quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Gastadores e farsantes


Existe um ponto falso na discussão economica americana. Os políticos conservadores gostam de se apresentar como cidadãos austeros, que defendem o dinheiro do contribuinte e evitam o desperdício. É uma forma de acusar os adversários de irresponsáveis e populistas, interessados em cortejar o eleitorado com favores do Estado.

O problema é que os supostos campeões da austeridade não conseguem sequer cumprir o ponto número 1 de seu discurso — a promessa de economizar dinheiro público. Na prática, foram eles que deram a principal contribuição para elevação do déficit americano.

O retrospecto mostra isso. Veja o levantamento. Em 1981, quando o republicano Ronald Reagan recebeu o governo do democrata Jimmy Carter, o déficit era de 1 trilhão de dólares. Reagan fez uma campanha de denúncia contra os gastos, atacou as despesas com a Previdencia — pouco depois, o mesmo discurso chegaria ao Brasil — mas no fim de seu governo conseguiu elevar o défict em US$ 1,9 trilhão.

Ou seja: desde 1776 os EUA acumulou um déficit de US$ 1 trilhão. Em oito anos de governo Reagan, subiu em US$ 1,9 trilhão.

Mas não foi só. Em quatro anos de mandato o também republicano George Bush pai elevou o défict em US$ 1,5 trilhão. Em oito anos Bill Clinton elevou em US$ 1,4 trilhão. Em tres anos Barack Obama acumulou US$ 2,4 trilhões.

Na relação de presidentes gastadores, George Bush filho deixou um recorde histórico — e por isso merece uma atenção à parte. Sua contribuição para o déficit americano foi de US$ 6,4 trilhões. Bush filho gastou muitas vezes mais do que seus antecessores. Seu custo final é igual a 400% dos gastos de seu próprio pai. Quem conhece a tumultuada convivência entre ambos até teria o direito de perguntar: tantas despesas seriam expressão trilionária de um imenso complexo de Édipo?

Uma forma simples de examinar esses números é acusar os republicanos americanos do mais conhecido dos pecados políticos — o costume de pregar uma coisa e fazer seu oposto. Este pecado é verdadeiro, obviamente.

Mas há uma lição a ser apreendida com essa hipocrisia. Ela demonstra que a decisão de gastar — ou não — jamais representa uma escolha em si, mas é expressão de determinadas políticas e de determinados interesses. As despesas de toda administração estão sempre subordinadas a suas opções. Não há governo de contadores.

Observação: Qualquer semelhança com o Brasil é mera coincidência, veja os números dos 8 anos de FHC e 8 anos de Lula no tocante ao déficit público, você terá uma boa surpresa, em termos de endividamento FHC "gastou" bem mais que o Lula.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Londres vive terceiro dia de choques entre jovens e policiais


Confrontos entre a polícia e manifestantes entraram no terceiro dia em Londres e atingiram o bairro de Hackney, que possui umas das maiores taxas de criminalidade do Reino Unido.

Nesta segunda-feira, jovens lançaram bombas contra a polícia no leste da capital londrina e jogaram latas de lixo e carrinhos de supermercado na direção dos oficiais. Os policiais empurraram os manifestantes com escudos, conforme tentavam isolar uma área ao redor da estação Hackney Central.

Os confrontos ocorrem paralelamente ao encontro entre representantes da polícia e a ministra do Interior britânica, Theresa May, que encurtou uma viagem de férias para a reunião desta segunda-feira.

De acordo com a rede de televisão britânica BBC, os distúrbios se desencadearam depois de a polícia ter efetuado alguns registros na rua, o que causou a reação de um grupo de encapuzados que passou a enfrentar os agentes lançando pedras e garrafas.

As imagens aéreas da Rua Mare, uma das vias principais do bairro de Hackney, mostravam como os manifestantes utilizavam pedaços de madeira para quebrar vitrines e janelas de alguns ônibus. Uma unidade policial antidistúrbios confrontava o grupo, enquanto três helicópteros das forças de segurança sobrevoavam a região. Alguns manifestantes invadiram lojas, aparentemente para buscar objetos que pudessem jogar nos policiais.

As revoltas que explodiram na noite de sábado no bairro de Tottenham, subúrbio de Londres, começaram a se espalharam para outras regiões de Londres na noite de domingo, que também foi marcada por saques e violência em ruas da cidade. Policiais sofreram ataques, e lojas foram saqueadas e destruídas em vários pontos do norte de Londres, além de Brixton, no sul, e de Oxford Circus, no centro turístico da capital britânica. Nas duas noites de violência, 35 policiais ficaram feridos. Segundo a Associated Press, que cita autoridades britânicas, 215 foram detidos desde sábado.

A Scotland Yard (Polícia Metropolitana de Londres) disse que os incidentes começaram após um protesto pela morte de Mark Duggan, um jovem negro de 29 anos. Duggan foi morto por policiais na quinta-feira, em Tottenham, depois de ser abordado em um táxi por uma unidade que investiga crimes com armas de fogo no bairro. O jovem teria sido morto em um suposto tiroteio que também teria ferido um policial.

A assistente social Michelle Jackson, de 43 anos, disse à BBC que muitos ficaram descontentes em Tottenham, um bairro que abriga muitos imigrantes, depois que a polícia começou a dar declarações sobre Mark Duggan à imprensa, mas sem fornecer qualquer tipo de informações para a família do jovem morto.

"Eu conheço o homem que foi morto, ele era um sujeito muito bacana, e eles estão fazendo parecer como se fosse uma espécie de gangster envolvido em armas e em coisas desse tipo", afirmou Michelle. Segundo ela, a polícia não sabe lidar com os jovens negros de Tottenham, e muitas pessoas de diversas nacionalidades e etnias se juntaram ao tumulto de sábado.

Tumulto
Os manifestantes se reuniram para exigir respostas da polícia. Por volta das 20h de sábado (16h em Brasília), um tumulto começou e a polícia foi acionada. Alguns manifestantes jogaram bombas caseiras contra a polícia e alguns prédios. Um ônibus de dois andares, um supermercado, uma loja de carpetes e outros prédios foram incendiados.

Em seguida, a violência começou a se espalhar para bairros vizinhos e depois para outras áreas da cidade. Veículos da polícia foram atacados e grupos de dezenas de jovens saquearam e incendiaram lojas.

"Eles destruíram a (casa de apostas) William Hill, colocaram fogo em latas de lixo. Vi uma (loja de celulares) Vodafone saqueada, uma (loja de calçados) Footlocker saqueada e incendiada, vi um (supermercado) Marks & Spencer atacado", relatou o jornalista da BBC Paraic O'Brien, que estava em Brixton.

Jornalistas também disseram ter visto jovens lançando pedras e garrafas contra a polícia e até usando extintores de incêndio para impedir a aproximação dos policiais, enquanto eles saqueavam lojas. O repórter Andy Moore, da BBC, testemunhou as duas noites de violência e disse que elas tinham motivações bem diferentes. "O que pode ter sido iniciado em Tottenham por jovens ressentidos com o que eles viam como perseguição policial se tornou algo de natureza bem diferente. Na noite passada, havia uma impressão de que os saques, a violência e a desordem em Londres estavam sendo coordenados nos sites de mídia social", disse ele.

No domingo, a Scotland Yard prometeu uma "grande investigação" sobre o tumulto. Segundo a polícia, os investigadores vão colher o depoimento de testemunhas e averiguar as imagens das câmeras de circuito fechado.

A comandante da polícia, Christine Jones, afirmou que os policiais estão "chocados" com os "absurdos níveis de violência". "Não vamos tolerar essa violência deplorável. A investigação continua para levar esses criminosos à Justiça", disse Christine.

Partes de Tottenham, onde os tumultos começaram, ainda estão isoladas para que policiais e especialistas forenses examinem o local dos confrontos. Até o momento, 16 pessoas já foram indiciadas por crimes como roubo, violência e posse de arma.

Um porta-voz do primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse que a violência em Tottenham é "inaceitável". O vice-prefeito de Londres, Kit Malthouse, disse que não consegue imaginar qualquer desculpa para o que aconteceu. "É totalmente revoltante ver isso nas ruas de Londres. Nós faremos todo o possível para evitar que isso se repita", disse. "Entendo que haja impaciência das pessoas [com a investigação sobre o caso Duggan], mas essas investigações demoram."

Internet
O parlamentar David Lammy, de Tottenham, disse que a revolta foi "planejada no Twitter" e condenou a orquestração. Apesar da denúncia, há pouca prova de uma orquestração nos textos publicados no site, que são públicos.

Em seguida aos distúrbios em Tottenham, vários usuários de BlackBerry disseram ter recebido mensagens sugerindo quais deveriam ser os próximos alvo de ataques. A empresa Research in Motion, que faz os celulares Blackberry, emitiram comunicado dizendo que trabalhão com as autoridades, na tentativa de identificar quem estava incitando à violência.

A empresa afirmou que, assim como outras de telecomunicação, cumpre com as leis que permitem às forças de segurança ter acesso a mensagens privadas, quando elas têm ligação com crimes.

O que preocupa os investigadores agora é mais a quantidade de pessoas que receberam mensagens, mais do que com as mensagens enviadas.

Chris Greer, especialista em sociologia e criminologia da London City University, disse à BBC que smartphones teriam ajudado os envolvidos, mas não a ponto de persuadir quem estava relutante a se juntar aos distúrbios. "Não acho que tenha tido qualquer impacto na motivação para protestar, em primeiro lugar", disse ele. "Mas uma vez que pessoas se mobilizam e decidem tomar as ruas fica certamente muito mais fácil se comunicar".

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Imprensa israelense vê “novo país” após protestos


O protesto social em Israel, que mobilizou no sábado mais de 300.000 manifestantes, não tem precedentes no país e representa um grande desafio para o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, afirma a imprensa israelense.

“Um novo país”, “Israel está nas ruas”, destaca na primeira página o Yediot Aharonot, principal jornal do país.

“Netanyahu e seus ministros não poderão ignorar este grito, porque expressa uma força que ameaça sua permanência no poder”, afirma o colunista Nahoum Barnea.

“Me parece que esta é a maior manifestação de desconfiança já organizada nas ruas de Tel Aviv”, escreveu Sima Kadmon, analista político da publicação.

“O povo levantou”, afirma o jornal Maariv, que tem na primeira página uma foto das ruas lotadas.

“Nem esquerda, nem direita, nem centro, nem marginais. É o povo de Israel que está descontente com a vida aqui, com o sistema injusto que permite a uma minoria seguir na farra às custas das massas esmagadas”, criticou Ben Caspit em um editorial.

O jornal de esquerda Haaretz também exibe na primeira página fotos das ruas de Tel Aviv lotadas.

Gideon Levy escreveu que um “regime que permanece impávido ante uma manifestação gigantesca está destinado a cair”.

O protesto de sábado exigiu “justiça social” no país.

Fonte: AFP

domingo, 7 de agosto de 2011

É preciso muito mais para formar cidadãos mais politizados


A universalização do acesso à escola e o aumento da escolaridade média do brasileiro nos últimos anos não levaram à formação de cidadãos mais politizados. Essa é a conclusão de uma tese apresentada ano passado na Universidade de São Paulo (USP) pelo doutor em ciência política e pesquisador do Centro de Estudos da Metrópole, Rogério Schlegel. A baixa qualidade do ensino é apontada por Schlegel como a responsável por essa situação. "... Quando você aumenta a escolaridade das pessoas não quer dizer que isso vai se reverter em mais participação...",explica o pesquisador.

Décadas de pesquisas disseminaram a tese de que quanto mais escolarizado um povo mais engajados e politizados são seus cidadãos. A sua dissertação rompe com isso?
Sim. Constatei que, no caso brasileiro, o efeito esperado, que chamo de perspectiva convencional, não se confirmou. São 50 anos de pesquisas mostrando que os mais escolarizados tendem a ser mais mobilizados, ativos politicamente, mais democratas. Acontece que há, entre aspas, um defeito de fabricação nessa teoria. Essas análises ficaram concentradas em um ponto no tempo. Ou seja, quando você analisava se num determinado momento os mais escolarizados eram mais engajados, a resposta era sempre sim. A partir disso, concluiu-se que o aumento da escolaridade média formaria automaticamente uma massa de cidadão mais democrata e engajada. O que minha tese mostra é que, no caso brasileiro, não é assim. Quando você aumenta a escolaridade das pessoas não quer dizer que automaticamente vai se reverter em mais participação e mais apoio à democracia.

Por quê?
Digo que a educação não é panaceia em que você tem esse efeito linear automático. Temos que desmistificar a educação. O impacto político dela é limitado. É forte, mas limitado. No caso brasileiro, um ingrediente que mina e faz com que aquela expectativa tradicional não se realize é a baixa qualidade da educação. Muitos estudos já constataram que a expansão espetacular da rede de ensino brasileiro veio acompanhada de uma queda na qualidade do sistema educacional. Minha tese indica que isso teve um impacto no efeito político da educação.

Como concluiu isso?
Comparei pesquisas de opinião de 1989 a 2006 para identificar quanto cada nível de escolaridade estatisticamente agregou em termos de comportamento político. Constatei o seguinte: quem tinha grau de escolaridade acima do superior incompleto em 1989 tinha 3,6 vezes a chance de declarar que tinha muito interesse em política, comparado a alguém com diploma do ensino fundamental. Em 2006, (essa relação) era de 1,6. É o que chamo de retorno político decrescente da educação.

O que o senhor considera um cidadão engajado?
Não estou falando em formar pessoas para serem políticos. Estou falando da participação mais cotidiana que se traduz em hábitos simples, como discutir política com amigos, participar de ONGs, associações de moradores ou religiosas, abaixo-assinado... O ideal é que todo o tempo as pessoas participem, fiscalizando desde a escola do seu filho até o trabalho das autoridades. Isso é ser um cidadão engajado. Agora, o comportamento político depende de outros fatores.

Quais?
A educação tem o seu papel e ele não é desprezível. A minha tese de maneira alguma quer jogar fora 50 anos de pesquisas. O que ela sugere é que, sozinha, a educação não resolve tudo. Tem coisas que o sistema político tem que fazer, como aumentar as possibilidades de participação. A Constituição de 1988 criou vários mecanismos de participação e eles têm florescido. O Congresso tem um papel a cumprir. Minha pesquisa mostra que os partidos tinham um conceito muito melhor em 1989 do que hoje.

O senhor diz que sua tese serve de alerta para os governantes. Que alerta é esse?
Vejo que a gente está perdendo uma oportunidade sensacional. Estamos tendo uma baita inclusão na escola, mas estamos desperdiçando todo o potencial disso. Você imagina que são gerações de brasileiros que vão deixar de aproveitar esse potencial para aumentar seu interesse em política, a sua participação em eleições, o seu engajamento. Minha tese mostra que a nossa política pública merece uma nota baixa no quesito formação do cidadão.

Fonte: Silvia Amorim, O Globo. Extraído do blog do Noblat

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Pacote nacionalista e protecionista solidifica aliança Dilma - indústria


Com o mundo à beira de uma nova fase da crise financeira mundial iniciada em 2008, momento que tem como símbolo máximo a crise da dívida dos Estados Unidos, a presidenta Dilma Rousseff lançou nesta terça-feira (02/08) um pacote de medidas em defesa da indústria nacional no qual explicita uma aliança com o setor para que o mercado interno continue sendo o motor do crescimento.

O pacote reduz impostos, oferece crédito público mais barato para financiar investimentos e inovação das empresas, dificulta certos tipos de importação e assegura que fornecedores brasileiros tenham preferência em compras do governo, entre outras coisas.

O objetivo principal do pacote, batizado de Brasil Maior, é evitar que o dólar barato – efeito quase inevitável, na avaliação do governo, da nova etapa da crise mundial – quebre empresas brasileiras exportadoras e aquelas que concorrem com importados no país. A dificuldade dos dois segmentos poderia gerar demissão de trabalhadores e desaceleração da economia, o que o governo tenta evitar.

“Estamos iniciando uma cruzada em defesa da indústria brasileira diante de um mercado internacional com uma competição, na grande maioria das vezes, desleal e predatória”, disse Dilma, no discurso de lançamento do pacote. “A insensatez pode ter sido evitada, mas a instabilidade produzida lá fora vai continuar”, completou.

“Insensatez” foi a palavra mais usada nos últimos por Dilma e pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, para se referir à crise da dívida dos Estados Unidos. A negociação entre o presidente Barack Obama e seus inimigos republicanos arrastaou-se até a véspera do prazo a partir do qual poderia haver um calote, justamente nesta terça-feira (02/08).

Segundo Carta Maior apurou, Dilma exigiu de seus ministros que fechassem o pacote a tempo de ser lançado no máximo até o dia D da dívida norte-americana. A presidenta entende que assim será mais fácil defender um pacote protecionista de adversários de visão mais liberal. Não por acaso, ela começou o discurso dizendo justamente que o dia 2 de agosto pode ter um “significado especial” no Brasil e no mundo.

O discurso de Dilma encerrou uma sequência de falas de ministros e de um empresário em que o tom nacionalista e protecionista foi marcante.

Primeiro orador do evento, Guido Mantega foi o mais enfático. Usou palavras fortes e frases de efeito, ao apresentar o pacote a uma platéia formada por industriais e políticos – sindicalistas optaram por boicotar o lançamento, por discordarem do processo de elaboração do plano e de uma das medidas, a desoneração da folha de salário para alguns setores.

Segundo Mantega, o mundo “está em crise” e vive um “ambiente extremamente adverso”, caracterizado por “concorrência predatória” nas exportações e por “mercados de manufatura [que] subiram”. “Temos que ter a perspectiva de que [a situaçào] não vai melhorar”, afirmou o ministro. “O mercado brasileiro precisa ser usufruído pela indústria brasileira e não pelos aventureiros que vêm de fora.”

O ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, não ficou atrás. Parafraseando o slogan do governo Dilma (“País rico é país sem pobreza”) disse que “país desenvolvido é país que tem indústria” e que o governo vai estimular o setor. “É obrigação do Estado brasileiro defender o mercado local e a indústria local”, declarou.

Único orador do setor privado a falar, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, foi só elogios. Disse que, “num momento simbólico”, o pacote “reafirma o papel da indústria no desenvolvimento da economia e prioriza competitvidade e inovação na estratégia da política industrial.”

“A indústria nacional tem em mim uma aliada”, afirmou Dilma Rousseff. “Nós não acreditamos que o desenvolvimento possa abrir mão da indústria e se dedicar prioritariamente a construir uma economia de serviços”, completou.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que calcula o tamanho da economia, o setor industrial respondeu, no ano, por 24% do chamado produto interno bruto. Já o setor de serviços, onde estão os bancos, por exemplo, ficou com 58%.

Ao encerrar o discurso, Dilma recorreu a um dos símbolos do pensamento nacionalista e desenvolvimentista do Brasil, o economista Celso Furtado, morto há sete anos. Citou-o para dizer que “nossa economia já não é comandada de fora, de fora para dentro” e que “nós somos senhores do nosso próprio destino”.


Dilma prioriza negociar pacote com empresas e se afasta de centrais

O governo priorizou a negociação com o empresariado ao preparar o pacote de apoio à indústria nacional lançado nesta terça-feira (02/08). Foi por esta razão que as centrais sindicais resolveram boicotar o evento, e não só por divergência pontual (desoneração da folha de salário das empresas) dentro de um plano que, no todo, elas aprovam.

Os sindicalistas temem que a preferência do diálogo com empresários seja um estilo permanente da presidenta Dilma Rousseff, diferentemente do que ocorria com Luiz Inácio Lula da Silva, quando as centrais tinham mais poder para influenciar decisões.

Responsável pelo contato cotidiano do Planalto com movimentos sociais, o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, sabe do incômodo que começa a crescer entre os sindicalistas e tentou acalmar os ânimos numa reunião nesta segunda-feira (01/08).

Ao lado de quatro ministros (Fazenda, Ciência e Tecnologia, Desenvolvimento e Previdência Social), Carvalho apresentou as linhas gerais do pacote e garantiu que defender o emprego dos trabalhadores era uma das grandes preocupações do governo com o programa “Brasil Maior”.

Mas, segundo relato de participantes ouvidos por Carta Maior, quando o assunto “desoneração da folha” surgiu, monopolizou a conversa e foi usado pelos sindicalistas para manifestar uma contrariedade mais ampla (a preferência dada à negociação com os empresários).

“Nós não queremos ser chamados para ouvir, queremos falar também”, resume o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique da Silva Santos.

Para os sindicalistas, quando deixa de chamá-los para negociar, o governo tira deles a oportunidade de usar propostas de interesse patronal, como era o caso da desoneração da folha, para arrancar concessão pró-trabalhadores. Por exemplo, o compromisso dos empresários de que o alívio fiscal da desoneração da folha seria revertido necessariamente em novos empregos, não só em lucro.

No pacote lançado nesta terça-feira (02/08), o governo jogou para o faturamento a incidência de tributo destinado à Previdência até hoje cobrado sobre a folha de salário. A nova regra entrará em vigor no ano que vem e valerá para quatro setores (têxtil, calçadista, moveleiro e de tecologia da informação). Na prática, os quatro vão pagar menos impostos.

Se a experiência der certo, o governo pretende estender a mudança para outros ramos. As centrais temem que a Previdência perca receita e esta nova realidade alimente propostas privatistas no futuro. O governo diz que vai bancar qualquer diferença.

Segundo Carta Maior apurou, a relativa distância que a presidenta e alguns auxiliares têm mantido das centrais sindicais, neste início de mandato, causa uma certa preocupação em setores do Planalto. Para estes setores, Dilma não deveria deixar prosperar a ideia de que gosta mais de agir como gerente e de conversar com empresários.

Também segundo Carta Maior apurou, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) já percebeu que está com mais acesso a áreas do governo e, por isso, tem tentado explorar esse canal para defender poições de interesse patronal. Mais do que recorrer ao Congresso Nacional, inclusive. Segundo um assessor da CNI, nunca a entidade direcionou tanto suas energias ao diálogo com o poder Executivo quanto agora.

Sabendo da insatisfação e do boicote dos sindicalistas ao evento, a presidenta fez questão de citar os "trabalhadores" várias vezes no discurso de lançamento do programa Brasil Maior. Ao todo, foram sete vezes.

Dilma disse, por exemplo, que o pacote não "desrepeita os direitos dos trabalhadores", que eles "podem ter certeza de que o governo está do lado deles" e que as medidas interessam "sobretudo aos trabalhadores brasileiros."

Fonte: Carta Maior

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Com "efeito Telebras", banda larga cai até 30%

A publicação do Decreto 7.175/2010, que estabeleceu o PNBL e reestruturou a Telebras, pondo-a de gestora do plano, gerou efeitos já mensuráveis no mercado de Internet nacional: conforme pesquisa da estatal, só a divulgação do decreto já baixou os preços praticados em até 30%.

O estudo é assinado por Lilian Bender Portugal, da diretoria Comercial da Telebrás. Segundo ela, a meta foi identificar os preços praticados antes e depois da publicação do decreto.

Para a realização da pesquisa, foram analisados mercados de 30 localidades do país e avaliados valores cobrados por três operadoras do segmento de atacado (venda de capacidade para provedores de serviços web).

Os resultados colhidos indicam uma redução média de 11,9% em uma primeira versão da pesquisa.

Já em um segundo levantamento, os preços caíram 18,93%, chegando à queda de 28,92% em uma terceira análise.

Conforme Caio Bonilha, presidente da Telebrás, apesar de ter sido realizada em 2010, a pesquisa ainda é válida.

Um dos motivos, segundo ele, é que o mercado brasileiro reage ao PNBL e à atuação da Telebrás com oferta de preços mais competitivos, em função de fatores como a chegada do acesso web, com o Plano, a localidades antes ignoradas.

Além da reação nos preços de oferta de acesso à Internet, o estudo também identificou uma forte concentração no mercado de infraestrutura web no país.

Conforme os dados levantados, os 1576 provedores identificados são atendidos majoritariamente por quatro empresas: Oi, NET, Telefónica e GVT.

Juntas, as quatro companhias ficam com 90% do mercado de banda larga nacional. Entre elas, a Oi lidera em participação, com fatia de 32%. Em seguida vêm Net/Embratel, com 26%; Telefonica, com 24%; e GVT, com 8%.

http://www.baguete.com.br/noticias/telecom/01/08/2011/com-efeito-telebra...

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Terrorismo político organizado: O massacre norueguês, o Estado,"a grande mídia" e Israel


O atentado à bomba do gabinete do primeiro-ministro norueguês em 22/Julho/2011, Jen Stoltenberg, do Partido Trabalhista, o qual matou oito civis, e o subsequente assassinato político de 68 ativistas desarmados da Juventude do Partido Trabalhista na Ilha Utoeya, a apenas 20 minutos de Oslo, pelo militante neofascista cristão-sionista, levanta questões fundamentais acerca do crescimento das ligações entre a extrema direita legal, a "grande mídia de referência", a política norueguesa, Israel e o terrorismo de extrema direita.

A "grande mídia" e a ascensão do terrorismo de direita:
Os principais jornais de língua inglesa, The New York Times (NYT), o Washington Post (WP), o Wall Street Journal e o Financial Times (FT), bem como o presidente Obama, culparam "extremistas islâmicos", desde os primeiros relatórios policiais dos assassinatos, publicando um série de manchetes incendiárias (e falsa) e reportagens, etiquetando o evento como o "11/Set da Noruega", o qual refletia a motivação ideológica e justificação mencionada pelo próprio assassino político cristão-sionista, Anders Behring Breivik.

Na primeira página do Financial Times (de Londres) de 23-24/Julho, lia-se "Temores do extremismo islâmico: O pior ataque na Europa desde 2005". Obama imediatamente citou o ataque terrorista na Noruega para mais uma vez justificar suas guerras além-mar contra países muçulmanos.

O FF, NYT, WP e WSJ activaram seus auto-intitulados "peritos" os quais debateram acerca de quais líderes ou movimentos árabes/islâmicos foram responsáveis – apesar de informações da imprensa norueguesa da "prisão de um homem nórdico em uniforme de polícia".

Evidentemente, a "grande mídia" e a elite política dos EUA estavam ansiosos por utilizar o atentado bombista e os assassinatos para justificar guerra imperiais em curso além-mar, ignorando o florescimento de organizações internas de extrema direita e indivíduos violentos que são a consequência da propaganda de ódio oficial islamofóbica.

Quando Anders Breivik, um conhecido extremista neofascista, entregou suas armas à polícia norueguesa, sem resistência, e reivindicou o crédito pelo atentado bombista e o massacre, teve início a segunda fase do encobrimento oficial. De imediato ele foi descrito como "um solitário lobo assassino", o qual "actuou sozinho" (BBC, 24/Julho/2011) ou como mentalmente demente, minimizando suas redes políticas, seus mentores ideológicos e compromissos com americanos, europeus e israelenses, que o levaram aos seus actos de terrorismo.

Ainda mais ultrajante, os "grandes jornais" e responsáveis ignoraram o fato de que este ataque terrorista complexo e com múltiplas fases estava além da capacidade de uma pessoa "demente".

Anders Behring Breivik foi membro de um partido político de extrema-direita, o Partido do Progresso, e colaborador e contribuidor de um sítio web abertamente neonazista. Ele frequentemente centrava seu ódio sobre o Partido Trabalhista governante pela sua relativa tolerância de imigrantes. Despreza imigrantes, especialmente muçulmanos, e era um ardente apoiante cristão-sionista da repressão e terror israelense contra o povo palestino. Sua ação criminosa foi essencialmente política e integrada numa rede política muito mais vasta.

A elite política e a "grande mídia" fizeram todo o possível para negar o entrecruzamento de ligações entre islamófobos ideológicos "legais", como os sionistas americanos Daniel Pipes, David Horowitz, Robert Spencer e Pamela Geller, o Partido da Liberdade da extrema-direita holandesa dirigido pelo intriguista Geert Wilders e seus homólogos no Partido do Progresso norueguês que se mobiliza contra a "ameaça muçulmana".

Os terroristas da "ação direta" tomam inspiração em partidos eleitorais, como o Partido do Progresso, o qual recruta e doutrina ativistas, como Behring Breivik, os quais deixam então a "estrada eleitoral" para executarem suas carnificinas sangrentas, permitindo aos promotores do ódio "respeitáveis" condená-lo hipocritamente... após a afronta.

O caso do "terrorista lobo solitário" desafia a credibilidade. É um tecido de mentiras utilizadas para encobrir cumplicidade do estado, má conduta da inteligência e a aguda viragem à direita tanto na política interna como externa de países da NATO.

Não há qualquer base para aceitar a afirmação inicial de Breivik de que atuou só devido a várias razões relevantes:
Primeiro, o carro bomba, que devastou o centro de Oslo, era uma arma altamente complexa que exigir perícia e coordenação – da espécie disponível para estados ou serviços de inteligência, como o Mossad, o qual se especializa em carros bombas devastadores. Amadores, como Breivik, sem treino em explosivos, habitualmente explodem-se a si próprios ou falta-lhes a qualificação necessária para conectar os dispositivos eletrônicos de temporização ou detonadores remotos (como provaram fracassados "sapatos" e "cuecas" dos bombistas da Times Square).

Segundo, os pormenores de
a) movimentar a bomba,
b) obter (roubando) um veículo,
c) colocar o engenho no sítio estratégico,
d) detonar com êxito e
e) então vestir um elaborado uniforme da polícia especial com um arsenal de centenas de munições e conduzir em outro veículo para a ilha de Utoeya,
f) esperar pacientemente enquanto armado até os dentes por um ferry boat,
g) cruzar-se com outros passageiros no seu uniforme de polícia,
h) acercar-se dos ativistas da Juventude Trabalhista e começar o massacre de grande número de jovens desarmados e finalmente
i) liquidar os feridos e caçar aqueles que tentavam esconder-se ou nadar para longe – não é a atividade de um fanático solitário.

Mesmo a combinação de um Super-homem, Einstein e um atirador de classe mundial não podiam executar tais tarefas.

A "grande mídia" e os líderes da NATO devem encarar o público como passivos estúpidos ao esperar que acreditem que Anders Behring Breivik "atuou só". Ele está disposta a aguentar uma sentença de 20 anos de prisão, pois sustenta que a sua ação colectiva é a fagulha que incendiará seus camaradas e promoverá a agenda dos partidos violentos e legais de extrema-direita.

Frente a um juiz norueguês, em 25 de Julho, ele declarou publicamente a existência de "mais duas células na minha organização". De acordo com testemunhas na Ilha Utoeya, foram ouvidos tiros de duas armas distintas vindos de diferentes direções durante o massacre.

A polícia, dizem eles, está a ... "investigar". Não é preciso dizer que a polícia nada encontrou; ao invés disso simularam um "show" para encobrir a sua inacção com a invasão de duas casas longe do massacre e rapidamente libertaram os suspeitos.

Contudo, a mais grave implicação política da ação terrorista é a ostensiva cumplicidade de altos responsáveis da polícia. A polícia levou 90 minutos para chegar a Ilha Utoeya, localizada a menos de 20 milhas [32 km] de Oslo, 12 minutos de helicóptero e 25 a 30 minutos de carro e barco. O atraso permitiu "aos assassinos da extrema-direita" utilizarem toda a munição, maximizando a mortes de jovens, ativistas anti-fascistas, e devastando o movimento trabalhista juvenil.

O chefe de polícia, Sveinung Sponheim, deu a mais fraca das desculpas, afirmando "problemas com transporte". Sponheim argumentou que não estava pronto um helicóptero e que "não podiam encontrar um barco" (Associated Press, 24/Julho/2011).

Mas havia um helicóptero disponível. Ele conseguiu voar a Utoeya e filmar a carnificina em curso, e mais da metade dos noruegueses, um povo marítimo há milénios, possui ou tem acesso a um barco.

Uma força policial, confrontada com o que o primeiro-ministro chama a "pior atrocidade desde a ocupação nazista durante a II Guerra", a mover-se ao ritmo de uma tartaruga reumática para resgatar jovens ativistas, levanta a suspeita de algum nível de cumplicidade. A questão óbvia que se levanta é o grau em que a ideologia do extremismo de direita (neofascista) penetrou na polícia e nas forças de segurança, especialmente os escalões superiores. Este nível de "inactividade" levanta mais questões do que respostas. O que sugere que os sociais-democratas só controlam parte do governo – o legislativo, ao passo que os neofascistas influenciam o aparelho de estado.

O fato claro é que a polícia não salvou uma única vida. Quando finalmente chegou, Anders Behring Breivik havia esgotado a sua munição e rendeu-se à polícia. A polícia literalmente não disparou um único tiro; ela nem mesmo teve de caçar ou capturar o assassino. Um cenário quase coreografado: Centenas de feridos, 68 desarmados, ativistas pacíficos mortos e o movimento da juventude trabalhista dizimado.

A polícia pode afirma "crime resolvido" enquanto a "grande mídia" tagarela acerca de um "assassino solitário". A extrema-direita tem um "mártir" para mascarar um novo avanço na sua cruzada anti-muçulmana e pró Isarel. (Recorda o celebrado fascista israelense-americano, assassino em massa, Dr. Baruch Goldstein, que massacrou dúzias de palestinos desarmados, homens e rapazes e um pregador, em 1994).

Apenas dois dias antes dos assassínios políticos, o responsável do Movimento da Juventude do Partido Trabalhista, Eskil Pederson, deu uma entrevista ao Dagbladet, o segundo maior tablóide da Noruega, na qual anunciava um "embarco económico unilateral de Israel por parte da Noruega" (Gilad Atzmon, 24/Julho/2011).

O fato que importa é que os militares noruegueses não têm problemas em despachar rapidamente 500 soldados para o Afeganistão, a milhares de quilómetros e proporcionar seis jatos e pilotos da Força Aérea Norueguesa para bombardear e aterrorizar a Líbia.

E ainda assim eles não podem encontrar um helicóptero ou um simples barco para transportar a sua polícia algumas centenas de metros para impedir um ato terrorista interno da direita, cujo comportamento assassino estava a ser descrito segundo a segundo pelas jovens vítimas aterrorizadas nos seus telemóveis aos seus pais desesperados.

Conclusão
Claramente, as decisões da Noruega e outros países escandinavos de participar nas cruzadas imperiais dos EUA contra muçulmanos e especialmente árabes do Oriente Médio excitaram e revigoraram a direita neofascista. Eles agora querem "trazer a guerra para casa": querem que a Noruega vá mais além, "expurgar a nação, pela expulsão de muçulmanos. Eles querem "enviar uma mensagem" ao Partido Trabalhista: Ou aceita uma plena agenda neofascista a favor de Israel ou aguarda mais massacres, mais fascistas eleitos, mas seguidores de Anders Behring Breivik.

O "Partido do Progresso" é agora o segundo maior partido político na Nourega. Se uma coligação "conservadora" derrotar os trabalhistas, neofascistas provavelmente terão assento no governo. Quem sabe, após uns poucos anos de bom comportamento, eles possam encontrar uma desculpa para comutar a sentença do seu ex-camarada ... ou proclamá-lo mentalmente reabilitado e livre.

O que é claramente necessário é a retirada imediata de todas as tropas de guerras imperiais e um combate sistemático, coerente e organizado contra terroristas internos e seus padrinhos intelectuais na América, Israel e Europa.

A Juventude Trabalhista deve ir em frente com o seu pedido de que o governo trabalhista, sob o primeiro-ministro Jen Stoltenberg, reconheça a nação da Palestina e implemente um boicote total a bens e serviços de Israel.

Uma campanha de educação política nacional e internacional deve ser organizar para revelar as ligações entre fascistas eleitorais respeitáveis e terroristas violentos. Os mártires da Juventude Trabalhista da Ilha de Utoeya deveriam ser guardados no coração e os seus ideais ensinados em todas as escolas. Seus inimigos e apoiantes de extrema-direita, abertos, encobertos ou directamente cúmplices, deveriam ser revelados e condenados.

A melhor armas contra o renovado ataque neofascista é uma ofensiva política e educacional, assumindo as tradições de combate antifascista e antiQuisling (o notório colaborador nazista da Noruega) dos seus avós.

Fonte:http://resistir.info