quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Mais três prefeitos do interior paulista migram para o PSD

Além dos prefeitos de Mogi das Cruzes e de Ribeirão Preto, que nesta semana migraram para o PSD, a administração de outras três cidades do Estado de São Paulo passaram a ser governadas pelo partido criado por Gilberto Kassab.

Assim como Dárcy Vera (Ribeirão) e Marco Bertaiolli (Mogi das Cruzes), o prefeito de Assis (434 km de São Paulo), Ézio Spera deixou o DEM para se filiar ao PSD, mas ele não poderá concorrer nas próximas eleições porque já está no segundo mandato.

Três vereadores da cidade --Márcio Martins (presidente do novo partido na cidade), Arlindo Alves de Souza e Ana Santa Ferreira --todos ex-DEM--, se filiaram à sigla de Kassab e um deles deverá ser candidato a prefeito no ano que vem.

Em Pontal (351 km de SP), o prefeito Antonio Frederico Venturelli Júnior fez o mesmo caminho: trocou o DEM pelo PSD.

Já em Dumont (331 km da capital paulista), Adelino Carneiro deixou o PP pela nova legenda de Kassab.

Conforme informou o blog Presidente 40, também migraram para o PSD de Kassab os prefeitos de Santana do Parnaíba, Silvio Peccioli, de Leme, Wagner Antunes Filho, e de Caieiras, Roberto Hamamoto. Os três eram filiados ao DEM.

Em Ribeirão (313 km de SP), além de Dárcy, os quatro vereadores do DEM e dez secretários municipais também foram para o PSD, o que causou o fechamento do DEM na cidade.

Fonte: jornalfloripa

ONU - Você representa quem?


A Organização das Nações Unidas nem é Unida, nem é uma organização, mas sim, um clube para troca dos interesses comerciais. Que comunidade das Nações representa? Ninguém votou por ela. Portanto, falar sobre a ONU e democracia na mesma frase é tão ridículo como afirmar que a União Europeia é democrática.

Na verdade, falar de "democracia" é tão absurdo como é hilariante pois o único sistema verdadeiramente democrático de governo é a Jamahiriya líbia, pensada e implementada por Muammar al-Kadhafi, um sistema baseado na auto-regulação de comunidades chamadas Conselhos Populares, que decidem quem são seus líderes, elaboram planos para o financiamento e equipamentos que precisam, fazem a requisição ao Conselho Central e o papel do governo nacional é distribuir a riqueza e servir os interesses do povo.

E vem a ONU, falando de "democracia". Mas quê "democracia"? Ninguém votou a favor da Organização das Nações Unidas. Então que direito tem um punhado de membros efetivos, em seu Conselho de Segurança, para implementar uma política que pode ter um efeito direto sobre nossas vidas? E quão "democráticos" são os Estados-Membros em apoiar as políticas que são implementadas, políticas que cada vez mais carimbam as aventuras colonialistas da OTAN?

Vamos dar uma olhada no Reino Unido de David Cameron, por exemplo. Aqui está um homem eleito por uma minoria da sua população. Então por quê ele está representando a nação? Ele foi eleito pelos eleitores dos Trabalhistas? Ele foi eleito pelo Plaid Cymru? Ele foi eleito pelo Partido Liberal Democrata? E quantas pessoas votaram a favor do Vice-Primeiro-Ministro, Nicholas Clegg? Então, por que ele é Vice-Primeiro Ministro? Por quê é que a política externa da Grã-Bretanha, em parte, está controlada pela OTAN? Ninguém votou na OTAN. E será que alguém no Reino Unido votou a favor do controle das suas políticas financeiras pela União Europeia?

Será que David Cameron, Nicolas Sarkozy e Barack Obama, os Senhores da OTAN, escutaram quando o governo líbio Jamahiriya se ofereceu para realizar eleições livres e justas? Não, eles se recusaram. E qual será o futuro? Vejam este espaço, enquanto são feitas tentativas de marginalizar a Jamahiriya e eliminá-la de qualquer processo eleitoral futuro.

A verdade da questão é que a maioria das pessoas na Líbia são contra esta guerra da OTAN, a maioria das pessoas na Líbia desprezam os membros do CNT como os terroristas que são, os elementos deste flagelo estão listados nos bancos de dados antiterroristas ocidentais e a maioria das pessoas na Líbia está a favor do governo Jamahiriya.

Então que direito tem esta Organização das Nações Unidas para começar a nomeação de grupos de "apoio"? Com amigos destes... Onde estava a ONU quando esta sujeira terrorista começou incendiando edifícios e decapitando pessoas negras na rua, saqueando propriedades do Estado e privadas? Onde estava a ONU para defender Muammar al-Kadhafi? O homem que eles estavam planejando premiar com um galardão humanitário?

Será que a ONU admite que apoia terroristas e racistas? Nesse caso, esta organização não representa a minha idéia de uma Organização das Nações Unidas, ela não representa os ideais estabelecidos na sua própria Carta e não representa um fórum que tem o direito de reclamar qualquer responsabilidade para defender ou formular a lei internacional.

É evidente que esta questão da Líbia não tem nada a ver com a democracia ou proteger os civis. A OTAN, apesar de tudo, comete massacre após massacre, e nem sequer se preocupa hoje em pedir desculpas. Só vira as costas como o bando de criminosos insensível de sangue-frio e assassino que é.

Trata-se do desmantelamento da União Africana, trata-se de destruir as instituições da África e entregá-las de volta para ex-potências coloniais, aleijando a Comunidade Africana das Nações, prejudicando os africanos, mais uma vez aprisionando-os com amortizações de juros altíssimos, trata-se de canalizar os recursos da África para fora, desta vez gratuitamente, política ajudada pela ONU, ajudada pelos líderes africanos que olham inertes com as mãos nos bolsos, ajudada por aqueles que reconhecem e apoiam o que só pode ser chamada uma organização terrorista.

Este não é o meu mundo, esta não é a minha comunidade internacional, esta não é minha ONU - não foi capaz de representar a minha vontade, não conseguiu representar os desejos nos corações e mentes da comunidade mundial e, como tal, não existe mais como algo digno de respeito - é um clube de troca de interesses comerciais entre aqueles que não foram eleitos e, portanto, não têm o direito de permutar os recursos do mundo entre eles.

É o momento certo para criar uma nova comunidade internacional, é hora de uma nova abordagem, é o momento para o Estado de Direito ser aplicado igualmente a todos, é hora de responsabilizar esse punhado de líderes políticos, que cohabita entre os 7 bilhões de pessoas na comunidade mundial, pelas suas ações. O mundo não pertence a eles, é nosso!

A noção de que Muammar al-Qathafi deve parar de lutar é tão ridícula como é dizer a um dono da casa que ele deve entregar as chaves para um intruso que tenha entrado pela janela, que tenha estuprado sua esposa e que matou seus filhos. Nesta situação você luta com tudo que tem e tenta infligir o máximo de danos quanto você pode ... Se você é Homem, é claro!

Por: Timothy Bancroft-Hinchey
Fonte: Pravda.Ru

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O Roberto Jefferson de cada um e a desigualdade do que é igual

Pela primeira vez neste século, há exposição na mídia da corrupção que tornou o Estado mais rico e desenvolvido da Federação em um dos que menos se desenvolvem. Contudo, a cobertura que a imprensa local vem fazendo das denúncias do deputado estadual Roque Barbieri (PTB-SP) de que o governo do Estado compra apoio legislativo liberando emendas ao orçamento não lembra, nem de longe, a cobertura do “mensalão do PT”.

Não se sabe por que Barbiere passou a denunciar o “suposto” esquema de compra de apoio legislativo pelo governo paulista depois de permanecer calado por tanto tempo. Segundo ele, a liberação de emendas ao orçamento estadual – “suposta” moeda de troca entre Executivo e Legislativo – passou a existir após a eleição de Geraldo Alckmin em 2002 e permaneceu durante o governo estadual de José Serra, perdurando até hoje. Contudo, isso não fica claro na cobertura jornalística do caso.

Não há indignação midiática como houve em relação ao “mensalão do PT”, igualmente denunciado por parlamentar governista (ironicamente, também do PTB – Roberto Jefferson) que, como Barbieri, teve acesso de moralismo e denunciou que o governo do qual era aliado “supostamente” compraria apoio no Legislativo através de pagamentos aos legisladores. Não há “teste de hipóteses” ou perguntas constrangedoras a Alckmin ou Serra sobre se um deles “sabia” ou “não sabia”.

Onde estão os colunistas da Folha, do Estadão ou da Veja “indignados com a corrupção”?

Cadê os editoriais furiosos culpando todo o PSDB por “supostos” atos de corrupção de seu governador, de seus parlamentares e de partidos e parlamentares aliados?

Aliás, será que a “Juventude do PSDB” de São Paulo não fará nenhuma “marcha contra a corrupção”?

Inexiste uma só opinião nesses veículos de comunicação ou entre os habituais indignados com a “corrupção” que diga que o PSDB inteiro é corrupto e que usa dinheiro público em benefício próprio. Muito menos opinião disfarçada de reportagem ou de discurso de cidadãos que se dizem “neutros”…

O partidarismo da mídia, assim, resume-se à falta de indignação e de suposições – ou, se preferirem, de “teste de hipóteses” – nos veículos que passaram a última década produzindo, em vez de falta, excesso de opiniões e suposições de que não restaria dúvida sobre as acusações de “compra de parlamentares” pelo governo Lula, dando como “prova” do crime simplesmente o fato de que tais acusações partiram “de dentro do esquema”.

Que diferença há entre a denúncia de Roberto Jefferson contra o PT e a de Roque Barbiere contra o PSDB? Ambos não denunciaram que governos desses partidos conseguiam que o Legislativo aprovasse tudo o que queriam “convencendo-o” a apoiá-los por meio de suborno com dinheiro público?

Ao dizer que até o governo Mario Covas não havia liberação de emendas a parlamentares e o conseqüente esquema de corrupção entre eles e empreiteiras, Barbiere disse sobre governo do PSDB o mesmo que Jefferson disse sobre governo do PT. Só falta que Alckmin e Serra digam que “não sabiam” e que a mesma imprensa que não acreditou em Lula tampouco acredite neles. Alguém acredita mesmo que isso pode vir a ocorrer?

Fonte:blogcidadania

Temos que abandonar o mito do crescimento econômico infinito’


Há vinte anos, a queda do Comunismo no Leste Europeu parecia provar o triunfo do capitalismo. Mas teria sido uma ilusão?

Os constantes choques no sistema financeiro internacional nos últimos anos levaram a agência inglesa de notícias BBC a perguntar a uma série de especialistas se eles acham que o capitalismo fracassou.


Toda sociedade se aferra a um mito e vive por ele. O nosso mito é o do crescimento econômico. Nas últimas cinco décadas, a busca pelo crescimento tem sido o mais importante dos objetivos políticos no mundo.

A economia global tem hoje cinco vezes o tamanho de meio século atrás. Se continuar crescendo ao mesmo ritmo, terá 80 vezes esse tamanho no ano 2100.

Esse extraordinário salto da atividade econômica global não tem precedentes na história. E é algo que não pode mais estar em desacordo com a base de recursos finitos e o frágil equilíbrio ecológico do qual dependemos para sua sobrevivência.

Na maior parte do tempo, evitamos a realidade absoluta desses números. O crescimento deve continuar, insistimos. As razões para essa cegueira coletiva são fáceis de encontrar.

O capitalismo ocidental se baseia de forma estrutural no crescimento para sua estabilidade. Quando a expansão falha, como ocorreu recentemente, os políticos entram em pânico. As empresas lutam para sobreviver. As pessoas perdem seus empregos e em certos casos suas casas.

A espiral da recessão é uma ameaça. Questionar o crescimento é visto como um ato de lunáticos, idealistas e revolucionários. Ainda assim, precisamos questioná-lo. O mito do crescimento fracassou. Fracassou para as 2 bilhões de pessoas que vivem com menos de US$ 2 por dia. Fracassou para os frágeis sistemas ecológicos dos quais dependemos para nossa sobrevivência.

Crise e oportunidade
Mas a crise econômica nos apresenta uma oportunidade única para investir em mudanças. Para varrer as crenças de curto prazo que atormentaram a sociedade por décadas. Para um compromisso, por exemplo, para uma reforma radical dos mercados de capitais disfuncionais.

A especulação sem controle em commodities e em derivativos financeiros trouxeram o mundo financeiro à beira do colapso há apenas três anos. Ela precisa ser substituída por um sentido financeiro mais longo e lento. Consertar a economia é apenas parte da batalha. Também precisamos enfrentar a intrincada lógica do consumismo.

Os dias de gastar dinheiro que não temos em coisas das quais não precisamos para impressionar as pessoas com as quais não nos importamos chegaram ao fim.

Viver bem está ligado à nutrição, a moradias decentes, ao acesso a serviços de boa qualidade, a comunidades estáveis, a empregos satisfatórios.

A prosperidade, em qualquer sentido da palavra, transcende as preocupações materiais.
Ela reside em nosso amor por nossas famílias, ao apoio de nossos amigos e à força de nossas comunidades, à nossa capacidade de participar totalmente na vida da sociedade, em uma sensação de sentido e razão para nossas vidas.

Texto com base nas palavras de Tim Jackson, professor da Universidade de Surrey e autor do livro Prosperity without Growth – Economics for a Finite Planet(Prosperidade sem Crescimento: Economia para um Planeta Finito), defende o abandono do mito do crescimento infinito.

Fonte: correiodobrasil

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O ensino da Administração centrado na sociedade de mercado

À semelhança de todo sistema de educacional contemporâneo, o ensino e a prática da administração e da gestão das organizações são baseados nos pressupostos de uma sociedade inteiramente centrada no mercado.

O conhecimento aplicado ao mundo das organizações também está a serviço dessa sociedade de mercado.

Mas, afinal, o que é o mercado? Somos todos nós. Mas essa aparente democracia econômica é tudo, menos eqüitativa.

Como na democracia política, o mercado também tem "donos".

Uma visão mais atenta à trajetória da humanidade ao longo dos tempos, no entanto, vai nos levar à constatação de que a sociedade de mercado não é necessariamente inarredável. Em verdade, o seu protagonismo é bem recente.

A sociedade de mercado na plenitude em que a vivemos não tem mais do que 250 anos na história. Ela surge, concretamente, a partir da Revolução Industrial. E, mais ainda, não se aplica a todas as formas de atuação humana hoje existente, ou mesmo que já existiram ontem ou que existirão possivelmente no futuro.

A lógica da sociedade centrada no mercado não pode ser aplicada a todas as formas de atuação em a que humanidade se relaciona no seu cotidiano existencial. Portanto, assim também as teorias e as práticas de administração das organizações não podem essencialmente se circunscrever somente a ela.

A teoria das organizações se aplica apenas a um tipo especial de ação do homem em sociedade: a que temos hoje no mundo das organizações empresariais e na mundialização de uma economia de consumo e de crédito.

É preciso que se destaque que em sociedade alguma do passado os negócios, como transações puramente econômicas e comerciais, constituíram a lógica e a razão - de

-ser da vida comunitária.

A lógica das relações em comunidade se dava em torno principalmente da religião. Hoje, a dimensão econômica é tão presente que os shopping centers substituem as congregações das igrejas nas reuniões de domingo.

São nesses espaços de consumo que as famílias se reúnem nas áreas de alimentação, pois eles proporcionam os encontros entre amigos e para o lazer e o entretenimento, mas, acima de tudo, para fomentar o aumento do endividamento de todos nas compras a crédito do supérfluo e do desnecessário.

Na atualidade mundial, o mercado se transformou em força modeladora da sociedade como um todo.

Hoje o mercado põe e dispõe em todas as suas formas de expressão: na educação e na cultura, nos esportes e no lazer, na pesquisa e nas suas utilizações práticas, na política e na defesa do meio ambiente. Enfim: em todas as dimensões da vida humana.

É sempre o critério econômico que fixa e determina o padrão da existência humana. E, assim também, como não poderia deixar de ser face à lógica dominante, o mercado determina igualmente a teoria das organizações, o ensino e a prática da administração.

As teorias das organizações se constituem numa ideologia que legitima, em nível empresarial, a sociedade de mercado e, portanto, também suas iniqüidades e disfunções. E, até mesmo em especial, as suas funcionalidades.

As teorias das organizações não conseguem compreender a peculiaridades históricas das organizações de caráter econômico. Sequer admitem que possam existir outras espécies de organização social. As teorias de organização só se aplicam às organizações modeladas pela sociedade de mercado. Ignoram que a sociedade de mercado é um arranjo social singular, sem precedentes históricos. Ela, de fato, jamais existiu até o advento da Revolução Industrial.

As teorias das organizações consistem no uso consciente, deliberado, intencional de um conjunto de conceitos e sistemas operacionais cuja finalidade é levar às pessoas a interpretarem e a agirem na realidade organizacional na direção e no sentido que os agentes dominantes do mercado desejam. Elas são essencialmente instrumentais ou funcionais para o mercado. Não são substantivas, mas fundamentalmente adjetivas, complementares e funcionais.

E, assim, a racionalidade instrumental das teorias de organização se torna na racionalidade geral, indistinta, aplicada sempre a quaisquer situações em que se integrem pessoas se relacionando com pessoas, por meio de distintos usos de hierarquia para a consecução de determinados objetivos.

A raiz do caráter enganoso da teoria das organizações está no conceito de racionalidade que a sustenta.

Apresenta-se como substantiva, centrada na ética de convicções, na valorização e dignificação do homem em seus valores permanentes, mas se restringe e se sustenta nos fins calculados, na ética dos resultados, em que sempre os fins justificam os meios.

Certamente vocês me dirão, mas ela funciona, por isso é boa: as organizações progridem e o mundo se desenvolve.

E eu lhes direi: vocês têm razão, as teorias das organizações têm contribuído, de forma relevante, para o sucesso empresarial. Mas, certamente,hoje "o que é certo é o errado, e o que é errado é o certo", afirma de forma lapidar Guerreiro Ramos em seu texto insuperável "A Nova Ciência das Organizações".

No contexto das precárias condições em que vivemos no mundo das organizações e no seio da sociedade globalizada, e que ainda vão perdurar por longo tempo, é claro que como racionalidade instrumental, funcional, como ferramenta para a gestão das empresas, a teoria das organizações prestou , presta a ainda prestará bons serviços à sociedade de mercado, arrastando, em contrapartida, simultaneamente suas distorções, iniqüidades e baixo apreço aos elementos permanentes da vida humana. Ela se foca na submissão do homem aos fins calculados pelo mercado, na predominância dos interesses dos acionistas majoritários, na falsa apologia da supremacia do cliente na ação empresarial.

É nesse sentido que se deturpa a avaliação da contribuição da teoria das organizações à elevação da humanização do homem em sociedade.

Decididamente, não se pode confundir o que é útil com o que é verdadeiro. A utilidade é uma noção cheia de ambigüidade ética. Em si mesmo, aquilo que é útil pode servir para ser tanto eticamente correto quanto eticamente errado, mesmo que obtenha por muito tempo resultados.

É preciso que se condene explicitamente qualquer tipo fundamentalista de análise organizacional que identifique o que é hoje existente como eticamente válido e legítimo só por ser existente e por dar resultados.

A contribuição da teoria das organizações prevalecente no mundo do trabalho deve ser mais bem estudada e eticamente qualificada.

Trata-se de equacionar o conflito moral em que se vive no mundo das organizações: a racionalidade formal e instrumental é determinada por expectativas de resultados ou de fins calculados enquanto que a prevalência da racionalidade substantiva se propõe à construção de um mundo melhor, mais humanizado, capaz de levar o ser humano a estágios de evolução nunca alcançados.

É um baita contra senso julgar-se que a organização seja a mesma coisa que uma pessoa, tenha personalidade moral, como um indivíduo isoladamente, possa ser "uma empresa cidadã", possa ou não ser ética, tenha ou não espiritualidade. Ou que possa existir motivação para a organização inteira. Ou mesmo que possa existir uma mente organizacional coletiva.

Como se pode pretender integrar objetivos pessoais e objetivos organizacionais como se fossem os mesmos?

O máximo que se obtém é realizar uns através dos outros: "uma coisa é uma coisa outra coisa é outra coisa".

O ser humano é complexo, tem diferentes, diversificadas e mutantes necessidades. Assim, requer variados cenários, e não só um e apenas um na qual se fundamenta exclusivamente a concepção da teoria das organizações : o homem econômico-social centrado simultaneamente na sociedade de mercado e na economia do consumo e do crédito.

O sistema de mercado só atende a limitadas necessidades humanas. E o que é mais limitante: determina comportamentos humanos condicionados por imperativos eminentemente econômicos. Resgata e eterniza Adam Smith, apesar do discurso romântico do humanismo e da espiritualidade empresarial. Romântico mesmo ou essencialmente manipulativo?

As organizações são apenas instrumentos, aparatos ou uma ferramenta. Os indivíduos são os seus senhores: formam, plasmam e deformam as suas realidades.

Se não for assim, as organizações se transformam inelutavelmente em castelos de homens sem alma, instrumentos da opressão humana, do totalitarismo, máquinas de coisificação da existência humana, de subjugação do homem pelo homem.

Texto de Wagner Siqueira
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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A Paz de Obama é a Guerra!

Barak Obama em seu discurso recente na 66ª Assembléia Geral da ONU ultrapassou o limite da arrogância e por que não dizer fora do rumo da história.

A paz da guerra necessária defendida por Obama, não interessa aos palestinos que desde 1948 sofrem todo tipo de humilhação, discriminação e agressão militar por parte de Israel com total apoio dos Estados Unidos.

Interessante é que os estadunidenses se apregoam como os defensores da liberdade e da democracia para todos os povos do mundo, mas negam no caso palestino. Por que esta parcialidade sempre em defesa de Israel? Será que o povo palestino mão merece a democracia tão apregoada por Obama?

Sim, os palestinos querem a democracia, mas não a democracia que os EUA levaram ao Iraque e à Líbia. Os palestinos querem ter seu estado, livre, soberano, democrático, com capital em Jerusalém e que seu povo tenha direito ao justo retorno.

Fica claro que Obama comete um retrocesso em sua política para o Oriente Médio esquecendo-se da Primavera Árabe, os anseios de transformação de toda a sociedade, de melhor forma de vida, trabalho, educação, bem estar e justiça social. Os EUA estão perdendo seus principais parceiros árabes como o Egito e possivelmente a Arábia Saudita. Até parece que Obama quer desencadear uma nova intervenção bélica na região.

A responsabilidade da comunidade internacional em acabar com as práticas expansionistas de Israel, apoiadas incondicionalmente pelos Estados Unidos que pode vetar no Conselho de Segurança da ONU de admissão da Palestina, com base nas fronteiras de 4 de junho de 1967, com Jerusalém Oiental como sua capital, como membro pleno das Nações Unidas. As discussões do Conselho de Segurança vão até o fim de outubro, e podem se estender até novembro.

A Limpeza Étnica
Os palestinos já romperam as barreiras do medo e do silêncio. Em suas Intifadas deixaram claro que a disposição em conquistar seus direitos é ilimitada.

A Intifada gerou um cenário único. Saíram às ruas com pedras contra um dos exércitos mais poderosos do mundo. Mostraram sua indignação ao sofrimento, humilhação coletiva de um sistema repressivo de um estado agressivo, expansionista que está sufocando todo um povo milenar através da limpeza étnica como bem define o historiador israelense Ilan Pappe.

Israel procura de todas as formas inverter a verdadeira história. Pappe em seu livro A Limpeza étnica na Palestina deixa muito claro como foi a partilha da Palestina promovida pela ONU que a dividiu em três regiões: a palestina com 818 mil palestinos e 10 mil judeus em 42% de suas terras; a judaica com 499 mil judeus e 438 mil árabes em 56% da terra e Jerusalém internacionalizada, com 200 mil de cada comunidade em 2% da terra. Os palestinos maior parte da população com 1.456.000, ficaram com 42% de suas terras e hoje somente com 22% e totalmente ocupados pelas forças israelenses.

O muro da vergonha
O muro de Israel que continua sendo construindo na Palestina tem mais de 700km e tem aproximadamente 9m de altura. O de Berlim, levantado em 1961, tinha em torno de 155 km e 3m de altura. É a brutalidade da história se multiplicando.

A Assembléia Geral da ONU decidiu, em dezembro de 2003, dirigir à Corte Internacional de Justiça a seguinte consulta: “Quais são as conseqüências legais da construção do muro que vem sendo construído por Israel, o poder ocupante, no Território Palestino Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental e perímetro urbano, como descrito no relatório do Secretário Geral, considerando-se as regras e princípios da lei internacional, incluindo a Quarta Convenção de Genebra, de 1949, e as resoluções relevantes do Conselho Geral e da Assembléia?”

Ao ver o mapa da Palestina fica claro que o muro não cerca a Cisjordânia, mas é construído dentro do território ocupado. Os palestinos ficam confinados em verdadeiros bantustões com restrições de ir e vir violando totalmente sua liberdade como nação. O Muro, além dos checkpoints, separa os camponeses de suas terras férteis, as famílias são separadas, os estudantes impedidos de irem às escolas, os doentes, as mulheres grávidas chegam a morrer antes de chegar aos hospitais.

Natanyahu ainda se julga no direito de culpar os palestinos por não quererem negociar. Negociar o quê, se já lhes foi tirado tudo? Agora vem com esta conversa que os palestinos têm que aceitar o Estado Judeu e que Israel continuará implantando novos assentamentos na Cisjordânia.

Os governantes israelenses dizem que os palestinos não querem a paz, mas são eles que ocuparam 78% das terras palestinas, violaram todas as leis internacionais, construindo assentamentos, anexando as Colinas de Golã a Região de Shibhaa do Líbano e o pior Jerusalém Oriental. Hoje, a Palestina virou um grande Campo de Concentração a céu aberto sob constante repressão do exército de Israel onde os direitos humanos são violados diariamente. Israel confisca a água palestina, degrada o meio ambiente, pratica a demolição de casas, escolas e hospitais. Devemos lembrar que O Estado de Israel teve um início conturbado, uma vez que os colonos sionistas passaram a colonizar a Palestina a partir dos anos 30.

ABBAS na ONU
Em seu discurso na 66ª Assembléia Geral da ONU , o presidente palestino Mahmoud Abbas reforçou a disposição palestina em negociar em todos os momentos aceitando as Resoluções da ONU, mas que são desconstruídas sistematicamente por Israel intensificando-se após os Acordos de Oslo.

Os relatórios das missões das Nações Unidas, bem como de várias instituições israelenses e das sociedades civis, transmitem uma imagem terrível sobre o tamanho da campanha de colonização, da qual o governo israelense não hesita em se gabar e que continua a executar por meio do confisco sistemático de terras palestinas e da construção de milhares de unidades de novas colônias em diversas áreas da Cisjordânia, especialmente em Jerusalém oriental, e da construção acelerada do Muro de anexação, que consome grandes extensões da nossa terra, dividindo-a em ilhas separadas e isoladas e cantões, destruindo a vida familiar, as comunidades e os meios de subsistência de dezenas de milhares de famílias.

A potência ocupante também continua suas incursões em áreas da Autoridade Nacional Palestina por meio de ataques, prisões e assassinatos nos checkpoints. Nos últimos anos, as ações criminosas das milícias de colonos armados, que gozam da proteção especial do exército de ocupação, intensificou-se com a perpetração de ataques freqüentes contra nosso povo, tendo como alvo casas, escolas, universidades, mesquitas, campos, plantações e árvores. Apesar de nossas repetidas advertências, a potência ocupante não agiu para conter esses ataques, e nós a consideramos totalmente responsável pelos crimes dos colonos.

O pronunciamento da presidente Dilma, primeira mulher a fazer a abertura solene da Assembléia Geral da ONU, sem dúvida fortaleceu o apoio internacional.
É bom lembrar sempre os ensinamentos de Edward Said, em um de seus brilhantes artigos “nenhuma cultura ou civilização existe isolada das outras, nenhuma entende estes conceitos de individualidade e de iluminismo como sendo completamente exclusivos. Nenhuma, existe sem os atributos humanos fundamentais que são a comunidade, o amor, a valorização da vida e de todo o resto”.

A Paz para a Palestina significa também a paz para Israel, razão pela qual Israel e os EUA deveriam ser os primeiros a apoiar a criação do Estado da Palestina.

Israel não está entendendo o que acontece,
Israel não quer a Paz.
Obama não quer a Paz.
Querem a guerra e seus vultuosos lucros.

Querem continuar a limpeza étnica do Povo Palestino. Israel em um momento histórico responde com insanidade e desprezo ao mundo desrespeitando a comunidade internacional e avisa que construirá mais 1.100 casas em Jerusalém Oriental, ocupada militarmente.

Texto de Ali El-Khatib, este é sociólogo, superintendente do Ponto de Cultura Árabe - Instituto Jerusalém do Brasil e coordena o NEAF – Núcleo de Estudos e Pesquisa Árabes da FACAMP.

Fonte: caros amigos

domingo, 2 de outubro de 2011

Conselho de Ética vai apurar venda de emendas em SP

O colégio de líderes da Assembleia Legislativa decidiu, em reunião extraordinária, apoiar a investigação, no Conselho de Ética, da acusação de venda de emendas parlamentares. A denúncia, revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo, foi feita pelo deputado Roque Barbiere (PTB), segundo quem "de 25% a 30%" dos deputados estaduais "vivem e enriquecem" vendendo emendas.

Todos os líderes de partido deliberaram pelo apoio à representação protocolada na sexta-feira pelo deputado Carlos Giannazi (PSOL), que pede que o conselho investigue o caso. Com isso, a Mesa Diretora da Assembleia optou por não entrar com outra representação, como pretendia na semana passada.

Barbiere - que na sexta-feira afirmou à TV TEM, afiliada da Rede Globo no interior de São Paulo, que tem provas e poderá apresentar até três nomes de deputados que estariam vendendo emendas - deverá ser efetivamente convocado para depor no Legislativo paulista.

"O posicionamento da Casa é de esclarecimento. Todos nós estamos desejosos de que esse assunto seja esclarecido o mais rapidamente possível. Incomoda a Casa toda a permanência do assunto como ele se encontra", afirmou o presidente da Assembleia, Barros Munhoz (PSDB), na saída da reunião.

Segundo ele, as denúncias seriam investigadas mesmo que o PSOL não houvesse protocolado o requerimento, em virtude "da publicidade que foi dada ao assunto". O presidente da Assembleia afirmou ainda que a investigação do Conselho de Ética deve durar entre 30 e 60 dias. "É difícil precisar, isso vai caber ao conselho. Mas acredito que em 30, 60 dias no máximo, isso esteja resolvido".

Para Giannazi, o clima entre todos os partidos é pela investigação. De acordo com ele, as acusações de Barbieri puseram a Casa toda sob suspeição. "A denúncia do deputado Barbiere põe em xeque a lisura de todos os parlamentares. Todos os líderes querem algum tipo de resposta", disse o líder do PSOL.

Hoje, o presidente do Conselho de Ética, Hélio Nishimoto (PSDB), assina um requerimento convocando os membros do órgão - que, por não ser permanente, precisa ser chamado. O documento deverá ser publicada amanhã no Diário Oficial e o conselho deve se reunir na quinta-feira. O líder do PT, Ênio Tatto, afirmou que instruiria o vice-presidente do órgão, Marco Aurélio de Souza (PT), a fazer o requerimento caso Nishimoto não o faça.

Fonte; jornal A cidade de RP - As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.