi passar em uma instalação militar no Guarujá durante um período em que o Estado tem o dever de garantir a todo ex-mandatário as melhores condições para retomar sua vida.

Depois, a mídia também passou a implicar com a concessão de passaportes diplomáticos para familiares de Lula, apesar de a lei conceder ao Itamaraty a prerrogativa de avaliar subjetivamente a relevância desse tipo de concessão.

Vale, pois, analisar o que diz o decreto da Casa Civil da Presidência da República sob número 5.978, de 4 de dezembro de 2006, em seu artigo 6º, sobre a concessão de passaportes diplomáticos:

Art. 6º Conceder-se-á passaporte diplomático:

I - ao Presidente da República, ao Vice-Presidente e aos ex-Presidentes da República;

II - aos Ministros de Estado, aos ocupantes de cargos de natureza especial e aos titulares de Secretarias vinculadas à Presidência da República;

III - aos Governadores dos Estados e do Distrito Federal;

IV - aos funcionários da Carreira de Diplomata, em atividade e aposentados, de Oficial de Chancelaria e aos Vice-Cônsules em exercício;

V - aos correios diplomáticos;

VI - aos adidos credenciados pelo Ministério das Relações Exteriores;

VII - aos militares a serviço em missões da Organização das Nações Unidas e de outros organismos internacionais, a critério do Ministério das Relações Exteriores;

VIII - aos chefes de missões diplomáticas especiais e aos chefes de delegações em reuniões de caráter diplomático, desde que designados por decreto;

IX - aos membros do Congresso Nacional;

X - aos Ministros do Supremo Tribunal Federal, dos Tribunais Superiores e do Tribunal de Contas da União;

XI - ao Procurador-Geral da República e aos Subprocuradores-Gerais do Ministério Público Federal; e

XII - aos juízes brasileiros em Tribunais Internacionais Judiciais ou Tribunais Internacionais Arbitrais.


§ 1º A concessão de passaporte diplomático ao cônjuge, companheiro ou companheira e aos dependentes das pessoas indicadas neste artigo será regulada pelo Ministério das Relações Exteriores.


§ 2º A critério do Ministério das Relações Exteriores e levando-se em conta as peculiaridades do país onde estiverem a serviço, em missão de caráter permanente, conceder-se-á passaporte diplomático a funcionários de outras categorias.


§ 3º Mediante autorização do Ministro de Estado das Relações Exteriores, conceder-se-á passaporte diplomático às pessoas que, embora não relacionadas nos incisos deste artigo, devam portá-lo em função do interesse do País.


Art. 7º O passaporte diplomático será autorizado, no território nacional, pelo Ministro de Estado das Relações Exteriores, seu substituto legal ou delegado e, no exterior, pelo chefe da missão diplomática ou da repartição consular, seus substitutos legais ou delegados.

A relevância mais imediata da concessão de passaporte diplomático a esposa, filhos, netos ou outros parentes próximos de ex-presidentes da República é a de o país honrar os seus ex-mandatários, não submetendo a família do ex-presidente a constrangimento de não ser tratada como aquele com quem viaja.

Por falta de esclarecimento, alguns dizem que os filhos de Lula, por exemplo, não viajarão sempre com ele. Todavia, viajarão com ele, também. E, se não tiverem o passaporte diplomático, a diferença de tratamento na imigração de outros países criará constrangimento para um ex-chefe de Estado, sendo que todas as nações democráticas do mundo honram seus ex-presidentes.

Com FHC, porém, o tratamento sempre foi outro, mesmo no momento imediatamente posterior ao que deixou o governo sob ampla desaprovação da sociedade, em 2002. Desde então, a mídia se encarrega de exaltar seu governo com de sucesso, porém foi desastroso, tanto que até hoje mais de 70% dos brasileiros o desaprovem. E ainda se esfalfa para lhe atribuir os méritos auferidos pelo governo Lula.

Fiscalização das regalias e benesses recebidas pelo ex-presidente tucano, nem pensar. Apesar de invadir a vida privada de Lula sem parar, durante anos a fio jamais incomodaram FHC com a história do filho ilegítimo que gerou com uma jornalista da Globo, que pagou as despesas dela e do filho na Espanha durante todo esse tempo sem que ela produzisse nada que se conheça, jornalisticamente.

As encrencas de outros filhos de FHC, os assumidos por ele, jamais chegaram tão rápido ao noticiário. Só em 2009, 8 anos depois de o tucano deixar o poder, a mídia soltou notinhas sobre Luciana Cardoso, que recebia salários do Senado sem aparecer por lá para trabalhar.

Tais fatos revelam o sentimento que está por trás da diferença de tratamento que a mídia dispensa a ex-presidentes avaliados de formas tão distintas pela sociedade brasileira. Esse sentimento é o medo.

Lula prometeu meter a boca no trombone se a mídia e a oposição fizerem com a presidente Dilma Rousseff o que fizeram com ele, durante o seu mandato. Isso sem contar o fato de que ainda acham que o adversário político se candidatará para a sucessão da presidente, em 2014.

Fonte:http://www.blogcidadania.com.br

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Com outro índice de reajuste, pedágio em rodovias de SP seria 26% mais barato


Os pedágios das rodovias paulistas concedidas em 1998 seriam 26% mais baratos, caso o indexador para reajustes fosse o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - como nas novas concessões - em vez do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M). Um trajeto de carro entre Ribeirão Preto e São Paulo - um dos roteiros mais caros do Estado - sai hoje por R$ 55,61. Com a correção pelo IPCA, a conta seria de R$ 41,15, uma economia de R$ 14,46 por viagem.

A adoção do IPCA ao longo dos últimos 12 anos teria trazido grande impacto para as concessionárias. Por exemplo, a receita da Autoban, concessão mais rentável do país, que conjuga a operação das rodovias Anhanguera e Bandeirantes, foi de R$ 1,16 bilhão em 2009. Com IPCA, teria rendido cerca de R$ 300 milhões a menos - equivalente a quase metade do lucro de seu controlador, o grupo CCR, no período.

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) declarou nesta semana a intenção de rever os contratos de concessão das rodovias, mas não deu detalhes de como será feito esse trabalho. Sabe-se apenas que será tocado pela Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Palo (Artesp), ligada à Secretaria de Transportes. Procurada peloValor, a secretaria não quis se pronunciar, por considerar que as ações do novo governo ainda estão em fase de avaliação.

Não há, no entanto, garantia de que a revisão significará redução dos preços do pedágio. Segundo declarações de Alckmin, o governo buscará um equilíbrio financeiro favorável ao Estado, mas a diferença poderá ser cobrada por meio de mais investimentos das concessionárias, por exemplo.

Mesmo a diferença entre os índices depende do período analisado. Comparando um período menor, as concessões mais recentes, realizadas em 2008, com reajustes pelo IPCA, teriam passado por recomposições menores, se suas tarifas fossem reajustadas pelo IGP-M. Os pedágios seriam hoje 2,5% mais baixos.

Isso porque a crise econômica fez com que os preços das commodities - que têm grande peso na composição do IGP-M - caíssem no período, e assim puxassem o índice para baixo. O cenário mudou a partir de abril e maio do ano passado, e em setembro os preços voltaram a subir, voltando a puxar o IGP-M para cima. O IGP-M encerrou o ano em 11,32% e o IPCA deve ficar perto de 6%.

Os executivos das principais concessionárias que operam em São Paulo costumam fazer pouco caso do impacto dos índices . Segundo eles, no longo prazo, o IPCA e o IGP-M convergem, apesar das oscilações no curto prazo. Por exemplo, depois da crise de 2002, algumas concessões obtiveram reajustes de mais de 30%. Mas em compensação, observam os representantes das empresas, houve reajuste negativo em dois dos anos seguintes em algumas operações.

O caso, dizem, é que o IGP-M tende a ser mais sensível às oscilações de preços e ao câmbio - o qual compõe quase 10% do índice. O IPCA, por representar o preço final ao consumidor, costuma ser menos sensível, pois a cadeia produtiva absorve parte da variação de preços. Em 2002, por exemplo, enquanto o IGP-M foi de 25%, o IPCA foi de 12%. Segundo fontes do setor, a justificativa para a adoção do IGP-M nos anos 90 era que o índice corresponderia melhor à evolução do perfil de custos e investimentos das operações.

Fonte: Valor Econômico - Samantha Maia e Fernando Teixeira - De São Paulo